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sábado, 8 de junho de 2024

Quem corre entende: Circuito Oscar Fila 10k

Desde que comecei a participar de corridas de rua lá atrás em 2008, consegui fazer pelo menos uma prova por ano. Até mesmo o ano de 2020, o mais crítico da pandemia, não passou em branco: participei de uma prova virtual como descrito AQUI. Mas em 2023 a vida mudou completamente com a chegada do bebê, e a rotina de treinos teve que ser adaptada. No final do ano eu até já estava me sentindo preparado para uma nova prova, mas o calendário acabou não ajudando muito. Entrei portanto em 2024 com a "promessa de Ano Novo" de voltar a participar de uma prova.

De uma forma bem oportuna, no final de 2023 eu acabei cruzando na rua com um colega de trabalho durante um treino. Corremos juntos por cerca de 1km e ele comentou que seria legal reunir o pessoal da nossa área para fazer alguns treinos juntos. Logo foi criado um grupo de whatsapp dos corredores lá da nossa seção. E foi bem legal ver o grupo se movimentando, juntando corredores mais experientes (como esse colega que é maratonista) até os mais novatos que pediam dicas de treinos, equipamentos, sugestões de provas, etc...


Logo veio o Reveillon e naturalmente começou a se falar no grupo sobre provas para 2024. Não demorou muito para divulgarem uma prova da Oscar, loja de calçados com unidades bem grandes em São José dos Campos, em parceria com a Fila, marca de material esportivo. Curiosamente, em 2016 corri uma prova deles, mas dessa vez era em parceria com a Adidas. Se quiser saber como foi essa experiência, basta clicar AQUI

A prova estava disponível nas modalidades 5k, 10k e Meia Maratona. Por mais que eu goste das longas distâncias, achei que seria um exagero retornar a participar de uma prova depois de quase 2 anos logo em uma Meia Maratona. Ainda mais com a rotina de treinos em fase de adaptação. Além disso, olhando o percurso da prova, veio a constatação que não seria uma moleza: a prova seria no Anel Viário de São José dos Campos, uma via expressa de trânsito rápido da cidade, mas que tem várias subidas e descidas. Por todos esses motivos somados, a prova de 10k já parecia estar de bom tamanho para uma retomada às competições. Logo acabei me inscrevendo nessa modalidade, junto com mais 3 colegas de trabalho (2 para essa mesma distância e 1 para os 5k).

A retirada do kit da corrida ocorreu no Vale Sul Shopping, próximo à loja da Oscar. Além da camiseta azul muito bonita, o kit também continha uma caneca escrito "Quem corre entende!" No site havia até um texto fazendo referência a acordar cedo pra ir treinar e à sensação de bem-estar causada pela corrida.

Comecei então a me preparar. Minha última prova havia sido de 10k também, a corrida da Farma Conde Arena em 2022. Desde então fiz treinos curtos de 5k a 7k, apenas para manter a forma, e raramente algum que chegasse em 10k. Realizar a inscrição e comentar sobre a corrida no grupo do Whatsapp foi um estímulo para começar a pegar mais firme nos treinos. Inclusive treinando junto com o pessoal do grupo em algumas manhãs de sábado. Em um treino desses, inclusive, acabei me empolgando na conversa e fiz um treino de 11k, passando portanto da distância que eu havia me proposto. Pelo menos era um sinal de que eu estava plenamente em forma para encarar outra prova de 10k.

Com relação à meta de tempo, pensei que uma boa meta desafiadora seria tentar bater a marca da última prova de 10k, que havia sido de 51min38seg. A bem da verdade, meu relógio marcou uma distância menor, discrepância essa que só apareceu no final da prova. Fazendo a projeção para a distância correta, eu teria completado em pouco menos de 53min. De todo modo, o simples fato de voltar a participar de uma prova, sentir o clima criado no evento e aquela adrenalina para tentar fazer seu melhor, já era combustível mais que o suficiente.

Veio então o grande dia. Largada marcada para 07:00 da manhã, e eu acordei por volta das 05:15. Desde que meu filho nasceu andei me habituando a acordar mais cedo e sair pra treinar antes do café da manhã, comendo apenas uma fruta antes de sair. O que é bem válido para treinos de curtas distâncias. Mas para 10k, e ainda por cima em uma prova que eu tentaria marcar algum tempo, comer algum carboidrato antes de sair era necessário. E aqui cometi acho que o meu grande erro do dia: escolhi comer meu pão com um queijo que era um tanto quanto curado. Queijo fresco não costuma ser problema, mas os curados são mais gordurosos e podem pesar na hora do exercício. De todo modo, tive tempo o suficiente ainda para ir até o banheiro e me dirigir para o local da largada, que era próximo à Prefeitura Municipal de São José dos Campos.

Encontrei meus bravos companheiros e logo nos dirigimos para a região da largada. Primeiro veio a largada da Meia Maratona, e 15 minutos depois foi a nossa vez. Fui atrás do rapaz mais experiente do grupo, encontrando um corredor pela lateral da pista e conseguindo assim encontrar meu espaço de forma mais rápida. O fato de a corrida estar sendo realizada em uma via espressa bastante larga também ajudou na rápida dispersão pós-largada. E tentei já imprimir meu ritmo forte desde os primeiros quilômetros. No começo o percurso era mais em descida, de tal modo que eu estava fazendo uma média de 5min15seg por quilômetro.

Deixo aqui também a minha única crítica com relação à organização da prova. Uma vez que a corrida era um simples "vai-e-volta" na mesma via, em algum momento havia uma curva 180º para o retorno. Essas curvas nos forçam a reduzir a velocidade e de certa forma comprometem o tempo total da prova. Mas ok, em muitos casos não tem como ser diferente. Entretanto, o que achei ruim nesse caso foi que o retorno de meio de pista deu-se literalmente em cima de um canteiro central, com direito a ter que subir (ou pular) a sarjeta. Achei muito perigoso e espero honestamente que ninguém tenha se machucado por ali. Isso foi por volta do km4, e logo após o retorno havia um tapete de medição intermediário.


Veio então a subida da prova, no km5. Confesso que minha impressão ao passar de carro por ali no meu dia-a-dia é que a subida seria assustadora em uma corrida de rua, um verdadeiro desafio. Mas depois, ao verificar pelo GPS, foram cerca de 30m de ganho de elevação ao todo, distribuídos por quase 1km. Já enfrentei subidas piores. Tanto que fiz essa parcial em 5min36seg, não muito acima da média que já vinha desempenhando.

Com isso cheguei à metade da prova, pegando água no posto de hidratação correspondente à foto acima. Eu não costumo adquirir muitas fotos das corridas que participo, mas essa daí achei que ficou muito boa. Parabéns para o fotógrafo que registrou o momento.

A parcial da metade da prova foi de 26min38seg. Uma projeção deste mesmo tempo para os 10km seria portanto de terminar um pouco acima dos 53min. Percebi que precisava apertar o ritmo se quisesse fazer abaixo deste tempo. Consegui passar pelos km6 e 7 com 5min13seg, um pouco beneficiado pelo relevo em descida nesse trecho. A meta era desafiadora, mas parecia factível.

O problema é que logo ficou evidente que o queijo que eu comi no café da manhã estava pesando. Eu sentia a barriga pesando, e começava até a soltar uns arrotos com gosto do queijo. E logo comecei a cansar também, virando os próximos dois quilômetros com um ritmo mais lento e completando o km9 com exatos 48min de prova. Seria necessário fazer o último quilômetro em menos de 5 minutos, e meu ritmo estava na casa de 5min30seg.

Eu de fato já havia largado mão da meta de tempo. Mas uma coisa curiosa aconteceu nesse último quilômetro. Ocorre que o pessoal da meia maratona largou 15 minutos antes. E dados os cerca de 4-5 minutos entre dar a sirene da largada e eu efetivamente passar pela linha de largada, eu tinha uma diferença de cerca de 20 minutos de diferença de tempo de largada para o pessoal da meia. Se eu estava finalizando a minha prova com pouco mais de 50 minutos e o pessoal da elite da meia ia concluir a prova perto de 1h10min, logo aconteceu o que se esparava: o líder da meia maratona estava me alcançando!

