segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A busca pela perfeição nunca termina: Golden Four Asics São Paulo


Sem querer fazer marketing gratuito, mas já fazendo, todo corredor que se preze já pensou pelo menos uma vez na vida em comprar um tênis da Asics. É a marca favorita de muita gente (inclusive a minha), embora esteja longe de ser uma unanimidade. Pois bem, uma vez que Nike, Mizuno e Fila organizam provas para promover suas marcas, este ano a Asics resolveu acompanhar a onda e lançou uma série de meia-maratonas realizadas em 4 grandes capitais brasileiras: São Paulo, Rio, BH e Brasília.

A proposta no site do evento era de um evento de qualidade e padrão internacional, ideal para atletas que buscavam alta performance. Com percursos pouco acentuados, (sem no entanto ser completamente planos) postos de distribuição de água e isotônico a cada 3km, limite máximo de 5.000 atletas e largada às 7 horas da manhã para fugir do sol escaldante, acabei por me interessar bastante e me inscrevi para a edição paulista da corrida. Afinal, seria uma excelente oportunidade de participar de uma meia-maratona em São Paulo. Além do mais, poderia tentar melhorar minha marca e correr uma meia-maratona abaixo de 2 horas.

No sábado, véspera da corrida, fui à Fecomércio na Bela Vista para a retirada do kit. A primeira impressão que tive é que a organização não era lá essas coisas. A fila para retirada estava completamente desorganizada. Um apresentador falava sobre o evento no microfone, num volume ensurdecedor. Além do mais, no site do evento eu havia solicitado uma camiseta regata no meu kit, mas recebi uma camiseta de manga curta. Outra má notícia foi com relação à organização da largada, que seria dada através de baias separadas de acordo com o tempo previsto. Acontece que no site eu já havia preenchido meu tempo meta, e na retirada da pulseira de largada descobri que aquela adequada ao meu tempo já estava esgotada. Acabei pegando uma mais próxima. Devo acrescentar também que no local de retirada dos kits havia um buffet de massas aberto aos competidores, mas não me interessei e por isso não posso opinar.

Domingo, pouco antes das 7 horas, lá estava eu na famosa Ponte Estaiada da Marginal Pinheiros para me posicionar para a largada. É o mesmo local da largada da Maratona de São Paulo, prova que ainda pretendo correr um dia. E não posso esconder que foi realmente muito legal ter largado ali naquele cartão-postal. Nunca havia passado sequer de carro por aquela ponte, de modo que só nessa corrida tive uma clara noção do tamanho do pilar central de sustentação e dos estais. Devido ao horário, o Sol ainda estava muito baixo e mal era possível vê-lo ali da Marginal Pinheiros, mas causava um belo espetáculo visual devido ao dia claro sem nuvens.

A largada era realmente dividida em baias, claramente identificadas com as cores das pulseiras. Ao invés de entrar na baia correspondente à cor da pulseira que peguei, resolvi entrar naquela correspondente ao meu tempo meta, e não houve nenhum impedimento nesse sentido. Achei muito legal que larguei perto dos marcadores de ritmo, os chamados "pacers", que em geral são corredores profissionais contratados pela organização da prova para manter um determinado ritmo e terminar a prova em determinado tempo. Assim, quem tiver alguma meta pessoal pode se guiar por um pacer que pretende fazer um tempo próximo ao seu. Essa prática é muito comum nas corridas nos Estados Unidos. Aqui no Brasil vi isso acontecer apenas na prova da Tribuna. Diga-se de passagem, foi muito interessante em minha primeira corrida em 2008 ter visto ao vivo nomes importantes do atletismo brasileiro, como Zequinha Barbosa e Ronaldo da Costa, correrem como pacers na mesma corrida que eu.

Eu nunca havia seguido um pacer antes. Mas achei que dessa vez seria uma boa ideia. Principalmente porque a prova era muito longa, e ainda tenho um grave defeito de querer sair muito forte na largada. Correndo com um pacer, pelo menos no início, achei que seria mais fácil de segurar o ímpeto e manter um ritmo adequado. Desta forma corri até o km 3, quando havia o primeiro posto de hidratação, ao lado dos pacers que se destinavam a fazer a prova em 1h56 e 2h01. Apesar dessa distinção eles correram a prova inteira juntos e busquei manter-me próximo a eles quase o tempo todo.

Durante o percurso haviam várias pessoas da organização do evento posicionadas estrategicamente próximas a cruzamentos da rua da corrida com outras ruas, para auxiliar qualquer motorista desavisado que passasse por ali. Achei divertido que, dado o horário da largada, o pessoal da organização saudasse os corredores com palavras que iam desde "bom dia" e "boa corrida" até "parabéns". Uma atitude bastante sutil, mas que pelo menos para mim soou como um bom incentivo.

Após o primeiro posto de hidratação veio o túnel que levava à Av. Waldemar Ferreira. E em pouco tempo o percurso adentrava pelo portão principal da Cidade Universitária. Não posso esconder que senti um gostinho especial de correr dentro daquele campus formidável. Boa parte do percurso se passava lá dentro, seguindo pela avenida da raia e entrando nas ruas do Velódromo, da Reitoria e da Poli, sempre indo por um lado da rua e voltando pelo outro. Na rua da Poli (onde ficam também o terminal de ônibus e que termina na estátua do cavalo) constatei que o asfalto foi recentemente (ou talvez nem tanto) trocado por lajotas retangulares.

Na altura da rua da Reitoria a prova completava a marca de 10km, a qual superei com o tempo de 55min30s. Nada excepcional para uma corrida de 10km, mas excelente para quem pretendia completar 21km em menos de 2 horas. Nesse instante olhei para trás e vi que os pacers estavam alguns metros atrás de mim, o que significava que o ritmo não era demasiado forte. No km 12, saindo da Cidade Universitário pelo Portão 2 e entrando na Av. Escola Politécnica, aproveitei o posto de hidratação para tomar um gel de carboidrato.

Na Av. Escola Politécnica o sol começou a incomodar um pouco devido à ausência de árvores e ao horário que já começava a avançar. No km 14 fui ultrapassado pelos pacers e não consegui mais alcançá-los. De qualquer forma, eles estavam correndo para 1h56min, de forma que decidi que deveria apenas tentar manter o contato visual para atingir meu objetivo. A reentrada na Cidade Universitária deu-se no km 16, o qual ultrapassei com 1h29min. O cansaço realmente começava a bater, mas percebi que se mantivesse um ritmo menos forte, em torno de 1km/6min (ou 10km/h) conseguiria completar a prova em menos de 2 horas.

E assim a prova prosseguiu pela Av. da Raia da Cidade Universitária. Nesse trecho um ciclista que estava acompanhando a prova começou a soltar gritos de estímulo aos corredores que passavam. Ou melhor, aos corredores pelos quais ele passava, visto que ele pedalava mais rápido. Saindo da Cidade Universitária, a corrida prosseguiu pela Av. Waldemar Ferreira, passando novamente pelo túnel e saindo na Av. Lineu de Paula Machado. Após cruzar a marca do km 20 com menos de 1h54min, entrei no Jóquei Clube de São Paulo.

