domingo, 24 de junho de 2012

Dê o melhor de você: Unimed Run 2012

"Dê o melhor de você". Com esse slogan a Unimed definiu a campanha de marketing da edição de 2012 de sua tradicional corrida em São José dos Campos/SP. É considerada como uma das mais bem-organizadas provas de 10km do Brasil e já de longa data despertou meu interesse. Tanto que cheguei a me inscrever para a edição de 2010. E naquela época eu estava realmente muito confiante em fazer uma boa marca, quiçá até em estabelecer meu recorde em provas de 10km. Mas infelizmente uma virose intestinal me atingiu de tal forma na véspera da corrida que só melhorei depois de tomar soro no hospital. E obviamente no domingo eu ainda não estava em condições de correr. Tivesse a virose me atingido dois dias antes, provavelmente eu teria participado da prova mesmo assim. No entanto não foi assim que tudo aconteceu, e a Unimed Run 2010 foi a única corrida até agora para a qual me inscrevi e não cheguei a participar. E espero que continue sendo.

Por sorte em 2010 tive uma chance de matar um pouco da vontade de participar desta prova, pois em Novembro daquele ano foi realizada a Oscar Running Night, com um percurso idêntico, tirando o fato de que o sentido era o oposto, ou seja, uma corrida era na "contra-mão" da outra; e também que era uma corrida noturna. Mas claro que ficou ainda aquela vontadezinha de participar da prova da Unimed mesmo assim.

Eis então que veio a edição de 2012, com um percurso completamente alterado com relação ao de 2010. Desta vez, ao invés de termos largada e chegada em frente ao Shopping Colinas e de o percurso envolver ruas da Vila Ema e do Jardim Esplanada, quase tudo foi feito na Zona Norte da cidade, mais especificamente na Via Norte. Trata-se de uma via de trânsito rápido inaugurada recentemente. Por isso não era de se espantar o asfalto novo, a passagem larga, a calçada bem limpa, a grama no canteiro central cortada, dentre outros detalhes que inspiravam a participação dos atletas.


No dia fazia frio. Céu cinza e bastante vento. O estacionamento do Parque da Cidade já estava praticamente lotado na hora que cheguei, de modo que foi muito difícil encontrar uma vaga. Era muita gente se dirigindo para o local da prova. Cerca de 2200 atletas, sem falar nas famílias que estavam comparecendo, muitas vezes para apoiar apenas um corredor. Mas, logo fui capaz de fazer meu aquecimento e me posicionar para a largada.

E então começou a prova. Eram 2 corridas em uma só: 5km e 10km. Eu estava, como sempre, na de 10km.  Até que não teve muita confusão na largada, e logo consegui achar meu espaço e imprimir meu ritmo de prova. Claro que por um lado eu estava animado e queria fazer um bom tempo, mas por outro precisava me segurar para não gastar todas as energias logo no começo da prova. O clima frio ajudava, pois não estava suando tanto e não sentia tanta necessidade de água.

Logo após o km 2 da prova o percurso passava embaixo de um viaduto que levava a linha do trem. Bem na hora que eu estava por li um trem passou, jogando fumaça preta para todos os lados. Azar, mas nada que comprometesse muita coisa. O problema foi depois disso, quando começou uma baita ladeira que só terminou pouco após o km 3, quando fazíamos o retorno e voltávamos pela mesma via. Daí pra frente, até o final, praticamente só descida. Na reta final houve uma separação muito bem sinalizada entre quem estava indo concluir a prova de 5km e quem deveria prosseguir na de 10km.

A segunda volta foi mais tranquila. Com muito menos gente do lado para dividir o asfalto (mais da metade deve ter participado da prova de 5km) ficou muito gostoso de correr. Na segunda passagem pela linha do trem não tive problemas, mas em compensação a segunda passagem pela subida foi bem desgastante. Realmente ficou bem claro que o fato de eu estar acostumado a treinar só no plano me prejudica bastante nessas horas. Em compensação na descida consegui soltar o gás para o sprint final no último quilômetro, o qual consegui completar em menos de 5 minutos para fechar a prova em 53min45seg!!

Eu não havia traçado nenhum objetivo de tempo para concluir essa prova. Considerando que duas semanas antes que havia feito a prova da Tribuna em 54min07seg, e que a prova da Tribuna é considerada uma das mais rápidas na categoria 10km, não esperava fazer um tempo melhor. De fato, foi surpreendente para mim, principalmente devido à presença da grande subida que tive que encarar por duas vezes. Talvez o fato de ter tido que dividir a pista com menos pessoas, o que fui decisivo para eu conseguir fazer o sprint final nessa prova e na da Tribuna não, possa ter feito alguma diferença. Mas a única coisa que importa é que fiquei feliz demais com o resultado, muito melhor do que o que eu esperava.


Para encerrar, além da foto da medalha, deixo aqui um pensamento do campeão olímpico Ian Thorpe, um fenômeno da natação que ganhou 5 medalhas de ouro entre as Olimpíadas de Sydey-2000 e Athenas-2004. Vi o pensamento durante a semana da prova durante um comercial da ESPN Brasil e pensei nele no dia da corrida. Ele resume tudo o que senti nesse dia:

"Perder não é chegar em segundo lugar, é sair da água sabendo que não fiz o meu melhor. Neste sentido ganhei todas as provas que disputei."

