quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Corrida virtual, afinal é o que temos para hoje: TikTok Santander Track&Field Run Series

Desnecessário e até meio batido dizer que 2020 foi um ano atípico, diferente de tudo aquilo que já vivemos. Se em janeiro eu tinha planos de correr novamente uma maratona, colocando provas de meia no meu calendário para começar a preparação e botando como meta correr pelo menos 1.000km no ano, em março tive que me adequar a uma nova realidade. E em maio, com a obrigatoriedade do uso de máscaras ao sair de casa, acabei dando um tempo com a corrida.

Conversando com outros amigos corredores, e olhando pela janela de casa, vi que muita gente estava saindo para correr de máscara. Resolvi pesquisar um pouco sobre isso na internet, e vi que a prática estava mais disseminada do que eu imaginava. Claro que não é recomendado se puder ser evitado, mas não chega a ser algo tão proibitivo também. O desempenho obviamente não é o mesmo, e nem é recomendável fazer grandes distâncias também. Mas pelo menos é melhor do que ficar parado, não é mesmo? Então lá pelo final de agosto acabei aderindo a essa prática, mas limitando meu treino a curtas distâncias.

Claro que conheço e vejo por aí gente correndo sem máscara, apesar da obrigatoriedade imposta pelas autoridades locais. Não quero fazer aqui nenhum juízo de valor das pessoas que correm sem máscara, muito menos questionar a necessidade do decreto ou a eficácia da medida no combate à disseminação do vírus. Existe material de sobra na internet a respeito deste assunto. Quero apenas deixar registrada a minha opinião acerca disso tudo. E a minha opinião é que enquanto existir a obrigatoriedade de uso de máscara, goste-se dela ou não, concorde-se com ela ou não, trata-se de uma exigência das autoridades e deve ser cumprida. Portanto só voltarei a correr sem máscara no dia que isso for permitido.

Enfim, os primeiros treinos de máscara me mostraram que correr desse modo não era tão ruim assim afinal. E em algumas semanas eu já estava até conseguindo pegar um ritmo de treino bacana. Mas ainda assim, nada de fixar metas, apenas correndo para manter a saúde mesmo.

Ao longo do ano fui tomando conhecimento também das corridas virtuais. Funcionam assim: você baixa o aplicativo da corrida no seu celular, e no dia marcado da corrida você habilita o GPS, abre o app e inicia a corrida. Pode ser em qualquer lugar, desde que você cumpra a distância estabelecida pelos organizadores. Dependendo do evento, existe kit com camisa e até medalha. 

Claro que uma corrida virtual não chega aos pés da corrida presencial. Não é possível substituir a beleza da maratona do Rio (a menos que você more lá), o charme da avenida Paulista na chegada da São Silvestre ou o calor humano da praia de Santos em uma corrida da Tribuna. Se for para correr perto de casa, então faço isso de graça mesmo. Desse modo não me interessei por participar de corridas virtuais em um primeiro momento.

Ainda assim, já no mês de dezembro tomei conhecimento de uma corrida virtual organizada pela Track&Field no último fim de semana antes do Natal. Como era fim de ano e eu não havia participado de nenhuma corrida, pensei em participar até para não passar em branco. E um motivador extra foi que a corrida tinha um caráter beneficente: parte do dinheiro da inscrição seria doado para instituições de caridade para o Natal. Sem falar que seria algo diferente, para ser feito uma vez e depois poder relatar a experiência. Desse modo, decidi por me inscrever na prova de 5k, visto que não estava correndo grandes distâncias com máscara. As modalidades de 10k e 21k também estavam disponíveis.

A janela para realização da corrida era entre 05:00 e 22:00 do dia da corrida. Não sei ao certo por qual motivo (certamente não era ansiedade de correr), acabei acordando e perdendo o sono por volta das 04:30. Como não houve horário de verão, o dia já até começava a clarear dada a proximidade do solstício. Decidi comer alguma coisa, me arrumar e sair para correr logo de manhã cedo mesmo.

Foi muito estranho sair de casa para correr uma prova, sem ter que me preocupar com o horário de saída, nem com o trânsito para chegar no local da largada, nem com guarda-volumes ou fila de banheiro químico. Nada de local de largada aglomerado. Nada de caminhão de som com alto-falante anunciando a contagem regressiva para o início da corrida. Ao invés disso, precisei simplesmente chegar à pé até o ponto que costumo começar meus treinos, abrir o aplicativo pelo celular e clicar no botão de iniciar a corrida. De fato, pelo horário a janela de realização da prova já estava aberto e o aplicativo me permitia fazê-lo. Ao clicar no botão uma vez ele me pedia a confirmação de que queria começar. Ao clicar pela segunda vez, ele começou uma contagem regressiva e em 3, 2, 1... estava valendo!

Fiz o mesmo percurso que já estava habituado a treinar. Ele possui cerca de 2.5km, de modo que fiz duas voltas. Comecei a minha corrida por volta das 05:15 da manhã. O tempo estava bom, tudo indicando que faria um lindo e quente dia de sol de verão. Mas como ainda era muito cedo, a temperatura estava relativamente baixa e o ar estava fresco. Ou seja, estava ideal para uma boa corrida!

E foi mesmo! Como se tratava de uma prova, logo vinha aquela vontade dar um gás a mais e fazer um bom tempo. Por mais que não seja muito recomendado fazer isso de máscara, aquele "instinto de corredor" me impulsionou a buscar fazer o trajeto no menor tempo possível. Dado o horário que corri, não encontrei uma alma viva na rua, de modo que poderia muito bem ter saído pra correr sem máscara. Seja como for, por respeito ao decreto e também por querer ter uma base justa de comparação entre a corrida e meus treinos normais, mantive a máscara no rosto durante todo o percurso.