O desfecho da prova deu-se lá dentro, num trecho de asfalto porém margeando o gramado no qual os cavalos ficam. O pórtico da chegada estava localizado próximo ao local onde eu acredito que seja realizada também a chegada das corridas de cavalos, pois era o no qual haviam arquibancadas. Aliás, muita gente ocupava o local, dentre corredores, treinadores, amigos e familiares. Encontrei meu pai no meio da multidão enquanto acelerava para cruzar a linha de chegada. Bati em sua mão e cravei o tempo de 1h58min07seg! Missão cumprida!

Na minha opinião o Jóquei Clube foi uma excelente escolha de chegada para a corrida. O local é bem amplo, tornando a dispersão muito fácil. Além disso, os banheiros do clube estavam disponíveis, o que sem dúvida é muito melhor do que os banheiros químicos geralmente disponibilizados para estes eventos. Isso sem falar é claro no charme do local. Achei o prédio e as instalações do Jóquei Clube merecedoras de uma outra visita no futuro.

Para terminar, decidi colocar a frase "A busca pela perfeição nunca termina" como título deste post pois ela estava gravada na medalha da prova. O autor dessa citação, também gravado na medalha, é Kihachiro Onitsuka. Procurando na internet, descobri que trata-se do fundador da Asics. Um japonês considerado por muitos como um visionário que decidiu fundar uma marca de material esportivo em 1949. Asics é a abreviação de "Anima Sana In Corpore Sano", ou seja "Mente Sã em Corpo São". Segue abaixo a foto da medalha.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um dia de fúria: 10km da Tribuna 2011


A organização dos 10km Tribuna, agora em sua 26a. edição, contou com a parceria da Universidade Lusíada de Santos. Na prática a única mudança que pude perceber foi que a retirada do kit agora aconteceu no ginásio da Lusíada, e não mais no ginásio municipal do Rebouças como vinha ocorrendo todo ano.

Mas não foi só isso que mudou. Visando melhorar ainda mais a velocidade da prova, uma pequena alteração foi feita no percurso. Na saída do túnel, logo após completar o primeiro quilômetro de prova, os atletas agora pegaram a larga Av. Rangel Pestana para a seguir entrar diretamente no começo da Av. Ana Costa, evitando assim algumas ruas estreitas. Nesta avenida a prova agora atravessou o outro sentido, facilitando assim o acesso ao Hospital Ana Costa. Mudanças a meu ver bastante positivas.

E a prova realmente ficou mais rápida: neste ano Marílson Gomes dos Santos não só conquistou seu 6o. título, tornando-se assim o maior vencedor em absoluto da prova, como também estabeleceu um novo recorde de 27min59seg. Apenas a título de comparação, o recorde mundial dos 10.000 metros, disputado em estádio de atletismo (com piso mais apropriado e percurso com longas retas e curvas muito abertas), pertence ao etíope Kenenisa Bekele com a marca de 26min17seg.

Uma vez que a prova é muito rápida, muitas pessoas aproveitam para corrê-la para marcar tempo e atingir índices. Para se ter uma ideia, para largar no pelotão de elite de uma prova deve-se ter um certo tempo comprovado junto à federação de atletismo do local. E muita gente encara a prova da Tribuna como oportunidade de estabelecer esta marca. Mas como a prova cresceu e este ano atraiu 16 mil corredores, muitas eram as reclamações de que a largada era muito tumultuada e perdia-se muito tempo, não atingindo assim o índice. Logo, a organização também teve uma jogada de marketing interessante: este ano foi criado o Pelotão Premium, para atletas amadores que queriam largar lá na frente junto com os atletas de elite, pagando para isso um valor de inscrição consideravelmente maior (R$ 300,00 para ser mais preciso, contra R$ 55,00 do valor normal).

Foi nesse ponto que os erros meus e da organização começaram a se somar. Não percebi que o pelotão tinha esse nome "Premium". Quando fui fazer minha inscrição, deveria dizer se queria largar no primeiro ou no segundo pelotões amadores. Com medo que o primeiro fosse o tal do Pelotão Premium, inscrevi-me no segundo. Mas essa divisão dos pelotões seria o dos atletas que pretendiam fazer o tempo de prova abaixo de uma hora e acima de uma hora, exatamente como no ano passado. Mas desta vez não havia essa explicação no site. No ato da entrega dos kits que fiquei sabendo deste detalhe e perguntei se poderia largar no primeiro pelotão. Até porque o segundo pelotão largaria 10 minutos mais tarde. Muito embora eu não tivesse pretensões de fazer índices que nem os atletas do Pelotão Premium, sentia-me muito bem disposto (apesar do resfriado da semana anterior) e achava que poderia quebrar minha marca pessoal nos 10km, de 50min51seg estabelecida nessa mesma corrida em 2009. E me responderam que não haveria nenhum problema.

A diferenciação entre os pelotões dava-se pela cor de uma faixa no número do peito. O do primeiro pelotão era vermelho e do segundo, verde. Ao entrar no primeiro pelotão os organizadores me mandaram voltar, assim como faziam com todo mundo. Sem alternativa, fui largar lá atrás. Dada a largada do primeiro pelotão, os fiscais preocuparam-se mais em evitar que o pessoal do segundo pelotão pulasse a grade do que vigiar as entradas para o primeiro pelotão. Resultado: muita gente com inscrição para o segundo pelotão (e até mesmo gente sem número no peito) aproveitou esse momento para invadir a região e largar. E os fiscais não deram a mínima para isso! Mesmo com toda a indignação do pessoal do segundo pelotão.

Conclusão: após a largada consegui desgarrar logo da massa do segundo pelotão (claro que com muita gente correndo mais rápido do que eu). Por um momento até achei que ainda pudesse quebrar meu recorde pessoal. Mas logo no primeiro quilômetro de corrida comecei a ultrapassar caminhantes com inscrição do primeiro pelotão. E ao longo da prova isso foi se acentuando, até chegar ao cúmulo de no quilômetro 4 eu ter encontrado um grupo de pessoas desfilando com uma faixa e ocupando praticamente toda a passagem. Fiquei realmente injuriado com a organização patética do evento neste ano. Na segunda metade da prova fui fazendo diversas ultrapassagens, muitas vezes perdendo muito tempo. Muitas vezes encontrando grupos de pessoas ocupando praticamente toda a pista de corrida.

No fim das contas até que fiz um tempo razoável: 54min56seg. Isso considerando que na segunda metade da prova perdi realmente muito tempo tendo que fazer ultrapassagens. Mas devo reconhecer que forcei demais a barra no primeiro quilômetro, o qual completei em absurdos 4min15seg e que me fez diminuir o ritmo no resto do percurso. Seja como for, se essa tivesse sido uma corrida normal eu acho que não quebraria meu recorde pessoal de qualquer maneira. Mesmo que não tivesse perdido esse tempo e não tivesse tido o desgaste psicológico, devo reconhecer que há uma diferença enorme entre completar a prova em 50 minutos e 55 minutos.

