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sábado, 8 de agosto de 2020

Ao vivo é mais divertido: Maratona Olímpica de 2016


Comentei aqui em outro post sobre o dia que carreguei a tocha olímpica. Nele, comentei sobre o meu interesse sobre esportes, e mais especificamente sobre as Olimpíadas, desde que eu era pequeno. E sempre tive também um gosto muito grande por acompanhar eventos esportivos ao vivo, tais como jogos de futebol, basquete e automobilismo. Já havia até tido uma experiência olímpica antes: em 2006, durante período de intercâmbio na Itália, acompanhei um jogo de hóquei no gelo na Olimpíada de Inverno de Torino. E obviamente, com os Jogos de Verão sendo sediados no Rio de Janeiro, era uma grande oportunidade para acompanhar ao vivo diversas modalidades.

Curiosamente, eu nunca havia comparecido para acompanhar ao vivo nenhuma corrida de rua. Apenas para participar. E na Olimpíada acontece aquela que é talvez a mais importante das corridas: a maratona olímpica. Decidi então que iria assistir a essa corrida ao vivo. Até mesmo porque a largada e a chegada seriam na Marquês de Sapucaí, cartão-postal da cidade do Rio de Janeiro que eu nunca havia visitado.

Diz a lenda que na Antiguidade, logo após uma batalha travada na cidade de Maratona, localizada a cerca de 40km de Atenas, o mensageiro Fidípides foi enviado para Atenas para relatar a vitória dos atenienses. Ele correu sem parar o mais rápido que podia e ao chegar só teve forças para dizer "Vencemos!" antes de cair morto. Em homenagem a essa história, na primeira edição dos Jogos Olímpicos, em Atenas-1896, foi criada uma modalidade especial que seria a corrida entre as cidades de Maratona e Atenas. A essa corrida deu-se o nome de "maratona". Trata-se de uma das competições que esteve presente em todas as edições dos Jogos Olímpicos. A distância de 42,195km foi fixada nos Jogos de 1908, realizada em Londres, na qual os atletas fizeram um percurso entre o Castelo de Windsor e o Palácio de Buckingham, para que membros da família real pudessem assistir à largada e à chegada. 