Comecei a escutar o pessoal da organização da prova anunciar que o líder da meia estava chegando, e já podia ouvir as sirenes das motos dos batedores que escoltavam o líder. Ao fazer o retorno no final do Anel Viário, pude ver o líder chegando no outro sentido. Faltavam pouco menos de 500m para o fim e eu já conseguia visualizar o pórtico da chegada ao longe. Por mais sem sentido que seja, falei pra mim mesmo que não deixaria o campeão da meia chegar antes de mim! Iniciei então um baita sprint final! A propósito, a foto ao lado corresponde a esse sprint final. Achei que ficou legal, mostra meus dois pés fora do chão. Créditos da foto para uma colega do trabalho, a Michelle, (do grupo do whatsapp) que participou na categoria 5k. 

Voltando à epopeia da chegada: a faixa da esquerda ficou reservada para a elite da meia (com cones de trânsito garantindo a separação), e as demais ficavam para o pessoal de 5k e 10k. Cruzei a linha de chegada com 53min10seg de tempo final. Foi apenas o tempo suficiente de eu cruzar a linha de chegada, virar o pescoço e assistir de camarote ao campeão da meia rasgar a faixa da chegada. Depois, olhando o tempo final dele e comparando com meu tempo bruto, concluí que cheguei 3 segundos antes dele!


Cheguei tão exausto com esse esforço final, que resolvi até comprar a foto que algum fotógrafo tirou de mim logo após a chegada. Essa minha cara de exaustão, de quem chegou no limite, retrata bem o que eu sentia na chegada. Sentei no meio-fio e fiquei recuperando o fôlego durante alguns minutos. Não foi bem o tempo que eu queria, imagino eu que principalmente devido ao erro cometido com a alimentação pré-prova, mas sem sombra de dúvidas foi o meu limite. Foi o melhor que pude dar de mim mesmo nesse dia. E é justamente esse o meu objetivo com a corrida. Ser a minha melhor versão.

Comecei o post falando do grupo de corridas de whatsapp formado pelo pessoal do trabalho, e que escolhi participar dessa prova porque foi um combinado dentro do nosso grupo. Para quem já estava procurando uma prova pra participar, talvez tenha sido apenas o empurrãozinho que estava faltando mesmo. Logo, eu não poderia finalizar o post sem antes incluir aqui uma foto do registro que tiramos nesse dia após a chegada, todos com suas respectivas medalhas. Obrigado Olaf, Michelle e Eliaquim pela parceria nesse dia! A companhia de vocês antes da largada e após a chegada tornou a participação nessa corrida em algo singular.

Como falei muito dos tempos das minhas parciais na corrida, acho interessante deixar também a figura com o valor do meu ritmo em cada quilômetro da prova, registrado pelo meu relógio.


Para finalizar o post, seguindo a tradição, deixo a foto da medalha dessa corrida. Com destaque para a ponte estaiada que virou cartão-postal da cidade de São José dos Campos, mas que curiosamente não fez parte do percurso.



quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Desafio Farma Conde Arena

O ano de 2022 começou com uma nova onde de casos de COVID, mostrando que a pandemia ainda não havia terminado. Por esse motivo acabei não traçando nenhum objetivo de corrida no começo do ano. Preferi adotar a cautela e ver como seria o desenrolar dessa história.

Porém, logo no começo do ano passei por problemas pessoais que até me tiraram do foco das corridas. Não cheguei a parar com meus treinos, mas também não procurei novos desafios por um bom tempo.

Foi realmente quase no meio do ano, após ver vários amigos participando de uma Meia Maratona em São José dos Campos, que me animei e resolvi correr alguma prova. Dado o calendário local, uma boa candidata seria o Desafio Farma Conde Arena.

Situada na Via Oeste, uma via expressa de trânsito rápido em São José dos Campos, esse ginásio poli-esportivo foi uma daquelas obras de infra-estrutura que volta e meia era paralisada e depois retomada. Não acompanhei muito de perto o desenrolar dessa história, mas fato é que depois de muito tempo finalmente a arena foi concluída e havia sido recentemente inaugurada. A corrida de rua serviria, portanto, até mesmo para as pessoas poderem conhecer a arena e as imediações.

Desnecessário dizer que a entrega do chip foi na própria arena. A única coisa que lamento é que não foi dentro da quadra do poli-esportivo (como acontece por exemplo com a entrega dos kits da São Silvestre, que até a última vez que participei era dentro do Ginásio do Ibirapuera), mas sim no átrio de entrada do público. Dessa forma, não foi possível entrar na arena propriamente dita, mas apenas dar uma olhada de relance.

No dia da corrida, o amplo estacionamento da nova arena estava disponível para os participantes. E a própria concentração para a prova estava sendo realizada ali. 

Ao contrário da Meia de Santos, realizada em Novembro de 2021, com todos os cuidados necessários com a pandemia, a organização dessa prova não parecia minimamente preocupada com o vírus. Não foi necessário apresentar teste PCR ou comprovante de vacina para a retirada do kit, e muito menos para a entrada na região da largada. Eu me senti um extraterrestre por ter ido buscar meu kit de máscara, e por ficar com ela durante a concentração sempre muvucada da largada. Isso porque conheço muita gente que ficou doente no mês anterior. Um sinal de que, se a pandemia ainda não havia passado de fato, pelo menos a preocupação da maior parte das pessoas, essa sim já havia sido deixada para trás.

O percurso da corrida não foi muito diferente da prova da Track and Field do Shopping Colinas que participei em 2019. A diferença residia basicamente no ponto de largada e chegada (Arena ao invés do Shopping). Mas a bela manhã de sol de domingo no inverno e o ar até mesmo um pouco bucólico da Via Oeste foram uma bela inspiração para a participação nessa prova. Curiosamente encontrei um colega de trabalho na largada que eu nem sabia que corria. E pelo visto nem ele! Acabou me contando que era sua primeira corrida, que havia começado fazia pouco tempo por recomendação médica. Desejamos boa sorte um ao outro e logo foi dada a largada e estávamos correndo.

Eu não tinha nenhuma meta de tempo para a prova. Meu recorde pessoal dos 10k, obtido na prova da Tribuna em 2015 com 50min15seg, seria praticamente inalcançável dado meu nível de treino. Terminar a prova abaixo de 1h era praticamente obrigação para mim, pois sempre consegui fazer pelo menos esse tempo. Ficar abaixo dos 55min já parecia uma meta factível dada a realidade do momento.

Comecei a corrida um tanto quanto tranquilo, tentando apenas manter um bom ritmo e apreciar a paisagem da Via Oeste. Completei o primeiro quilômetro com 4min56seg, e logo constatei que tinha que reduzir um pouco o ritmo. Os dois quilômetros seguintes foram feitos com média de 5min08seg. Ainda muito forte, e eu percebia que não seria possíel manter o mesmo ritmo. O quarto quilômetro veio com 5min20seg, e a partir daí a coisa já parecia mais realista mesmo. Cruzei a marca dos 5km, metade do percurso, com 25min45seg. Na segunda metade da prova ainda mantive uma média de 5min20seg por quilômetro, tentando dar uma leve puxada no último quilômetro com o fôlego que ainda restava para cruzar a linha de chegada com 51min23seg! Nada mal!

Um outro detalhe é que foi apenas minha segunda corrida oficial com um relógio que marca as distâncias (antes disso usava o celular). E pela segunda vez a distância final marcada pelo relógio ficou abaixo da marcação oficial da corrida, foram apenas 9,78km. Uma pena, pois o app não reconhece que foi uma prova de 10km, logo não registra essa corrida como uma das melhores marcas de 10km. Acontece.



Como não poderia deixar de ser, finalizo o post com a foto de mais uma medalhinha de participação para a coleção. E que venham ainda muitas outras!