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Map My Run - Maio 2012


Se no mês de Abril o retorno aos treinos foi lento e gradual, em Maio foi possível aumentar um pouco as distâncias, mas sempre tendo em mente o objetivo de completar as corridas 10km da Tribuna (marcada na figura acima no dia 20 de maio) e da Unimed para as quais me inscrevi de modo a confirmar o retorno às corridas. Por isso o treino mais longo que realizei foi de 12km, mas em Junho pretendo aumentar um pouco as distâncias dos treinos mais longos. O objetivo continua sendo correr uma maratona, e a principal candidata no momento é a de Curitiba, a ser realizada dia 18 de novembro.

De qualquer forma, fiquei muito feliz de ter conseguido completar quase 100km corridos durante o mês, valor que pretendo ultrapassar em Junho. Se eu vou conseguir ou não só o tempo dirá.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Eu quero mais é correr! 10km da Tribuna 2012

O caso de amor é antigo. Uma das provas que me incentivaram a correr (junto com a São Silvestre), a prova na qual detenho minha melhor marca de 10km, a prova da qual mais vezes participei e talvez aquela que seja mais prazeroso participar. Sim, quis o destino que eu voltasse a competir justamente na 27ª edição dos 10 km Tribuna FM de Santos. Voltasse, pois como já mencionei nos posts anteriores, dia 1º de março fui submetido a uma cirurgia de apendicite que me afastou dos treinos durante 5 semanas, adiando temporariamente (repito, temporariamente!) meus planos de participar de uma maratona. Uma vez retomados os treinos, a corrida mais próxima seria a da Tribuna. Ideal para um retorno, visto que já conheço o percurso de cabo a rabo e que é uma prova relativamente fácil de se participar.

No entanto, o fato de ter apenas 6 semanas de preparação foi um verdadeiro desafio. Por mais que antes da cirurgia eu estivesse fazendo treinos de 20km e preparado para aumentar a carga para 25km, uma cirurgia e 5 semanas de repouso são o suficiente para que qualquer um retorne à estaca zero. E comigo não foi diferente, é claro. Logo em meu primeiro treino sofri para conseguir completar 4km. Nas 2 primeiras semanas fui aumentando a distância aos poucos, até que finalmente na terceira semana completei meu primeiro treino de 10km. E assim continuei treinando, completando 2 treinos um pouco mais longos (12km) e um último treino mais curto focando na velocidade nesse período (5km, completados em 26 minutos). Dado o treino de velocidade, eu até poderia tentar focar em um tempo na corrida, mas achei melhor não. Meu melhor tempo nessa prova é 50min51seg, de modo que vou focar em tempo apenas quando me sentir em condições de realmente superar essa marca. O que definitivamente não seria dessa vez.

E assim fui para Santos no sábado. Mal chegando lá fui correndo pegar o kit (com o perdão do trocadilho). Não se compara ao kit de outros anos, nos quais diversos brindes eram distribuídos aos corredores, como barrinhas de cereal, energéticos, carboidratos, dentre outros brindes promocionais de patrocinadores. Mas ouvi dizer que vários desses brindes alimentares andaram sendo vetados pelas autoridades. Seja como for, é realmente frustrante você pagar R$ 60,00 na inscrição, pegar o kit da corrida e encontrar apenas anúncios dos patrocinadores e quase nada de útil para o atleta. Mas cabe aqui um elogio também: a camiseta dessa corrida é a mais bonita de todas as que já ganhei em kits de participação até hoje. Fora isso, o kit novamente apresentou uma revista, da qual não gostei muito. A da edição de 2010 foi muito bacana, pois era edição comemorativa dos 25 anos da prova, e teve várias matérias interessantes. Mas as do ano passado e deste ano achei apenas "mais do mesmo" e não acrescentou muita coisa. A única reportagem que gostei foi sobre Musculação, e mesmo assim apenas pela frase destacada da Professora de Educação Física Cássia Campi: "Não se preocupe tanto com meta. Tente relaxar na prova, porque é muito legal correr com todo mundo acenando."

Veio então o dia e a hora da corrida. Apesar de já estar acostumado com essas coisas, não posso esconder que fui dormir com uma ansiedade enorme de que a noite fosse curta e a corrida chegasse logo. Fui cedo ao local de largada. Desta vez não tive os mesmos problemas do ano passado e consegui largar no pelotão certo e condizente com meu tempo esperado de prova. Tanto que não achei a saída tão confusa assim. Quem estava largando perto de mim é porque iria impor um ritmo semelhante ao meu. Tomei cuidado para não forçar muito no começo e assim ficar sem energias para o resto do percurso. Mas por mais que eu tentasse segurar o ímpeto, a animação da prova era tão grande que completei os 4 primeiros quilômetros na marca dos 21min, numa média de 5min15seg por quilômetro. Muito melhor (no sentido de mais lento) que os primeiros quilômetros suicidas do ano passado, mas ainda assim um ritmo mais forte do que eu poderia aguentar. Resultado: o gás começou a acabar na Avenida Afonso Pena e tive que diminuir o ritmo. Comecei a fazer contas para estimar o tempo de chegada, mas uma hora lembrei da frase que li na revista e resolvi dar ouvidos ao que a professora disse e busquei apenas relaxar a curtir a prova.

