quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Festa da firma: Circuito Bem-Estar ADC Embraer

Comecei a trabalhar na Embraer em 2010. Desde então, sei que o clube dos funcionários da empresa (ADC Embraer) organiza uma corrida de rua. Mas nesses 15 anos, nunca tinha tido a oportunidade de participar. Seja por motivos de inscrições esgotarem rápido, ou talvez da falta de alguma companhia para correr junto. Até agora. Foi só aparecer um chefe incentivando o pessoal a participar da prova, e de certa forma "convocando" quem já era corredor, que surgiu um bom motivo para participar. Tudo bem que trata-se de uma prova de apenas 6k (única distância disponível para corrida, a outra opção seria 4k de caminhada) e que seria cerca de 1 mês após a Meia Maratona de SJC, mas o importante era participar para estar com o pessoal.

O percurso também era interessante e singular: largada e chegada na Av. dos Astronautas, em frente à sede da ADC Embraer. Algumas voltas por ali pelo bairro e também dentro do estacionamento da Embraer. Não chegava a entrar nas dependências da empresa em si, muito provavelmente por questões de segurança. Até mesmo porque a participação não era restrita apenas aos funcionários, qualquer um poderia se inscrever. Mas claro que os maiores interessados a participar de uma corrida como essa seriam os próprios funcionários e seus familiares e conhecidos.



Mesmo assim, sempre bate aquele pensamento sobre qual seria uma boa meta de tempo para buscar. Pelo meu pace das provas anteriores, em especial da meia, buscar algo abaixo de 5:30min/km seria algo razoável. Mas considerando a distância mais curta, mirar em 5min/km parecia uma meta ousada, porém factível. Então resolvi adotá-la, e buscar fazer a prova em menos de 30 minutos.

Mas foi pouco tempo de preparo entre a Meia e esta corrida, apenas 4 semanas. Nas 2 primeiras semanas, ainda estava um pouco "de ressaca" da meia, fazendo treinos curtos nos quais ainda não conseguia recuperar um ritmo. Na última semana consegui fazer bons treinos intervalados para acostumar o corpo com velocidades mais altas. Lembro-me também de um treino realizado em Santos no meio do ano no qual fiz 6km em um ritmo forte (para mim), completando em cerca de 32min (cerca de 5:20min/km).

Claro que tudo também dependeria das condições no dia. E de fato, após uma semana muito chuvosa, o domingo amanheceu frio e nublado, embora sem chuva. Condição ideal para a corrida. Bem ao contrário do calor e sol forte da Meia de SJC no mês anterior. Encontrei vários amigos antes da largada, o que por si só já foi muito divertido. Mas como eu pretendia tentar fazer tempo e a distância era curta, logo tratei de tentar ir largar um pouco mais à frente. Dada a largada, procurei impor um ritmo forte desde o começo. Fui tratando rapidamente de fazer as ultrapassagens necessárias, e próximo ao km1 sou ultrapassado por um amigo muito mais rápido que eu. Cruzo o primeiro quilômetro no meio da descida tomando cuidado para não escorregar, e com o relógio marcando 4min43seg. Ok, bem dentro da meta. Mas tudo o que desce também sobe, e logo começou uma baita subida. O que também foi bom para eu entrar definitivamente no fluxo da corrida. Já não ultrapassava muita gente, e também poucos me ultrapassavam. A marca do km2 foi completada com 9min56seg. Ou seja, ainda dentro da meta, mas quase no limite.
Porém, a partir daí foi tudo plano. Peguei água no primeiro posto de hidratação, mais para refrescar a cabeça do que por sede mesmo. Pegamos então a rua da saída dos ônibus da empresa e fizemos uma curva 180° ao final dela, com direito a um tapete de medição. Contei cerca de 120 pessoas à minha frente, entre homens e mulheres. Achei legal que nesse caminho de volta pude ver e cumprimentar diversos amigos e colegas que estavam participando da prova.


Cruzei o km4 com 20min01seg. Acima da meta, mas com fôlego para tentar melhorar. Entrei no estacionamento da Embraer, peguei água no segundo posto de hidratação e tratei de buscar acelerar. Nesse momento foi legal ver gente rápida correndo e fui tentando acompanhá-los, como se fossem os "coelhos" das maratonas, aquelas pessoas contratadas para impor um ritmo forte no começo. Logo vi o resultado, e passei pelo km5 com 24min45seg. E me sentia bem, tinha uma boa margem para o tempo meta.


O foco era tão grande no resultado, que na saída do estacionamento eu já via o pórtico da chegada. Tanto que nem reparei nos fotógrafos que tiravam foto do pessoal passando pela entrada da empresa, com a aeronave Bandeirante ao fundo. Mas fiz o sprint final e completei a prova com 29min07seg! Quase 1 minuto inteiro abaixo da meta! Tudo bem que meu relógio também marcou uma distância inferior a 6km, mas foi pouca coisa.


Não poderia deixar de compartilhar aqui também o pensamento que me ocorreu: se nessa prova de 6km consegui fazer abaixo da meta de 30 minutos com muito frio, então muito provavelmente (arrisco a dizer que certamente), se na Meia de SJC no mês anterior o clima estivesse igual, eu teria feito aquela prova abaixo das 2 horas (faltaram apenas 18 segundos). O que, para mim, apenas reforça a vitória que obtive naquela corrida.

Não eram lá muitos participantes ao todo, ouvi falar em cerca de 1500 contando com a caminhada. Mas como eu tive a sensação que cheguei bem à frente da maioria, fui checar a classificação. Eles separavam entre associados e não-associados. Dentre os homens e não-associados, fui o 51°, sendo o 8° na faixa etária. Nada mal, para um total de algumas centenas de participantes.