PS: Sim, a corrida foi em Agosto de 2022 e eu publiquei o post em Janeiro de 2024. Os desafios que a chegada da paternidade trouxe também impactaram a disponibilidade para treinar e participar de corridas. Retomar a escrita do post (que já estava bem avançado por sinal) durante o recesso de fim de ano foi uma forma de motivação para voltar a correr. Que venham portanto mais corridas!

domingo, 24 de novembro de 2019

Cavalo dado não se olham os dentes: Track and Field Run Series Colinas

Organizar corridas de rua tornou-se um grande mercado, e ao mesmo tempo uma boa estratégia de marketing para que marcas de material esportivo pudessem se promover. Não apenas aquelas com foco bastante específico em tênis, como é o caso de Asics e Mizuno, mas também aquelas que comercializam material esportivo de forma mais ampla. Este é o caso por exemplo da Track and Field, que organiza as suas corridas chamadas de "Track and Field Run Series", ou TFRS, sempre nas imediações dos shoppings nos quais possui loja. Dessa forma, fazem a retirada do kit na própria loja (sempre com aquele cupom de desconto camarada para você usar na loja no dia da retirada do kit ou do próprio evento) e utilizam o espaço do estacionamento do shopping para fazer a aglomeração e a dispersão pós-prova. Algo que contribui também para aumentar o movimento no shopping como um todo.

Colocando tudo isso dessa forma, é até curioso que eu nunca tivesse participado de nenhuma edição da TFRS antes em nenhum lugar. Talvez por falta de oportunidade mesmo. Mas a proposta é bem interessante, principalmente tendo em vista que a infra-estrutura de um shopping center fica disponível para os atletas. 

Pra ser bem sincero, eu também não estava pensando em participar de nenhuma prova no primeiro semestre de 2019, pois queria focar em outro projeto profissional que estava me tomando bastante tempo e que inviabilizava treinar de forma adequada para corridas mais longas ou para melhorar meu tempo nas mais curtas. Porém, de forma bastante inesperada, acabei "ganhando" uma inscrição de uma colega de trabalho que havia se inscrito com alguns meses de antecedência para aproveitar uma promoção e depois acabou entrando em conflito com uma viagem dela. Ela acabou me oferecendo a inscrição e decidi aceitar. Mesmo que não estivesse treinando para fazer o recorde pessoal, pelo menos seria uma distração para um domingo de manhã.

Claro que isso gerou alguns fatos curiosos. O primeiro é que a camiseta do kit era do modelo feminino e não era do meu tamanho. Uma pena pois era realmente de alta qualidade. Quem sabe não me inscrevo em uma próxima TFRS para ganhar uma pra mim também? Outro fato curioso é que corri com nome de mulher escrito no meu número do peito. Mas, exceto por um conhecido que encontrei na largada, ninguém deve ter reparado. Ou se reparou, não comentou nada.

Mas, apesar da tecnologia no material esportivo, e dos brindes promocionais presentes no kit (algo que tem se tornado cada vez mais raro nas corridas de rua), chamou minha atenção o fato de o modelo do chip de cronometragem ser do tipo "old fashion", pois era daquele plástico duro com furinhos para você amarrar no cadarço e que você precisa devolver no fim da prova. Algo que vi apenas nas minhas primeiras corridas lá pelos idos de 2008 e 2009, e depois nunca mais. Desde então só tenho visto chips de plástico mais mole e descartáveis, evitando o trabalho de desamarrar o tênis logo após terminar a corrida. Ou até mesmo o chip de cronometragem no próprio número do peito. De todo modo, achei bastante curioso.



Eram 3 modalidades de corrida: 5k, 10k e 15k. Minha amiga havia se inscrito para os 10k, então foi nessa que participei. Melhor assim, eu não estava treinado adequadamente para encarar 15k, e também não gosto muito da distância de 5k. De todo modo, a largada e a chegada eram em conjunto, com as devidas separações acontecendo ao longo do percurso.

Por sinal, não era lá um percurso dos mais inspiradores. Mas também não era de todo ruim. A largada e a chegada aconteceram na rua de trás do Shopping Colinas em São José dos Campos. E depois disso, foi basicamente um vai-e-volta na Via Oeste, uma via expressa de trânsito rápido que conecta dois bairros da cidade. Logo, o fato de fazer um vai-e-volta em um percurso que é quase uma reta de 5km não é exatamente a coisa mais empolgante, muito embora as variações de declividade de fato tornassem a corrida mais interessante. Com relação à paisagem, ela também mudava muito pouco, basicamente com casas de um lado e vegetação do outro. E o interessante é que conforme a gente se afastava do bairro e o cenário tornava-se menos densamente povoado, a temperatura também caía.

Com relação à organização, só tenho o que elogiar pois foi realmente impecável. Tudo muito bem sinalizado, desde a largada até a chegada, passando pelos dois pontos da prova em que havia divisão de percurso devido à distância. A distribuição de água também ocorreu de forma bastante ampla e a cada 2,5km.

No final das contas acabei fazendo o tempo de 53m38s. Muito longe do meu recorde pessoal para a distância. Mas nada mal para quem não estava treinando adequadamente para isso. Claro que o clima frio que encontrei no dia contribuiu para isso.

Talvez a única coisa que eu não tenha gostado muito tenha sido da medalha. Além de não achá-la bonita, a inscrição do local e da data veio dentro de um plástico, e não gravada no próprio metal como acontece em outras provas. Provavelmente é a "medalha padrão" da TFRS que eles aproveitam para vários eventos que eles fazem em diferentes cidades e épocas do ano. Mas, como disse no título desse post, cavalo dado não se olham os dentes.

domingo, 16 de dezembro de 2018

10 anos correndo: 10km da Tribuna 2018

Pense em como era sua vida há 10 anos atrás. Tente se lembrar onde você estava morando. O que fazia da vida. Quais eram as pessoas com quem convivia. Pois é, muitas coisas mudam em 10 anos. Outras continuam iguais. No meu caso, em 10 anos eu me formei, comecei a trabalhar, mudei de cidade, mudei de casa, e finalmente, casei. Foram muitas as mudanças que aconteceram comigo nessa última década. Mas tem uma coisa que comecei a fazer há 10 anos atrás e que posso afirmar que mudou minha vida de verdade, que é a corrida de rua. Algo que começou despretensiosamente, mas eu logo "fui picado pelo bichinho da corrida", tomei gosto pelo esporte e enfim se transformou no meu hobby.

E quando digo hobby, quero dizer quase como uma segunda profissão. Algo que faço religiosamente toda semana, sem que ninguém me obrigue a fazê-lo. Corro pelo puro prazer da corrida. Comecei com a prova mais tradicional do pedestrianismo santista, os 10 Km da Tribuna, evento que pára a cidade inteira. Daí pra frente fui aumentando as distâncias: São Silvestre (15k), Pampulha (18k), Meia Maratona (21k) até finalmente atingir a tão sonhada Maratona de 42k.

A partir de então comecei a traçar algumas metas, como por exemplo correr a 100a. edição da Corrida de São Silvestre, que acontecerá somente em 2024. Uma outra meta, ou na verdade um compromisso, que coloquei para mim mesmo era o de correr novamente a prova da Tribuna no ano de 2018, pois seria a comemoração "oficial" do meu décimo aniversário como corredor. E lá fui eu.

A corrida de 2008 era uma grande novidade. Senti aquela ansiedade imensa na véspera da corrida e também nos momentos que antecediam da largada. Pequei pela falta de experiência e forcei muito no começo, mas consegui concluir no tempo que havia estabelecido como meta. Sem sombra de dúvidas cruzar a linha de chegada naquela ocasião foi uma emoção que, por mais que tente transcrever em palavras, é simplesmente indescritível.

Passados 10 anos, lá estava eu alinhando pela sétima vez para participar da prova da Tribuna. Algumas coisas mudaram desde então. O chip por exemplo, que antes era uma placa rígida de plástico que devia ser amarrado no cadarço e depois devolvido à organização, passou a ser uma placa mais flexível de plástico que não precisava ser devolvido à organização, até ter chegado ao ponto que encontrei na prova desse ano, que estava acoplado no número do peito. Detalhe: chip no número do peito foi a primeira vez que vi em uma prova.