Uma diferença que reparei com relação aos anos anteriores é que haviam menos bandas de música e mais DJ's ao longo do percurso. No km 2 havia um carro de som ligado na Rádio Tribuna, logo na virada da Av. Ana Costa. Por volta do km 5, na Av. Afonso Pena, havia outro DJ com um apresentador agradecendo a presença das várias academias e equipes de empresas participando. Banda de música de verdade tinha apenas no km 8, logo na esquina do Canal 5 com a Praia. Outra coisa interessante que achei é que havia um posto de distribuição de água não-oficial da prova na altura do km 5 (os oficiais ficavam nos quilômetros pares), sendo uma estratégia de marketing de uma Temakeria ali da Afonso Pena.

Voltando à minha participação, quando entrei no Canal 5 e vi que já havia percorrido dois terços da prova tentei apertar o passo. Mas não deu. Eu de fato havia feito os primeiros 4km num ritmo muito forte e agora não tinha mais pernas. Acho que esse foi o trecho mais difícil da prova. É o único trecho com asfalto ruim. É uma das vias mais estreitas do percurso. E além disso eu já estava cansado e via meu ritmo cair. Mas fui seguindo em frente e dobrei a esquina do Canal 5 com a praia com pouco menos de 43 minutos de prova, tendo feito cerca de 6min/km no último quilômetro.

Confesso que de todas as edições da Tribuna, essa foi a que os últimos 2km pareceram os mais longos. Em geral eu conseguia dar um sprint final na praia e finalizar o trecho rapidamente. Mas dessa vez eu não conseguia. Faltavam-me pernas. Além disso, eu vi que o gás de muita gente por ali já havia acabado, e eu precisaria de mais energia ainda para realizar ultrapassagens. No fundo ainda consegui tirar energias para melhorar o pace para 5min30seg/km nesse trecho final, cruzando a linha de chegada com 54 minutos e 07 segundos de acordo com o tempo oficial.

Uma vitória, sem sombra de dúvidas! Uma vitória maiúscula eu diria! Em apenas 6 semanas de treinos após uma cirurgia consegui completar 10km com uma velocidade média superior a 11km/h! E o fato de ter chegado exausto e sem capacidade de realizar um sprint final apenas comprova que cheguei ao meu limite nessa corrida. Não teria como fazer um tempo melhor que esse. Fiz o meu melhor, e é isso o que importa!

O próximo desafio já está marcado e será em breve. Aguardem! Por enquanto deixo aqui a foto da 15ª medalha da minha coleção.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Map My Run - Abril 2012


Como havia comentado no post de fevereiro, dia 1 de março fui submetido a uma cirurgia de apendicite que me afastou das corridas durante cerca de 5 semanas. Mas o importante é que no dia 9 de abril voltei a correr. Como pode-se observar, o retorno foi lento e gradual, começando com um treino de 4km e a partir daí aumentando 1km por treino. O ritmo também não foi fácil de retomar. Ou melhor, não está sendo fácil.

Mas independentemente de quão rápido ou quão longo estou conseguindo correr, o importante é que consegui manter a disciplina de treinar cerca de 2 a 3 vezes por semana. Sem forçar muito e sem exigir muito também. Com isso, finalizei o mês de abril com cerca de 54km na bagagem. Bem abaixo dos 127km de Janeiro como já era de se esperar, mas uma marca muito boa!

Com isso estou finalizando minha preparação para os 10km da Tribuna que será agora no dia 20 de maio. Sim, vou participar dessa prova pela quinta vez, e garanto que não será desta vez que conseguirei fazê-la abaixo de 50 minutos dado o ritmo que venho fazendo em meus treinos. Diria que terminar em 55 minutos seria mais realista. Mas não estou me preocupando muito com isso. Quero apenas terminar minha primeira prova pós-apendicite. Semana que vem espero voltar com um post desta corrida. Até lá!

terça-feira, 27 de março de 2012

Map My Run - Fevereiro 2012

Embora eu esteja atrasado em praticamente um mês, aqui vai o post com meu histórico de treinos relativo ao mês de Fevereiro de 2012 extraído do site MapMyRun. Como eu havia comentado no post de Janeiro, meu rendimento caiu em Fevereiro. Isso aconteceu por causa das lacunas dos dias sem treinos na primeira semana do mês e durante o Carnaval também. Nas duas ocasiões passei mais dias do que gostaria sem treinar devido a indisposições intestinais.

Achei que não fosse nada sério, mas o treino do dia 29 de Fevereiro acabou sendo um tanto quanto fatídico. Cheguei em casa do trabalho um pouco cansado e tirei um pequeno cochilo. Eu realmente não estava em condições de ir correr pois me sentia um pouco enjoado, mas como havia me programado para tanto resolvi ir ao parque para pelo menos fazer uma caminhada e sair do zero. Isso sem falar que talvez o enjoo passasse com um pouco de ar fresco.

Chegando lá acabei me animando e corri cerca de 4km. Voltei para casa exausto, mas sem fome. Minha janta resumiu-se a um Gatorade. Além do enjoo não passar, meu intestino não funcionava e para piorar comecei a ter uma crise de vômitos. Mesmo tomando remédio, nada melhorou. Não teve jeito, fui ao Pronto-Socorro e fui diagnosticado com apendicite. Nem voltei pra casa: fui direto para a mesa de cirurgia.