Tudo isso foi uma grande lição para mim. Fiquei furioso com a organização da prova? Certamente! Fiquei chateado com não ter conseguido quebrar minha marca pessoal? Claro! Mas nada que justifique eu ter me estressado com a corrida. Mesmo que todos nós corredores tenhamos o desejo de melhorar nossas marcas pessoais, talvez nesse dia eu tenha me esquecido de que o fundamental na corrida e nas provas de rua é uma coisa só: a diversão que isso proporciona. A corrida não é, e nem pode ser, motivo de stress. Mas sim o alívio dele. Lição esta que espero nunca mais esquecer novamente.

Para finalizar, gostaria de fazer apenas um último comentário de caráter futebolístico. A corrida deu-se no dia final do Campeonato Paulista de Futebol, que ocorreu na Vila Belmiro entre Santos e Corinthians. Nem preciso dizer que por este motivo a corrida deste ano foi bastante especial, com dezenas (talvez centenas) de pessoas uniformizadas com camisas dos dois times (com mais santistas, mas ainda assim com muitos corinthianos) correndo ou acompanhando a corrida nas ruas. A profusão de bandeiras nas varandas, e mesmo servindo como capas para os corredores, também era enorme. E durante todo o percurso era possível ouvir gente gritando incentivos aos corredores uniformizados. O que achei mais engraçado disso tudo foi uma senhora que abriu um poster gigante do Neymar em cima de um cavalete na calçada da Avenida Afonso Pena, lá pelo km 6 da corrida.

No fim das contas, para completar a festa iniciada com a corrida da Tribuna, Arouca e Neymar se encarregaram em marcar os gols que deram ao Santos seu 19° título Paulista. Segue abaixo a foto da minha medalha de Campeão Paulista de 2011... quero dizer, da corrida da Tribuna de 2011.

domingo, 20 de março de 2011

Um retorno para se festejar: XXVI Corrida General Salgado


Na virada do ano costuma-se fazer tudo quanto é tipo de promessa: perder peso, mudar de emprego, comprar um carro, e por aí vai. Neste ano minha promessa foi de completar uma maratona. E por isso comecei a pegar pesado logo na primeira semana. E não é que logo nessa primeira semana do ano tive que parar um treino devido a uma dor insuportável no joelho? Claro que na hora várias coisas se passaram na minha cabeça, inclusive a de que talvez eu tivesse que parar de correr para sempre caso fosse alguma lesão grave. Fui ao pronto socorro, tirei radiografia e o médico disse que devia ser apenas uma inflamação. Receitou um anti-inflamatório e recomendou duas semanas de descanso (ou castigo, se preferirem).

No final de janeiro retomei os treinos, mas senti realmente muita dificuldade no começo. Estava difícil retomar o mesmo ritmo. E o sonho de correr uma maratona ainda este ano parecia cada vez mais longe. Foi nessa época que fiquei sabendo através de um colega do trabalho que é de Taubaté sobre a Corrida General Salgado. Trata-se da maior prova de pedestrianismo da cidade de Taubaté, organizada pela Polícia Militar local. Ok, isso pode não significar muita coisa, até porque o limite era de 1.500 inscritos. Mas seria uma excelente oportunidade de conhecer a terra de Monteiro Lobato, escritor dos livros do Sítio do Pica-Pau Amarelo que eu lia quando criança.

Já no sábado fui a Taubaté com minha namorada para retirarmos o kit no Batalhão da PM, logo em frente à linha de chegada. O que mais me chamou a atenção é que os trófeus destinados aos vencedores da prova estavam ali expostos ao público, coisa que nunca vi em nenhuma outra corrida de rua. Uma pena que não estava com minha máquina fotográfica na hora para registrar. O kit da prova era simples: apenas a camiseta oficial na cor vermelha e um protetor solar. Depois ainda fomos conferir o local da largada. Para finalizar almoçamos em uma excelente cantina italiana no bairro do Quiririm, que fez jus à fama da culinária local.

No dia seguinte, a corrida! A largada aconteceu na Av. do Povo. Trata-se de uma avenida de mão dupla com canteiro central, na qual um dos lados era coberto por uma estrutura metálica. Do lado da rua, suportando a estrutura metálica, havia também uma arquibancada a partir da qual muitas pessoas assistiam à largada. Deixo aqui no parágrafo da largada minha única queixa com relação à organização da prova, pois ela consistia de uma corrida de 10km e uma caminhada de 5km, mas não houve separação entre as modalidades. Desta forma muitos caminhantes posicionaram-se bem à frente, o que acabou atrapalhando (e muito) o fluxo de corredores que vinham logo atrás. Poderiam ter sido criadas duas áreas de largada diferentes, com os corredores à frente e os caminhantes atrás. Pelo menos melhoraria bastante a largada, que já é bagunçada por natureza.

Passada a largada, a corrida prosseguiu passando por pontos importantes da cidade, como por exemplo as sedes da Universidade de Taubaté (Unitau) e da prefeitura municipal. Também passamos em frente a um parque pequeno, mas com marcações de distância e que possivelmente é usado por alguns corredores para treinos. Passei pelo km 2 com 10m30s; e pelo km 5 com 27m30s. O ritmo estava bom, mas eram muitas as subidas e descidas. Na altura do km 6 retornamos à Av. do Povo e passamos pelo outro sentido, infelizmente do lado dos banheiros químicos.

Como já mencionei, a corrida foi dotada de muitas subidas, mas a campeã foi a da Av. Walter Thaumaturgo, entre os km 6 e 7. Foi exatamente nesse ponto que fui ultrapassado por um pelotão da Força Aérea, com todos os membros correndo na mesma passada e entoando gritos de guerra para manter o ritmo. Na altura do km 8 corremos numa rua paralela à Via Dutra, e a fumaça dos veículos que passavam atrapalhou um pouco a respiração. Após entrar na rua seguinte, pude ouvir uma senhora de meia-idade que acompanhava a corrida da calçada dizer: "Nossa, que coragem correr isso tudo!"

Logo cheguei à Av. Independência e dei um sprint final para terminar a corrida em 57m58s. Longe de ser o meu melhor tempo para provas de 10km, mas muito bom considerando-se todas as subidas que tive que enfrentar no percurso e o fato de eu estar apenas retornando de uma lesão no joelho. Pouco após cruzar a linha de chegada, a organização trocou o Rebolation pelo Tema da Vitória do Ayrton Senna na caixa de som. Também pude encontrar um conhecido do trabalho que estava feliz da vida por ter completado sua primeira prova de 10km. E com um tempo excelente: 52 minutos!

Devo acrescentar aqui dois pontos que me chamaram muito a atenção neste evento. O primeiro é que os próprios policiais quem distribuíram água durante o percurso, vestindo suas fardas e tudo mais. E não haviam postos fixos de distribuição de água, mas diversos PM's espalhados pelo percurso com água. Claro que em alguns pontos havia uma concentração maior do que em outros. Mas achei isso legal pois praticamente todo momento que senti sede lá estava um PM com um copo d'água na mão. O segundo ponto é que 1 hora após cruzar a linha de chegada recebi um SMS no celular da organização da prova agradecendo minha participação e registrando meu tempo oficial. Algo que também nunca vi em outras corridas.