O percurso continua basicamente o mesmo. Houve uma pequena alteração em 2012 logo no começo da prova, nas ruas que ligavam a saída do túnel à Av. Ana Costa. Nessa mesma avenida, o novo percurso passou a correr na mão contrária, de forma a liberar acesso a um hospital. Mas fora isso, é exatamente igual ao que já estou acostumado, bem plano e com longas retas, o que o torna um dos percursos mais rápidos da categoria.

Por outro lado, achei que a quantidade de bandas e grupos musicais se apresentando esse ano foi menor do que em outros anos. Talvez o número de participantes também tenha caído um pouco. Nas edições anteriores, a revistinha que acompanha o kit sempre mostrava o número de participantes, em número crescente ano após ano, tendo chegado até a 20 mil. Nesse ano não vi a informação em nenhum lugar. De todo modo, a minha percepção subjetiva é que essa continua sendo uma prova com muitos milhares de participantes. E mais do que isso: o apelo popular continua enorme, com muita gente nas ruas acompanhando e incentivando os corredores, um grande estímulo principalmente aos mais novatos. E é justamente esse o principal motivo que torna essa corrida tão especial.

Eu não tinha uma meta específica de tempo para esse ano, pois não fiz nenhum treinamento específico para a corrida. Terminei com 51m39s. Não foi o meu melhor tempo, mas ainda assim foi muito melhor do que o que eu estava esperando. Claro que 10 anos depois, após ter participado de inúmeras outras corridas, a emoção de cruzar a linha de chegada é diferente. Mas mesmo assim, correr continua sendo minha atividade física preferida, aquela que mais me dá prazer em realizar.

Ao longo desses 10 anos, foram 33 provas disputadas. Dessas, 2 foram maratonas e 7 foram meia-maratonas. As demais ficaram distribuídas em distâncias menores, embora a grande maioria fosse mesmo de 10k. Com esse número, acho que é uma boa meta tentar chegar em 100 medalhas, nem que eu leve mais 20 anos para conseguir fazer isso. E depois de atingir a meta, que tal dobrar a meta e chegar a 200 medalhas?

Por falar em medalhas, termino esse post da mesma forma que sempre fiz nesse blog, com a medalha da corrida. No caso, com a foto da 34a. medalha da minha coleção.


domingo, 17 de dezembro de 2017

Corrida do Centro Histórico de São Paulo

Achei muito legal a ideia de uma corrida pelo Centro Histórico de São Paulo. Muitos acham que a cidade de São Paulo se resume apenas a ser o centro financeiro do país, sem grandes atrativos turísticos. Mas a bem da verdade, há muito o que se descobrir no centro da cidade. Passeios que muitos paulistanos provavelmente nunca fizeram. Não me julgo um profundo conhecedor da região, mas justamente o pouco que conheço foi o suficiente para me deixar com muita vontade de encarar uma corrida como essa.

A corrida é organizada pelo portal Ativo, que também é parceiro da revista de corrida O2. Eles organizam várias provas em São Paulo, como o Circuito das Estações Adidas, a Meia de Sampa (das quais nunca participei) e as Night Runs, que participei uma vez no Anhembi. Um grupo que costuma organizar bem os eventos.

Retirei o kit na loja da Decathlon no Shopping Center Norte. Um apelo como sempre para a loja realizar a retirada do kit pois estimula o consumo naquele dia. Fazia muito frio e chovia aquela garoa fina do inverno paulistano (a prova foi no começo de agosto). No dia seguinte, não foi diferente.  Fazia realmente muito frio, mas eu sabia que correr de casaco não ia dar muito certo pois eu iria sentir muito calor com a corrida. Decidi então ir com duas camisetas: uma de manga comprida por baixo e outra de manga curta por cima. Assim ajudou também a cortar um pouco o vento. E por mais que a largada fosse às 07:00 da manhã e o frio Sol de inverno ainda nem tivesse aparecido direito, fui com um boné pra proteger a cabeça do vento gelado.

Peguei um Uber para chegar no local da largada, mas foi um belo problema. Além do rapaz não conhecer muito bem o centro, várias ruas estavam interditadas por causa da corrida de tal forma que não dava para chegar muito perto do local da largada. Acabei descendo e indo a pé por um bom trecho. Pelo menos serviu de aquecimento. Ao chegar no local da largada, percebi a bobagem que eu havia feito. A área de concentração era bem na praça do Vale do Anhangabaú, com uma estação de metro bem no meio. Pelo menos usei essa informação para a volta.

Justamente pelo fato de a largada ser em um vale, o início da prova foi claramente em uma subida. E de uma forma geral, achei a prova bem interessante nesse aspecto. Dado o relevo do local da corrida, o percurso foi repleto de subidas e descidas. Muitas vezes de pouca declividade, mas fato é que em poucos momentos me senti correndo no plano. Também não haviam retas muito longas, pelo contrário. Muitas, mas muitas curvas. Isso foi muito interessante do ponto de vista de ter boa variação no percurso, mas por outro lado pode comprometer um pouco a velocidade. Outro ponto negativo foi o fato de todas as ruas serem muito estreitas, o que também dificultava um pouco as coisas, principalmente nos primeiros quilômetros.


Logo após a subida inicial, tomamos a rua Líbero Badaró e fomos em direção à praça Ramos de Azevedo, onde fica o Teatro Municipal. Mas só o avistamos brevemente, logo tomamos outras ruas, nas quais foi possível dispersar um pouco. Logo passamos pela faculdade de Direito do Largo do São Francisco, na frente da qual tinha o primeiro posto de hidratação, por volta do km 2,5. Pouco depois disso, eu estava um pouco perdido até que uma hora reconheci os fundos da Catedral da Sé. Passamos ao lado da igreja e da praça. Para quem não sabe, a praça da Sé é o marco zero da cidade. Todas as distâncias medidas até São Paulo remetem a este ponto de referência.  Ou seja, mesmo uma metrópole do tamanho de São Paulo ainda mantém essa característica tão comum das cidades brasileiras de ter uma igreja e uma praça como marcações principais do centro da cidade.

Seja como for, após a Catedral da Sé passamos ao lado do Mosteiro São Bento, outro ponto turístico do centro da cidade que também está relacionado à igreja. Na sequência, passamos pela Santa Ifigênia, famosa por ser um "point" de comercialização de produtos eletrônicos. No Viaduto havia o segundo posto de hidratação da corrida, perto da marca de 5km.

Seguimos então pela Avenida Ipiranga, passamos pelo famoso cruzamento com a Av. São João e pela praça da República. Ao final desta avenida passamos por alguns dos prédios mais famosos de São Paulo: o Copan (obra de Oscar Niemeyer) e o Edifício Itália, o mais alto da cidade. São passeios muito interessante e bastante recomendados. A vista de cima desses prédios é no mínimo interessante.

A próxima avenida foi a São Luís, e logo começamos a tomar o caminho de volta rumo ao ponto de partida, onde seria também a nossa chegada. Chegamos de frente ao Teatro Municipal. No contorno havia o terceiro e último posto de hidratação, na marca de 7.5km. Na sequeência passamos pelo Largo do Payssandú. Infelizmente devo destacar também que nessa altura da prova encontramos aspectos negativos do centro da cidade, como por exemplo bêbados saindo de casas noturnas e tentando mexer com alguns corredores. Por mais que eu não tenha presenciado nenhuma cena condenável, é sempre uma experiência desagradável.

O ritmo de prova como um todo foi sempre muito bom durante todo o percurso. Não me preocupei muito com o tempo, só queria fazer abaixo de 1 hora. O que ficou claro que eu conseguiria desde os primeiros quilômetros. Mesmo assim, tentei o tempo todo manter um ritmo forte. Corri quase o tempo todo abaixo de 5m30s por quilômetro, o que me projetaria para abaixo de 55 minutos de prova. Mas, para minha surpresa, cruzei a linha de chegada com 50m37s. Achei estranho e quando fui ver, minha marcação estava em apenas 9.57km. Percebi que outros corredores comentavam exatamente a mesma coisa na zona de dispersão. Todos registraram distâncias entre 9.5km  e 9.6km. Acho que os organizadores provavelmente queriam fazer uma prova de 10k, mas talvez não tenham conseguido liberação para utilizar mais ruas de modo a conseguir completar essa distância, por isso fizeram com uma distância quebrada. Tanto é que nem venderam como uma prova de 10k, mas sim como uma de 9k.