Dentre os momentos mais marcantes (que eu conheço) da história da maratona olímpica, destaco três. O primeiro foi nos Jogos de Helsinque-1952, quando o finlandês Emile Zatopek foi o campeão das provas dos 5.000m, 10.000m e da maratona na mesma edição. O segundo foi a trajetória do etíope Abebe Bikila, que correu descalço e ganhou a maratona em Roma-1960. Preocupados com o impacto que isso poderia ter nas vendas de seus tênis, algumas marcas fizeram lobby para proibir que atletas corressem descalços em Tóquio-1964. Bikila se viu obrigado a correr calçado, e com a corrida já ganha, a poucos metros da linha de chegada, ele tirou os tênis e completou a prova descalço. Tornou-se assim o primeiro bi-campeão olímpico de maratona (feito apenas igualado pelo alemão Waldemar Cierpinski em Montreal-1976 e Moscou-1980). Finalmente, a edição de Los Angeles-1984 ficou marcada por ser a primeira a ter uma prova feminina da maratona. E nessa corrida aconteceu um dos episódios mais marcantes da história olímpica. A suíça Gabriela Andersen-Schiess entrou se arrastando no estádio olímpico, recusou-se a receber qualquer tipo de ajuda para não ser desclassificada, e cruzou a linha de chegada com o simples objetivo de completar a prova, visto que já estava fora da briga pelas medalhas. Esse é uma das fotos mais emblemáticas dos Jogos Olímpicos.
Bom, e quanto à Rio-2016? Como já deixei bem explícito, escolhi a maratona olímpica como uma das competições de maior interesse para acompanhar ao vivo. O primeiro lote de ingressos disponibilizado para o público foi no esquema de sorteio. Você entrava no site, selecionava os seus eventos de interesse e após o período de inscrição te informavam se você havia sido ou não sorteado. Acho que a maratona não atraiu tanto assim o interesse, de modo que foi a única competição que consegui ser sorteado nesse primeiro lote. Depois ainda consegui ingressos para outros eventos, mas fiquei feliz de ter conseguido esse logo na primeira oportunidade.
O dia amanheceu nublado e com leve chuva. Felizmente eu já saí equipado com capa de chuva para acompanhar o evento. E claro, para entrar no clima fui acompanhar o evento vestindo a camiseta do kit da corrida da Maratona de São Paulo e o boné do kit da Maratona do Rio. Cheguei cedo, a tempo de pegar a largada, a qual pude acompanhar da arquibancada. Não eram muitos atletas participando, e pra ser bem sincero, eu não conhecia nenhum dos principais favoritos. A única coisa marcante sobre a corrida que eu sabia é que ali seria a despedida do Marílson Gomes dos Santos, maratonista brasileiro que ganhou duas vezes a Maratona de Nova Iorque, nas edições de 2006 e 2008, e três vezes a São Silvestre, em 2003, 2005 e 2010. Chegou em quinto lugar na maratona olímpica de Londres-2012 e veio se despedir no Rio. Sem grandes chances de medalha, mas ainda assim contava com minha torcida e era um fato marcante para a corrida.
Após a largada ocorreu o desfile de uma escola de samba ali na Sapucaí para entreter o público presente. E era possível ao mesmo tempo acompanhar a corrida através dos telões. Achei uma corrida interessante, pois começou com o pelotão praticamente inteiro no mesmo ritmo, e aos poucos um ou outro atleta ia ficando pelo caminho e o pelotão ia diminuindo. O percurso era basicamente seguindo a orla de algumas praias da Zona Sul do Rio, com bastante gente acompanhando nas ruas. E já no final da prova, quando o percurso mudou para o centro antigo da cidade, passando pela região portuária que havia sido revitalizada, não havia mais pelotão: um corredor queniano havia se distanciado de todos os demais.
Queria ter a noção da velocidade de um maratonista campeão olímpico, e por isso fiz questão de acompanhar a chegada do queniano ali de perto. Fiz um vídeo amador da passagem dele ali onde eu me encontrava na Sapucaí. Achei impressionante como o queniano apresentava um semblante absolutamente tranquilo e focado em sua corrida. Não era o Marílson, não era um brasileiro, mas estava claro que tratava-se de um verdadeiro campeão olímpico. E isso por si só já me deixava muito feliz. E não era uma percepção apenas minha. O comentário que eu mais escutava das outras pessoas à minha volta acompanhando o evento era exatamente o mesmo: todo mundo impressionado com o campeão que se apresentava para todos nós.


Já em casa, de noite, acompanhei a cerimônia de encerramento da Olimpíada, na qual é feita a entrega das medalhas da maratona. E então fiquei sabendo o nome do queniano: Eliud Kipchoge. E hoje, olhando para trás, vejo que nascia ali um novo ídolo para mim. Pois desde então passei a acompanhar a trajetória desse queniano maratonista e de seus feitos notáveis. Mas sobre esses feitos, talvez eu escreva em uma próxima oportunidade. Por enquanto, encerro esse post com a foto de Eliud Kipchoge cruzando a linha de chegada na Sapucaí e o encerramento da minha experiência com a maratona olímpica.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A emoção de conduzir a Tocha Olímpica

Esse post não é bem sobre uma corrida. Mas a ideia de escrever um blog nasceu para que eu pudesse registrar em algum lugar as diversas histórias de corrida que eu tinha pra contar. E as coisas que as pessoas me perguntam a respeito. Então porque não escrever sobre o dia em que conduzi a tocha olímpica?

A bem da verdade, tudo começou na Olimpíada de Atlanta-1996, quando vi na TV que cidadãos comuns estavam participando do revezamento da tocha olímpica quando a mesma foi sediada nos Estados Unidos. Eu, na época com apenas 12 anos, pensei que seria realmente um sonho se um dia eu pudesse participar do revezamento. Quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede para os Jogos de 2016, logo me ocorreu que seria a chance da minha vida. Por isso mesmo logo fui me informando sobre como seria o percurso do revezamento, quais cidades estariam envolvidas e como eu poderia me inscrever para participar.