E com essa corrida eu definitivamente retomo meus treinamentos rumo a novos desafios. A recuperação foi lenta e certamente já descartei a possibilidade de correr a Maratona de São Paulo este ano. O próximo desafio, no entanto, será participar em uma prova que já é bem conhecida: pela quarta vez vou correr os 10km da Tribuna, em Santos. Quem sabe desta vez não consigo um tempo melhor?

Para finalizar, gostaria de deixar aqui registrado um agradecimento especial à minha namorada Marília que me acompanhou nessa corrida e esteve ao meu lado durante todo o final de semana,
exceto é claro na uma hora em que estive correndo. São dela também os créditos pela seguinte foto:


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Do que eu falo quando falo de corrida

Haruki Murakami não é um corredor profissional como o Marílson, mas sim um corredor mediano cujo objetivo não é ganhar prêmios e dinheiro com corridas. É na verdade alguém que resolveu adotar a corrida de rua como um hobbie, uma atividade de lazer, e não fazer da corrida a sua profissão. Murakami é um famoso escritor japonês cujos livros já foram traduzidos em diversos idiomas, inclusive em português.

Agora imagine você: se alguém que nem escritor é já gosta de montar um blog só para falar de suas corridas, o que dizer de quem é escritor profissional?

O fio que conduz boa parte da narrativa são os treinamentos do autor para a Maratona de Nova Iorque. Ele vai tecendo comentários sobre como é sua preparação para as corridas, como é sua forma de treinar, seus locais favoritos para treinamento, entre outras coisas.

Claro que o autor conta sobre sua trajetória também, desde quando era dono de um bar de jazz até ter virado escritor. E o mais interessante é o paralelo traçado entre escrever romances e correr maratonas. Em ambas as atividades é necessário muita determinação e perseverança, mas é preciso também saber dosar as energias de forma adequada.

Murakami expõe alguns de seus pensamentos a respeito de corrida com relação a outros esportes. Explica o por quê de ter escolhido corrida e não um esporte coletivo ou uma arte marcial por exemplo. E também conta sobre uma síndrome chamada por ele de "Runner's Blues", ou a falta de motivação encontrada em corredores veteranos, que muitas vezes leva-os a buscar outros desafios como o triatlo.

Sempre muito bem-humorado, Murakami conta algumas passagens interessantes de sua carreira, como quando fez o percurso de Atenas até Maratona sendo acompanhado por uma van quando escreveu uma matéria para uma revista especializada. Ou então de uma ultramaratona (prova de 100km) da qual participou no Japão. Ou mesmo da Meia Maratona de Boston, da qual resolveu participar como "aquecimento" para a Maratona de Nova Iorque.

Num momento no qual tive uma inflamação no joelho e fiquei algumas semanas de gancho sem correr, e principalmente no retorno lento e gradual aos treinamentos, a leitura deste livro certamente foi um fator altamente encorajador para que eu continuasse firme e forte nos treinamentos. Mesmo tendo tido este problema, já estou inscrito para uma prova de 10km no mês que vem e não desisti da idéia de correr uma maratona ainda este ano.

Em suma, é uma leitura fortemente recomendada aos que buscam um estímulo para começar (ou voltar) a praticar corrida.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A foto da Contra-Relógio


A foto deste post foi tirada durante a Meia Maratona de São Paulo 2010, prova da qual participei. O local é o Minhocão, e uma vez que eu ainda estava ao lado do Adriano (de regata laranja na foto) posso concluir que foi lá pelo km 3 da prova. Digo isso pois pouco após essa marca o Adriano disparou e só nos reencontramos mais tarde na linha de chegada. Mas o que realmente me surpreendeu foi depois saber através do próprio Adriano que aparecemos tão claramente numa revista especializada sobre corridas de rua e de grande divulgação como é o caso da Contra Relógio.

Confesso que até então eu nunca havia sequer lido uma edição da Contra Relógio, muito embora diversas pessoas já tivessem me recomendado tal leitura. Quando fiquei sabendo desta foto já estávamos no mês de setembro, e a revista em questão era a edição de abril. Solicitei um número atrasado e recebi pelo correio. Na verdade a foto não veio na revista, mas em um encarte separado contendo todos os resultados da Meia-Maratona de São Paulo. Procurei meu nome e obviamente ele estava lá no encarte.

A revista é muito boa. Dá dicas de treinos, alongamentos, alimentação, coberturas de grandes corridas, entrevistas com corredores profissionais, tudo o que uma revista especializada deve ter. Na minha opinião o diferencial desta revista foram os relatos de corredores anônimos, assim como eu, que escrevem para a revista contando suas experiências em provas pelo Brasil e pelo mundo. Esse tipo de relato geralmente é bem-humorado e nos deixa com mais vontade ainda de participar das provas descritas.

Gostei tanto da revista que em dezembro comprei outro número. E o legal é que junto com a edição de dezembro veio um calendário com as principais corridas de rua do Brasil e do Mundo. Excelente para começar a traçar os objetivos para o Ano Novo. Mas por enquanto, estou só no treino mesmo. E na leitura...

domingo, 7 de novembro de 2010

Minha primeira corrida noturna: Oscar Running Night

Um belo dia, estava eu em casa sem fazer nada e passando os canais, deparei-me com o programa "Vamos Correr" do canal ESPN Brasil. Trata-se de um programa de meia hora sobre corridas de rua, no qual eles realizam algumas reportagens sobre treinos e outras com a cobertura de eventos. Naquele dia, o programa fazia uma reportagem sobre a Fila Night Run do Rio de Janeiro, com chegada na praia (Copacabana talvez, não lembro). Aquela reportagem aguçou-me a curiosidade de participar de uma prova noturna.

Cheguei a trocar ideias com pessoas que haviam corrido a Fila Night Run de São Paulo e que haviam gostado bastante. Ouvi prós e contras. Prós que de noite você cansa menos e consegue imprimir um ritmo mais forte do que numa prova diurna. E contras que pelo fato da visão ficar mais comprometida, é grande a chance de se envolver em algum acidente e se machucar.

Abro agora um pequeno parênteses com relação às corridas noturnas. Mas devo salientar que em junho deste ano fiquei bastante desapontado de não poder participar da Unimed Run 10km em São José dos Campos-SP. Pelo que ouvi dizer, a corrida foi considerada em 2009 como a mais bem organizada prova de 10km do Brasil. E o percurso da prova de 2010 foi modificado, permitindo que os atletas corressem por várias ruas dos bairros Colinas, Esplanada e Vila Ema de São José dos Campos. No entanto, uma virose contraída 2 dias antes da prova fez com que eu desistisse do evento. Um ponto interessante é que estas duas provas, Unimed Run e Oscar Running Night, possuem exatamente o mesmo percurso. E ambas organizadas pela mesma empresa de marketing esportivo (a Avatar). Logo, além de uma experiência noturna, esta corrida apresentou-se como uma excelente oportunidade de realizar uma prova equivalente à que havia perdido em junho.