A cirurgia foi tranquila e no dia seguinte eu já estava de volta em casa. No entanto, fiquei afastado do trabalho por alguns dias e impossibilitado de correr até que a cicatriz fechasse completamente. Já no final do mês de março, ainda continuo afastado das corridas devido à cicatriz mas com possibilidades concretas de voltar dentro de uma ou duas semanas.

Infelizmente os planos de correr a Maratona de São Paulo em junho deste ano foram por água abaixo. Eu já me encontrava um pouco atrasado com relação ao meu cronograma inicial. E o atraso devido à cirurgia é muito maior do que este um mês que fiquei parado: equivale a voltar à estaca zero devido à perda de ritmo de corrida. Por este motivo já desisti da Maratona de São Paulo este ano.

Como ainda não voltei aos treinos fica difícil de fazer qualquer prognóstico e dizer com certeza quando poderei correr minha primeira maratona. Uma possibilidade é a de Curitiba, prevista para dezembro. Mas vamos aguardar. Para ver se consigo voltar bem mesmo às corridas, nada melhor do que correr a boa (será que esse ano vai ser boa?) e velha corrida da Tribuna, agora no mês de maio. Já fiz minha inscrição!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Map My Run - Janeiro 2012

A partir do final de 2011 passei a utilizar o site Map My Run como ferramenta para registrar meus treinos. Trata-se de um site bastante interessante, no qual você pode fazer um planejamento prévio das corridas através de uma ferramenta que você traça em um mapa o local por onde você quer correr. O site se encarrega em medir a distância e a elevação do seu trajeto, inclusive identificando para você os pontos de maior aclive e classificando como uma subida fácil ou difícil. Além do mais, na hora de registrar os treinos, é possível descrever como estava o clima naquele dia, como você se sentiu, e acrescentar qualquer outro comentário que julgue pertinente.

Se você quiser, pode também pesquisar trajetos já prontos feitos por outros usuários. Torna-se útil no caso de você ir para algum lugar e se perguntar aonde é legal de se ir correr. Na minha viagem para o Japão eu já sabia exatamente onde correr, mas mesmo assim procurei o trajeto no Map My Run e obviamente encontrei.

Existe também um aplicativo para smartphones, no qual você mapeia em tempo real por onde você está, através do sinal de GPS. Concluído o treino, você pode fazer upload na hora para o site deles, que já fica registrado na sua planilha de treinos.

Existem outras funcionalidades que não experimentei. O site é também uma rede social, você pode encontrar seus amigos e combinar treinos, desafiá-los, dentre outras coisas. Também é possível se conectar com outras redes, como Facebook e Twitter, e publicar seus treinos nelas.

Coloquei aqui um extrato dos meus treinos de Janeiro. Pretendo começar a fazer isso todo mês, de forma a deixar registrado aqui no blog todos os meus treinos. Como é possível ver, em janeiro fiz 12 treinos com um total de 127.78km. É a preparação para a Maratona de São Paulo começando. O mês de Fevereiro ainda não acabou, mas certamente não chegarei nem perto de repetir a performance de Janeiro devido a algumas viagens e problemas que tive. Mas em Março pretendo me recuperar. Quem viver verá.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Viajando e correndo



Como estou há algum tempo sem participar de uma prova oficial, achei que seria interessante relatar aqui um treino diferente que realizei no final do ano passado. Diferente sim, pois quantas pessoas resolvem sair para correr quando estão viajando a lazer? E ainda mais no exterior?

Pois é, em dezembro eu, como torcedor fanático do Santos como sou, fui ao Japão ver meu time jogar. O resultado do futebol pode não ter sido dos melhores, mas a viagem foi sem dúvida inesquecível. E, uma vez em Tóquio, não poderia deixar de correr em volta ao Palácio do Imperador. Trata-se do percurso descrito por Haruki Murakami em seu livro Do que falo quando falo de corrida, sobre o qual já escrevi por aqui. O percurso tem 6km, e o senhor Murakami decidiu que estava pronto para correr uma maratona no dia que completou 6 voltas. Como ele mesmo conta, mal sabia ele que aos 36km a maratona está apenas começando. Coisa que talvez eu descubra um dia.

Minha meta não era correr 6 voltas em torno do Palácio como o Murakami fez. Muito menos procurar fazer uma marca interessante. O objetivo era apenas uma corrida leve e descontraída para dar 1 única volta em torno do Palácio e conhecer o percurso. Até porque era o último dia de minha viagem que havia durado pouco mais de duas semanas. Ou seja, eu estava há mais de duas semanas sem correr e nem praticar nenhum esporte, de modo que estava completamente fora de forma. Por mais que tenha feito muitas caminhadas durante a viagem, não é a mesma coisa.

Apesar de ser final de outono num país frio como o Japão, o dia estava muito agradável. Temperatura um pouco gelada, na casa dos 5°C a 10°C, mas com sol e uma brisa gostosa. Comecei a correr por volta das 15h30, pois teoricamente seria o horário mais quente do dia (e totalmente impensável de eu fazer coisa parecida aqui no Brasil). O sol já estava começando a baixar. De fato quando terminei de correr e tirei algumas fotos, já quase não havia mais sol, como é possível ver na foto lá no começo do post.