Cabe aqui uma nota explicativa sobre como se dá o Revezamento da Tocha Olímpica. Ele sempre se inicia na cidade de Olímpia, na Grécia, com uma encenação teatral na qual sacerdotisas invocam os deuses gregos da Antiguidade para acender o fogo olímpico. Nessa cerimônia participam autoridades do Comitê Olímpico Internacional e também do Comitê Organizador da edição corrente dos Jogos Olímpicos. No caso, representantes do Comitê Olímpico Brasileiro e da organização da Rio-2016 estavam presentes. Após essa cerimônia, o fogo olímpico é passado de uma tocha para outra em um revezamento envolvendo vários condutores diferentes até a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Nessa ocasião, um representante do país sede é escolhido para acender a Pira Olímpica e dar início aos Jogos. Em geral escolhem um atleta que tenha se destacado em uma edição anterior dos Jogos.

Sobre isso, queria fazer uma pequena digressão no post. Mas, na minha opinião, na Rio-2016, fizeram uma justa homenagem ao escolherem o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze em Atenas-2004, para acender a pira. Aquela edição da maratona olímpica ficou marcada porque o brasileiro liderava a prova com boa vantagem depois do km30 quando um padre irlandês invadiu a pista e o abraçou, fazendo-o perder tempo. Especialistas dizem que o ritmo do brasileiro vinha caindo e acabou melhorando depois do episódio, talvez por uma questão psicológica, de tal modo que possivelmente ele nem chegaria em terceiro lugar na corrida. Mas seja como for, o fato de ele ter continuado na corrida até o final foi um sinal incrível de esportividade, que lhe rendeu inclusive uma medalha especial, a "Barão de Coubertin", do Comitê Olímpico Internacional, por ter encarnado o espírito olímpico.

Retomando, qual percurso é realizado pela chama desde Olímpia até, no caso, o Rio de Janeiro? E quem são os condutores da tocha? Essa decisão coube ao Rio-2016. Nessas horas o COI pouco interfere. Para se ter uma ideia, nos Jogos de Atenas-2004, como o trajeto seria muito curto, decidiram que a tocha visitaria todas as cidades que já haviam sediado os Jogos Olímpicos em alguma oportunidade, e que passaria também por todos os continentes. Como nunca havia sido realizada uma Olimpíada na América do Sul, mas para incluir nosso continente nesse revezamento escolheram o Rio de Janeiro, que já havia se candidatado para receber uma edição dos Jogos anteriormente, para receber o revezamento. Atletas que já haviam representado o Brasil nos Jogos foram escolhidos para conduzir a tocha naquela ocasião.

Mas e desta vez, na Rio-2016? Como foi feita a escolha? O processo seletivo foi um tanto confuso, eu diria. Eram cerca de 11 mil vagas para condutores, e o processo foi dividido entre o site da Olimpíada e promoções realizadas pelos patrocinadores do evento do Revezamento da Tocha. No caso, como pode-se ver no logotipo oficial do Revezamento, eram a Coca-Cola, a Nissan e o Bradesco. Cada qual abriu um concurso no qual os trabalhos mais criativos seriam escolhidos. Já pelo site oficial do revezamento, você também poderia participar. Para tanto você deveria ser indicado por algum conhecido por alguma coisa que tivesse feito. Quantos selecionados seriam por cada processo é algo que eu desconheço. Fato é que não participei das promoções dos patrocinadores, até porque tenho certeza que não seria capaz de fazer um vídeo criativo para ganhar. Meu pai acabou escrevendo no site um pouco sobre meu gosto por esportes, corrida de rua em particular e também sobre alguns trabalhos voluntários que já participei.

Ok, nunca fiz nada de sensacional nem digno de nota em prol do esporte nacional e muito menos posso dizer que sou um voluntário tão dedicado quanto gostaria. Mas fato é que a história foi aceita no site, não foi descartada logo de cara. Entretanto, justamente por não ser uma história muito especial, fui colocado numa fila de espera. Fiquei um pouco chateado com isso, principalmente ao ver que em muitos lugares estavam convidando diversos artistas que não possuem nenhum vínculo com o esporte para serem condutores. Pelo menos em São José dos Campos fiquei mais tranquilo ao saber que os convidados da prefeitura eram de fato atletas amadores e ex-atletas olímpicos, como a nadadora Fabíola Molina.