Depois de chegar, peguei minha medalha e encontrei meu amigo "queniano". Ficamos aguardando e celebrando a chegada de todos os amigos que cruzavam o pórtico final. Algo realmente bem divertido. Tiramos fotos, celebramos, de modo que a corrida em si passou a ser um mero detalhe para a confraternização. Afinal, esse era mesmo o real motivo de sair de casa num domingo frio e chuvoso como aquele.

Para finalizar, como sempre, a foto da medalha. Mais uma pra coleção!




 

sábado, 18 de outubro de 2025

Rumo aos 42k: Meia Maratona de São José dos Campos


Vou começar esse post assim como comecei este daqui, referente à primeira meia-maratona realizada em São José dos Campos/SP. Desde que me mudei para a cidade, em 2008, vejo muitas corridas de rua sendo organizadas na cidade. Algumas que se tornaram tradicionais, outras que não vingaram. E vendo muita gente participando das provas não só aqui, mas também frequentemente viajando para São Paulo, estava claro que haveria público para realizar no mínimo uma Meia Maratona na cidade. Isso aconteceu em 2017, como relatei na Meia do CTA (curiosamente, uma prova que não vingou). Entretanto, já em 2018 um grupo começou a organizar uma corrida que chamaram de Meia Maratona de São José dos Campos, ocorrendo todo ano desde então (com exceção do período da pandemia) no mês de Setembro. Acabei não participando dessa em nenhuma oportunidade. No ano passado, ao ver alguns conhecidos participando, achei que seria uma boa prova para se tentar em 2025. Eis que este ano a organização inovou, e promoveu a Meia à Maratona completa. A primeira da cidade!

É claro que fica aquela vontade de participar da prova mais longa. Mas isso exige treinamento, dedicação e planejamento. Mesmo para uma meia maratona, já é algo que exige um certo preparo (pelo menos para mim). Curiosamente, nas duas últimas que participei (Meias de Santos e de São Paulo), tive pouco tempo de preparação disponível e fiz a prova do jeito que deu. Comentei nos posts de ambas as provas que não tinha meta de tempo, afinal, com pouca preparação, terminar a prova já me deixaria feliz. Curiosamente, em Santos fiz em 2h00min37seg e em São Paulo 1h59min05seg; ou seja, ambas na cada das 2 horas. Desta vez, conseguindo fazer uma preparação mais adequada, achei ser o caso de estabelecer a meta de fazer a prova sub-2h.

E assim me dediquei aos treinos e cheguei ao dia da prova. Dado o aprendizado de outras provas, decidi por uma alimentação leve antes da corrida, apenas café, fruta, pão e queijo branco fresco, nada para pesar a barriga. Entretanto, aqui acho que cometi um erro sim. Ao invés de mamão, comi abacate pois estava mais maduro. Trata-se de uma fruta mais gordurosa, à qual eu não estava acostumado antes de treinar. Mesmo assim, consegui ir ao banheiro antes da prova e saí de casa cerca de meia hora antes da largada, prevista para 5h45min da manhã. Infelizmente, como a maratona já havia largado (às 5:00, ou seja, 45min antes da meia), muitas ruas já estavam interditadas e o Uber acabou me deixando um tanto longe. Cheguei ao Paço Municipal de São José dos Campos, local da largada, e me posicionei com apenas cerca de 5 minutos de antecedência. Senti o abacate pesar um pouquinho, mas tá valendo. Uma vez dada a largada, todos ali estavam para o mesmo desafio da meia. As provas de 10k e 5k largaram um pouco depois ainda. Dado o calor feito no dia anterior e a previsão do tempo, foi até bom ter largado cedo aproveitar o tempo fresco do início da manhã.


Já no começo deu pra perceber que a meta de sub-2h seria difícil. Embora bem treinado, a prova tinha uma altimetria que não era de se desprezar, além do clima quente. Isso sem falar na quase ausência de sombras, visto que o percurso pegava apenas duas vias de trânsito rápido da cidade (Anel Viário e Av. Mário Covas) e com muito poucas árvores. Virei os primeiros quilômetros na faixa de 5min30seg, passando pela marca de 5k com 28min04seg. Estava um tempo bom para as pretensões da meia sub-2h. Ainda mais que a essas alturas do campeonato já não sentia mais o peso do abacate.

A prova foi transcorrendo normalmente, e fui pegando água nos postos de hidratação. Sempre com a estratégia de pegar 2 copos, tomando um pouco e jogando a maior parte no rosto para ajudar a regular a temperatura corporal. Fiz o retorno 180º no Anel Viário na altura do km6 e desci para a Av. Mário Covas na sequência. Um belo posto de hidratação na altura do km9 continha também banana e isotônico. Pouco depois disso cruzei a marca do km10 com 56min21seg, com um ritmo suficiente para o sub-2h, portanto. E fazendo até então todos as parciais abaixo de 6min/km. Mas já no km11 fiz uma parcial de 6min04seg, o que me deixou um pouco apreensivo pela queda de rendimento. Logo fiz o retorno na Av. Mário Covas e entendi o problema. Esse último quilômetro foi em uma subida razoável, e só percebi isso após fazer o retorno. Consegui retomar o bom ritmo no km12 fazendo a parcial em 5min36seg. Mesmo assim, o calor começava a pegar e eu sabia que ainda teria que encarar duas subidas muito piores mais pra frente: no retorno da Av. Mário Covas para o Anel Viário e depois no próprio Anel Viário. Não à toa algum fotógrafo capturou a imagem ao lado: pelo meu relato, deu pra perceber que passei boa parte do percurso olhando pro relógio e pensando no meu ritmo.