De todo modo, concluo apenas que esta corrida foi uma grata surpresa. Legal correr em um dia frio, em uma prova bem organizada, com um percurso bastante variado e ainda por cima passeando por lugares bonitos. Uma prova que sem sombra de dúvidas vale a pena ser encarada.

Para encerrar, como sempre, a foto da medalha.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

De volta ao batente: Oscar Running

O ano de 2016 foi marcado por muitas viagens a trabalho, de forma que eu mal consegui me organizar para participar de corridas de rua. Teve ainda o Revezamento da Tocha, as férias que decidi tirar para assistir aos Jogos Olímpicos (e que coincidiram com algumas corridas que eu gostaria de participar), dentre outros fatores. Talvez eu ainda escreve sobre a tocha e sobre a Maratona Olímpica, evento que assisti "in-loco", algum dia. Mas eu não poderia deixar o ano passar em branco. Então, no mês de Setembro, acabei decidindo me inscrever na corrida realizada pela Oscar em São José dos Campos. Trata-se na verdade de uma das corridas mais tradicionais do Vale do Paraíba e da qual eu nunca tinha participado.

A maior loja da Oscar em São José dos Campos fica no Vale Sul Shopping, na Zona Sul da cidade. Por esse motivo, a corrida ocorre justamente nessa região da cidade. A retirada dos kits, como não poderia deixar de ser, aconteceu exatamente na loja da Oscar deste shopping. Também conforme esperado, no kit vinha também um cupom de desconto para usar na loja naquele dia. Uma forma de incentivar que os corredores conheçam e consumam mais daquela loja.



Por ser uma prova realizada no começo de Setembro, não era esperado nem muito calor e nem muito frio para o dia da corrida. E de fato foi isso o que aconteceu: uma manhã com poucas nuvens e um Sol que não chegava a ser escaldante. Pelo contrário, tornava o dia bem agradável. Muito propício para começar a correr.

A concentração para a prova ocorreu dentro do estacionamento do shopping, e a largada deu-se na Avenida Cidade Jardim. Apesar de ser uma das maiores provas da região, achei a aglomeração e a muvuca um tanto normais para as provas que estou acostumado a correr. Mas não era de se espantar, ao todo eram apenas 1.500 corredores inscritos. O calendário de corridas do Vale pode até ser bastante recheado de provas, mas a verdade é que nenhuma delas se destaca muito em número expressivo de participantes como por exemplo a prova da Tribuna em Santos.

Eu não tinha nenhuma meta muito estabelecida de tempo. Sabia que por conta de tantos afazeres não havia treinado muito e estava longe do auge da forma, de tal modo que buscar baixar o recorde pessoal de 50min15seg nos 10km estabelecido na prova da Tribuan em Santos em 2015 era algo absolutamente fora de cogitação. Mas ao mesmo tempo sabia que se fizesse um tempo acima de 1 hora seria muito frustrante pois em treinos normais estou acostumado com um ritmo melhor do que esse.

Por isso mesmo corri despreocupado, tentando aproveitar na verdade o percurso. Não que ele fosse lá muito inspirador: era basicamente ir e volta toda a Av. Cidade Jardim, com uma pequena quebra na Av. Cassiopeia para um "vai-e-volta" de algumas quadras. A propósito, na volta da Cassiopéia já ocorria a divisão entre quem ia correr 5k e quem seguiria em frente rumo aos 10k. No meu caso, da distância mais longa, continuei pela Cidade Jardim no mesmo sentido que estava vindo. Apesar de o percurso passar basicamente por ruas residenciais, sem grandes construções, cartões-postais ou outros atrativos, as ruas bastante arborizadas junto com o belo dia de Sol e a brisa fresca tornaram a corrida bastante agradável. Talvez o que mais chamasse a atenção fosse a sede do Sesi, localizado numa praça na qual fizemos o retorno na Av. Cidade Jardim.

Consegui desenvolver um ritmo bom desde o começo da prova, algo em torno de 5:00min/km. Mas fui cansando ao longo da prova, especialmente na volta que peguei umas subidinhas. No retorno um ex-professor de engenharia que também é corredor acabou me ultrapassando e não pôde deixar de soltar uma piadinha nerd: "vamos lá que está fácil, isso aqui é só cinemática, nada de dinâmica." Mesmo assim, cruzei a linha de chegada com um tempo de 54min28seg, muito bom para minhas expectativas. Tudo bem que a distância aparentemente foi menor do 10k, pelo menos foi o que registrei.

Essa foi a minha única corrida oficial de 2016. Foi o que consegui fazer. Claro que treinei bastante ao longo do ano, até mesmo por uma questão de saúde. Mas acordar cedo, sentir o clima de uma prova, buscar dar o melhor de si em cada passo, cada gota de suor, isso é realmente muito legal. E por mais que tenha sido uma única ao longo do ano, com certeza valeu a pena.

Para finalizar, segue a foto da medalha. Trata-se de um pedaço de uma mandala na verdade. Algumas corridas tem utilizado esse artifício para incentivar as pessoas a participarem de mais provas. A medalha é como se fosse uma parte de um quebra-cabeças, que você precisa juntar com as medalhas de outras corridas para formar a figura completa. As demais provas desse circuito seriam em Taubaté, Guaratinguetá, Mogi e Jacareí. Mas honestamente acabei não animando de participar das demais. Quem sabe algum dia.

Em breve retorno para contar das corridas de 2017...


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Um novo velho desafio: 10 Km da Tribuna 2015

Participei da minha primeira corrida de rua em 2008 na prova dos 10 km da Tribuna. De lá pra cá foram 5 participações consecutivas nesta prova. Fiz 2 anos de intervalo para me concentrar em outros desafios, como por exemplo participar de uma Maratona. Neste ano de 2015 resolvi que não ia participar de nenhuma prova longa, mas sim que iria focar em provas mais curtas e buscar melhorar meu ritmo. Tudo isso porque o foco em longas distâncias fez com que eu perdesse um pouco de velocidade. Achei que uma boa meta seria fazer uma prova de 10k abaixo de 50 minutos (meu melhor tempo era de 50min51seg). E a prova da Tribuna, como já expliquei em posts anteriores, seria a ideal para buscar esta marca. Até mesmo porque, depois de tantas participações, posso dizer que já conheço cada metro do percurso. Sei exatamente onde estão os postos de água, quais são os trechos com a pista mais estreita, ou com asfalto ruim, dentre outras coisas. Então busquei uma planilha de treinos e segui o melhor que pude para atingir minha marca.

O treino mostrou um pouco de resultado. 3 semanas antes da corrida fiz um treino no qual cravei 52 minutos. Mas logo na semana seguinte acabei viajando e quebrei um pouco o ritmo de treinos. Também não fui muito atento à alimentação, cometendo alguns excessos. Resultado: na semana anterior à da corrida estava fazendo em 53 minutos. Mas sabe como é, no dia da prova a gente sempre encontra aquela energia adicional, então quem sabe?

Quando cheguei na retirada do kit percebi que era a trigésima edição da corrida. Realmente, lembro-me que a edição de 2010 era a 25a., motivo pelo qual a organização até preparou uma revistinha que veio no kit do atleta. Pelo visto desde então a revistinha sempre esteve presente, sendo que dessa vez não foi diferente. Algumas informações acredito se repetirem todo ano: galeria de campeões, número de atletas em cada edição (desta vez foram 21 mil, o que faz desta prova a maior de 10k do Brasil em número de participantes), número de atletas por cidade (destaque para as cidades da Baixada Santista, como não poderia deixar de ser, mas ainda assim com participantes de várias cidades de São Paulo e inclusive de outros Estados), dentre outras. Mas o que mais gostei mesmo foi da entrevista com duas figuras respeitadíssimas pelos corredores: o médico Drauzio Varella e o campeão Vanderlei Cordeiro de Lima (o mesmo que foi abraçado pelo padre irlandês na maratona olímpica em Atenas-2004, e que já venceu a prova da Tribuna em edições anteriores). Outras matérias interessantes foram a evolução da prova ao longo dos anos e uma entrevista com o campeão Luiz Antonio dos Santos, vencedor da primeira edição em 1986.