Com relação ao percurso, tenho alguns pontos a destacar. O primeiro é que mesmo sendo praticamente inverno vi muitos japoneses correndo por ali (como aliás eu já havia reparado nas outras vezes que passei ali por perto durante os outros dias da viagem) e num ritmo muito mais rápido que o meu. Em segundo lugar, a infra-estrutura do local é muito boa. Muitos guardas rodeando o palácio (afinal de contas, é a residência do Imperador) e de certa forma garantem segurança a quem está se aventurando a correr. E mais: calçada ampla para várias pessoas correrem lado a lado, como mostra a foto acima tirada num outro dia que passei pelo palácio e no qual estava acontecendo uma corrida de rua. Isso sem falar que contei pelo menos 3 linhas de metro chegando em diferentes pontos do percurso, o que permite o fácil acesso ao local a partir de diversos pontos da cidade. É realmente muito motivador correr naquele local.

Dado o clima ameno, consegui desenvolver minha corrida em pouco mais de meia hora. Nada mal para quem vinha fora de ritmo. O tempo exato eu não peguei ao certo, mas pouco importa num treino desses. Até porque eu não estava me preparando para nenhuma prova em especial. Só o fato de ter visto paisagens diferentes e correr em solo estrangeiro já eram um motivo pra lá de especial.

Vale destacar que essa não é a primeira vez que corri durante uma viagem. A primeira foi em 2010 em Campina Grande-PB, quando completei 4 voltas ao redor do açude da cidade perfazendo assim um total de 9km. Também foi uma experiência muito interessante e divertida.

Para 2012 considero em meus planos a participação de alguma prova internacional no segundo semestre. Mas minha preparação no momento é para a Maratona de São Paulo, no dia 17 de junho. Por esse motivo não terei por aqui posts de provas oficiais até essa data. A única possível exceção será nos 10km da Tribuna, em maio. Mas em breve pretendo escrever sobre outras coisas por aqui. Aguardem!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Trabalhando em equipe novamente: Maratona de Revezamento Pão-de-Açúcar 2011

Quem tem me acompanhado nesse blog deve saber que participei da Maratona de Revezamento do Pão-de-Açúcar com alguns colegas de trabalho em 2010. Conforme eu descrevi no post daquela prova, montamos um octeto e cada um de nós correu a distância de 5,25 km.

Pois bem, este ano a ideia de montarmos uma equipe para a Maratona de Revezamento continuou de pé. Mas com algumas diferenças. Em primeiro lugar conseguimos reunir mais adeptos à causa das corridas de rua. Além disso, algumas pessoas (incluindo eu) estavam dispostas a correr distâncias maiores, como a dos 10,5km. No fim das contas montamos três equipes diferentes, sendo um octeto e dois quartetos.

Eu fazia parte de um dos quartetos, junto com 3 dos integrantes da equipe do ano passado: Anderson, Lucas e Isabel. O Anderson já é corredor há bastante tempo. Inclusive foi ele quem me recomendou participar da Corrida General Salgado em março deste ano. Já o Lucas e a Isabel, apesar de praticarem esportes com frequência, nunca haviam participado de uma corrida de 10km e queriam aproveitar esta oportunidade para fazê-lo. Percebi que isso deve ser meio comum nas provas de revezamento: pessoas que nunca percorreram uma dada distância dispostos a fazê-lo, combinado com outras que já são mais experientes nesse quesito.

Devo comentar também que inicialmente eu seria o responsável pela retirada dos kits da prova em São Paulo. No entanto, um mega-engavetamento na Rodovia dos Imigrantes me manteve preso na Baixada Santista neste dia. Após muitos telefones aos colegas explicando o problema, eis que o trabalho em equipe surte efeito. Aliás, um trabalho envolvendo outras equipes, uma vez que o Stefan, membro do outro quarteto, quem conseguiu retirar nossos kits.

Passado esse susto, tudo certo para a corrida. Neste ano me voluntariei para iniciar a prova. Ao contrário da prova fria e nublada no ano passado, desta vez o dia amanheceu com céu de brigadeiro e prometendo muito calor. Na largada, às 7 horas da manhã, a brisa fresca matinal era mais do que convidativa para uma corrida de rua.

Nos momentos que antecediam a largada um apresentador estava ao microfone entrevistando as pessoas e falando muitas bobagens. Assim como na São Silvestre, muita gente vai correr fantasiada nessa prova. E o apresentador ia atrás destas pessoas. Também não preciso dizer que os fantasiados me fizeram comer poeira. Seja como for, o mais legal de ter participado da largada foi a oportunidade que tive de ver o Marílson Gomes dos Santos dar uma entrevista ao vivo. Ele estava correndo pela equipe do próprio Pão-de-Açúcar, que venceu a prova na categoria de octetos.

Eis então que largamos. Meu tempo previsto era de uma hora, afinal como primeiro atleta eu percorreria uma distância um pouco maior, de praticamente 11km. O percurso era o mesmo do ano passado, mas desta vez eu teria que percorrer uma volta completa no circuito, ao invés da metade que percorri no ano passado. Devo também frisar que ano passado corri o trecho dos corredores pares, no qual predominam descidas. Desta vez tive que encarar também algumas subidas no trecho inicial.