Não que eu não estivesse curtindo a corrida. Claro que estava. Mas toda essa preocupação com o ritmo e as contas não deixavam de ser uma forma de manter o foco e tentar alcançar o objetivo. Mais ou menos nesse ponto da prova o líder da maratona me ultrapassou, e logo comecei a ver alguns maratonistas no sentido contrário (o percurso deles ia para outras ruas e convergia com o da Meia apenas mais para o final). Passei também por uma garota novinha perdida, sem número no peito, que em teoria estava fazendo a prova de 10k mas pegou sem querer a saída para a Av. Mário Covas (ela devia ter ficado apenas no Anel Viário). Tentei tranquilizá-la dizendo que ia dar tudo certo, mas segui meu rumo. Espero que ela tenha conseguido concluir bem sua corrida.

Chegou então o retorno ao Anel Viário, passando antes por uma curva 180º na marcação do km16. Passei por ali com 1h30min50seg! Um pouco acima do tempo para o sub-2h. Eu deveria fazer os últimos 5km com um ritmo médio de 5min50seg para conseguir. Não era impossível, mas o calor já se fazia forte e o cansaço presente. E pra piorar, vieram as duas ladeiras que eu temia. Faço a parcial do km18 em 6min15seg, e nessa hora praticamente dou adeus à meta. Nesse momento, lembro-me de frases motivacionais que vi ao longo do percurso, como: "Sua mente desiste antes do seu corpo", ou então: "Quando as pernas falharem, corra com o coração". Então mesmo sabendo da dificuldade, decidi dar o máximo nos 3km finais. Aproveitei a leve descida e peguei um ritmo alucinante dadas as circunstâncias. Meu relógio marcou 21km com 1h59min50seg! Sub-2h? Calma lá!


Ah, mas a maratona não são 42km redondos! São 42.195 metros! De forma análoga, a Meia Maratona teve sua distância oficial fixada em 21.097 metros. E que diferença fazem esses poucos metros quando você está focado no tempo! Um outro ponto mais relevante é a distância marcada pelo relógio e a distância oficial da prova. Se você fica zigue-zagueando muito na corrida, seu relógio inevitavelmente irá marcar uma distância maior. No meu caso, a diferença não foi tão significativa, um pouco menos de 100 metros na verdade. Ainda assim, esses 200 metros finais (100 na conta do relógio e 100 na conta da distância oficial) foram o suficiente para minha corrida terminar com o tempo oficial de 2h00min18seg.

Quando contei o tempo pra minha esposa ela perguntou: poxa, mas você não conseguia dar um sprint final? Depois contei pra ele que meu sprint final correspondeu a 3 insanos quilômetros. Então realmente não dava. Se eu tivesse sido 1 segundo mais rápido por quilômetro, teria feito abaixo da meta. Será que foi culpa do abacate? Talvez. Mas certamente o clima muito quente e seco contribuiu. No ano passado na Meia de São Paulo fiz abaixo de 2 horas, com menos preparo, mas estava um dia muito mais frio. A temperatura ali oscilou entre 10ºC e 15ºC, enquanto nessa Meia de São José dos Campos a oscilação ficou entre 17°C e 25°C. Nos dias seguintes à corrida chegou uma frente fria e a temperatura despencou. Meus treinos regenerativos me levaram a crer que se a frente fria tivesse chegado mais cedo, muito provavelmente eu teria feito meu sub-2h até com certa folga.

A vida de corredor é assim, nem sempre a gente consegue atingir a nossa meta. E muitas vezes essas coisas acontecem por fatores que fogem ao nosso controle, como por exemplo o clima no dia da prova. O importante é não se frustrar com isso. E pra ser bem sincero, mesmo não tendo atingido a meta de tempo, eu fiquei muito feliz. Senti-me mais inteiro do que na Meia de São Paulo no ano anterior. Consegui me recuperar da prova mais rapidamente. Fiz o sprint final mostrando que ainda tinha energias. E fiquei com a sensação de que se a corrida fosse um pouco mais longa (não ainda o dobro), eu teria conseguido concluir também. Então encaro sim como uma bela vitória. E se ao final da Meia de São Paulo ano passado eu fiquei me perguntando se já poderia começar a pensar na Maratona, a sensação agora foi de certeza nesse sentido. Agora é começar a se planejar, pensar na rotina de treinos e colocar em prática. Quem sabe em 2026?

Embora eu já tenha escrito muito sobre isso ao longo do post, segue o registro oficial do meu ritmo ao longo da prova, bem como a elevação da corrida, ambos registrados pelo meu relógio.



E pra finalizar, a tradicional foto da medalha. Embora o evento fosse a maratona, com o próprio nome contendo o "42k", na medalha ficava claro qual a modalidade que participei. Não deixa de ser uma inspiração para buscar o grande desafio na sequência.








 

sábado, 2 de agosto de 2025

Vai na fé: Corrida da Cidade 2025

A Igreja da Cidade de São José dos Campos é uma igreja evangélica localizada próximo à Via Dutra e também à recente Via Cambuí, uma via de trânsito rápido conectando a Av. Juscelino Kubitschek ao bairro do Putim, inaugurada em 2024. Já há alguns anos eles organizam uma prova de corrida de rua de 5k e 10k em suas imediações. Desde a inauguração da Via Cambuí, a prova passou a organizar também uma versão de 15k. E o percurso não poderia deixar de ser outro senão a própria Via Cambuí. Como já mencionei algumas vezes, não gosto de participar de muitas provas que repetem sempre o mesmo percurso, o que me fez olhar para esta nova prova com um certo interesse. Além de ser um percurso que nunca corri, também é uma região da cidade que poucas vezes passei. Soma-se a isso o fato de que a prova seria realizada em um feriado de quarta-feira, não deixando de ser portanto uma experiência diferente por mais esse motivo também.

Sem nunca ter ido ao local da Igreja da Cidade, fui finalmente conhecê-la na véspera da corrida para a retirada do kit. Muito me chamou a atenção a área enorme do terreno, com um estacionamento gigantesco e diversas construções. Não apenas a igreja em si, uma construção bem moderna e que por dentro lembra até um centro de convenções, mas também uma escola que pertence a igreja e um grande espaço de vivência, com quadras esportivas e quiosques. Mesmo sem fazer parte da comunidade, fui muito bem recebido pelas pessoas que me atenderam, sendo muito solícitos e cordiais ao passar as informações sobre os detalhes para o dia seguinte.