Eu já estava completamente desencanado com essa história de Revezamento da Tocha quando chegou na véspera do dia. Eis que na noite anterior meu telefone toca com um número desconhecido. Atendo e perguntam pelo meu nome. E o rapaz me pergunta se eu ainda tinha interesse em ser condutor da Tocha Olímpica. Pelo visto ele estava ligando para as pessoas selecionadas para confirmar a participação e deve ter tido alguma desistência, ou pode não ter conseguido o contato de alguém. Então estavam passando os nomes da lista de espera para preencher as vagas remanescentes. O único detalhe é que eu teria que me deslocar até a cidade vizinha de Jacareí para participar, pois as vagas em São José já estavam todas preenchidas. Aceitei então o convite de última hora e no dia seguinte parti para Jacareí logo após o almoço.

Cheguei na prefeitura de Jacareí, ponto de encontro designado, logo após o almoço. Eu não conhecia nada por ali, mas achei o lugar simpático. Pouco após chegar e encontrar os demais condutores, recebemos algumas instruções sobre como proceder e ganhamos nossos uniformes e as tochas. Deu pra perceber uma preocupação muito grande dos organizadores para que todos os condutores se sentissem absolutamente confortáveis e principalmente felizes com o momento. E mais que isso, que eles pudessem contagiar o público nas ruas com essa alegria. Afinal, este é o grande objetivo do evento do revezamento da chama olímpica: levar um pouco do espírito olímpico a todo o público. Principalmente àqueles que não irão poder comparecer aos Jogos.

A tocha estava um pouco atrasada (estava sendo realizado o revezamento em 4 cidades naquele dia, sendo Jacareí a terceira) mas logo todos nós condutores fomos conduzidos a um micro-ônibus. Cada condutor recebeu uma numeração, e fomos convidados a nos apresentar para os demais condutores contando um pouco de nós mesmos. O que mais me chamou a atenção foi a quantidade de jovens, alguns até menores de 18 anos (a idade mínima para ser condutor da tocha era de 16 anos) que estavam ali por serem jovens atletas que representam a cidade de Jacareí em competições juvenis.

Logo o ônibus saiu da prefeitura e foi fazendo paradas para que os condutores fossem descendo um após o outro. Fui o penúltimo a descer, e fiquei ali sozinho em uma simpática rua da cidade esperando a minha vez chegar. Não havia ninguém da organização por perto. Mas não demorou para que começassem a aparecer os curiosos. Logo vieram me perguntar se eu era condutor, se aquela tocha era de verdade, e principalmente se poderiam tirar foto comigo. Por um momento me senti uma celebridade. Mas claro que eu continuava sendo apenas um anônimo. Para aquelas pessoas eu era apenas "o cara da tocha". Mas foi muito legal ver as pessoas querendo tirar foto do lado da tocha, ou então com a tocha posicionada em algum lugar específico (por exemplo na frente do bandeirão de um clube sediado por ali). As mães pedindo para os filhos se aproximarem para verem a tocha de perto e tirarem foto. Ou o garoto na foto abaixo aproveitando para tirar uma selfie. E o mais gratificante de tudo era ver a alegria estampada na cara de todos (principalmente das crianças) apenas porque estavam tendo a chance de tirar uma foto com a tocha olímpica tão de perto.


