sábado, 18 de outubro de 2025

Rumo aos 42k: Meia Maratona de São José dos Campos


Vou começar esse post assim como comecei este daqui, referente à primeira meia-maratona realizada em São José dos Campos/SP. Desde que me mudei para a cidade, em 2008, vejo muitas corridas de rua sendo organizadas na cidade. Algumas que se tornaram tradicionais, outras que não vingaram. E vendo muita gente participando das provas não só aqui, mas também frequentemente viajando para São Paulo, estava claro que haveria público para realizar no mínimo uma Meia Maratona na cidade. Isso aconteceu em 2017, como relatei na Meia do CTA (curiosamente, uma prova que não vingou). Entretanto, já em 2018 um grupo começou a organizar uma corrida que chamaram de Meia Maratona de São José dos Campos, ocorrendo todo ano desde então (com exceção do período da pandemia) no mês de Setembro. Acabei não participando dessa em nenhuma oportunidade. No ano passado, ao ver alguns conhecidos participando, achei que seria uma boa prova para se tentar em 2025. Eis que este ano a organização inovou, e promoveu a Meia à Maratona completa. A primeira da cidade!

É claro que fica aquela vontade de participar da prova mais longa. Mas isso exige treinamento, dedicação e planejamento. Mesmo para uma meia maratona, já é algo que exige um certo preparo (pelo menos para mim). Curiosamente, nas duas últimas que participei (Meias de Santos e de São Paulo), tive pouco tempo de preparação disponível e fiz a prova do jeito que deu. Comentei nos posts de ambas as provas que não tinha meta de tempo, afinal, com pouca preparação, terminar a prova já me deixaria feliz. Curiosamente, em Santos fiz em 2h00min37seg e em São Paulo 1h59min05seg; ou seja, ambas na cada das 2 horas. Desta vez, conseguindo fazer uma preparação mais adequada, achei ser o caso de estabelecer a meta de fazer a prova sub-2h.

E assim me dediquei aos treinos e cheguei ao dia da prova. Dado o aprendizado de outras provas, decidi por uma alimentação leve antes da corrida, apenas café, fruta, pão e queijo branco fresco, nada para pesar a barriga. Entretanto, aqui acho que cometi um erro sim. Ao invés de mamão, comi abacate pois estava mais maduro. Trata-se de uma fruta mais gordurosa, à qual eu não estava acostumado antes de treinar. Mesmo assim, consegui ir ao banheiro antes da prova e saí de casa cerca de meia hora antes da largada, prevista para 5h45min da manhã. Infelizmente, como a maratona já havia largado (às 5:00, ou seja, 45min antes da meia), muitas ruas já estavam interditadas e o Uber acabou me deixando um tanto longe. Cheguei ao Paço Municipal de São José dos Campos, local da largada, e me posicionei com apenas cerca de 5 minutos de antecedência. Senti o abacate pesar um pouquinho, mas tá valendo. Uma vez dada a largada, todos ali estavam para o mesmo desafio da meia. As provas de 10k e 5k largaram um pouco depois ainda. Dado o calor feito no dia anterior e a previsão do tempo, foi até bom ter largado cedo aproveitar o tempo fresco do início da manhã.


Já no começo deu pra perceber que a meta de sub-2h seria difícil. Embora bem treinado, a prova tinha uma altimetria que não era de se desprezar, além do clima quente. Isso sem falar na quase ausência de sombras, visto que o percurso pegava apenas duas vias de trânsito rápido da cidade (Anel Viário e Av. Mário Covas) e com muito poucas árvores. Virei os primeiros quilômetros na faixa de 5min30seg, passando pela marca de 5k com 28min04seg. Estava um tempo bom para as pretensões da meia sub-2h. Ainda mais que a essas alturas do campeonato já não sentia mais o peso do abacate.

A prova foi transcorrendo normalmente, e fui pegando água nos postos de hidratação. Sempre com a estratégia de pegar 2 copos, tomando um pouco e jogando a maior parte no rosto para ajudar a regular a temperatura corporal. Fiz o retorno 180º no Anel Viário na altura do km6 e desci para a Av. Mário Covas na sequência. Um belo posto de hidratação na altura do km9 continha também banana e isotônico. Pouco depois disso cruzei a marca do km10 com 56min21seg, com um ritmo suficiente para o sub-2h, portanto. E fazendo até então todos as parciais abaixo de 6min/km. Mas já no km11 fiz uma parcial de 6min04seg, o que me deixou um pouco apreensivo pela queda de rendimento. Logo fiz o retorno na Av. Mário Covas e entendi o problema. Esse último quilômetro foi em uma subida razoável, e só percebi isso após fazer o retorno. Consegui retomar o bom ritmo no km12 fazendo a parcial em 5min36seg. Mesmo assim, o calor começava a pegar e eu sabia que ainda teria que encarar duas subidas muito piores mais pra frente: no retorno da Av. Mário Covas para o Anel Viário e depois no próprio Anel Viário. Não à toa algum fotógrafo capturou a imagem ao lado: pelo meu relato, deu pra perceber que passei boa parte do percurso olhando pro relógio e pensando no meu ritmo.