Chegou então o momento da prova. Cheguei cedo à Av. João Pessoa, sede do prédio da Tribuna e local da largada. Muita gente como sempre, mas como cheguei cedo consegui um bom lugar pra largada. Uma bola enorme da Tribuna ficou ali na região de largada permitindo um momento de descontração para os atletas enquanto esperavam a sirene.


E enfim a prova começou. Parti com a estratégia de tentar fazer 4:50/km no início para construir uma certa margem. Completei o primeiro quilômetro, logo na saída do túnel, com exatos 5 minutos de prova (talvez 1 ou 2 segundos a menos). Tudo bem, no começo sempre é necessário desviar de outros atletas, fazer algumas ultrapassagens, é normal perder um pouco de tempo. Mas percebi que consegui lidar muito melhor com esse tipo de situação do que na maioria das vezes. Segui focado na minha corrida e ao cruzar o km2, já na virada da Av. Ana Costa, estava com 9:50 de prova. Peguei água no primeiro posto, mesmo que estivesse uma manhã fria e a água estivesse gelada. Mas se tem uma lição que aprendi nas maratonas que participei foi a de como me hidratar corretamente. Tanto que nem perdi tempo com isso. No km3 eu consegui melhorar mais o tempo, e passei com 14:45. Mas por outro lado senti que estava puxando demais. Virei na Francisco Glicério e no cruzamento com o canal 3 veio o km4. Desta vez não peguei água, e senti que o ritmo havia mesmo piorado: 19:50. Ainda tinha uma certa margem, mas não dava pra vacilar. Quando pensava em aumentar o ritmo, lembrava que ainda tinha muita corrida pela frente e precisava maneirar. E no km5, metade da prova, na Av. Afonso Pena, passei com 25:03.

"Droga!" Foi o que me veio à mente. Ia ter que fazer uma segunda metade mais forte que a primeira. E eu não achava que estava sobrando na prova desse jeito. Muito pelo contrário. Achei que não ia dar, mas pelo menos tinha condições de melhorar meu recorde pessoal. Continuei focado na minha corrida, naquilo que eu deveria fazer. Tão focado que peguei a água no posto do km6 e nem lembrei de olhar no relógio para ver meu tempo. Mas no km7, já no Canal 5, veio a confirmação de que eu estava cansando: 35:30. Trinta segundos acima do tempo meta, e faltando 3 quilômetros. Diferença muito grande para buscar no final. Nesse momento que tive a certeza de que a meta dos 50 minutos não seria alcançada dessa vez.

Virei para o trecho final na praia, bem ali onde está a marca do km8, com 40:30. Pelo menos havia recuperado o ritmo. E na praia, com o calor humano trazido pelo público que sempre acompanha a prova, é que vem aquela energia a mais. Como eu já estava bem cansado e era muito difícil realizar ultrapassagens, o resultado foi que esse fôlego a mais serviu para me manter no mesmo ritmo, tendo passado pelo km9 com 45:30 e pelo km9,5 (sim, a prova da Tribuna tem essa marcação) com 48:00. Quando avistei a linha de chegada soltei todo o gás que tinha e parti para um sprint final enlouquecido: terminei a prova com 50min15seg! Acima do tempo meta, mas o suficiente para estabelecer um novo recorde pessoal!


Qual foi a sensação? Basta ver a foto. Felicidade, claro. Por voltar a correr em Santos. Por voltar a participar desse baita evento que é a prova da Tribuna. Mesmo já sendo essa a minha sexta participação no evento, mesmo já tendo passado por desafios muito maiores, a sensação de terminar é sensacional. Realmente, essa é uma prova diferenciada. Não sei se por ser em Santos, cidade onde nasci. Ou se pela organização que a meu ver foi impecável dessa vez. Ou se pelo forte apelo popular da corrida. Ou se pelo percurso que é muito rápido e muito bonito. Ou se é por tudo isso ao mesmo tempo. Mas fato é que mesmo tendo participado de muitas outras corridas por aí, posso afirmar que essa é sem sombras de dúvidas uma das melhores corridas de rua do Brasil.


Tem outra coisa muito legal a relatar sobre a edição deste ano. Como já explicado, a prova é organizada pela Tribuna, veículo de comunicação compreendido por um canal de tv, uma rádio e um jornal impresso. Como não poderia deixar de ser, a edição do jornal impresso no dia seguinte traz a corrida como um dos principais destaques. Pois veja você como foi a capa da edição desse ano. É possível reconhecer alguém no canto inferior esquerdo?


Para fechar, como sempre, a foto da medalha. Não foi dessa vez que fiquei abaixo dos 50 minutos. Mas valeu. Tenho uma boa desculpa para voltar a correr na Tribuna numa próxima oportunidade :)


segunda-feira, 25 de março de 2013

Começa a temporada 2013: Night Run SP

Conforme eu já vinha registrando nos posts anteriores, comecei o ano decidido a finalmente realizar o sonho de completar a maratona. Como a de São Paulo estava prevista para 28 de Abril, decidi não correr nenhuma prova nesse meio tempo para não interferir na minha preparação. Mas justamente quando fui me inscrever descobri que haviam mudado a data da corrida. Fiquei muito chateado e com uma vontade enorme de participar de qualquer corrida que aparecesse na minha frente, só para matar a vontade que ficou de participar de uma prova. Opções não faltavam neste fim de mês: poderia correr novamente a General Salgado em Taubaté, no dia 24 de Março. Mas como já participei dessa prova, descartei-a. Ouvi falar muito bem do Circuito Track & Field, com uma prova prevista para o mesmo dia na região do Shopping Villa-Lobos em São Paulo. Mas existem outros percursos da Track & Field em São Paulo durante o ano, e só ali no Villa-Lobos serão realizadas mais duas corridas ainda este ano. Por isso resolvi deixar para uma próxima oportunidade. No final das contas decidi participar de uma prova noturna, a Night Run SP 2013, realizada no mesmo final de semana na Zona Norte de São Paulo. O curioso é que decidi participar por indicação de um amigo que pretendia correr, mas que desistiu.

A prova foi organizada pela O2, uma revista de corridas famosa. Confesso que nunca li um exemplar, mas já ouvi falar muito bem. A inscrição era bastante salgada, mas mesmo assim resolvi participar por ser organizada por uma instituição conceituada. E também por se tratar de uma prova noturna, coisa que não estou muito acostumado a fazer (só havia corrido a Oscar Running Night até então). O kit também valia a pena: uma camisa de manga comprida (ótima para treinos no inverno que se aproxima), uma garrafa de 600mL (indispensável em treinos de longas distâncias) e uma lanterna para uso durante a corrida. Essa lanterna vinha presa em um elástico para ser preso no braço ou na testa. Funciona com 3 pilhas AAA e possui 5 lampadinhas, que funcionam nos modos "piscando alternadamente", "piscando todas juntas" e "todas ligadas". Achei a ideia interessante e pensei em usar durante a corrida. Não ia ajudar em nada, mas só pra fazer parte da brincadeira.

Achei curioso que o kit foi entregue na loja da Decathlon que fica no Morumbi, enquanto que a corrida realizou-se na região do Anhembi. Detalhe que existe uma Decathlon não muito longe do Anhembi, ao lado do Shopping Center Norte. Seja como for, realizei uma longa viagem de manhã para pegar o kit, e outra à noite para a corrida. Temendo o trânsito de sábado à noite ocasionado principalmente pelo fechamento das vias de acesso à prova, achei que seria melhor ir de metro, exatamente como indicado no site do evento. Desci na estação Tietê, aonde já me deparei com gente do "staff" da prova indicando a saída da estação que deveríamos pegar. No percurso de cerca de 2km entre o metro e a largada pude ver gente com sinalizadores luminosos indicando o caminho para a largada. Até que cheguei no local onde se desdobrava a corrida.