O pórtico de largada foi posicionado na parte externa, em uma rua de terra. Achei estranho uma rua de terra perante toda a modernidade ali. Pelo regulamento, a prova de 15k largaria primeiro, depois de 5 minutos as de 10k e 5k juntas. Mas o que se viu na hora foi todo mundo largando junto e misturado. Por um lado achei ruim pois poderia gerar aquela muvuca danada que destesto nas largadas. Mas por outro, somando as 3 distâncias, eram apenas 1000 participantes. Não foi o suficiente para causar qualquer tumulto, até mesmo porque me posicionei bem à frente para a largada. Consegui imprimir meu ritmo desde o começo.

Por ser uma prova de 15k, mesma distância da São Silvestre, logo veio aquela comparação. Será que consigo fazer um tempo melhor, ou seja, abaixo de 1h27min? Eu não me sentia tão bem treinado assim, mas por outro lado fazia bastante frio no dia. Tudo ia depender também da altimetria. A da São Silvestre é bem desafiadora, e a desse percurso também parecia ser. Seja como for, comecei com um ritmo forte, fechando o primeiro quilômetro em 5min15seg, já na Via Cambuí.

O início da prova se deu pela via de acesso à área da igreja, e depois ganhamos a Via Cambuí. Não demorou muito para iniciarmos uma descida, e pouco após a marca do km2 veio um posto de água e o retorno para quem faria a distância dos 5k. A via expressa corta uma área bem pouco habitada, com alguns condomínios mas muita vegetação nativa. Ela é orientada mais ou menos no sentido norte-sul, de tal modo que víamos o sol nascendo a leste. E a oeste, na maior parte do percurso, era um barranco. O frio da manhã, o nascer do sol, a vegetação nativa, a via asfaltada bastante lisa e regular, tudo aquilo fazia com que a experiência da corrida fosse realmente bastante prazerosa. Mesmo com a subida que se tomou conta dos km4 e 5 da prova. Ainda assim, consegui virar abaixo de 6min/km, mantendo portanto um ritmo bom. Outro posto de água perto do km5, marcando também o retorno para quem faria a distância de 10k. E mesmo no frio, a água é sempre um alívio bem-vindo! E desta forma segui em frente para a continuação da prova, já fazendo contas se conseguiria manter o ritmo para fazer abaixo do tempo da São Silvestre. Aparentemente seria possível, mas claro que tudo iria depender da altimetria e das minhas energias no restante da prova.


Mais ou menos no km6 vi um posto de distribuição de isotônico. Interessante que a organização reservou este posto de hidratação apenas para quem faria a distância mais longa. E por ser no meio da pista, pode ser acessado duas vezes, afinal mais ou menos no km8 eu passei novamente por ali. Esses postos me deram um ânimo e mesmo nos trechos de subida eu estava conseguindo manter o ritmo abaixo de 6min/km. Passei pela marca dos 10k com 55min33seg. Ou seja, teria plenas condições de fazer abaixo do tempo da São Silvestre!


No posto de distribuição de água perto do km12, que era exatamente o retorno da prova de 5k, a água já havia acabado. Uma pena que não conseguiram prever adequadamente, mas felizmente eu ainda tinha um copo que estava carregando do posto de hidratação anterior e pude me manter bem hidratado nesse final. E nesse ponto as subidas já haviam terminado. Eu estava me sentindo muito bem e decidi apertar o ritmo no final. Entrei pela área da igreja e comecei a contorná-la para o último quilômetro. O que apenas comprova como a área da igreja era mesmo enorme! Comecei a fazer graça para os fotógrafos da prova, erguendo o punho, gritando, o que também os animou um pouco.


Dado o sprint final da prova insano, finalizei com 1h22min52seg, uma média de 5min30seg por quilômetro! Muito melhor do que as minhas projeções mais otimistas. Foi meu melhor tempo nessa distância! Ok, não corri muitas provas de 15k. Além das 3 edições da São Silvestre, participei também da Sargento Gonzaguinha em 2018, e meu tempo na ocasião havia sido de 1h23min58seg. Tudo isso é claro me deixou muito feliz e animado para continuar perseguindo desafios cada vez maiores. Será que a constância dos treinos e participações em provas está me preparando para voltar a encarar uma maratona? Quem sabe. Mas antes, preciso correr novamente uma meia!


Já que tanto falei aqui em comparar essa prova com a São Silvestre, fica então um comparativo da altimetria das duas provas, conforme as figuras abaixo extraídas do GPS do meu relógio. Na parte de cima, a desta Corrida da Cidade, e logo abaixo, da São Silvestre. O ganho de elevação registrado nas duas provas foi muito parecido (333m na Corrida da Cidade versus 327m na São Silvestre). A diferença principal é que na São Silvestre é basicamente uma descida só até o km5, daí vai subindo gradualmente até o km13, quando começa a subida insana da Brigadeiro. No caso dessa Corrida da Cidade foram 3 subidas fortes distribuídas ao longo do percurso. 





Para finalizar, como sempre, seguem as minhas parciais e a foto da medalha. Com destaque para as 3 cruzes que simbolizam esta igreja.








terça-feira, 22 de julho de 2025

Um desafio diferente: Duathlon do Vale 2025

Não é de hoje que passa pela minha cabeça a ideia de participar de um triathlon. Lendo o livro do Haruki Murakami, sobre o qual já escrevi nesse post antigo, parece até um caminho natural para os corredores de longa distância. Exercícios como bicicleta e natação são ótimos para treinos cardiorrespiratórios, essenciais para a corrida, com o benefício de não causar impacto nos joelhos. Longe de mim querer participar de um Ironman (só para ter uma ideia, o trecho de corrida desta competição equivale a uma maratona), mas a ideia de participar de uma prova multi-esportes me pareceu atraente. E as distâncias do triathlon olímpico parecem um desafio realizável (pelo menos para mim): 1,5km de natação, 40km de bicicleta e 10km de corrida. 