Em alguns minutos, vi os carros dos patrocinadores se aproximando e passando por mim, e finalmente a escolta da guarda nacional que trazia o condutor anterior com a tocha. Logo, um membro da guarda nacional me puxou para o meio da rua, abriu o gás da minha tocha e me posicionou de tal forma a receber a chama do condutor anterior. Era chegada a minha vez. A chama olímpica estava comigo. Cabia a mim a incumbência de carregá-la pelos próximos 200 metros e levá-la mais próxima da Olimpíada e das pessoas. Acho que me empolguei um pouco no começo e achei que estava em uma corrida de rua. De fato acho que saí correndo. Logo vi o fotógrafo que ia no carro da frente fazendo um sinal com a mão para eu reduzir o ritmo. Percebi isso e comecei a ir num trote muito mais leve. Mais ou menos na mesma hora chegamos a uma lombada, e um dos membros da guarda nacional me alertou para reduzir ainda mais. Vi também que o fotógrafo continuava fazendo o mesmo gesto, então imaginei que eu estava segurando a tocha muito em cima. Acabei baixando um pouco o braço e recebi um "jóinha" de volta. Olhei em volta, vi as pessoas felizes por estarem ali, aplaudindo a tocha. Acenei de volta e ainda soltei gritos de "Vai Brasil!" para algumas pessoas que estavam vestindo camisas da seleção. Eu também estava em um momento muito feliz por estar ali fazendo parte de tudo aquilo. Afinal, sempre gostei muito das Olimpíadas, principalmente por essa ideia de ver o esporte aproximando as pessoas e promovendo a paz entre os povos. Seria muito bom se hoje em dia fosse que nem era na Antiguidade, que todas as guerras e conflitos paravam durante 2 semanas para a Olimpíada. E o revezamento da tocha é o que há de mais simbólico nisso tudo, daí que eu estava realmente muito feliz com a oportunidade que me foi dada de fazer parte deste momento tão especial. Mas o que é bom dura pouco. Logo alcancei o próximo condutor, passei a chama olímpica adiante e fui conduzido de volta para o ônibus dos condutores. Entreguei minha tocha para a organização mas ainda tive oportunidade de tirar mais algumas fotos.

Como mencionei no começo do post, não se trata de uma história de uma corrida. Logo não posso encerrar este post com a foto de uma medalha. Deixo aqui então para finalizar a foto oficial do revezamento e também um certificado digital de condutor que recebi da organização. Eu até poderia ter adquirido uma tocha para recordação pessoal pela bagatela de aproximadamente 2 mil reais. Mas sinceramente, eu não fazia muita questão de guardar a tocha como recordação, mesmo sendo ela muito bonita. Além disso, o também belíssimo uniforme dos condutores para mim já é uma recordação pra lá de especial. Isso sem falar nas fotos, nos momentos, nas lembranças, que sempre marcarão esse dia para mim. 




quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

De volta ao batente: Oscar Running

O ano de 2016 foi marcado por muitas viagens a trabalho, de forma que eu mal consegui me organizar para participar de corridas de rua. Teve ainda o Revezamento da Tocha, as férias que decidi tirar para assistir aos Jogos Olímpicos (e que coincidiram com algumas corridas que eu gostaria de participar), dentre outros fatores. Talvez eu ainda escreve sobre a tocha e sobre a Maratona Olímpica, evento que assisti "in-loco", algum dia. Mas eu não poderia deixar o ano passar em branco. Então, no mês de Setembro, acabei decidindo me inscrever na corrida realizada pela Oscar em São José dos Campos. Trata-se na verdade de uma das corridas mais tradicionais do Vale do Paraíba e da qual eu nunca tinha participado.

A maior loja da Oscar em São José dos Campos fica no Vale Sul Shopping, na Zona Sul da cidade. Por esse motivo, a corrida ocorre justamente nessa região da cidade. A retirada dos kits, como não poderia deixar de ser, aconteceu exatamente na loja da Oscar deste shopping. Também conforme esperado, no kit vinha também um cupom de desconto para usar na loja naquele dia. Uma forma de incentivar que os corredores conheçam e consumam mais daquela loja.



Por ser uma prova realizada no começo de Setembro, não era esperado nem muito calor e nem muito frio para o dia da corrida. E de fato foi isso o que aconteceu: uma manhã com poucas nuvens e um Sol que não chegava a ser escaldante. Pelo contrário, tornava o dia bem agradável. Muito propício para começar a correr.