Por sinal, não tenho muito o que escrever sobre o percurso dessa vez. Quem acompanha esse blog sabe que gosto de descrever as paisagens, os nomes das ruas, avenidas, praças, os monumentos que marcam os percursos das corridas que participo. E uma das coisas que mais gosto nessas corridas de rua é esse lance de correr em lugares diferentes. Já descartei participar de corrida porque o percurso era o mesmo de outras provas que já tinha realizado. Mas dessa vez o percurso era o mesmo "arroz com feijão" que eu já estava acostumado.

Ao final da minha segunda volta, nem precisei me preocupar com finalizar a corrida no aplicativo. Quando ele detectou que eu havia completado 5k, a corrida foi automaticamente encerrada. Curiosamente meu relógio alegava que ainda faltavam cerca de 100-200m para completar 5k, de modo que continuei correndo até completar a distância no meu relógio também. O tempo registrado pelo aplicativo foi de 26m52s e no meu relógio 27m29s. Um pouco estranho terminar a corrida sem cruzar um pórtico de chegada com um relógio em cima mostrando seu tempo bruto. Em geral, avistar o pórtico já é aquele incentivo para o "sprint final", mas não foi o caso. Também achei estranho finalizar a corrida sem pegar isotônico, fruta, além é claro da medalha. 

Por esse motivo, vou ter que finalizar o post sem a foto da medalha. Fica no entanto o registro da minha participação da corrida através da figura gerada pelo aplicativo com meu tempo oficial. Foi estranho, mas foi divertido. E quem em 2021 as provas presenciais possam retornar!


sábado, 8 de agosto de 2020

Ao vivo é mais divertido: Maratona Olímpica de 2016


Comentei aqui em outro post sobre o dia que carreguei a tocha olímpica. Nele, comentei sobre o meu interesse sobre esportes, e mais especificamente sobre as Olimpíadas, desde que eu era pequeno. E sempre tive também um gosto muito grande por acompanhar eventos esportivos ao vivo, tais como jogos de futebol, basquete e automobilismo. Já havia até tido uma experiência olímpica antes: em 2006, durante período de intercâmbio na Itália, acompanhei um jogo de hóquei no gelo na Olimpíada de Inverno de Torino. E obviamente, com os Jogos de Verão sendo sediados no Rio de Janeiro, era uma grande oportunidade para acompanhar ao vivo diversas modalidades.

Curiosamente, eu nunca havia comparecido para acompanhar ao vivo nenhuma corrida de rua. Apenas para participar. E na Olimpíada acontece aquela que é talvez a mais importante das corridas: a maratona olímpica. Decidi então que iria assistir a essa corrida ao vivo. Até mesmo porque a largada e a chegada seriam na Marquês de Sapucaí, cartão-postal da cidade do Rio de Janeiro que eu nunca havia visitado.

Diz a lenda que na Antiguidade, logo após uma batalha travada na cidade de Maratona, localizada a cerca de 40km de Atenas, o mensageiro Fidípides foi enviado para Atenas para relatar a vitória dos atenienses. Ele correu sem parar o mais rápido que podia e ao chegar só teve forças para dizer "Vencemos!" antes de cair morto. Em homenagem a essa história, na primeira edição dos Jogos Olímpicos, em Atenas-1896, foi criada uma modalidade especial que seria a corrida entre as cidades de Maratona e Atenas. A essa corrida deu-se o nome de "maratona". Trata-se de uma das competições que esteve presente em todas as edições dos Jogos Olímpicos. A distância de 42,195km foi fixada nos Jogos de 1908, realizada em Londres, na qual os atletas fizeram um percurso entre o Castelo de Windsor e o Palácio de Buckingham, para que membros da família real pudessem assistir à largada e à chegada. 

Dentre os momentos mais marcantes (que eu conheço) da história da maratona olímpica, destaco três. O primeiro foi nos Jogos de Helsinque-1952, quando o finlandês Emile Zatopek foi o campeão das provas dos 5.000m, 10.000m e da maratona na mesma edição. O segundo foi a trajetória do etíope Abebe Bikila, que correu descalço e ganhou a maratona em Roma-1960. Preocupados com o impacto que isso poderia ter nas vendas de seus tênis, algumas marcas fizeram lobby para proibir que atletas corressem descalços em Tóquio-1964. Bikila se viu obrigado a correr calçado, e com a corrida já ganha, a poucos metros da linha de chegada, ele tirou os tênis e completou a prova descalço. Tornou-se assim o primeiro bi-campeão olímpico de maratona (feito apenas igualado pelo alemão Waldemar Cierpinski em Montreal-1976 e Moscou-1980). Finalmente, a edição de Los Angeles-1984 ficou marcada por ser a primeira a ter uma prova feminina da maratona. E nessa corrida aconteceu um dos episódios mais marcantes da história olímpica. A suíça Gabriela Andersen-Schiess entrou se arrastando no estádio olímpico, recusou-se a receber qualquer tipo de ajuda para não ser desclassificada, e cruzou a linha de chegada com o simples objetivo de completar a prova, visto que já estava fora da briga pelas medalhas. Esse é uma das fotos mais emblemáticas dos Jogos Olímpicos.
Bom, e quanto à Rio-2016? Como já deixei bem explícito, escolhi a maratona olímpica como uma das competições de maior interesse para acompanhar ao vivo. O primeiro lote de ingressos disponibilizado para o público foi no esquema de sorteio. Você entrava no site, selecionava os seus eventos de interesse e após o período de inscrição te informavam se você havia sido ou não sorteado. Acho que a maratona não atraiu tanto assim o interesse, de modo que foi a única competição que consegui ser sorteado nesse primeiro lote. Depois ainda consegui ingressos para outros eventos, mas fiquei feliz de ter conseguido esse logo na primeira oportunidade.
O dia amanheceu nublado e com leve chuva. Felizmente eu já saí equipado com capa de chuva para acompanhar o evento. E claro, para entrar no clima fui acompanhar o evento vestindo a camiseta do kit da corrida da Maratona de São Paulo e o boné do kit da Maratona do Rio. Cheguei cedo, a tempo de pegar a largada, a qual pude acompanhar da arquibancada. Não eram muitos atletas participando, e pra ser bem sincero, eu não conhecia nenhum dos principais favoritos. A única coisa marcante sobre a corrida que eu sabia é que ali seria a despedida do Marílson Gomes dos Santos, maratonista brasileiro que ganhou duas vezes a Maratona de Nova Iorque, nas edições de 2006 e 2008, e três vezes a São Silvestre, em 2003, 2005 e 2010. Chegou em quinto lugar na maratona olímpica de Londres-2012 e veio se despedir no Rio. Sem grandes chances de medalha, mas ainda assim contava com minha torcida e era um fato marcante para a corrida.
Após a largada ocorreu o desfile de uma escola de samba ali na Sapucaí para entreter o público presente. E era possível ao mesmo tempo acompanhar a corrida através dos telões. Achei uma corrida interessante, pois começou com o pelotão praticamente inteiro no mesmo ritmo, e aos poucos um ou outro atleta ia ficando pelo caminho e o pelotão ia diminuindo. O percurso era basicamente seguindo a orla de algumas praias da Zona Sul do Rio, com bastante gente acompanhando nas ruas. E já no final da prova, quando o percurso mudou para o centro antigo da cidade, passando pela região portuária que havia sido revitalizada, não havia mais pelotão: um corredor queniano havia se distanciado de todos os demais.
Queria ter a noção da velocidade de um maratonista campeão olímpico, e por isso fiz questão de acompanhar a chegada do queniano ali de perto. Fiz um vídeo amador da passagem dele ali onde eu me encontrava na Sapucaí. Achei impressionante como o queniano apresentava um semblante absolutamente tranquilo e focado em sua corrida. Não era o Marílson, não era um brasileiro, mas estava claro que tratava-se de um verdadeiro campeão olímpico. E isso por si só já me deixava muito feliz. E não era uma percepção apenas minha. O comentário que eu mais escutava das outras pessoas à minha volta acompanhando o evento era exatamente o mesmo: todo mundo impressionado com o campeão que se apresentava para todos nós.