Até mesmo por conta disso comecei a acompanhar a competição de triathlon durante a Olimpíada. Seria uma forma de ver como os atletas de elite desta modalidade competem. E principalmente entender uma coisa que sempre achei curioso e que é uma das chaves do triathlon: a transição! Ao começar a me informar um pouco sobre essa modalidade, descobri que a transição é considerada por alguns como o "quarto esporte" do triathlon. Existem treinos específicos para essa parte da prova. Ok, ainda não é o meu caso, mas é sempre bom se informar.

Já há alguns anos em São José dos Campos/SP acontece uma prova que não é exatamente um triathlon. Pelo fato de envolver apenas a corrida e a bicicleta (não tem natação), trata-se portanto de um duathlon. E a ordem é um pouco diferente também, pois a prova inicia com um primeiro trecho de corrida, depois troca para a bicicleta, e finaliza com um segundo trecho de corrida. Eu não entendia exatamente o porquê dessa logística mas ao realizar a prova tudo ficou claro e logo mais explico tudo. Seja como for, pelo fato de ultimamente eu ter pedalado bastante com meu filho, seja para levá-lo para passear, seja para buscá-lo na escolinha, acabou que tenho pedalado muito mais do que a média desde que comprei uma bicicleta. Aliás, acredito que um dos motivos de eu não ter completado 1000km de corrida em 2024 (fiquei com 956km) foi justamente o de ter feito quase 300km de "treino" de bicicleta. Não raro acabei trocando um treino de corrida por um passeio com o pequeno, devido à logística da casa. Claro que esse tipo de passeio não equivale a um treino de verdade de bicicleta. Não vou com a mesma velocidade, não faço o mesmo esforço. Por outro lado, carrego um lastro a mais também. Acabou que às vésperas dessa prova decidi fazer um treino de verdade de bicicleta, até mesmo para me acostumar melhor com o exercício. Claramente, esse seria o meu real desafio nessa prova. Pela minha projeção, após esse treino, eu poderia tentar fazer o trecho de bike em pouco menos de 1 hora.

Outro desafio interessante no mundo do triathlon é a transição. No caso, tudo começa já na chegada ao evento. A primeira coisa que os atletas são orientados a fazer assim que chegam é o "bike check-in", que basicamente é entregar a bicicleta para a organização da prova e posicioná-la em algum ponto da zona de transição. Nas transmissões da Olimpíada eu sempre via tudo muito bem identificado, com as bandeiras dos países dos atletas e slots individuais para guardar as bicicletas. Claro que não esperava algo tão refinado deste jeito, mas confesso que imaginava algo um pouco mais organizado. As bicicletas simplesmente eram colocadas uma ao lado da outra em um cavalete coletivo e eram basicamente colocadas por ordem de chegada. O que para mim foi um problema, tentei fixar exatamente em qual dos 4 possíveis corredores e em qual altura dele se encontraria a minha bicicleta. Se estivesse organizado pelo número de identificação de cada atleta, as coisas seriam mais fáceis. A propósito, se nas corridas usamos número do peito, nessas provas o número deve ser também fixado no cano da bicicleta, no capacete e no cesto que fica na zona de transição para deixar os objetos que não serão necessários durante os trechos de corrida (como por exemplo o capacete, as luvas, e no meu caso, levei um óculos corta-vento também, até mesmo para me proteger de eventuais pedrinhas e insetos). 


Depois de deixada a bicicleta, saí para a largada. Logo percebi que não havia tanta gente assim, não era uma aglomeração tão grande que nem em provas de corrida. O locutor começou a passar as instruções de como funcionariam as transições, ou seja, por onde os atletas deveriam entrar ao final do primeiro trecho de corrida, sair com a bicicleta, e depois chegar com a bicicleta e sair pelo segundo trecho de corrida. Eu honestamente não entendi a descrição dele, e parece que os demais atletas também não. Ainda perguntei se não era todo ano igual e responderam que não, que estão sempre mudando. No final, bastava seguir a máxima de "segue o fluxo".

E foi dada a largada! Como já imaginava, a dispersão foi rápida pelo fato de sermos em pouco mais de 600 atletas somando as categorias Sprint, Standard, Olímpico e Mountain Bike (a minha, distâncias equivalentes ao Standard). Interessante o fato de ser uma prova de apenas 5k mas eu ficar segurando o ritmo. Afinal, era apenas o primeiro trecho da competição. Ainda assim, o tempo fresco me permitiu virar sempre entre 5m15s e 5m30s por quilômetro. Um ritmo excelente, e sem forçar muito. Completei o primeiro trecho de corrida com 26m48s!

Veio então a transição, e com ela o desespero. Fui até onde eu havia memorizado que estava a minha bicicleta e não a encontrava! Acho que na pressa de sair logo o pessoal acaba sem querer empurrando as bikes para um lado e para o outro, e após algum tempo finalmente localizei a minha bicicleta e o meu cesto. Depois disso segui empurrando a bicicleta até a linha de monte. O momento foi um pouco desesperador pois a pessoa da minha frente estava empurrando sua Speedy muito devagar. Eu não quis forçar a passagem pois era estreita e ela logo me passaria com sua bike. Exercitei um pouco a paciência, afinal eu não estava ali para fazer tempo, apenas para curtir. Logo passei pela linha de monte e a diversão começou.