Na verdade eram duas provas no mesmo dia, de 5km e 10km. Mas ao contrário do que acontece normalmente nesses eventos, as duas corridas foram realizadas de forma independente. Às 19h30 aconteceu a largada dos 5km, enquanto os 10km começaram apenas às 20h30. Achei a ideia muito boa a princípio, pois geralmente o que acontece é que fica todo mundo misturado na largada, e só quando os grupos das duas provas se separam é que fica melhor de correr. Aliás, dado o número de pessoas inscritas para esse evento (cerca de 6 mil participantes em cada modalidade), essa divisão foi simplesmente indispensável. Teria sido impraticável realizar a corrida com 12 mil pessoas dividindo aquela pista. O problema foi que a região de concentração para a prova de 10km e a de dispersão dos 5km era exatamente a mesma. Então quando cheguei deparei-me com cerca de 12 mil pessoas transitando na área como um verdadeiro formigueiro, indo desordenadamente de um lado para o outro. E absolutamente ninguém do staff para orientar nada! Eu estava apertado e só achei os banheiros químicos pois contei com a boa vontade de outro corredor para me informar.



Desta feita, consegui me posicionar para a largada faltando pouco mais de 1 minuto para soar a sirene. De tão em cima da hora nem lembrei em pegar minha lanterna, e por isso corri sem ela. Ok, não fez a menor diferença. Mas foi tão pouco tempo que mal deu pra apreciar o belo local da largada, exibido na foto acima. Isso mesmo, o Sambódromo! Eu nunca tinha ido lá, e confesso que fiquei um pouco decepcionado pois achei que fosse um pouco maior. Creio eu que cerca de 300m após a largada já havíamos feito a curva e saído dele. E pra falar a verdade, o Sambódromo foi a única coisa que realmente marcou essa prova, pois o resto do percurso era dentro do estacionamento do Anhembi (!?!) ou na Avenida Olavo Fontoura. Uma vez que essa avenida é a sede do Aeroporto do Campo de Marte e do Aeroclube de São Paulo, até se torna interessante por ser possível ver alguns aviões por ali. Mas como era de noite e os aviões não recebem iluminação noturna, não foi possível ver nada disso durante a prova.


Outra coisa que não curti na prova como um todo, mas principalmente na largada, foi o tom de "balada" que foi dado ao evento. Até entendo que fazendo isso a organização tente tornar a prova mais popular e próxima ao ambiente de academias, tornando-se um evento de socialização pela prática do esporte e tudo o mais, mas daí para soltar fumaça e fazer um show com lasers e luzes estroboscópicas na largada já acho que foi um pouco de exagero. Sei que posso estar sendo chato e pedante nesse ponto, mas não deixa de ser a minha opinião.

A largada em si não achei tão tumultuada assim. Pelo menos dentro do Sambódromo não vi nada fora do normal. Mas não houve separação por ritmo de corrida como acontecem em provas com muitos participantes, de modo que levei cerca de 3km até finalmente encontrar meu espaço e me sentir confortável na prova. Vi gente que realmente se estressou com alguns grupos de corredores formando um "paredão" e decidiu correr por fora da pista demarcada. O pobre coitado só não percebeu que tinha um tapete para medição de tempo (checkpoint), e fatalmente acabou não tendo seu tempo registrado na corrida. Seja como for, acho que o excesso de gente não prejudicou meu desempenho. Consegui manter um ritmo bom durante quase toda a prova. Cruzei o km 3 com 16m30s, média de 11km/h. Depois disso consegui melhorar um pouco o ritmo, mas lá pelo km 6 senti o cansaço bater. Mesmo assim, a noite era agradável e convidativa para uma boa corrida, de modo que consegui me recuperar e finalizei minha participação com o tempo de 53 minutos e 13 segundos, conforme ilustrado no certificado oficial da prova abaixo.



Longe de ser meu melhor tempo em 10km, mas pelo menos foi meu melhor desempenho nessa distância após a apendicite do ano passado. Considerando ainda que estou focando meus treinos em resistência para a maratona e não em velocidade para provas curtas, fiquei mais do que satisfeito com o resultado obtido.

Deixo a foto da medalha abaixo, a primeira do ano. Provavelmente é a primeira também da maioria das pessoas que correram essa prova nesse final de semana. E que mais pro meio do ano eu volte aqui para postar a foto e contar minha história na Maratona do Rio de Janeiro, para a qual já me inscrevi. Mas antes disso terei outro compromisso, também na região do Anhembi, no dia 4 de maio para a Indy Run.


domingo, 24 de junho de 2012

Dê o melhor de você: Unimed Run 2012

"Dê o melhor de você". Com esse slogan a Unimed definiu a campanha de marketing da edição de 2012 de sua tradicional corrida em São José dos Campos/SP. É considerada como uma das mais bem-organizadas provas de 10km do Brasil e já de longa data despertou meu interesse. Tanto que cheguei a me inscrever para a edição de 2010. E naquela época eu estava realmente muito confiante em fazer uma boa marca, quiçá até em estabelecer meu recorde em provas de 10km. Mas infelizmente uma virose intestinal me atingiu de tal forma na véspera da corrida que só melhorei depois de tomar soro no hospital. E obviamente no domingo eu ainda não estava em condições de correr. Tivesse a virose me atingido dois dias antes, provavelmente eu teria participado da prova mesmo assim. No entanto não foi assim que tudo aconteceu, e a Unimed Run 2010 foi a única corrida até agora para a qual me inscrevi e não cheguei a participar. E espero que continue sendo.

Por sorte em 2010 tive uma chance de matar um pouco da vontade de participar desta prova, pois em Novembro daquele ano foi realizada a Oscar Running Night, com um percurso idêntico, tirando o fato de que o sentido era o oposto, ou seja, uma corrida era na "contra-mão" da outra; e também que era uma corrida noturna. Mas claro que ficou ainda aquela vontadezinha de participar da prova da Unimed mesmo assim.

Eis então que veio a edição de 2012, com um percurso completamente alterado com relação ao de 2010. Desta vez, ao invés de termos largada e chegada em frente ao Shopping Colinas e de o percurso envolver ruas da Vila Ema e do Jardim Esplanada, quase tudo foi feito na Zona Norte da cidade, mais especificamente na Via Norte. Trata-se de uma via de trânsito rápido inaugurada recentemente. Por isso não era de se espantar o asfalto novo, a passagem larga, a calçada bem limpa, a grama no canteiro central cortada, dentre outros detalhes que inspiravam a participação dos atletas.


No dia fazia frio. Céu cinza e bastante vento. O estacionamento do Parque da Cidade já estava praticamente lotado na hora que cheguei, de modo que foi muito difícil encontrar uma vaga. Era muita gente se dirigindo para o local da prova. Cerca de 2200 atletas, sem falar nas famílias que estavam comparecendo, muitas vezes para apoiar apenas um corredor. Mas, logo fui capaz de fazer meu aquecimento e me posicionar para a largada.

E então começou a prova. Eram 2 corridas em uma só: 5km e 10km. Eu estava, como sempre, na de 10km.  Até que não teve muita confusão na largada, e logo consegui achar meu espaço e imprimir meu ritmo de prova. Claro que por um lado eu estava animado e queria fazer um bom tempo, mas por outro precisava me segurar para não gastar todas as energias logo no começo da prova. O clima frio ajudava, pois não estava suando tanto e não sentia tanta necessidade de água.

Logo após o km 2 da prova o percurso passava embaixo de um viaduto que levava a linha do trem. Bem na hora que eu estava por li um trem passou, jogando fumaça preta para todos os lados. Azar, mas nada que comprometesse muita coisa. O problema foi depois disso, quando começou uma baita ladeira que só terminou pouco após o km 3, quando fazíamos o retorno e voltávamos pela mesma via. Daí pra frente, até o final, praticamente só descida. Na reta final houve uma separação muito bem sinalizada entre quem estava indo concluir a prova de 5km e quem deveria prosseguir na de 10km.