Eram três provas em uma só: uma caminhada de 5km e corridas de 5km e 10km. Um total de 2.500 participantes. A Avenida Jorge Zarur, logo em frente ao Shopping Colinas, foi o palco da largada e da chegada. A noite estava realmente agradável, com uma brisa fresca e a sensação de que o tempo era ideal para correr. Encontrei diversos membros da equipe de corrida do Pão de Açúcar na concentração antes da largada. Alguns iam pra 5km e outros pra 10km.

A largada transcorreu dentro do esperado, mas com bastante muvuca. Gente mais devagar querendo largar lá na frente, gente mais rápida saindo lá de trás e no primeiro quilômetro parece que cada um ainda está procurando seu espaço. Percebi que estava conseguindo fazer um ritmo bom e aparentemente sustentável: passei pelo km 2 com 9m45s de prova. Já estava até vislumbrando a possibilidade de quebrar meu recorde em provas de 10km, que é de 50m51s.

Mas o recorde morreu ladeira acima. O km 3 da corrida era dotado de subidas enormes. Eram duas subidas bastante íngremes passando por ruas do bairro Jardim Esplanada. Muita gente nas ruas estava incentivando este que foi sem dúvida o trecho mais demandante da prova. Obviamente não consegui manter o mesmo ritmo, e a subida acabou cobrando seu preço: não consegui mais manter o mesmo ritmo ao longo da prova. Mas ainda assim, mantive um passo forte.

Acabei por pegar água em apenas um posto de distribuição, no km 5. Na segunda metade da corrida dei-me conta de um grande erro da organização. Em várias avenidas da cidade o trânsito não foi fechado para a corrida. Apenas 1 ou 2 faixas para os corredores, e o resto para os carros. As vias de acesso também estavam livres. E o trajeto ia fazendo curvas, atravessando cruzamentos, e em diversos trechos o trânsito ficou paralizado para a corrida passar. Dada a surpresa e a raiva de muitos motoristas, e também ao fato de eu não ter visto uma única faixa sequer da prefeitura anunciando que aquela via estaria interditada para a corrida naquele horário (como pude perceber em Santos, São Paulo e Belo Horizonte), imaginei que além do esquema de isolamento não ter sido bem-feito, a corrida também foi muito mal divulgada. Se na prova do Unimed esse problema talvez não tenha aparecido por ter acontecido em uma fria manhã de domingo de inverno, o mesmo não se pode dizer de uma agradável noite de sábado de primavera na qual todos querem sair à rua.

Conforme eu prosseguia no percurso, o trânsito parecia cada vez mais grave. Na altura do km 8, já na Avenida Anchieta, o que eu via era uma fila interminável de carros no outro sentido da avenida. Pelo menos a visão do banhado à noite com as luzes ao longe compensava. Também por ali, já no final da avenida e no começo de uma enorme descida, uma escola de samba animava o final da prova com sua bateria.

Na descida os percursos de 5km e 10km se juntavam novamente. Cones no meio da pista separavam o pessoal da caminhada do pessoal da corrida. Mas como no resto do percurso os cones vinham separando o pessoal da corrida dos carros, fiquei bastante confuso no começo e quase "atropelei" sem querer alguns caminhantes. Também não havia ninguém da organização avisando para os corredores manterem à esquerda. Apenas na reta final, avistando o pórtico de chegada, a organização mandou separar corredores e caminhantes de 5km dos participantes de 10km. Cruzei a linha de chegada com 54 minutos exatos.

Apesar dos pesares, foi uma experiência diferente e divertida. E novamente reencontrei os colegas da corrida de revezamento na chegada. Segue abaixo uma foto minha com os colegas Turetta, Alana, Maria Tereza, Marcelo, Stefan e Patrícia. Logo a seguir, como de praxe, uma foto da medalha.



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Trabalho em equipe: 18a. Maratona de Revezamento Pão-de-açúcar

Desde que comecei a correr encarava o esporte como algo individual. Aproveitava os momentos em que estava correndo para estar em paz comigo mesmo, fazendo reflexões a respeito da minha vida. Minhas metas sempre foram melhorar com relação a mim mesmo. Sempre conversava com amigos que também corriam a respeito de corridas. Muitas vezes pedia dicas com relação a isotônicos, carboidratos, provas bacanas para se correr, entre outras coisas. E de vez em quando, na verdade raramente, acabava por ir correr junto com algum colega. Não que eu não gostasse da companhia de outras pessoas, muito pelo contrário. A questão era simplesmente a vontade de realizar minha própria programação de treinos, baseada apenas nas minhas metas de tempo e distância, e que dificilmente coincidiam com as metas de outras pessoas.

Na verdade pouco disso mudou, mas este ano acabei por conhecer no local onde trabalho diversas pessoas que também gostavam de correr. No horário de almoço volta e meia conversávamos a respeito de corridas. Foi nessa época, tendo contato diário com essas pessoas, que resolvi começar a escrever este blog. Quando participei da corrida da Tribuna em maio deste ano, todos haviam participado de uma outra prova realizada no mesmo dia. Havia sido o assunto da semana. Eis que um dos colegas sugeriu: por que não montamos uma equipe para correr a Maratona do Pão-de-Açúcar?

Trata-se de uma corrida de revezamento, talvez a mais famosa do Brasil e sem dúvida alguma a maior em número de participantes. As equipes percorrem a distância de uma maratona, ou seja, 42 quilômetros. Mas podem se dividir em duplas, quartetos e octetos. No caso, decidimos montar um octeto devido ao número de pessoas interessadas em participar e ao fato de que nem todos se sentiam preparados para correr 10,5 km. Fomos então para correr 5,25 km cada um (na verdade o primeiro corre uma distância um pouco maior e o último um pouco menor), o que achei excelente ideia visto que 1 semana antes eu correria a Meia Maratona da Praia Grande.

Justamente pelo fato de encarar uma Meia Maratona na semana anterior que acabei não tendo tempo de me preparar para fazer essa prova. São dois tipos de treino bastante diferentes. Nos treinos para a Meia Maratona o importante é manter um ritmo moderado e aguentar a distância. Já nos treinos para corridas de apenas 5 km pode-se forçar mais o ritmo, e a meta passa a ser o tempo.

Seja como for, o importante no dia não era realizar uma marca pessoal. O importante mesmo era a confraternização com as outras pessoas. Cheguei cedo ao Parque do Ibirapuera, local da prova. A largada estava prevista para as 7 horas da manhã, e eu já seria o segundo da minha equipe a cair no asfalto. A espera na Avenida Rubem Berta não foi muito longa, visto que o colega antes de mim corria em ritmo bem forte. Achei ruim apenas a muvuca provocada pelas pessoas que ficavam esperando seus companheiros de equipe, mas algo completamente normal e inevitável nesse tipo de competição.