Já em casa, de noite, acompanhei a cerimônia de encerramento da Olimpíada, na qual é feita a entrega das medalhas da maratona. E então fiquei sabendo o nome do queniano: Eliud Kipchoge. E hoje, olhando para trás, vejo que nascia ali um novo ídolo para mim. Pois desde então passei a acompanhar a trajetória desse queniano maratonista e de seus feitos notáveis. Mas sobre esses feitos, talvez eu escreva em uma próxima oportunidade. Por enquanto, encerro esse post com a foto de Eliud Kipchoge cruzando a linha de chegada na Sapucaí e o encerramento da minha experiência com a maratona olímpica.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A emoção de conduzir a Tocha Olímpica

Esse post não é bem sobre uma corrida. Mas a ideia de escrever um blog nasceu para que eu pudesse registrar em algum lugar as diversas histórias de corrida que eu tinha pra contar. E as coisas que as pessoas me perguntam a respeito. Então porque não escrever sobre o dia em que conduzi a tocha olímpica?

A bem da verdade, tudo começou na Olimpíada de Atlanta-1996, quando vi na TV que cidadãos comuns estavam participando do revezamento da tocha olímpica quando a mesma foi sediada nos Estados Unidos. Eu, na época com apenas 12 anos, pensei que seria realmente um sonho se um dia eu pudesse participar do revezamento. Quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede para os Jogos de 2016, logo me ocorreu que seria a chance da minha vida. Por isso mesmo logo fui me informando sobre como seria o percurso do revezamento, quais cidades estariam envolvidas e como eu poderia me inscrever para participar.

Cabe aqui uma nota explicativa sobre como se dá o Revezamento da Tocha Olímpica. Ele sempre se inicia na cidade de Olímpia, na Grécia, com uma encenação teatral na qual sacerdotisas invocam os deuses gregos da Antiguidade para acender o fogo olímpico. Nessa cerimônia participam autoridades do Comitê Olímpico Internacional e também do Comitê Organizador da edição corrente dos Jogos Olímpicos. No caso, representantes do Comitê Olímpico Brasileiro e da organização da Rio-2016 estavam presentes. Após essa cerimônia, o fogo olímpico é passado de uma tocha para outra em um revezamento envolvendo vários condutores diferentes até a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Nessa ocasião, um representante do país sede é escolhido para acender a Pira Olímpica e dar início aos Jogos. Em geral escolhem um atleta que tenha se destacado em uma edição anterior dos Jogos.

Sobre isso, queria fazer uma pequena digressão no post. Mas, na minha opinião, na Rio-2016, fizeram uma justa homenagem ao escolherem o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze em Atenas-2004, para acender a pira. Aquela edição da maratona olímpica ficou marcada porque o brasileiro liderava a prova com boa vantagem depois do km30 quando um padre irlandês invadiu a pista e o abraçou, fazendo-o perder tempo. Especialistas dizem que o ritmo do brasileiro vinha caindo e acabou melhorando depois do episódio, talvez por uma questão psicológica, de tal modo que possivelmente ele nem chegaria em terceiro lugar na corrida. Mas seja como for, o fato de ele ter continuado na corrida até o final foi um sinal incrível de esportividade, que lhe rendeu inclusive uma medalha especial, a "Barão de Coubertin", do Comitê Olímpico Internacional, por ter encarnado o espírito olímpico.

Retomando, qual percurso é realizado pela chama desde Olímpia até, no caso, o Rio de Janeiro? E quem são os condutores da tocha? Essa decisão coube ao Rio-2016. Nessas horas o COI pouco interfere. Para se ter uma ideia, nos Jogos de Atenas-2004, como o trajeto seria muito curto, decidiram que a tocha visitaria todas as cidades que já haviam sediado os Jogos Olímpicos em alguma oportunidade, e que passaria também por todos os continentes. Como nunca havia sido realizada uma Olimpíada na América do Sul, mas para incluir nosso continente nesse revezamento escolheram o Rio de Janeiro, que já havia se candidatado para receber uma edição dos Jogos anteriormente, para receber o revezamento. Atletas que já haviam representado o Brasil nos Jogos foram escolhidos para conduzir a tocha naquela ocasião.