A concentração para a prova ocorreu dentro do estacionamento do shopping, e a largada deu-se na Avenida Cidade Jardim. Apesar de ser uma das maiores provas da região, achei a aglomeração e a muvuca um tanto normais para as provas que estou acostumado a correr. Mas não era de se espantar, ao todo eram apenas 1.500 corredores inscritos. O calendário de corridas do Vale pode até ser bastante recheado de provas, mas a verdade é que nenhuma delas se destaca muito em número expressivo de participantes como por exemplo a prova da Tribuna em Santos.

Eu não tinha nenhuma meta muito estabelecida de tempo. Sabia que por conta de tantos afazeres não havia treinado muito e estava longe do auge da forma, de tal modo que buscar baixar o recorde pessoal de 50min15seg nos 10km estabelecido na prova da Tribuan em Santos em 2015 era algo absolutamente fora de cogitação. Mas ao mesmo tempo sabia que se fizesse um tempo acima de 1 hora seria muito frustrante pois em treinos normais estou acostumado com um ritmo melhor do que esse.

Por isso mesmo corri despreocupado, tentando aproveitar na verdade o percurso. Não que ele fosse lá muito inspirador: era basicamente ir e volta toda a Av. Cidade Jardim, com uma pequena quebra na Av. Cassiopeia para um "vai-e-volta" de algumas quadras. A propósito, na volta da Cassiopéia já ocorria a divisão entre quem ia correr 5k e quem seguiria em frente rumo aos 10k. No meu caso, da distância mais longa, continuei pela Cidade Jardim no mesmo sentido que estava vindo. Apesar de o percurso passar basicamente por ruas residenciais, sem grandes construções, cartões-postais ou outros atrativos, as ruas bastante arborizadas junto com o belo dia de Sol e a brisa fresca tornaram a corrida bastante agradável. Talvez o que mais chamasse a atenção fosse a sede do Sesi, localizado numa praça na qual fizemos o retorno na Av. Cidade Jardim.

Consegui desenvolver um ritmo bom desde o começo da prova, algo em torno de 5:00min/km. Mas fui cansando ao longo da prova, especialmente na volta que peguei umas subidinhas. No retorno um ex-professor de engenharia que também é corredor acabou me ultrapassando e não pôde deixar de soltar uma piadinha nerd: "vamos lá que está fácil, isso aqui é só cinemática, nada de dinâmica." Mesmo assim, cruzei a linha de chegada com um tempo de 54min28seg, muito bom para minhas expectativas. Tudo bem que a distância aparentemente foi menor do 10k, pelo menos foi o que registrei.

Essa foi a minha única corrida oficial de 2016. Foi o que consegui fazer. Claro que treinei bastante ao longo do ano, até mesmo por uma questão de saúde. Mas acordar cedo, sentir o clima de uma prova, buscar dar o melhor de si em cada passo, cada gota de suor, isso é realmente muito legal. E por mais que tenha sido uma única ao longo do ano, com certeza valeu a pena.

Para finalizar, segue a foto da medalha. Trata-se de um pedaço de uma mandala na verdade. Algumas corridas tem utilizado esse artifício para incentivar as pessoas a participarem de mais provas. A medalha é como se fosse uma parte de um quebra-cabeças, que você precisa juntar com as medalhas de outras corridas para formar a figura completa. As demais provas desse circuito seriam em Taubaté, Guaratinguetá, Mogi e Jacareí. Mas honestamente acabei não animando de participar das demais. Quem sabe algum dia.

Em breve retorno para contar das corridas de 2017...


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Correr com os amigos é sempre bom: Ayrton Senna Racing Day 2015

2016 foi um ano tão corrido que ao chegar ao final do ano percebi que ainda estava devendo uma postagem referente a uma corrida que participei em 2015. Comecei a escrever esse post, acabei deixando de lado, e só agora já quase no final de 2017 que eu finalizo-o. Mas trata-se da 12a. edição da Ayrton Senna Racing Day, corrida de revezamento que ocorre no Autódromo de Interlagos e da qual eu já havia participado também em 2013.

Assim como na outra edição, essa é uma boa oportunidade para encontrar o pessoal do trabalho em um outro ambiente, muito mais descontraído. Também serve como oportunidade para motivar quem nunca correu, ou quem está apenas começando, a participar de uma prova. Fizemos um octeto para correr 5.25km cada um.