Consegui fazer a minha parte do percurso em 28 minutos. Na verdade o trecho não era lá essas coisas: corri por trechos das Avenidas Rubem Berta e 23 de Maio, passando em frente à Assembléia Legislativa, e depois entrei no Parque do Ibirapuera onde realizei a troca. Aliás, o colega que abriu nosso revezamento continuou correndo ao meu lado, e fomos conversando um pouco durante o trajeto.

Poderia ter feito um tempo melhor? Poderia. Mas como já disse, o bacana do dia era estar ali, com os colegas fora do ambiente de trabalho fazendo algo em comum, dividindo momentos especiais. No final das contas fizemos nossa prova em 3 horas e 49 minutos. Um tempo muito bom a meu ver. Longe claro de disputarmos a vitória na corrida, o que nem era nosso objetivo. Mas todos se empenharam bastante em buscar o melhor de si.


Segue abaixo uma foto de alguns dos membros da nossa equipe. Obrigado a toda a equipe: Maitê, Stefan, Anderson, Paulo Henrique, Turetta e também ao casal Lucas e Isabel que não estão na foto. Grande abraço a todos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Contra o sol: Meia Maratona da Praia Grande

No início do ano eu estava determinado a participar da Meia Maratona do Rio de Janeiro e dar continuidade ao meu projeto "Conheça o Brasil correndo". Mas um compromisso inadiável no final de semana desta corrida obrigou-me a mudar de planos. Então pensei na Meia Maratona da Praia Grande. É uma prova plana e ao nível do mar, tal qual no Rio de Janeiro. Além do mais, eu já visitei o Rio mais de uma vez nos últimos anos; mas não ia à Praia Grande há pelo menos uma década. Considerando que a prova contava com a organização do pessoal da Tribuna, os mesmos que fazem a prova dos 10km em Santos, achei que não teria erro e fui lá me inscrever. Devido a fatores eu não consegui realizar uma boa preparação e nem pretendia utilizar essa prova para melhorar a marca da Meia Maratona de São Paulo. O objetivo aqui era simplesmente terminar.

Quando cheguei em Santos na sexta-feira e peguei meu kit, fiquei um pouco surpreso. A camiseta da corrida cor de vinho era realmente muito bonita. A sacolinha também era charmosa. Mas além disso, o kit contava apenas com o número do peito e o chip. Nenhum brindezinho sequer por parte dos patrocinadores. Aliás, se em outras corridas como os 10 km da Tribuna e a São Silvestre a parte detrás da camiseta ficava parecendo um caderno de classificados de tanto anúncio que aparecia, desta vez os únicos apoiadores eram o pessoal envolvido na organização.

No domingo, dia da prova, fazia uma bela manhã de sol, o que me fez pensar em passar protetor solar pra não torrar durante a prova. Até porque eu já imaginava que não encontraria árvores e sombras ao longo do percurso. Seja como for, na viagem até chegar ao local da largada pude perceber alguns lugares abandonados na cidade, como o aeroclube por exemplo, levando à constatação de que a Praia Grande deve ser um lugar bem pacato na baixa estação.

Achei um tanto confuso o isolamento que a organização realizou e precisei dar uma volta considerável para entrar na área de largada. A aglomeração nessa zona foi normal e dentro do esperado, sem muita muvuca. Afinal eram apenas 3100 participantes. A dispersão foi bem rápida por sinal. E percebi que o pessoal estava se contendo um pouco, talvez porque a prova era de tiro longo.

O percurso não era dos mais inspiradores. Pode ser aproximado por um retângulo, com duas retas aparentemente intermináveis de 10km de extensão. Pouco após a largada, já no km 2, vi algumas pessoas desistindo. Realmente, dado este percurso não é lá muito recomendável desistir pelo km 10. Não me preocupei muito com o tempo, afinal eu sabia que não estava 100% fisicamente. Mas no primeiro trecho da prova até que consegui manter um ritmo bom e completei o km 10 com 59 minutos de corrida.

Mas logo depois disso entrei na praia e dei de cara com o sol. Meu primeiro pensamento foi de que seria realmente dureza aguentar mais 10km debaixo daquele sol. Cheguei até a me xingar por não ter percebido antes que a volta seria contra o sol, afinal de contas na ida o sol estava atrás de mim. De qualquer forma, não havia outra escolha senão correr o restante do percurso.

Aproveitei para apreciar um pouco a orla. Não é lá que nem os jardins de Santos, mas até que o local é bem ajeitadinho. Eventualmente algum prédio mais alto fazia uma sombra e eu tentava aproveitar. Peguei água em todos os postos disponíveis, mas na maior parte das vezes eu não bebia: tentava refrescar o corpo. Isso não adiantou muita coisa e meu ritmo foi caindo a cada km percorrido. Consumi dois carboidratos em gel para reposição de energias, um no km 9 e outro no km 15, mas de pouco adiantaram. Lá pelo km 18 eu já estava sem pernas.

Na metade final do trecho da praia, não sei precisar exatamente em quais quilômetros, aconteceram as duas coisas mais desagradáveis pelas quais já passei em corridas de rua. A primeira foi que duas patricinhas estavam tentando entrar no local de prova com seu carro, pois o apartamento delas ficava logo ali naquela quadra. Quando passei pela esquina na qual elas tentavam furar o bloqueio, a moça da organização dizia a elas que não podiam entrar, teriam que esperar a prova terminar. Pouco depois vejo que tem um carro colado atrás de mim, "empurrando-me" pois queriam chegar logo. Uma imensa falta de respeito com quem pagou a inscrição da corrida e queria que no mínimo a área se mantivesse isolada para a prática de esportes. Certamente o evento havia sido anunciado na cidade e certamente não se tratava de nenhuma emergência. Ponto negativo pra organização.

O outro ponto que me chateou um pouco foi a atitude de algumas pessoas do público. Em mais de um trecho da prova vi pessoas que, ao invés de incentivarem quem estava correndo, ficavam tirando sarro. Sim, já era o final da prova e meu gás havia acabado. Não era definitivamente o momento mais brilhante da minha carreira de corredor, mas acho que isso não é motivo para que as pessoas que não têm mais o que fazer fiquem rindo da minha cara e fazendo piadinhas de mau gosto. Sinceramente, se não quer correr e não quer apoiar quem está correndo, então que vá fazer outra coisa. Era uma linda manhã de domingo de sol e a praia estava logo ali, então porque se dar ao trabalho de ficar azucrinando os que estavam ali se esforçando? Olha, para essas pessoas eu só digo uma coisa: tenho muita pena de vocês.

Mas esses malas foram felizmente pequenas excessões à regra. Quando saí da praia e comecei o retorno à região da largada comecei a perceber mais gente incentivando de verdade. Dada a proximidade das eleições, tinha muita gente com bandeiras e faixas de candidatos, e alguns garotos ainda ficavam gritando o nome de um candidato local. Sem querer parecer clichê, mas esse apoio do público no final foi realmente um incentivo para encontrar algumas energias a mais e terminar a prova. No final encontrei meu pai e minha namorada que foram até lá para me receberem. Também encontrei o Adriano, um colega do trabalho que também corre. A eles também agradeço todo o apoio que recebi nesse dia.