Mas e desta vez, na Rio-2016? Como foi feita a escolha? O processo seletivo foi um tanto confuso, eu diria. Eram cerca de 11 mil vagas para condutores, e o processo foi dividido entre o site da Olimpíada e promoções realizadas pelos patrocinadores do evento do Revezamento da Tocha. No caso, como pode-se ver no logotipo oficial do Revezamento, eram a Coca-Cola, a Nissan e o Bradesco. Cada qual abriu um concurso no qual os trabalhos mais criativos seriam escolhidos. Já pelo site oficial do revezamento, você também poderia participar. Para tanto você deveria ser indicado por algum conhecido por alguma coisa que tivesse feito. Quantos selecionados seriam por cada processo é algo que eu desconheço. Fato é que não participei das promoções dos patrocinadores, até porque tenho certeza que não seria capaz de fazer um vídeo criativo para ganhar. Meu pai acabou escrevendo no site um pouco sobre meu gosto por esportes, corrida de rua em particular e também sobre alguns trabalhos voluntários que já participei.

Ok, nunca fiz nada de sensacional nem digno de nota em prol do esporte nacional e muito menos posso dizer que sou um voluntário tão dedicado quanto gostaria. Mas fato é que a história foi aceita no site, não foi descartada logo de cara. Entretanto, justamente por não ser uma história muito especial, fui colocado numa fila de espera. Fiquei um pouco chateado com isso, principalmente ao ver que em muitos lugares estavam convidando diversos artistas que não possuem nenhum vínculo com o esporte para serem condutores. Pelo menos em São José dos Campos fiquei mais tranquilo ao saber que os convidados da prefeitura eram de fato atletas amadores e ex-atletas olímpicos, como a nadadora Fabíola Molina.

Eu já estava completamente desencanado com essa história de Revezamento da Tocha quando chegou na véspera do dia. Eis que na noite anterior meu telefone toca com um número desconhecido. Atendo e perguntam pelo meu nome. E o rapaz me pergunta se eu ainda tinha interesse em ser condutor da Tocha Olímpica. Pelo visto ele estava ligando para as pessoas selecionadas para confirmar a participação e deve ter tido alguma desistência, ou pode não ter conseguido o contato de alguém. Então estavam passando os nomes da lista de espera para preencher as vagas remanescentes. O único detalhe é que eu teria que me deslocar até a cidade vizinha de Jacareí para participar, pois as vagas em São José já estavam todas preenchidas. Aceitei então o convite de última hora e no dia seguinte parti para Jacareí logo após o almoço.

Cheguei na prefeitura de Jacareí, ponto de encontro designado, logo após o almoço. Eu não conhecia nada por ali, mas achei o lugar simpático. Pouco após chegar e encontrar os demais condutores, recebemos algumas instruções sobre como proceder e ganhamos nossos uniformes e as tochas. Deu pra perceber uma preocupação muito grande dos organizadores para que todos os condutores se sentissem absolutamente confortáveis e principalmente felizes com o momento. E mais que isso, que eles pudessem contagiar o público nas ruas com essa alegria. Afinal, este é o grande objetivo do evento do revezamento da chama olímpica: levar um pouco do espírito olímpico a todo o público. Principalmente àqueles que não irão poder comparecer aos Jogos.

A tocha estava um pouco atrasada (estava sendo realizado o revezamento em 4 cidades naquele dia, sendo Jacareí a terceira) mas logo todos nós condutores fomos conduzidos a um micro-ônibus. Cada condutor recebeu uma numeração, e fomos convidados a nos apresentar para os demais condutores contando um pouco de nós mesmos. O que mais me chamou a atenção foi a quantidade de jovens, alguns até menores de 18 anos (a idade mínima para ser condutor da tocha era de 16 anos) que estavam ali por serem jovens atletas que representam a cidade de Jacareí em competições juvenis.

Logo o ônibus saiu da prefeitura e foi fazendo paradas para que os condutores fossem descendo um após o outro. Fui o penúltimo a descer, e fiquei ali sozinho em uma simpática rua da cidade esperando a minha vez chegar. Não havia ninguém da organização por perto. Mas não demorou para que começassem a aparecer os curiosos. Logo vieram me perguntar se eu era condutor, se aquela tocha era de verdade, e principalmente se poderiam tirar foto comigo. Por um momento me senti uma celebridade. Mas claro que eu continuava sendo apenas um anônimo. Para aquelas pessoas eu era apenas "o cara da tocha". Mas foi muito legal ver as pessoas querendo tirar foto do lado da tocha, ou então com a tocha posicionada em algum lugar específico (por exemplo na frente do bandeirão de um clube sediado por ali). As mães pedindo para os filhos se aproximarem para verem a tocha de perto e tirarem foto. Ou o garoto na foto abaixo aproveitando para tirar uma selfie. E o mais gratificante de tudo era ver a alegria estampada na cara de todos (principalmente das crianças) apenas porque estavam tendo a chance de tirar uma foto com a tocha olímpica tão de perto.