Meu maior receio com uma prova de bicicleta era aquela muvuca da corrida, de todo mundo se acotovelando. O que é muito comum principalmente na largada. Se em competições ciclísticas como a Volta da França às vezes a gente vê alguns acidentes, envolvendo apenas profissionais, imagine então com um bando de amadores. Mas o fato de ter um trecho de 5km de corrida antes da bike garante uma dispersão grande o suficiente para evitar esse tipo de situação. E achei o pessoal também bastante consciente, respeitando inclusive uma recomendação dada pela organização: atletas mais lentos (como eu) procurar ficar sempre à direita e realizar as ultrapassagens apenas pela esquerda. E assim eu fiz: me mantive sempre à direita e o povo de Speedy foi me ultrapassando pela esquerda, em alguns casos como se eu estivesse parado. Ok, cruzei com uma ou outra Mountain Bike no caminho também, mas éramos uma minoria.

No começo eu demorei para me encontrar com relação às marchas da bicicleta. E o fato de o percurso não ser plano também trouxe essa dificuldade a mais. Mas eram 4 voltas em um percurso de 5km, de tal modo que já na segunda volta eu estava habituado com as marchas. Uma curiosidade é que nas subidas, nas quais o mais importante é a força na perna, não era raro que eu conseguisse ultrapassar algumas Speedys. Mas claro que nas descidas eles me passavam de volta. Outro ponto curioso foi a hidratação. Devido à velocidade mais alta, por mais de uma ocasião acabei acidentalmente derrubando o copo ao invés de conseguir agarrá-lo. Felizmente fazia frio então isso não foi exatamente um problema. Eu infelizmente acabei esquecendo em casa minha garrafa de água para acoplar na bike, o que era permitido pela organização dessa prova. Já na última volta percebi que a pista estava mais livre. Pudera, a maioria dos atletas de Speedy já haviam finalizado esse trecho. Mas ter a pista livre nem fez tanta diferença assim. Eu já estava sim um pouco cansado, e finalizei o trecho de bicicleta em 55m53s. Abaixo de uma hora!

Veio então nova transição. E de novo aquela bagunça. Não encontrava meu cesto para guardar o capacete. Quando encontrei o cesto com meu número, havia outro capacete lá dentro, com outro número. Removi o capacete do outro atleta que havia se confundido, guardei meus pertences e segui para a corrida. Mas qual caminho eu deveria seguir? Nessa altura simplesmente mais "fluxo" para ser seguido. Perguntei para o pessoal da organização e eles me indicaram. Sequer haviam placas indicando! Realmente pecaram nesse ponto.


Como era um trecho curto, de apenas 2.5km, decidi que era o caso de soltar todo o gás que eu ainda tinha. Acabei conseguindo ultrapassar uma meia dúzia de atletas durante esse trecho. Vi a linha de chegada e acelerei o máximo que pude, e no final vibrei para sair bem na foto! Fiz o segundo trecho em 13m42s, com um ritmo bem semelhante ao primeiro trecho de corrida. Fiquei feliz com isso: mostrou que consegui dosar bem a energia durante todo o trajeto.

Seguem abaixo as parciais de cada quilômetro dos trechos de corrida e de bike, na ordem realizada, bem como o certificado oficial da prova. O tempo total inclui o tempo que perdi nas transições, que foi cerca de uns 7 minutos ao todo. 





E para finalizar, como não poderia deixar de ser, a medalha do evento. A primeira que não é exatamente de uma corrida, o que de certa forma a torna mais especial.



segunda-feira, 30 de junho de 2025

Viajando e correndo: Riviera de São Lourenço

O ano era 2022. Embora o auge da pandemia já tivesse passado, ela ainda não havia terminado. Ainda estávamos em uma condição de manter o isolamento social sempre que possível. Cuidados com máscaras ainda eram necessários, sobretudo em ambientes fechados e sem circulação de ar. E eu seguia trabalhando na modalidade 100% remoto.

Eis que um belo dia me esposa me disse que iria passar alguns dias trabalhando em uma obra na belíssima praia da Riviera de São Lourenço, no litoral de São Paulo. E que estaria hospedada em uma casa de praia de uma amiga nossa. Oras, como para desempenhar meu trabalho eu só precisava de uma internet de boa qualidade, lá fui eu também!

E obviamente aproveitei para dar minhas corridinhas durante aquela semana. Na verdade foram apenas duas ocasiões. Chegamos na quarta-feira na Riviera. Fui correr na quinta-feira no final da tarde, logo após finalizar o expediente (foto acima). Apenas um trote leve, devem ter sido cerca de 8km apenas. 

E é claro, precisava também de um treino em uma manhã de sábado, no qual aproveitei para puxar uma distância um pouquinho maior (mas sem exageros, fiquei nos 12km mesmo). Registrei o momento da bela manhã de sol na foto abaixo. Curiosamente, 3 anos depois, mesmo com a situação da pandemia já tendo sido finalizada, nunca mais voltei para correr na Riviera. Provavelmente por pura falta de oportunidade. 

De todo modo, as lembranças desses dias permanecem.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Uma promessa de vida: São Silvestre 2024

Como escrevi no post de 2008, minha primeira participação na São Silvestre, correr esta prova era um sonho de criança. Naquela época, constatei que eu estava com 24 anos e era a 84a. edição da corrida. Logo, a aritmética básica indicava que a 100a. edição da São Silvestre ocorreria em 2024, quando então eu completaria 40 anos de idade. Prometi a mim mesmo, lá em 2008, que no que dependesse de mim, eu correria a 100a. edição da São Silvestre em 2024, aos meus 40 anos de idade. O tempo passou, muita coisa mudou na minha vida desde então. Terminei meu mestrado, fiz doutorado, cresci profissionalmente, casei, tive um filho. Criei este blog e fui registrando minhas corridas. Completei até 2 maratonas! Fiz minha parte! Mas quis o destino que a pandemia de COVID-19 cancelasse a prova em 2020, de tal modo que só me restou a opção de correr a 99a. edição da São Silvestre aos meus 40 anos de idade. 