Fiz em 2 horas e 9 minutos, mais lento do que as 2 horas e 2 minutos da Meia em São Paulo. Se na capital paulista o percurso apresentava muitas subidas, descidas e trechos de asfalto irregular, na Praia Grande o forte sol escaldante foi um grande empecilho. Mas a verdade é que eu realmente estava muito melhor preparado para a prova de São Paulo. Se eu quiser correr a Maratona de São Paulo em 2011 (e eu quero), ainda tenho muito o que treinar.

Fica a lição de que para correr nessas condições deve-se providenciar um boné.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Paixão pelas corridas: 10km da Tribuna 2010


Quem lê este blog desde o primeiro post já deve ter percebido que essa é a minha prova favorita. Foi a primeira corrida que participei, a primeira que repeti a dose, e no ano em que a prova completava 25 anos de existência eu definitivamente não poderia ficar de fora. Ainda mais por ser na cidade de Santos, local onde nasci e morei até atingir a maioridade; e para a qual sempre gosto de voltar.

Devido ao aniversário da prova, este edição foi especial. Logo quando peguei o kit já senti a diferença: ele veio embalado em uma sacola de pano muito útil. A camiseta laranja também estava muito bonita. Ganhei uma garrafinha de água em "formato ergonômico": ela tem um buraco no meio, ideal para você segurá-la com uma mão enquanto está correndo. Mas o melhor do kit, na minha opinião, foi a revista comemorativa. As reportagens contavam a história da prova, a criação e evolução do evento em número de participantes, estatísticas da premiação, entrevista com o prefeito, entrevista com o Marílson (maior vencedor da prova e atual campeão), fotos de edições anteriores, além de uma matéria pra lá de interessante com alguns atletas amadores que já participaram diversas vezes da competição. A que mais me chamou a atenção foi a do Cabo Silva, que correu na primeira edição da prova e continua participando até hoje, com 81 anos de vida.

Uma novidade que eles usaram na prova foi a divisão da área amadora por zonas de tempo. No ato da inscrição você deveria informar se o seu tempo de prova estimado estava abaixo ou acima de 1 hora; e dependendo desta informação você ganhava uma pulseira azul ou vermelha. Na hora de se posicionar para a largada, os fiscais verificavam se todos estavam entrando com chip e com a pulseira para a área correta. Não chega a ser uma inovação pois isso já havia sido feito na Meia Maratona de São Paulo; mas com certeza ajudou a organizar a bagunça da largada.

Quando me posicionei para a largada fiquei ao lado de um cara que estava com mochila. Resolvi puxar papo, e perguntei se ele ia correr com aquela mochila pesada. Ele disse que gostava mesmo era de corrida de aventura, no meio da mata. E que nessas ocasiões a mochila é imprescendível, por isso que sempre corria com ela. Estava ali encarando a prova da Tribuna como "treinamento". Ele mostrou que carregava frutas e um litro de isotônico lá dentro. Seu nome era Fernando. Certamente uma figura marcante.

Veio então a largada para os 15 mil atletas, com direito a balões de gás Hélio coloridos soltos no céu e rojões, como não poderia deixar de ser. A largada foi mais tranquila, com muita gente rápida imprimindo ritmo forte logo no começo. Consegui me segurar e manter meu ritmo. Logo após a primeira curva, tomei o túnel da direita por estar mais vazio, ao contrário dos anos anteriores. Na chegada à Av. Ana Costa peguei um copinho de água apenas para molhar a boca. O resto joguei no rosto para refrescar. Em alguns dos outros postos de hidratação repeti o gesto, de forma que em nenhum momento me senti pesado ou precisando de hidratação.

Ao final da Ana Costa, virando na Av. Francisco Glicério, pouco antes do km 4 da prova, vi minha ex-professora de Química no colegial no meio do público que acompanhava a prova. Gritei seu nome, acenei e ela devolveu o gesto. Realmente muito legal.

A prova seguiu como sempre. Gostei bastante de ver novamente a bandinha tocando perto do km 6. Aliás, nessas alturas da corrida duas coisas me chamaram a atenção no público. Uma delas foi algumas pessoas segurando uma faixa escrito "Vote em Branco", fazendo uma alusão às eleições gerais desse ano. A outra foi que em dois pontos diferentes encontrei pessoas vestindo a camisa da seleção espanhola de futebol. Um dos caras estava até com uma bandeira da Espanha. Um sinal de que eles realmente estavam confiantes para a Copa do Mundo. Havia também muitas bandeiras e camisas do Brasil e do Santos, que vivia um grande momento na final do campeonato paulista na época; mas camisas e bandeiras da Espanha foi algo realmente surpreendente.

Na chegada ao canal 5 novamente encontrei o chuveiro da Sabesp, no qual aproveitei para me refrescar. A seguir veio o trecho da praia, que é o Grand Finale. Sim, porque é nesse trecho que o público é maior, que a paisagem fica mais bonita e que, apesar da dor e do cansaço, você tira energias para correr ainda mais e completar a prova.

No ano anterior eu havia completado com o tempo de 50 min 49 seg; uma melhora significativa para os 59 min 54 seg de 2008. Dessa vez eu sabia que não estava tão bem quanto em 2009 e que não melhoraria a marca. Foram muitos problemas nos treinos, muita falta de ritmo. Nos meus treinos a melhor marca havia sido 57 min; de forma que eu esperava fazer algo em torno de 55 min. O tempo de 52 min 36 seg pra mim foi uma surpresa muito agradável. Foi pouco acima da melhor marca, e muito abaixo do que eu esperava. Uma prova de que no dia da corrida, com o apoio do público e o calor da competição, a gente realmente se supera.

E o melhor de tudo foi encontrar minha família me esperando na chegada. Todos muito felizes, assim como eu. É nessas horas que a gente percebe que correr é algo realmente apaixonante. Espero ainda participar da prova da Tribuna por muitos e muitos anos. Como já é de praxe, deixo aqui a foto da medalha desta edição.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Recuperando a confiança: Meia Maratona de São Paulo 2010

Passado o susto da corrida da Pampulha decidi que precisava participar de uma outra prova semelhante. E a Meia Maratona de São Paulo, realizada no dia 7 de março de 2010, era uma excelente oportunidade. Serviria também como um incentivo para começar a pensar em completar minha primeira maratona. Então lá fui eu!