Apesar de muita gente, a largada foi até que tranquila e logo encontrei meu lugar na prova. O trecho inicial dentro do Parque Ibirapuera transcorreu sem problemas e logo em seguida vieram algumas subidas. Por um momento achei que meu ritmo estava diminuindo, mas tão logo as subidas terminaram eu consegui engrenar um ritmo forte novamente. Lá pela metade do circuito havia a separação entre equipes de 8 atletas para fazerem a primeira troca e as demais equipes. Pessoas da organização gritavam sem parar quem deveria ir para cada lado. Uma vez que as equipes têm as cores azul (duplas), verde escuro (quartetos) e verde claro (octetos) algumas pessoas se confundiram. Por que ao invés de duas tonalidades de verde não fizeram uma modalidade na cor vermelha ou amarela? Vai entender essa organização.

Ao final de minha participação arranjei energias para dar uma arrancada final. Completei 10km em pouco mais de 54 minutos, entrei no portão de troca com 58 minutos (momento no qual o chip oficial parou de cronometrar) e finalmente passei a pulseira para o Anderson com 1 hora de prova. Depois disso encontrei o Lucas e a Isabel. Ficamos conversando enquanto eu tomava meu isotônico.

A corrida prosseguiu com as trocas subsequentes entre Anderson e Lucas e finalmente Lucas e Isabel. Nesse meio tempo, enquanto conversava com os amigos que não estavam na pista, encontramos também o outro quarteto de colegas. Fiquei com pena da Isabel por ter sido a última a correr, tendo largado pouco antes das 10 horas da manhã quando o sol já se tornava escaldante. Mas sem problemas, ela terminou a prova cravando um tempo de 3 horas e 43 minutos para a nossa equipe. Melhor até do que nosso próprio tempo do ano passado, de 3 horas e 49 minutos. Claro que com esse tempo nem sonhávamos em conseguir prêmio algum, mas o fato de termos melhorado a marca do ano anterior sem dúvida foi gratificante.

Infelizmente não conseguimos tirar uma foto de todos reunidos que nem no ano passado. Mas sem dúvida a manhã de domingo valeu a pena. E não só para a nossa equipe, afinal estima-se que 35 mil pessoas ao todo tenham participado desta corrida. Depois da prova ainda ouvi muita gente dizer coisas como: "Nossa, que legal, uns amigos meus também correram!"; ou então: "Por que precisavam fechar a 23 de maio para essa corrida idiota?" Seja qual fosse a reação, isso era apenas uma amostra da magnitude e da repercussão do evento.

Independentemente de quaisquer falhas na organização, parabéns ao Pão-de-Açúcar pela iniciativa e pelo sucesso da prova, reunindo milhares de pessoas (muitas delas novatas) para a prática de um esporte e buscando melhor qualidade de vida em um domingo de manhã. Essa é sem sombras de dúvida uma corrida admirável.

Para finalizar... isso mesmo, a fotinho da medalha! Ano que vem tem mais? Quem sabe? Quem sabe não volto para correr meia-maratona em dupla com mais algum maluco?


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A busca pela perfeição nunca termina: Golden Four Asics São Paulo


Sem querer fazer marketing gratuito, mas já fazendo, todo corredor que se preze já pensou pelo menos uma vez na vida em comprar um tênis da Asics. É a marca favorita de muita gente (inclusive a minha), embora esteja longe de ser uma unanimidade. Pois bem, uma vez que Nike, Mizuno e Fila organizam provas para promover suas marcas, este ano a Asics resolveu acompanhar a onda e lançou uma série de meia-maratonas realizadas em 4 grandes capitais brasileiras: São Paulo, Rio, BH e Brasília.

A proposta no site do evento era de um evento de qualidade e padrão internacional, ideal para atletas que buscavam alta performance. Com percursos pouco acentuados, (sem no entanto ser completamente planos) postos de distribuição de água e isotônico a cada 3km, limite máximo de 5.000 atletas e largada às 7 horas da manhã para fugir do sol escaldante, acabei por me interessar bastante e me inscrevi para a edição paulista da corrida. Afinal, seria uma excelente oportunidade de participar de uma meia-maratona em São Paulo. Além do mais, poderia tentar melhorar minha marca e correr uma meia-maratona abaixo de 2 horas.

No sábado, véspera da corrida, fui à Fecomércio na Bela Vista para a retirada do kit. A primeira impressão que tive é que a organização não era lá essas coisas. A fila para retirada estava completamente desorganizada. Um apresentador falava sobre o evento no microfone, num volume ensurdecedor. Além do mais, no site do evento eu havia solicitado uma camiseta regata no meu kit, mas recebi uma camiseta de manga curta. Outra má notícia foi com relação à organização da largada, que seria dada através de baias separadas de acordo com o tempo previsto. Acontece que no site eu já havia preenchido meu tempo meta, e na retirada da pulseira de largada descobri que aquela adequada ao meu tempo já estava esgotada. Acabei pegando uma mais próxima. Devo acrescentar também que no local de retirada dos kits havia um buffet de massas aberto aos competidores, mas não me interessei e por isso não posso opinar.

Domingo, pouco antes das 7 horas, lá estava eu na famosa Ponte Estaiada da Marginal Pinheiros para me posicionar para a largada. É o mesmo local da largada da Maratona de São Paulo, prova que ainda pretendo correr um dia. E não posso esconder que foi realmente muito legal ter largado ali naquele cartão-postal. Nunca havia passado sequer de carro por aquela ponte, de modo que só nessa corrida tive uma clara noção do tamanho do pilar central de sustentação e dos estais. Devido ao horário, o Sol ainda estava muito baixo e mal era possível vê-lo ali da Marginal Pinheiros, mas causava um belo espetáculo visual devido ao dia claro sem nuvens.

A largada era realmente dividida em baias, claramente identificadas com as cores das pulseiras. Ao invés de entrar na baia correspondente à cor da pulseira que peguei, resolvi entrar naquela correspondente ao meu tempo meta, e não houve nenhum impedimento nesse sentido. Achei muito legal que larguei perto dos marcadores de ritmo, os chamados "pacers", que em geral são corredores profissionais contratados pela organização da prova para manter um determinado ritmo e terminar a prova em determinado tempo. Assim, quem tiver alguma meta pessoal pode se guiar por um pacer que pretende fazer um tempo próximo ao seu. Essa prática é muito comum nas corridas nos Estados Unidos. Aqui no Brasil vi isso acontecer apenas na prova da Tribuna. Diga-se de passagem, foi muito interessante em minha primeira corrida em 2008 ter visto ao vivo nomes importantes do atletismo brasileiro, como Zequinha Barbosa e Ronaldo da Costa, correrem como pacers na mesma corrida que eu.

Eu nunca havia seguido um pacer antes. Mas achei que dessa vez seria uma boa ideia. Principalmente porque a prova era muito longa, e ainda tenho um grave defeito de querer sair muito forte na largada. Correndo com um pacer, pelo menos no início, achei que seria mais fácil de segurar o ímpeto e manter um ritmo adequado. Desta forma corri até o km 3, quando havia o primeiro posto de hidratação, ao lado dos pacers que se destinavam a fazer a prova em 1h56 e 2h01. Apesar dessa distinção eles correram a prova inteira juntos e busquei manter-me próximo a eles quase o tempo todo.

Durante o percurso haviam várias pessoas da organização do evento posicionadas estrategicamente próximas a cruzamentos da rua da corrida com outras ruas, para auxiliar qualquer motorista desavisado que passasse por ali. Achei divertido que, dado o horário da largada, o pessoal da organização saudasse os corredores com palavras que iam desde "bom dia" e "boa corrida" até "parabéns". Uma atitude bastante sutil, mas que pelo menos para mim soou como um bom incentivo.

Após o primeiro posto de hidratação veio o túnel que levava à Av. Waldemar Ferreira. E em pouco tempo o percurso adentrava pelo portão principal da Cidade Universitária. Não posso esconder que senti um gostinho especial de correr dentro daquele campus formidável. Boa parte do percurso se passava lá dentro, seguindo pela avenida da raia e entrando nas ruas do Velódromo, da Reitoria e da Poli, sempre indo por um lado da rua e voltando pelo outro. Na rua da Poli (onde ficam também o terminal de ônibus e que termina na estátua do cavalo) constatei que o asfalto foi recentemente (ou talvez nem tanto) trocado por lajotas retangulares.

Na altura da rua da Reitoria a prova completava a marca de 10km, a qual superei com o tempo de 55min30s. Nada excepcional para uma corrida de 10km, mas excelente para quem pretendia completar 21km em menos de 2 horas. Nesse instante olhei para trás e vi que os pacers estavam alguns metros atrás de mim, o que significava que o ritmo não era demasiado forte. No km 12, saindo da Cidade Universitário pelo Portão 2 e entrando na Av. Escola Politécnica, aproveitei o posto de hidratação para tomar um gel de carboidrato.

Na Av. Escola Politécnica o sol começou a incomodar um pouco devido à ausência de árvores e ao horário que já começava a avançar. No km 14 fui ultrapassado pelos pacers e não consegui mais alcançá-los. De qualquer forma, eles estavam correndo para 1h56min, de forma que decidi que deveria apenas tentar manter o contato visual para atingir meu objetivo. A reentrada na Cidade Universitária deu-se no km 16, o qual ultrapassei com 1h29min. O cansaço realmente começava a bater, mas percebi que se mantivesse um ritmo menos forte, em torno de 1km/6min (ou 10km/h) conseguiria completar a prova em menos de 2 horas.

E assim a prova prosseguiu pela Av. da Raia da Cidade Universitária. Nesse trecho um ciclista que estava acompanhando a prova começou a soltar gritos de estímulo aos corredores que passavam. Ou melhor, aos corredores pelos quais ele passava, visto que ele pedalava mais rápido. Saindo da Cidade Universitária, a corrida prosseguiu pela Av. Waldemar Ferreira, passando novamente pelo túnel e saindo na Av. Lineu de Paula Machado. Após cruzar a marca do km 20 com menos de 1h54min, entrei no Jóquei Clube de São Paulo.