Uma semana antes da corrida ocorreu um fato inesperado. Recebemos um e-mail informando que as camisetas não ficariam prontas a tempo e portanto não seriam entregues junto com o kit. Pediram desculpas pelo ocorrido e garantiram que as camisetas chegariam por correio após o evento. Eu particularmente não achei nada ruim, afinal não pretendia correr com a camiseta da corrida mesmo. Ouvi alguns comentários no dia da entrega do kit, mas não achei nada de comprometedor. Não me sinto capaz de julgar se a organização pisou na bola ou não. Pelo contrário, até parabenizo-os pela maneira profissional como conduziram esse problema.


Assim como ocorreu em 2013, desta vez eu novamente seria o último do grupo a correr, de modo a pegar o trecho com maior Sol. Entretanto, como eu havia me prontificado a resgatar os kits, tinha que ser também o primeiro a chegar no Autódromo. Eis que na véspera nosso corredor escolhido para abrir a prova machucou o pé e não poderia mais participar. Logo me candidatei a ficar no lugar dele, e a esposa de um dos demais colegas poderia correr no meu lugar a última volta.

Cheguei em cima da hora para a largada. Logo me posicionei e me emocionei com o áudio colocado pela organização nos instantes que antecederam o som da sirene: a antológica narração do próprio Ayrton Senna de dentro de seu McLaren em um dos treinos livres do GP Brasil. Simplesmente de arrepiar e de deixar ainda mais na pilha para iniciar a corrida.


Nessa primeira volta o tempo estava bastante nublado, e como ainda era bem cedo, fazia até frio. Algo inesperado para uma prova no final de Novembro. Achei ruim o percurso deste ano comparado ao de 2013. Mas como assim, não era o mesmo? Na verdade não, pois para completar a distância de 5.25km em um autódromo cuja volta é de 4.2km, era necessário inventar um "vai-e-volta" em algum trecho do circuito. Em 2013 o trecho escolhido havia sido a reta dos boxes. Em 2015 foi a reta oposta, que apesar de plana (ao contrário da reta dos boxes, um dos motivos pelos quais devem ter feito essa alteração) é também muito mais estreita. Dessa forma, na primeira volta, quando a multidão ainda está se dispersando, ficou tudo um pouco "amontoado".

De todo modo, concluí sem problemas minha participação com 28m44s. Não era meu melhor tempo para essa distância, mas tampouco era esse meu objetivo. Fiquei feliz com o tempo, e logo após passar a pulseira para o segundo corredor da equipe fui encontrar os demais.

Vale ressaltar que muita coisa havia mudado com relação à corrida anterior. Em 2013 pudemos ficar nos boxes (onde eram feitas as trocas), com direito a algumas salas com exposições de objetos pessoais do Senna e do Instituto. Desta vez os boxes permaneceram fechados o tempo todo. As trocas foram feitas na própria reta dos boxes, o que na minha opinião deixou tudo um pouco mais muvucado. Além disso, toda a parte de stands de patrocinadores, equipes de corrida, etc... teve que ficar do lado de fora do autódromo. A única vantagem que observei (e mesmo assim nem foi lá grande coisa) é que a arquibancada permaneceu aberta. Assim era possível acompanhar seus colegas correndo mais de perto, além de ter uma bela vista do circuito.


No meio do caminho descubro que a esposa de nosso colega não estava com muita vontade de correr mesmo (além de que estavam cuidando das crianças) de modo que me candidatei a dar outra volta no circuito. Assim, voltei para a pista para a última volta e fechar o revezamento. Claro que no fim do dia o desempenho não foi o mesmo: além de já estar um pouco desgastado da primeira volta, agora estava mais quente e com mais Sol. A vantagem é que, por ser a última volta, não tinha mais muvuca, já ocorria um belo espalhamento de pessoas pelo circuito (sem falar naqueles que já estavam concluindo). Completei a última volta em 30m27s. Somando os dois tempos consegui completar 10km abaixo de 1 hora em um circuito com muitas subidas, então dei-me muito por satisfeito com o resultado.

Para finalizar a foto da medalha desta edição da corrida. A última de 2015.