E lá fui eu! Fiz a inscrição logo no primeiro dia lá pelos idos de Setembro. O site estava lotado, demorei um pouco para conseguir, mostrando que mesmo com 37500 vagas eu corria o risco de não conseguir me inscrever. Mas deu tudo certo. Tirei férias em outubro com a família e tive apenas 2 meses para treinar. Isso somado à loucura de todo final de ano de conseguir finalizar tudo. Considerando que eu corri uma meia maratona em abril, não teria com o que me preocupar em completar uma prova de 15k (apesar da altimetria bastante desafiadora da São Silvestre). Mas o ponto aqui era outro: em 2008 completei a prova em 1h34min. Ritmo portanto inferior a 10km/h. Em 2012 tentei melhorar o tempo, mas fui ainda pior: 1h36min. Desta vez eu não queria apenas terminar. Eu tinha sim uma meta de tempo, que era completar abaixo de 1h30min!

No dia 30 de Dezembro, véspera da corrida, fui para São Paulo para pegar meu kit. Ao contrário das outras edições que participei, nas quais a retirada se deu no Ginásio do Ibirapuera, desta vez foi na Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. O kit em si foi bastante simples: apenas o número do peito com o chip, a camiseta e a sacola. Nada de brindes. Pelo contrário, estava ocorrendo uma exposição de corrida na Bienal, com vários stands de patrocinadores da prova vendendo seus produtos. Também era possível ver alguns painéis legais, mostrando o mapa com o percurso da corrida, ou a lista de inscritos na parede. Não demorei muito para encontrar meu nome lá! Embora eu nunca tenha corrido uma maratona "major", sei que esse tipo de painel é bastante comum nessas provas. Acredito que tenha servido de inspiração para a organização da São Silvestre.

Veio então a manhã do dia 31 de Dezembro. Devido às chuvas que ocorreram durante toda a semana anterior, o clima estava bastante ameno, com um belo sol e céu azul. Estava um dia lindo, perfeito para uma corrida. A largada seria apenas às 08:00 da manhã, mas cheguei na Av. Paulista um pouco depois das 06:00 para conseguir um bom lugar para a largada. Tomei essa decisão de chegar bem cedo devido à minha experiência com a prova de 2012, na qual cheguei quase que em cima da hora da largada e saí no meio de uma muvuca que praticamente me impossibilitou de conseguir encontrar um bom ritmo de prova. Naquela ocasião fiquei quase que o tempo todo me acotovelando para encontrar meu espaço. Bem ao contrário de 2008, quando a corrida ainda era de tarde e eu havia chegado com pouco mais de 1 hora de antecedência.

Outro ponto que foi um diferencial foi a largada em ondas. No ato da inscrição precisávamos identificar um pelotão de acordo com nossa estimativa de tempo. O primeiro pelotão era o azul, com pace abaixo de 5 min/km e largava junto com a elite. O meu era o segundo, o verde, com pace entre 5 e 6 min/km. E o último era o vermelho, com pace acima de 6 min/km. Até aí, eu já participei de inúmeras provas assim. O diferente dessa vez é que de fato as quadras da Paulista estavam completamente isoladas com grades de ferro. Os únicos acessos para a pista eram as ruas laterais, com os fiscais de prova deixando entrar apenas quem de fato estivesse no pelotão que largaria daquela quadra. Após a largada do pelotão azul, ficamos aguardando um pouco. Logo, os fiscais da prova formaram uma corrente humana dando os braços e começaram a nos escoltar pela quadra seguinte até o pórtico de largada. Fomos liberados para a largada cerca de 15 minutos após o primeiro pelotão. Por um lado eu estava impaciente, doido para correr. Mas por outro, como bem disse um sábio corredor ao meu lado, isso era bom pois garantiria a dispersão do primeiro pelotão.

E de fato, na hora que foi dada a largada para o meu pelotão, consegui começar a correr e impor meu ritmo desde o começo. Algo que eu não havia conseguido nem mesmo na edição de 2008. A foto ao lado foi tirada logo após o término da Paulista, no acesso para a Av. Doutor Arnaldo. Durante alguns anos morei ali perto e passar pelo local me fez lembrar de uma lanchonete que eu costumava frequentar por ali. Não posso esconder que fiquei feliz ao constatar que a lanchonete continuava ali, no mesmo lugar de sempre, conforme eu esperava. Logo pegamos a descida bastante íngreme (e portanto perigosa) da Av. Major Natanael e contornamos o Estádio do Pacaembú. Nesse momento duas coisas interessantes aconteceram. A primeira e mais óbvia é que a proximidade de um estádio de futebol fez com que muitos corredores começassem a exibir suas preferências futebolísticas gritando os nomes dos seus times do coração. E a segunda é que mais ou menos por ali alcançamos o km2 da prova, e logo alcancei alguns "retardatários": pessoas caminhando, muitas delas com fantasias. Comecei a reparar no número do peito e haviam largado no pelotão anterior! Logo comecei a temer por pegar "trânsito" à frente. Afinal, aquele povo definitivamente se inscreveu no pelotão errado. Podem ter se confundido na hora da inscrição, ou nem reparado nesse ponto, ou então se inscreveram junto com algum amigo que queria fazer tempo e decidiram por largarem juntos. Enfim, os motivos podem ser os mais variados, mas fato é que esse é o tipo de coisa que atrapalha a vida de quem se inscreveu no pelotão certo. Ainda assim, dos males o menor: de fato os 15 minutos entre os pelotões funcionou e garantiu uma boa dispersão, de modo que lá pelo km4 a minha sensação é que não havia mais problema algum com os "retardatários".