Não que eu não estivesse curtindo a corrida. Claro que estava. Mas toda essa preocupação com o ritmo e as contas não deixavam de ser uma forma de manter o foco e tentar alcançar o objetivo. Mais ou menos nesse ponto da prova o líder da maratona me ultrapassou, e logo comecei a ver alguns maratonistas no sentido contrário (o percurso deles ia para outras ruas e convergia com o da Meia apenas mais para o final). Passei também por uma garota novinha perdida, sem número no peito, que em teoria estava fazendo a prova de 10k mas pegou sem querer a saída para a Av. Mário Covas (ela devia ter ficado apenas no Anel Viário). Tentei tranquilizá-la dizendo que ia dar tudo certo, mas segui meu rumo. Espero que ela tenha conseguido concluir bem sua corrida.

Chegou então o retorno ao Anel Viário, passando antes por uma curva 180º na marcação do km16. Passei por ali com 1h30min50seg! Um pouco acima do tempo para o sub-2h. Eu deveria fazer os últimos 5km com um ritmo médio de 5min50seg para conseguir. Não era impossível, mas o calor já se fazia forte e o cansaço presente. E pra piorar, vieram as duas ladeiras que eu temia. Faço a parcial do km18 em 6min15seg, e nessa hora praticamente dou adeus à meta. Nesse momento, lembro-me de frases motivacionais que vi ao longo do percurso, como: "Sua mente desiste antes do seu corpo", ou então: "Quando as pernas falharem, corra com o coração". Então mesmo sabendo da dificuldade, decidi dar o máximo nos 3km finais. Aproveitei a leve descida e peguei um ritmo alucinante dadas as circunstâncias. Meu relógio marcou 21km com 1h59min50seg! Sub-2h? Calma lá!


Ah, mas a maratona não são 42km redondos! São 42.195 metros! De forma análoga, a Meia Maratona teve sua distância oficial fixada em 21.097 metros. E que diferença fazem esses poucos metros quando você está focado no tempo! Um outro ponto mais relevante é a distância marcada pelo relógio e a distância oficial da prova. Se você fica zigue-zagueando muito na corrida, seu relógio inevitavelmente irá marcar uma distância maior. No meu caso, a diferença não foi tão significativa, um pouco menos de 100 metros na verdade. Ainda assim, esses 200 metros finais (100 na conta do relógio e 100 na conta da distância oficial) foram o suficiente para minha corrida terminar com o tempo oficial de 2h00min18seg.

Quando contei o tempo pra minha esposa ela perguntou: poxa, mas você não conseguia dar um sprint final? Depois contei pra ele que meu sprint final correspondeu a 3 insanos quilômetros. Então realmente não dava. Se eu tivesse sido 1 segundo mais rápido por quilômetro, teria feito abaixo da meta. Será que foi culpa do abacate? Talvez. Mas certamente o clima muito quente e seco contribuiu. No ano passado na Meia de São Paulo fiz abaixo de 2 horas, com menos preparo, mas estava um dia muito mais frio. A temperatura ali oscilou entre 10ºC e 15ºC, enquanto nessa Meia de São José dos Campos a oscilação ficou entre 17°C e 25°C. Nos dias seguintes à corrida chegou uma frente fria e a temperatura despencou. Meus treinos regenerativos me levaram a crer que se a frente fria tivesse chegado mais cedo, muito provavelmente eu teria feito meu sub-2h até com certa folga.

A vida de corredor é assim, nem sempre a gente consegue atingir a nossa meta. E muitas vezes essas coisas acontecem por fatores que fogem ao nosso controle, como por exemplo o clima no dia da prova. O importante é não se frustrar com isso. E pra ser bem sincero, mesmo não tendo atingido a meta de tempo, eu fiquei muito feliz. Senti-me mais inteiro do que na Meia de São Paulo no ano anterior. Consegui me recuperar da prova mais rapidamente. Fiz o sprint final mostrando que ainda tinha energias. E fiquei com a sensação de que se a corrida fosse um pouco mais longa (não ainda o dobro), eu teria conseguido concluir também. Então encaro sim como uma bela vitória. E se ao final da Meia de São Paulo ano passado eu fiquei me perguntando se já poderia começar a pensar na Maratona, a sensação agora foi de certeza nesse sentido. Agora é começar a se planejar, pensar na rotina de treinos e colocar em prática. Quem sabe em 2026?

Embora eu já tenha escrito muito sobre isso ao longo do post, segue o registro oficial do meu ritmo ao longo da prova, bem como a elevação da corrida, ambos registrados pelo meu relógio.



E pra finalizar, a tradicional foto da medalha. Embora o evento fosse a maratona, com o próprio nome contendo o "42k", na medalha ficava claro qual a modalidade que participei. Não deixa de ser uma inspiração para buscar o grande desafio na sequência.








 

Nenhum comentário:

Postar um comentário