Em alguns minutos, vi os carros dos patrocinadores se aproximando e passando por mim, e finalmente a escolta da guarda nacional que trazia o condutor anterior com a tocha. Logo, um membro da guarda nacional me puxou para o meio da rua, abriu o gás da minha tocha e me posicionou de tal forma a receber a chama do condutor anterior. Era chegada a minha vez. A chama olímpica estava comigo. Cabia a mim a incumbência de carregá-la pelos próximos 200 metros e levá-la mais próxima da Olimpíada e das pessoas. Acho que me empolguei um pouco no começo e achei que estava em uma corrida de rua. De fato acho que saí correndo. Logo vi o fotógrafo que ia no carro da frente fazendo um sinal com a mão para eu reduzir o ritmo. Percebi isso e comecei a ir num trote muito mais leve. Mais ou menos na mesma hora chegamos a uma lombada, e um dos membros da guarda nacional me alertou para reduzir ainda mais. Vi também que o fotógrafo continuava fazendo o mesmo gesto, então imaginei que eu estava segurando a tocha muito em cima. Acabei baixando um pouco o braço e recebi um "jóinha" de volta. Olhei em volta, vi as pessoas felizes por estarem ali, aplaudindo a tocha. Acenei de volta e ainda soltei gritos de "Vai Brasil!" para algumas pessoas que estavam vestindo camisas da seleção. Eu também estava em um momento muito feliz por estar ali fazendo parte de tudo aquilo. Afinal, sempre gostei muito das Olimpíadas, principalmente por essa ideia de ver o esporte aproximando as pessoas e promovendo a paz entre os povos. Seria muito bom se hoje em dia fosse que nem era na Antiguidade, que todas as guerras e conflitos paravam durante 2 semanas para a Olimpíada. E o revezamento da tocha é o que há de mais simbólico nisso tudo, daí que eu estava realmente muito feliz com a oportunidade que me foi dada de fazer parte deste momento tão especial. Mas o que é bom dura pouco. Logo alcancei o próximo condutor, passei a chama olímpica adiante e fui conduzido de volta para o ônibus dos condutores. Entreguei minha tocha para a organização mas ainda tive oportunidade de tirar mais algumas fotos.

Como mencionei no começo do post, não se trata de uma história de uma corrida. Logo não posso encerrar este post com a foto de uma medalha. Deixo aqui então para finalizar a foto oficial do revezamento e também um certificado digital de condutor que recebi da organização. Eu até poderia ter adquirido uma tocha para recordação pessoal pela bagatela de aproximadamente 2 mil reais. Mas sinceramente, eu não fazia muita questão de guardar a tocha como recordação, mesmo sendo ela muito bonita. Além disso, o também belíssimo uniforme dos condutores para mim já é uma recordação pra lá de especial. Isso sem falar nas fotos, nos momentos, nas lembranças, que sempre marcarão esse dia para mim. 




domingo, 24 de novembro de 2019

Cavalo dado não se olham os dentes: Track and Field Run Series Colinas

Organizar corridas de rua tornou-se um grande mercado, e ao mesmo tempo uma boa estratégia de marketing para que marcas de material esportivo pudessem se promover. Não apenas aquelas com foco bastante específico em tênis, como é o caso de Asics e Mizuno, mas também aquelas que comercializam material esportivo de forma mais ampla. Este é o caso por exemplo da Track and Field, que organiza as suas corridas chamadas de "Track and Field Run Series", ou TFRS, sempre nas imediações dos shoppings nos quais possui loja. Dessa forma, fazem a retirada do kit na própria loja (sempre com aquele cupom de desconto camarada para você usar na loja no dia da retirada do kit ou do próprio evento) e utilizam o espaço do estacionamento do shopping para fazer a aglomeração e a dispersão pós-prova. Algo que contribui também para aumentar o movimento no shopping como um todo.

Colocando tudo isso dessa forma, é até curioso que eu nunca tivesse participado de nenhuma edição da TFRS antes em nenhum lugar. Talvez por falta de oportunidade mesmo. Mas a proposta é bem interessante, principalmente tendo em vista que a infra-estrutura de um shopping center fica disponível para os atletas. 

Pra ser bem sincero, eu também não estava pensando em participar de nenhuma prova no primeiro semestre de 2019, pois queria focar em outro projeto profissional que estava me tomando bastante tempo e que inviabilizava treinar de forma adequada para corridas mais longas ou para melhorar meu tempo nas mais curtas. Porém, de forma bastante inesperada, acabei "ganhando" uma inscrição de uma colega de trabalho que havia se inscrito com alguns meses de antecedência para aproveitar uma promoção e depois acabou entrando em conflito com uma viagem dela. Ela acabou me oferecendo a inscrição e decidi aceitar. Mesmo que não estivesse treinando para fazer o recorde pessoal, pelo menos seria uma distração para um domingo de manhã.

Claro que isso gerou alguns fatos curiosos. O primeiro é que a camiseta do kit era do modelo feminino e não era do meu tamanho. Uma pena pois era realmente de alta qualidade. Quem sabe não me inscrevo em uma próxima TFRS para ganhar uma pra mim também? Outro fato curioso é que corri com nome de mulher escrito no meu número do peito. Mas, exceto por um conhecido que encontrei na largada, ninguém deve ter reparado. Ou se reparou, não comentou nada.

Mas, apesar da tecnologia no material esportivo, e dos brindes promocionais presentes no kit (algo que tem se tornado cada vez mais raro nas corridas de rua), chamou minha atenção o fato de o modelo do chip de cronometragem ser do tipo "old fashion", pois era daquele plástico duro com furinhos para você amarrar no cadarço e que você precisa devolver no fim da prova. Algo que vi apenas nas minhas primeiras corridas lá pelos idos de 2008 e 2009, e depois nunca mais. Desde então só tenho visto chips de plástico mais mole e descartáveis, evitando o trabalho de desamarrar o tênis logo após terminar a corrida. Ou até mesmo o chip de cronometragem no próprio número do peito. De todo modo, achei bastante curioso.



Eram 3 modalidades de corrida: 5k, 10k e 15k. Minha amiga havia se inscrito para os 10k, então foi nessa que participei. Melhor assim, eu não estava treinado adequadamente para encarar 15k, e também não gosto muito da distância de 5k. De todo modo, a largada e a chegada eram em conjunto, com as devidas separações acontecendo ao longo do percurso.