A prova também tinha a organização da Yescom. Por esse motivo não tive surpresas, afinal é a mesma empresa que fez a São Silvestre e a Pampulha. Os brindes no kit eram novamente dos mesmos colaboradores. Achei a camiseta azul marinho da prova muito bonita, talvez a mais bonita da minha "coleção" de camisetas de corrida. Gostei também de uma inovação que eles adotaram: no ato da inscrição você devia dizer qual o seu tempo de prova pretendido. Eram 4 faixas de tempo possíveis. E dependendo da faixa que você escolhesse, ganhava uma pulseira com uma cor equivalente a uma das 4 áreas de largada. Os atletas mais rápidos largavam na frente e os mais lentos atrás. Foi uma estratégia bastante inteligente, principalmente porque o pessoal soube respeitar a área destinada. Por este motivo, foi a largada menos tumultuada da qual participei; ainda que estivessem ali quase 10 mil corredores.

A largada e a chegada se deram na Praça Charles Miller, bem em frente ao Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, vulgo Pacaembu. Na verdade eram 2 corridas em uma só: uma de 10km, que contou também com a presença do Secretário dos Esportes da cidade de São Paulo, e a meia de 21km. Pra falar a verdade, pouco mais da metade dos inscritos estavam participando da prova de 10km.

Logo na descida da Av. Pacaembu encontrei o Adriano, um amigo corredor bem mais experiente do que eu. Corri junto com ele no começo, até o primeiro posto de água no qual ele pegou um copo pra mim. Nessa hora senti aquilo que costumamos ver na tv: atletas do pelotão de frente que pegam água para o companheiro ao lado para que ele não se desconcentre. Mas claro que o ritmo dele era muito mais forte, e logo ao subir no Minhocão ele se distanciou.

Como o Adriano mesmo disse, aquele ali era um dos trechos mais inspiradores da Corrida de São Silvestre. Realmente, no Minhocão era imensa a quantidade de pessoas nas janelas dos prédios vizinhos ao Elevado, saudando e incentivando os atletas. Mas na manhã daquele domingo não havia nada de mais. Praticamente ninguém acompanhava a Meia Maratona. Talvez pelo horário (a largada foi às 8hs da manhã de domingo), ou pela prova que é definitivamente menos famosa.

No final do Minhocão, quando a prova já chegava ao km 6, havia a separação entre os que iam pra prova de 10k e os que iam pra Meia Maratona. Desci o Minhocão por uma alça de acesso e segui para o centro da cidade. Cruzei o km 7 na Av. Duque de Caxias com 38 minutos de prova. Mas diferente da prova da Pampulha, aqui a meta era apenas terminar, nem que levasse 3 horas para fazê-lo. Comecei a sentir que o tênis incomodava, e por isso decidi diminuir o ritmo. Possivelmente uma bolha estava se formando.

Achei um barato passar pela Praça Princesa Isabel, na qual encontra-se uma majestosa estátua do Duque de Caxias, e que fica no cruzamento das avenidas Barão do Rio Branco e da Duque de Caxias. Na São Silvestre encontrei essa estátua enquanto atravessava a Barão do Rio Branco. E desta vez, na Duque de Caxias, encontrava novamente a mesma estátua.

Mais à frente estava a Estação Júlio Prestes, na qual se encontra a belíssima Sala São Paulo. Para quem nunca foi, recomendo que visite este lugar. É um ponto turístico bastante interessante da cidade de São Paulo. É também a casa da OSESP, a principal Orquestra Sinfônica do nosso Brasil. Novamente cabe aqui uma comparação com a São Silvestre: se a Meia passa na frente da Estação Júlio Prestes, a São Silvestre passa em frente ao Teatro Municipal na Praça Ramos de Azevedo.

Contornando a estação e as ruas em volta eu já passava da metade da corrida. Chegava a hora de tomar o carboidrato em gel para repor algumas energias. Vale lembrar que desta vez não tomei Gatorade antes da corrida e consegui dosar bem a quantidade de água que deveria tomar durante a prova, de forma que felizmente não tive problemas com hidratação desta vez.

Só que desta vez o drama foi outro: minhas suspeitas se confirmaram, e já no km 11 eu podia sentir claramente que uma bolha havia se formado na sola do meu pé esquerdo. Faltavam ainda cerca de 10km, a distância de uma prova como a da Tribuna. Era muito chão. E isso numa prova parecida com a São Silvestre, cheia de subidas e descidas. Mesmo com dor resolvi continuar. Até porque estava na mesma condição da Pampulha, não tinha como parar por ali.

A corrida continuou pela Av. Marquês de São Vicente. Nesse momento agradeci pelo fato de a largada ter sido às 8 horas. Já eram 9 horas nesse ponto e fazia muito sol. Felizmente ali já faltavam apenas 8 km para terminar a prova. Realmente, encarar a Meia Maratona inteira debaixo daquele sol escaldante de março teria sido muito mais difícil. Passando por esse trecho eu vi novamente como essa prova não era nada comparada à São Silvestre, pelo menos no quesito apoio popular: vi pessoas passeando pelas ruas, fazendo compras, e aparentemente incomodadas pelo fato de que uma corrida de rua estava acontecendo ali.

A seguir veio a segunda volta no Minhocão. E as dores no pé se intensificaram. Pelo jeito uma segunda bolha estava em formação, desta vez no pé direito. Será que o asfalto bastante desgastado do Minhocão tinha alguma coisa a ver? Possivelmente, mas posteriormente descobri que o principal motivo de formação das minhas bolhas eram as meias, que muito embora fossem específicas para corridas já estavam bastante gastas.

Em toda Corrida de Rua existem fotógrafos tirando fotos da galera. E desta vez eles estavam posicionados no Minhocão, tirando fotos com o prédio do Banespa ao fundo. Isso na altura do km 17. Não tive dúvidas e fiz uma baita pose para a foto, além de soltar um sonoro grito de felicidade. Achei a foto tão legal que resolvi comprá-la. Infelizmente não possuo o direito de postá-la aqui no blog devido ao termo de compromisso adotado pela empresa responsável pelos fotógrafos. Mas fica aqui um link para quem quiser ver: http://www.webrun.com.br/fotos/commerceft/produto/mostra/idProduto/4626498?mdireito=nao

Pouco depois saí do Minhocão e ganhei novamente a Av. Pacaembu. Os últimos 2 km rumo ao estádio foram interessantes. Apesar de já ter corrido 19 km eu não me sentia extremamente cansado. Mas também não tinha mais forças para aumentar o ritmo no final. Mantive a mesma velocidade, e só consegui impor um sprint final já na Praça Charles Miller. Na saída, ganhei um Gatorade, uma maça e uma barrinha de cereal para recuperar as energias.

O tempo final foi de 2 horas, 2 minutos e 11 segundos. Uma velocidade de 10.3 km/h. Mas o importante mesmo foi ter terminado essa corrida, e sem tomar nenhum susto como havia sido na Pampulha. Agora sim eu me sentia realmente vitorioso em uma prova mais longa. Isso sem falar nas bolhas que "ganhei" nessa corrida. E um sinal de que talvez seja sim possível terminar uma Maratona. Mas a Maratona de São Paulo estava muito próxima, e eu sabia que devido a outros compromissos eu não conseguiria aumentar o ritmo de treinos até lá. Por enquanto vou ficar mesmo nas provas de 10km e Meia Maratonas.

Mas quem sabe no ano que vem não participo da Maratona de São Paulo?