A segunda volta foi mais tranquila. Com muito menos gente do lado para dividir o asfalto (mais da metade deve ter participado da prova de 5km) ficou muito gostoso de correr. Na segunda passagem pela linha do trem não tive problemas, mas em compensação a segunda passagem pela subida foi bem desgastante. Realmente ficou bem claro que o fato de eu estar acostumado a treinar só no plano me prejudica bastante nessas horas. Em compensação na descida consegui soltar o gás para o sprint final no último quilômetro, o qual consegui completar em menos de 5 minutos para fechar a prova em 53min45seg!!

Eu não havia traçado nenhum objetivo de tempo para concluir essa prova. Considerando que duas semanas antes que havia feito a prova da Tribuna em 54min07seg, e que a prova da Tribuna é considerada uma das mais rápidas na categoria 10km, não esperava fazer um tempo melhor. De fato, foi surpreendente para mim, principalmente devido à presença da grande subida que tive que encarar por duas vezes. Talvez o fato de ter tido que dividir a pista com menos pessoas, o que fui decisivo para eu conseguir fazer o sprint final nessa prova e na da Tribuna não, possa ter feito alguma diferença. Mas a única coisa que importa é que fiquei feliz demais com o resultado, muito melhor do que o que eu esperava.


Para encerrar, além da foto da medalha, deixo aqui um pensamento do campeão olímpico Ian Thorpe, um fenômeno da natação que ganhou 5 medalhas de ouro entre as Olimpíadas de Sydey-2000 e Athenas-2004. Vi o pensamento durante a semana da prova durante um comercial da ESPN Brasil e pensei nele no dia da corrida. Ele resume tudo o que senti nesse dia:

"Perder não é chegar em segundo lugar, é sair da água sabendo que não fiz o meu melhor. Neste sentido ganhei todas as provas que disputei."

domingo, 20 de março de 2011

Um retorno para se festejar: XXVI Corrida General Salgado


Na virada do ano costuma-se fazer tudo quanto é tipo de promessa: perder peso, mudar de emprego, comprar um carro, e por aí vai. Neste ano minha promessa foi de completar uma maratona. E por isso comecei a pegar pesado logo na primeira semana. E não é que logo nessa primeira semana do ano tive que parar um treino devido a uma dor insuportável no joelho? Claro que na hora várias coisas se passaram na minha cabeça, inclusive a de que talvez eu tivesse que parar de correr para sempre caso fosse alguma lesão grave. Fui ao pronto socorro, tirei radiografia e o médico disse que devia ser apenas uma inflamação. Receitou um anti-inflamatório e recomendou duas semanas de descanso (ou castigo, se preferirem).

No final de janeiro retomei os treinos, mas senti realmente muita dificuldade no começo. Estava difícil retomar o mesmo ritmo. E o sonho de correr uma maratona ainda este ano parecia cada vez mais longe. Foi nessa época que fiquei sabendo através de um colega do trabalho que é de Taubaté sobre a Corrida General Salgado. Trata-se da maior prova de pedestrianismo da cidade de Taubaté, organizada pela Polícia Militar local. Ok, isso pode não significar muita coisa, até porque o limite era de 1.500 inscritos. Mas seria uma excelente oportunidade de conhecer a terra de Monteiro Lobato, escritor dos livros do Sítio do Pica-Pau Amarelo que eu lia quando criança.

Já no sábado fui a Taubaté com minha namorada para retirarmos o kit no Batalhão da PM, logo em frente à linha de chegada. O que mais me chamou a atenção é que os trófeus destinados aos vencedores da prova estavam ali expostos ao público, coisa que nunca vi em nenhuma outra corrida de rua. Uma pena que não estava com minha máquina fotográfica na hora para registrar. O kit da prova era simples: apenas a camiseta oficial na cor vermelha e um protetor solar. Depois ainda fomos conferir o local da largada. Para finalizar almoçamos em uma excelente cantina italiana no bairro do Quiririm, que fez jus à fama da culinária local.

No dia seguinte, a corrida! A largada aconteceu na Av. do Povo. Trata-se de uma avenida de mão dupla com canteiro central, na qual um dos lados era coberto por uma estrutura metálica. Do lado da rua, suportando a estrutura metálica, havia também uma arquibancada a partir da qual muitas pessoas assistiam à largada. Deixo aqui no parágrafo da largada minha única queixa com relação à organização da prova, pois ela consistia de uma corrida de 10km e uma caminhada de 5km, mas não houve separação entre as modalidades. Desta forma muitos caminhantes posicionaram-se bem à frente, o que acabou atrapalhando (e muito) o fluxo de corredores que vinham logo atrás. Poderiam ter sido criadas duas áreas de largada diferentes, com os corredores à frente e os caminhantes atrás. Pelo menos melhoraria bastante a largada, que já é bagunçada por natureza.

Passada a largada, a corrida prosseguiu passando por pontos importantes da cidade, como por exemplo as sedes da Universidade de Taubaté (Unitau) e da prefeitura municipal. Também passamos em frente a um parque pequeno, mas com marcações de distância e que possivelmente é usado por alguns corredores para treinos. Passei pelo km 2 com 10m30s; e pelo km 5 com 27m30s. O ritmo estava bom, mas eram muitas as subidas e descidas. Na altura do km 6 retornamos à Av. do Povo e passamos pelo outro sentido, infelizmente do lado dos banheiros químicos.

Como já mencionei, a corrida foi dotada de muitas subidas, mas a campeã foi a da Av. Walter Thaumaturgo, entre os km 6 e 7. Foi exatamente nesse ponto que fui ultrapassado por um pelotão da Força Aérea, com todos os membros correndo na mesma passada e entoando gritos de guerra para manter o ritmo. Na altura do km 8 corremos numa rua paralela à Via Dutra, e a fumaça dos veículos que passavam atrapalhou um pouco a respiração. Após entrar na rua seguinte, pude ouvir uma senhora de meia-idade que acompanhava a corrida da calçada dizer: "Nossa, que coragem correr isso tudo!"

Logo cheguei à Av. Independência e dei um sprint final para terminar a corrida em 57m58s. Longe de ser o meu melhor tempo para provas de 10km, mas muito bom considerando-se todas as subidas que tive que enfrentar no percurso e o fato de eu estar apenas retornando de uma lesão no joelho. Pouco após cruzar a linha de chegada, a organização trocou o Rebolation pelo Tema da Vitória do Ayrton Senna na caixa de som. Também pude encontrar um conhecido do trabalho que estava feliz da vida por ter completado sua primeira prova de 10km. E com um tempo excelente: 52 minutos!

Devo acrescentar aqui dois pontos que me chamaram muito a atenção neste evento. O primeiro é que os próprios policiais quem distribuíram água durante o percurso, vestindo suas fardas e tudo mais. E não haviam postos fixos de distribuição de água, mas diversos PM's espalhados pelo percurso com água. Claro que em alguns pontos havia uma concentração maior do que em outros. Mas achei isso legal pois praticamente todo momento que senti sede lá estava um PM com um copo d'água na mão. O segundo ponto é que 1 hora após cruzar a linha de chegada recebi um SMS no celular da organização da prova agradecendo minha participação e registrando meu tempo oficial. Algo que também nunca vi em outras corridas.

E com essa corrida eu definitivamente retomo meus treinamentos rumo a novos desafios. A recuperação foi lenta e certamente já descartei a possibilidade de correr a Maratona de São Paulo este ano. O próximo desafio, no entanto, será participar em uma prova que já é bem conhecida: pela quarta vez vou correr os 10km da Tribuna, em Santos. Quem sabe desta vez não consigo um tempo melhor?

Para finalizar, gostaria de deixar aqui registrado um agradecimento especial à minha namorada Marília que me acompanhou nessa corrida e esteve ao meu lado durante todo o final de semana,
exceto é claro na uma hora em que estive correndo. São dela também os créditos pela seguinte foto: