quarta-feira, 27 de maio de 2026

Preparando para dobrar a meta: Meia da Maratona de São Paulo

Com o fim da pandemia voltei a pensar em correr uma maratona a partir do final de 2023. Mas naquela época eu estava praticamente retomando do zero. Fui participando de provas, aumentando as distâncias, melhorando minha velocidade, até que entrei em 2026 com o objetivo de voltar a pensar em correr uma maratona. Voltei a consultar as planilhas de treinos, tentando elaborar meu planejamento de como seriam os treinos para este desafio. Pensei que seria uma boa ideia participar de mais uma Meia Maratona, desta vez sim com uma meta bem clara e definida de tempo, como uma etapa intermediária. Baseado na experiência das últimas meias, a meta sub-2h parecia interessante. Em 2024, na Meia Maratona de São Paulo, fiz pouco abaixo de 2h em um dia de muito frio (o que me ajudou) mas também tive uma recuperação ruim. Já em 2025, na Meia de São José dos Campos, fiquei a apenas alguns poucos segundos do sub-2h, em um dia de forte calor. De todo modo coloquei para mim mesmo este desafio.

São 12 anos desde a última, a Maratona de São Paulo de 2014. Eu havia feito uma boa preparação, com treinos longos na casa de 36km. Fez muito calor no dia e até cogitei não correr. Mas no final, deu tudo certo. Se quiser saber maiores detalhes, eu escrevi um post dessa corrida aqui AQUI. Muita coisa mudou desde então. Estou correndo de forma mais consciente, tendo estudado mais sobre o assunto, perdido alguns quilos no caminho e me preparando melhor de uma forma geral. Mas também, não sou mais um menino. Necessário mesmo ter maiores cuidados. 

Um amigo pegou o kit da corrida pra mim. Em sacola de papel, e não em "sacochila" como o habitual das corridas de rua. Será uma nova tendência? De todo modo, o kit veio bem recheado, com diversos brindes dos patrocinadores e até mesmo um carbo-gel. Gostei bastante da camiseta da corrida. Preta, com detalhes em amarelo. Nas costas, o percurso da corrida desenhado. Achei a camiseta da meia até mais bonita que a da maratona, que era amarela com os detalhes em preto. 

No ato da inscrição era necessário informar a estimativa de tempo de prova. Não lembro exatamente os valores, mas a terceira das quatro faixas de tempo era algo como "de 1h56min a 2h15min". Ou seja, meu tempo-meta estava nessa faixa e não tive dúvidas com relação a essa escolha. Eu estava então na terceira onda de largada. Chegando ao Obelisco do Ibirapuera, local da largada, a área estava tão bem isolada que tive até dificuldades de encontrar o meu acesso para a área de largada. Quando consegui entrar (as duas primeiras ondas já haviam largado), fui caminhando lentamente até o pórtico. O locutor do evento estava pedindo pro pessoal já começar a correr, antes mesmo de dar o horário da nossa largada. Era um verdadeiro mar de gente. Mais de 6 mil inscritos pra maratona e mais de 10 mil inscritos para a meia. Enfim, apesar da confusão, a largada transcorreu tranquila e sem maiores problemas. Os primeiros quilômetros foram na Av. Rubem Berta, indo praticamente até o aeroporto de Congonhas. Difícil de encontrar um espaço para correr no meio de tanta gente. Muita gente correndo junta, em duplas, trios, ou até grupos maiores. Acho bem legal quem se propõe a fazer a prova inteira em grupo, mas isso acaba criando um problema logístico pois muitas vezes dificulta bastante o fluxo. Eu me peguei negociando ultrapassagens em diversos pontos até mais ou menos o km7 da corrida. Ou seja, praticamente um terço!

Isso talvez seja até um reflexo de como as corridas de rua, e consequentemente as maratonas, estão se popularizando por aí. Encontrei na internet a informação de que quando corri a Maratona de São Paulo em 2014, um total de 18 mil participantes estavam distribuídos nas distâncias de 10k, 25k e 42k. Não encontrei a informação oficial de quantos estavam em cada categoria. Mas da minha memória, cerca de metade do pessoal que largou estava ali para a prova de 10k, pegando logo o primeiro retorno. Desta vez, somando apenas Meia e Maratona, o número de participantes já chegava a 16 mil, bem próximo daquele valor. Então não foi à toa que fiquei com a sensação de que tinha mais gente. O evento da Maratona de São Paulo cresceu de lá pra cá. E muito!

Deve-se ressaltar também a infra-estrutura do evento. Muita gente reclama dos preços altos das inscrições, mas há de se considerar quanto custa realizar a corrida. Isolar as ruas junto à CET, garantir assistência médica para emergências, além dos postos de hidratação. E para a Meia e a Maratona, existiam também postos com isotônico. Além disso, recebi um carbo-gel no kit da corrida. Deste modo, no sábado, parei para estudar o percurso e definir os pontos nos quais iria consumir as minhas 2 bananinhas, o meu carbo-gel e o isotônico.

Comi minha primeira bananinha no posto de hidratação do km 7,7, já na Av. República do Líbano, e após o retorno do pessoal que participou da prova de 10k. Meu ritmo estava muito bom, virando até abaixo de 5min30seg por quilômetro. Segui focado pela Av. Juscelino Kubitschek, mantendo sempre o bom ritmo. Consumi meu carbo-gel na altura do km10,6. Cruzei a marca de 11km, próximo ao Parque do Povo, com pouco mais de 1h de prova no relógio. Ou seja, eu tinha 1h para correr os 10km restantes e ficar abaixo da meta sub-2h. Eu me sentia bem e tudo parecia sob controle. Pensei comigo mesmo: "tá no papo!"


Mas é claro que eu estava próximo ao Rio Pinheiros. Tão próximo que logo a seguir estava eu cruzando-o pela Ponte Cidade Jardim. Portanto, ali deveria ser o ponto mais baixo da prova. Consequentemente, a volta prometia ter subida. Além disso, o dia havia amanhecido nublado, mas o Sol já começava a aparecer e a temperatura parecia subir. Então, não dava pra pensar que estava tão no papo assim. 

Do outro lado do Rio Pinheiros logo encontrei o posto de isotônico no km 13. Corremos pela Av. Lineu de Paula Machado, que passa atrás do Jockey Club e chega na Cidade Universitária. Pois é, o pessoal da Maratona foi até a USP, mas por estar fazendo a meia, peguei um retorno nessa avenida pouco após o km 14 da prova. Nesse momento a dispersão da prova já estava muito boa, e não deu pra perceber muita diferença pelo fato de ter menos pessoas na pista.

A volta de fato exigiu com algumas subidas, especialmente na Av. Juscelino e seus túneis. Comi minha última bananinha no km17, com cerca de 1h34min de prova. Meu ritmo já estava um pouco pior, virando na faixa dos 5min45seg. Mas sempre com todas as parciais abaixo dos 6min/km, e com uma projeção animadora para fechar abaixo das 2 horas.


Dentro do último túnel voltei a sentir um certo aperto no espaço da corrida. De modo a permitir a passagem dos líderes da maratona, uma das faixas do túnel foi isolada por meio de cones, o que restringiu o espaço disponível para o pessoal da meia. Novamente me vi obrigado a negociar ultrapassagens, reduzindo o ritmo e me desgastando um pouco mais nessas horas. Por volta do km19, os líderes da maratona de passaram. Curioso que um amigo achou na internet o vídeo do instante que apareci na transmissão da corrida, sendo ultrapassado pelos líderes. Todos quenianos.

Pouco depois disso, cheguei na Av. República do Líbano e contornei novamente o Parque do Ibirapuera. Peguei a última água já no último quilômetro e busquei acelerar o que dava para o sprint final. Nesse momento faltou perna para acelerar mais. Há de se ressaltar também que no final da prova o calor já começava a incomodar um pouco. E fiquei com a sensação de estar cruzando a linha de chegada em meio a um mar de gente. No final, o tempo registrado foi de 1h57min27seg. Bem abaixo das 2 horas, proporcionando a gostosa sensação de missão cumprida! 

Não poderia deixar de comemorar com uma foto em frente ao Obelisco do Ibirapuera. Exatamente como havia feito na Maratona de São Paulo em 2014, embora não tenha ficado registrado nesse post. E com o objetivo do sub-2h finalmente cumprido do jeito que eu queria, ficou sim no ar a sensação de que já estava na hora de pensar em dobrar a meta. Claro que isso exige uma rotina de treinos bem mais demandante. Mas está posto o desafio!


Pra finalizar, como tem sido habitual nos últimos posts, seguem as minhas parciais. Todas elas abaixo de 6min/km. E também, é claro, a foto da medalha!



quinta-feira, 19 de março de 2026

Por uma boa causa: Santander Track and Field Run Series Cidade Jardim

Minha participação na São Silvestre no final de 2024 foi algo que repercutiu entre meu círculo de amigos e pessoas próximas. Achei muito legal que isso serviu de inspiração e motivação para que outros começassem a correr também. Como sempre digo, a corrida é algo que serve principalmente para cuidarmos da nossa saúde, seja ela física ou mental. Ajuda a definir metas e objetivos pessoais e trabalhar para consegui-los.

Por isso achei muito legal quando um amigo começou a correr, com a meta de participar da São Silvestre algum dia. Foi legal vê-lo progredir em caminhadas e corridas mais longas, até que começou a participar de provas de 5k e me convidou para ir com ele em uma prova de 10k. Tratava-se de uma prova do tradicional circuito da Track and Field Run Series, que conta também com parceria do Santander. Trata-se de uma iniciativa de marketing da marca. Promovem corridas nas imediações dos shopping centers com lojas da Track and Field. Você ganha aquele cupom de desconto esperto para gastar na loja no dia da entrega do kit. E ainda tem isenção do estacionamento do shopping por algumas horas no dia da corrida.

Já participei de uma prova deles no ano de 2019, no Shopping Colinas, em São José dos Campos. Naquela ocasião, comentei nesse post que a prova era bem organizada, mas que curiosamente eu nunca havia participado. Não deixa de ser curioso que eu só voltei a participar 7 anos depois, e só porque alguém me convidou. A diferença é que dessa vez a prova foi no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Achei legal até mesmo porque eu não conhecia aquele shopping, nunca havia ido lá. O kit da corrida mostrou-se bastante recheado, cheio de brindes dos mais diversos patrocinadores. Algo que tem sido um tanto quanto raro hoje em dia.

Veio então o dia da corrida e a largada. Fomos em 3 amigos para a largada. Um deles com a meta de apenas completar a prova e o outro com meta de bater seu RP (recorde pessoal) que era de cerca de 48 minutos no 10k. O meu é de 50min15seg, registrado nos 10Km A Tribuna em 2015. Mas eu estava ciente de que estava longe de estar treinado para tal. Comentei que meu tempo ficaria entre 50 e 55 minutos, sendo bem realista.

Veio então a largada às 06:00 da manhã em um domingo ensolarado em um corredor bastante estreito em uma pista da Marginal Pinheiros próxima ao shopping. Achei um espaço ruim, difícil de acomodar a quantidade de pessoas. Mas pouco após passar o pórtico e o tapete da largada o espaço abriu e foi possível encontrar o espaço pra correr sem grandes dificuldades. Logo no começo da prova, já vem o desafio da subida da ponte estaiada da Marginal Pinheiros, considerado um cartão-postal da cidade de São Paulo. 

Nessa subida, logo no primeiro quilômetro da prova, consegui ultrapassar muita gente. E ainda cravei 5min43seg, média superior à 10km/h. Na descida eu dei uma segurada no ritmo, até mesmo por questão de prevenção de lesão, e fui ultrapassado por muita gente que simplesmente solta o gás. Em seguida, indo pela Marginal Pinheiros do outro lado do rio, em um trecho plano, voltei a ultrapassar algumas pessoas. E assim fui seguindo, conseguindo manter um ritmo de cerca de 5min15seg pela maior parte do tempo. Como a corrida foi muito cedo, o clima estava bastante fresco e agradável, o que facilita bastante para manter um bom ritmo de prova. Fiz o retorno em uma curva 180 graus no km4, com o tempo de 21min35seg. Esse era o ponto em que a prova bifurcava entre quem ia fazer 10km e quem ia fazer 21km. Logo após o retorno, havia distribuição de água e isotônico. Acabei reparando muito tarde sobre o isotônico e não consegui pegar. Achei muito estranho pelo fato de ser no km4. Mas, se levar em consideração que para o pessoal da meia ali já era o km15, então fazia todo o sentido aquele posto de hidratação ali. Aliás, até melhor eu não ter pego, aquele isotônico estava lá justamente para quem estava encarando o desafio dos 21k.

Passei pelo km5 com a marca de 26min46seg. Ou seja, projeção de ficar entre 53-54 minutos. Segui o resto da corrida procurando manter o ritmo. Veio a subida da ponte pouco após passar o km8 da prova. Completei o km9 perto do ponto mais alto da ponta, com o relógio registrando exatos 48 minutos. Ou seja, um sprint final abaixo de 5 minutos me daria um tempo abaixo de 53 minutos, melhor que da minha última prova de 10k, que havia sido de 53min11seg. De fato meu relógio marcou de 10k com o tempo abaixo dos 53 minutos, mas o pórtico de chegada ainda estava um pouco à frente. Cruzei o pórtico com o tempo de 53min34seg, com o relógio marcando 10.12km. 120 metros a mais, portanto. Conversando com o pessoal na chegada, vi que todo mundo marcou algo parecido.

E com relação aos meus amigos? Bem, um deles conseguiu seu RP fazendo abaixo de 48 minutos. E o outro conseguiu completar seu primeiro 10k, com um tempo pouco acima de 1 hora. Bom demais! Todos ficaram muito felizes!


Seguem os registros de altimetria e as minhas parciais, conforme registrados pelo meu relógio. Me chamou a atenção que a variação de altimetria foi de apenas 22 metros. Achei que a ponte fosse mais alta. Também estranhei que pelas variações não é possível dizer claramente onde se encontrava a ponte. Pelo visto a precisão de altimetria registrada pelo relógio não é das melhores.

Com relação às parciais, fica nítido como consegui manter um ritmo razoavelmente constante ao longo da prova, perdendo um pouco nos trechos de subida, e com o sprint final. Também fica registrada a distância, pouco maior do que 10k.



Pra finalizar, como não poderia deixar de ser, segue a foto da medalha, com direito à ponte estaiada em alto-relevo.