Por sinal, não era lá um percurso dos mais inspiradores. Mas também não era de todo ruim. A largada e a chegada aconteceram na rua de trás do Shopping Colinas em São José dos Campos. E depois disso, foi basicamente um vai-e-volta na Via Oeste, uma via expressa de trânsito rápido que conecta dois bairros da cidade. Logo, o fato de fazer um vai-e-volta em um percurso que é quase uma reta de 5km não é exatamente a coisa mais empolgante, muito embora as variações de declividade de fato tornassem a corrida mais interessante. Com relação à paisagem, ela também mudava muito pouco, basicamente com casas de um lado e vegetação do outro. E o interessante é que conforme a gente se afastava do bairro e o cenário tornava-se menos densamente povoado, a temperatura também caía.

Com relação à organização, só tenho o que elogiar pois foi realmente impecável. Tudo muito bem sinalizado, desde a largada até a chegada, passando pelos dois pontos da prova em que havia divisão de percurso devido à distância. A distribuição de água também ocorreu de forma bastante ampla e a cada 2,5km.

No final das contas acabei fazendo o tempo de 53m38s. Muito longe do meu recorde pessoal para a distância. Mas nada mal para quem não estava treinando adequadamente para isso. Claro que o clima frio que encontrei no dia contribuiu para isso.

Talvez a única coisa que eu não tenha gostado muito tenha sido da medalha. Além de não achá-la bonita, a inscrição do local e da data veio dentro de um plástico, e não gravada no próprio metal como acontece em outras provas. Provavelmente é a "medalha padrão" da TFRS que eles aproveitam para vários eventos que eles fazem em diferentes cidades e épocas do ano. Mas, como disse no título desse post, cavalo dado não se olham os dentes.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Tradicional e pouco conhecida: Sargento Gonzaguinha

Todo brasileiro, quer goste de corrida de rua ou não, com certeza já ouviu falar da Corrida de São Silvestre. Talvez por ser transmitida pela TV, talvez por ser o único evento esportivo da virada do ano (e portanto ocupa lugar de destaque na mídia) ou mesmo pelo tamanho que a corrida se tornou ao longo dos últimos anos. Agora, o que pouca gente sabe, é que a São Silvestre NÃO É uma maratona, mas sim uma corrida de 15k. E o que ainda menos gente sabe, é que a São Silvestre NÃO É a única corrida que existe nessa distância.

Longe de ser uma rival da São Silvestre, a Sargento Gonzaguinha, corrida organizada pela PM-SP, realizada todo ano no começo do mês de Dezembro, tem o objetivo justamente de ser algo complementar à São Silvestre. Os próprios organizadores a chamam como uma espécie de "esquenta" para a São Silvestre. Ou seja, seria um treino de luxo para quem está se preparando para a grande corrida da virada do ano.

As semelhanças no entanto param por aí. Enquanto a São Silvestre é uma verdadeira montanha-russa, repleta de subidas e descidas, a Sargento Gonzaguinha é uma prova praticamente inteira plana. Outra diferença é o horário da largada: 06:30 da manhã, de modo a fugir do forte calor de Dezembro em São Paulo. O número de participantes também é muito menor: apenas 5.000 (distribuídos entre as distâncias de 5k e 15k) contra os mais de 25.000 das edições mais recentes da São Silvestre. E finalmente, não possui o charme das ruas do Centro de São Paulo e da icônica Avenida Paulita, mas ainda assim com um percurso diferente da maior parte das provas da capital paulista e que passa por lugares muito interessantes de São Paulo.

Na verdade existe ainda uma outra semelhança: as duas corridas são muito tradicionais. Embora bem menos famosa, a Sargento Gonzaguinha chegou em 2018 à sua 52a. edição. Para se ter uma ideia, é uma corrida mais antiga que qualquer maratona disputada atualmente no Brasil. Mais antiga que a corrida da Tribuna em Santos também. Por conta dessa tradição, do percurso, da distância, e das semelhanças com a São Silvestre, que decidi participar dessa corrida.


A largada se deu pontualmente às 6:30 da manhã na frente da sede da PM na Av. Cruzeiro do Sul, com vento fresco, céu aberto e temperatura agradável. Ideal para uma boa corrida. Largou primeiro a prova de 15k, e um pouco depois a galera que ia para os 5k. Acho que justamente por isso foi uma largada muito tranquila, pois conseguiu dividir bem o fluxo de pessoas, facilitando a dispersão.

Logo no começo atravessamos a Ponte Cruzeiro do Sul e já pegamos a alça de acesso para a Marginal Tietê. A corrida continuou pela pista local da mesma, com o trânsito desviado para as expressas. Apesar da importância da avenida, não deve ter causado grandes transtornos dado o horário. Minha única meta de tempo era fazer abaixo de 1h30min de prova, o que seria equivalente a uma média de 6 min/km. Dados os meus treinos de preparação, achei que seria uma meta bastante factível visto que já estava fazendo praticamente esse tempo. Logo nos primeiros quilômetros percebi que estava virando em uma média boa, de 5min45seg por quilômetro, o que significava poderia ter uma certa margem para caso cansasse no final da prova. Como me sentia muito bem, não via necessidade de me poupar.

Veio o primeiro posto de água. Mesmo sem sede, decidi pegar e me refrescar. Uma lição que já aprendi é a de pegar água sempre, principalmente em provas maiores do que 10k, pois a sede só aperta quando seu corpo já está com falta de água. E para evitar chegar a esse ponto, é fundamental se hidratar desde o início da corrida. Este posto de água já ficava na altura do Sambódromo do Anhembi. Não entramos nele, mas o contornamos por fora para pegar a Av. Olavo Fontoura, exatamente a curva capturada na foto abaixo.


Seguimos então por essa avenida até a praça Campo de Bagatelle, quando fizemos um retorno de 180° (com direito a tapete de medição), passando na frente de pontos importantes da cidade, como o Pavilhão de Exposições do Anhembi, o Aeroclube de São Paulo e o Aeroporto de Campo de Marte. Dois novos postos de água também nessa avenida e a parcial de 7km, indicando quase a metade da prova, foi superada por mim com menos de 40 minutos no relógio. Ou seja, 2 minutos abaixo do tempo meta. O que significava que mantendo esse ritmo, eu poderia cruzar a linha de chegada com pouco menos de 1h26min.