Cruzei o km5 com 26 minutos de prova. Um tempo excelente e uma bela margem para a minha pretensão de tempo. Mas dada a altimetria da prova, não dava para comemorar muito: estávamos no ponto mais baixo do percurso. Até então, havia sido apenas descida, e dali pra frente, apenas subida. Mesmo focado no tempo e praticamente entrando "em flow", eu pude aproveitar e me deliciar com as maravilhas dessa corrida. Muita gente acompanhando a prova em vários pontos do percurso e dando seu incentivo. Ou apenas interagindo com os corredores mesmo. E assim foi ao longo do centro de São Paulo, passando perto de vários cartões-postais da cidade ou importantes pontos de referência. Mais ou menos na altura do km7,5, metade da prova, passamos pela Praça Princesa Isabel com a imponente estátua do Duque de Caxias. Passamos próximos ao edifício Copan, contornamos a esquida da Av. Ipiranga com a Av. São João, em vários pontos pude avistar o prédio do Banespa. E tudo isso com vários toques musicais de pessoas se apresentando, desde taiko (tambores japoneses), passando por bandas de rock (cover dos Beatles) e até mesmo um grupo tocando e dançando frevo no meio da avenida. Acho que nessa hora acabei desviando de algum corredor e passei sem querer no meio do frevo.

A hora avançava e começava a esquentar. Ainda assim, o clima estava muito agradável. Passei no checkpoint do km10 com a marca de 55 minutos. Ou seriam 56 minutos e uns quebrados? Na verdade nesse ponto já estava bastante evidente novamente uma diferente entre a marcação do meu relógio e a oficial da prova, em cerca de 300 metros. Talvez tenha acontecido por eu ter ficado zigue-zagueando para desviar de outros corredores, em especial entre os km2 e 4 da prova.

Segui pelas ruas do centro de São Paulo. Contornei o largo do Paysandú, o belíssimo Teatro Municipal de São Paulo, quebrei para outras ruas e logo veio o último posto de água no início da subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio. Eu sempre tomo um pouco de água e jogo outro tanto no rosto para me refrescar. Um fotógrafo registrou esse momento e gostei tanto da foto que decidi por incluí-la aqui. E na sequência, a subida começou a apertar. Muito famosa por ser o ponto em que muitas corridas do pelotão de elite foram decididas, mas também por ser algo muito comentado entre os próprios corredores amadores. Lembro-me de nas outras edições ver muita gente caminhando, e que por ter conseguido me manter correndo, ainda que em ritmo mais leve, ter conseguido ultrapassar muita gente. Dessa vez não foi muito diferente. Segui tentando manter um bom ritmo na subida e ultrapassando muita gente. O público, que esteve presente em quase todo o percurso, mostrou-se mais numeroso na subida. Justamente por ser a parte mais desafiadora do percurso, é onde muita gente decide ir para dar aquela força para seu amigo que está participando da prova. Ou talvez existam aqueles que vão simplesmente para dar um apoio inespecífico aos corredores em geral. Seja como for, o apoio do público nessa subida com certeza dá uma marcha a mais para ajudar na subida com gritos de incentivo. Eu também me contagiei e logo após molhar a cabeça na saída do posto de água soltei um grito que veio do fundo da alma: "BORA!!!" Pois é, ao contrário dos outros anos que encarei a Brigadeiro, nos quais lembro-me de estar muito cansado e só conseguir olhar para baixo, desta vez eu estava mais inteiro, mantendo a cabeça erguida o tempo todo e consequentemente conseguindo contemplar na plenitude esse espetáculo da corrida de rua: diversos corredores sendo desafiados pela subida, e um número ainda maior de pessoas nas laterais da avenida incentivando os atletas! Talvez seja justamente essa simbiose entre público e atletas que torne a São Silvestre uma das corridas de rua mais especiais e emocionantes que existam!

Uma semana antes da São Silvestre eu havia feito um treino de subida na Ilha Porchat em São Vicente, que é uma subida ainda mais desafiadora que a Brigadeiro. Talvez isso tenha me ajudado a desempenhar bem. Meu relógio completou o último quilômetro na Brigadeiro com 6min26seg. Nada mal para uma subida! Isso aconteceu na última quadra da Brigadeiro, quando a subida praticamente termina e já é possível ver a esquina com a Paulista. Desnecessário dizer que ela estava absolutamente abarrotada de gente acompanhando a prova. Dobro a esquina e vejo o pórtico da chegada ao fundo. Confesso que na minha memória o trecho na Paulista não era tão longo assim. Olho no relógio e o tempo marcado era de 1h26min. Faço o sprint final com o que me restava de forças, ao mesmo tempo que curtia o fato de estar correndo na absolutamente charmosa Avenida Paulista. Cruzo a linha de chegada com o tempo final de 1h27min22seg!

Missão cumprida! São Silvestre 2024 completada aos meus 40 anos de idade! E de quebra ainda consegui fazer abaixo de 1h30min, batendo portanto minha meta auto-imposta de tempo! A sensação não poderia ser das melhores. E veio o pensamento de que a São Silvestre é tão legal que merece ser corrida todos os anos. Porém, parando para pensar melhor, talvez tenha sido muito especial este ano justamente por causa do hiato de 12 anos sem participar. Não sei ainda se irei correr novamente na histórica 100a. edição de 2025. Vou decidir isso no devido tempo, conforme for o andamento do meu ano. Mas uma coisa é certa: ainda pretendo volta a correr mais vezes a São Silvestre. Quem sabe para comemorar os meus 50 anos de idade?



Segue novamente o print com as parciais marcadas pelo meu relógio, com direito à marcação superior à distância da prova. E para finalizar, vou deixar não só a foto da medalha desta edição da São Silvestre, mas também, logo abaixo, a foto com as 3 medalhas que possuo: a da 84a. edição (2008), a da 88a. edição (2012) e a da 99a. edição (2024).