Na sequência pegamos o final da Av. Braz Leme e cruzamos novamente o Rio Tietê pela Ponte da Casa Verde. Seguimos pela Av. Rudge e depois pela Rua Sérgio Tomáz até chegarmos a um pequeno parque ao lado do Rio Tietê, onde ficam um centro de esportes radicais e um estádio de beisebol. Cruzei a barreira dos 10k com menos de 57 minutos de prova. Embora o sol já estivesse um pouco mais alto, ainda era muito cedo e a temperatura ainda estava baixa. Estava me sentindo muito bem, não via necessidade de reduzir o ritmo. Pelo contrário, cogitei até intensificar um pouco mais. Mas decidi por hora, manter do jeito que estava.

A seguir cruzamos o Rio Tamanduateí, perto de sua foz no Rio Tietê. E logo entramos novamente na Marginal, só que do outro lado do rio, bem na altura do Estádio do Canindé, que pertence à Portuguesa de Desportos. Um time de futebol bastante tradicional da cidade de São Paulo, mas que atualmente não vive seus melhores dias. Muito pelo contrário, por sinal. Mesmo assim, o estádio, embora pequeno, é bastante conhecido na cidade, e inclusive estava recebendo algum evento musical no fim de semana da corrida, dada a movimentação de pessoas que pude perceber quando passava na frente. Mais do que o estádio, ali é a sede do clube, e o percurso da corrida deixava a Marginal Tietê justamente para contornar suas dependências.

Com isso chegamos ao último posto de água da prova e também ao km13, que cruzei com pouco mais de 1h13min no relógio. Decidi então que era hora de acelerar. Estava me sentindo muito bem, faltavam apenas 2km e eu tinha gás suficiente para uma arrancada. Senti-me realmente tão inebriado pela vontade e pelo prazer daquela corrida que mal pude reparar nos detalhes do percurso nessa reta final. Em pouco tempo cheguei novamente à Av. Cruzeiro do Sul, entrei na sede da PM e cruzei a linha de chegada dentro da pista de atletismo com o tempo final de 1h23min58seg, tendo feito o último quilômetro abaixo de 5min!

Uma corrida pra lá de prazeirosa. Pelo horário, pelo percurso, pelo ótimo clima no dia mas principalmente pela organização impecável da PM-SP. Para se ter uma ideia, a organização me enviou SMS durante a semana com lembretes de entrega do kit, informando local e número de peito, e após a realização da prova com meu tempo oficial. Nada mal! Um evento que merece sim ser incluído no calendário de qualquer corredor de rua de São Paulo ou arredores. Ou até mesmo, por que não, de outros Estados.

Pra finalizar, como sempre, segue a foto da medalha. A 35a. da minha coleção.


domingo, 16 de dezembro de 2018

10 anos correndo: 10km da Tribuna 2018

Pense em como era sua vida há 10 anos atrás. Tente se lembrar onde você estava morando. O que fazia da vida. Quais eram as pessoas com quem convivia. Pois é, muitas coisas mudam em 10 anos. Outras continuam iguais. No meu caso, em 10 anos eu me formei, comecei a trabalhar, mudei de cidade, mudei de casa, e finalmente, casei. Foram muitas as mudanças que aconteceram comigo nessa última década. Mas tem uma coisa que comecei a fazer há 10 anos atrás e que posso afirmar que mudou minha vida de verdade, que é a corrida de rua. Algo que começou despretensiosamente, mas eu logo "fui picado pelo bichinho da corrida", tomei gosto pelo esporte e enfim se transformou no meu hobby.

E quando digo hobby, quero dizer quase como uma segunda profissão. Algo que faço religiosamente toda semana, sem que ninguém me obrigue a fazê-lo. Corro pelo puro prazer da corrida. Comecei com a prova mais tradicional do pedestrianismo santista, os 10 Km da Tribuna, evento que pára a cidade inteira. Daí pra frente fui aumentando as distâncias: São Silvestre (15k), Pampulha (18k), Meia Maratona (21k) até finalmente atingir a tão sonhada Maratona de 42k.

A partir de então comecei a traçar algumas metas, como por exemplo correr a 100a. edição da Corrida de São Silvestre, que acontecerá somente em 2024. Uma outra meta, ou na verdade um compromisso, que coloquei para mim mesmo era o de correr novamente a prova da Tribuna no ano de 2018, pois seria a comemoração "oficial" do meu décimo aniversário como corredor. E lá fui eu.

A corrida de 2008 era uma grande novidade. Senti aquela ansiedade imensa na véspera da corrida e também nos momentos que antecediam da largada. Pequei pela falta de experiência e forcei muito no começo, mas consegui concluir no tempo que havia estabelecido como meta. Sem sombra de dúvidas cruzar a linha de chegada naquela ocasião foi uma emoção que, por mais que tente transcrever em palavras, é simplesmente indescritível.

Passados 10 anos, lá estava eu alinhando pela sétima vez para participar da prova da Tribuna. Algumas coisas mudaram desde então. O chip por exemplo, que antes era uma placa rígida de plástico que devia ser amarrado no cadarço e depois devolvido à organização, passou a ser uma placa mais flexível de plástico que não precisava ser devolvido à organização, até ter chegado ao ponto que encontrei na prova desse ano, que estava acoplado no número do peito. Detalhe: chip no número do peito foi a primeira vez que vi em uma prova.

O percurso continua basicamente o mesmo. Houve uma pequena alteração em 2012 logo no começo da prova, nas ruas que ligavam a saída do túnel à Av. Ana Costa. Nessa mesma avenida, o novo percurso passou a correr na mão contrária, de forma a liberar acesso a um hospital. Mas fora isso, é exatamente igual ao que já estou acostumado, bem plano e com longas retas, o que o torna um dos percursos mais rápidos da categoria.

Por outro lado, achei que a quantidade de bandas e grupos musicais se apresentando esse ano foi menor do que em outros anos. Talvez o número de participantes também tenha caído um pouco. Nas edições anteriores, a revistinha que acompanha o kit sempre mostrava o número de participantes, em número crescente ano após ano, tendo chegado até a 20 mil. Nesse ano não vi a informação em nenhum lugar. De todo modo, a minha percepção subjetiva é que essa continua sendo uma prova com muitos milhares de participantes. E mais do que isso: o apelo popular continua enorme, com muita gente nas ruas acompanhando e incentivando os corredores, um grande estímulo principalmente aos mais novatos. E é justamente esse o principal motivo que torna essa corrida tão especial.

Eu não tinha uma meta específica de tempo para esse ano, pois não fiz nenhum treinamento específico para a corrida. Terminei com 51m39s. Não foi o meu melhor tempo, mas ainda assim foi muito melhor do que o que eu estava esperando. Claro que 10 anos depois, após ter participado de inúmeras outras corridas, a emoção de cruzar a linha de chegada é diferente. Mas mesmo assim, correr continua sendo minha atividade física preferida, aquela que mais me dá prazer em realizar.

Ao longo desses 10 anos, foram 33 provas disputadas. Dessas, 2 foram maratonas e 7 foram meia-maratonas. As demais ficaram distribuídas em distâncias menores, embora a grande maioria fosse mesmo de 10k. Com esse número, acho que é uma boa meta tentar chegar em 100 medalhas, nem que eu leve mais 20 anos para conseguir fazer isso. E depois de atingir a meta, que tal dobrar a meta e chegar a 200 medalhas?

Por falar em medalhas, termino esse post da mesma forma que sempre fiz nesse blog, com a medalha da corrida. No caso, com a foto da 34a. medalha da minha coleção.


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Brasil, acima de tudo: EcoHalf Marathon DCTA

Já são 9 anos morando em São José dos Campos. Foi bem pouco tempo depois de ter começado a correr. A maior parte da minha vida de corredor foi aqui. A grande maioria dos meus treinos foi feita aqui. E convivendo com muita gente que também adora corridas, que também vive participando de provas. Mas uma coisa que sempre me deixou intrigado foi porque ninguém havia organizado uma Meia Maratona aqui na cidade. Conhecendo tanta gente que já se aventurou pelas longas distâncias de 21k e 42k, tinha certeza de que público interessado não ia faltar para uma corrida dessas.

Pois bem, em 2017 finalmente alguém enxergou essa possibilidade e lançou uma corrida de rua de 21k aqui na cidade. O local escolhido foi o CTA. Achei apropriado, pois já é uma área com fluxo de pessoas controlado, então não chega a atrapalhar o trânsito da cidade. E é uma área grande o suficiente para a realização de uma prova com distância tão longa.


Logo na chegada ao CTA já deu pra perceber como os funcionários, em grande parte militares, estavam prestativos e atenciosos no recebimento do público. Preocupados claro com o controle de acesso ao local, e ao mesmo tempo orientando para chegar ao local da largada.

O dia amanheceu nublado, com garoa fina por vezes. E fazia frio. Mesmo sendo em Outubro, um mês em que o calor já começa a judiar, fazia frio no dia. O que eu particularmente achei muito bom. Não havia treinado para fazer o meu melhor tempo nos 21k. A ideia era mesmo só me divertir um pouco e prestigiar a primeira prova dessa distância na cidade. Mas claro que um tempo frio em dia de prova é sempre bem-vindo.


A prova começou em um piso de asfalto, em uma das várias ruas que tem dentro do CTA. Mas logo passamos para pista de terra, grama, pedras e por vezes cimento (como passagens de pedestres). Essa variabilidade no tipo de terreno, aliado também a uma altimetria um tanto quanto maluca (muitos sobes e desces) ajudaram a tornar a corrida bastante interessante. Digo isso porque quebrou um pouco a monotonia de sempre correr no mesmo terreno. Por exemplo, a Meia Maratona da Praia Grande, da qual participei em 2010, era composta por basicamente duas retas de 10km cada, o que tornava a corrida por vezes chata.

Outro ponto legal, pelo menos para mim, que já conheço o CTA, foi passar em frente a tantos lugares familiares. Como, por exemplo, contornar a cerca da pista do aeroporto, passar ao lado da aeronave Tucano que fica logo na entrada (e que é possível avistar da Via Dutra), descer até o MAB (Museu Aeroespacial Brasileiro) e ver de perto os aviões que estão lá expostos, contornar o belo prédio da Biblioteca do ITA (obra de Oscar Niemeyer), sem falar na simpática Vila dos Oficiais e nos prédios dos diversos órgãos oficiais que compõem CTA: o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), IFI (Instituto de Fomento e Coordençaõa Industrial), DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), dentre outros que não lembro agora.


Apesar do frio, acabei sofrendo um pouco nessa prova devido à escassez de água. Foram apenas 4 postos de hidratação ao longo dos 21km de prova. Não houve distribuição de isotônicos, gel, esponjas ou qualquer outra coisa que ajude na hidratação ou na sensação do calor, como ocorre em tantas outras meias. Fica como sugestão para as próximas edições.


A verdade é que essa foi a meia mais difícil que corri. Cruzei a linha de chegada com 2h15min, de longe o meu pior tempo nessa distância. Muito provavelmente porque eu não tenha treinado adequadamente, reconheço. Talvez pela falta de hidratação, pois contava com isso durante a prova. Talvez pelo percurso em si, que cheio de subidas e descidas e mudanças no tipo de terreno fatalmente aumentavam a dificuldade. Seja como for, a experiência de correr no CTA foi sem dúvida muito boa.

Finalizo com a foto da medalha, como sempre.