O desfecho da prova deu-se lá dentro, num trecho de asfalto porém margeando o gramado no qual os cavalos ficam. O pórtico da chegada estava localizado próximo ao local onde eu acredito que seja realizada também a chegada das corridas de cavalos, pois era o no qual haviam arquibancadas. Aliás, muita gente ocupava o local, dentre corredores, treinadores, amigos e familiares. Encontrei meu pai no meio da multidão enquanto acelerava para cruzar a linha de chegada. Bati em sua mão e cravei o tempo de 1h58min07seg! Missão cumprida!

Na minha opinião o Jóquei Clube foi uma excelente escolha de chegada para a corrida. O local é bem amplo, tornando a dispersão muito fácil. Além disso, os banheiros do clube estavam disponíveis, o que sem dúvida é muito melhor do que os banheiros químicos geralmente disponibilizados para estes eventos. Isso sem falar é claro no charme do local. Achei o prédio e as instalações do Jóquei Clube merecedoras de uma outra visita no futuro.

Para terminar, decidi colocar a frase "A busca pela perfeição nunca termina" como título deste post pois ela estava gravada na medalha da prova. O autor dessa citação, também gravado na medalha, é Kihachiro Onitsuka. Procurando na internet, descobri que trata-se do fundador da Asics. Um japonês considerado por muitos como um visionário que decidiu fundar uma marca de material esportivo em 1949. Asics é a abreviação de "Anima Sana In Corpore Sano", ou seja "Mente Sã em Corpo São". Segue abaixo a foto da medalha.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um dia de fúria: 10km da Tribuna 2011


A organização dos 10km Tribuna, agora em sua 26a. edição, contou com a parceria da Universidade Lusíada de Santos. Na prática a única mudança que pude perceber foi que a retirada do kit agora aconteceu no ginásio da Lusíada, e não mais no ginásio municipal do Rebouças como vinha ocorrendo todo ano.

Mas não foi só isso que mudou. Visando melhorar ainda mais a velocidade da prova, uma pequena alteração foi feita no percurso. Na saída do túnel, logo após completar o primeiro quilômetro de prova, os atletas agora pegaram a larga Av. Rangel Pestana para a seguir entrar diretamente no começo da Av. Ana Costa, evitando assim algumas ruas estreitas. Nesta avenida a prova agora atravessou o outro sentido, facilitando assim o acesso ao Hospital Ana Costa. Mudanças a meu ver bastante positivas.

E a prova realmente ficou mais rápida: neste ano Marílson Gomes dos Santos não só conquistou seu 6o. título, tornando-se assim o maior vencedor em absoluto da prova, como também estabeleceu um novo recorde de 27min59seg. Apenas a título de comparação, o recorde mundial dos 10.000 metros, disputado em estádio de atletismo (com piso mais apropriado e percurso com longas retas e curvas muito abertas), pertence ao etíope Kenenisa Bekele com a marca de 26min17seg.

Uma vez que a prova é muito rápida, muitas pessoas aproveitam para corrê-la para marcar tempo e atingir índices. Para se ter uma ideia, para largar no pelotão de elite de uma prova deve-se ter um certo tempo comprovado junto à federação de atletismo do local. E muita gente encara a prova da Tribuna como oportunidade de estabelecer esta marca. Mas como a prova cresceu e este ano atraiu 16 mil corredores, muitas eram as reclamações de que a largada era muito tumultuada e perdia-se muito tempo, não atingindo assim o índice. Logo, a organização também teve uma jogada de marketing interessante: este ano foi criado o Pelotão Premium, para atletas amadores que queriam largar lá na frente junto com os atletas de elite, pagando para isso um valor de inscrição consideravelmente maior (R$ 300,00 para ser mais preciso, contra R$ 55,00 do valor normal).

Foi nesse ponto que os erros meus e da organização começaram a se somar. Não percebi que o pelotão tinha esse nome "Premium". Quando fui fazer minha inscrição, deveria dizer se queria largar no primeiro ou no segundo pelotões amadores. Com medo que o primeiro fosse o tal do Pelotão Premium, inscrevi-me no segundo. Mas essa divisão dos pelotões seria o dos atletas que pretendiam fazer o tempo de prova abaixo de uma hora e acima de uma hora, exatamente como no ano passado. Mas desta vez não havia essa explicação no site. No ato da entrega dos kits que fiquei sabendo deste detalhe e perguntei se poderia largar no primeiro pelotão. Até porque o segundo pelotão largaria 10 minutos mais tarde. Muito embora eu não tivesse pretensões de fazer índices que nem os atletas do Pelotão Premium, sentia-me muito bem disposto (apesar do resfriado da semana anterior) e achava que poderia quebrar minha marca pessoal nos 10km, de 50min51seg estabelecida nessa mesma corrida em 2009. E me responderam que não haveria nenhum problema.

A diferenciação entre os pelotões dava-se pela cor de uma faixa no número do peito. O do primeiro pelotão era vermelho e do segundo, verde. Ao entrar no primeiro pelotão os organizadores me mandaram voltar, assim como faziam com todo mundo. Sem alternativa, fui largar lá atrás. Dada a largada do primeiro pelotão, os fiscais preocuparam-se mais em evitar que o pessoal do segundo pelotão pulasse a grade do que vigiar as entradas para o primeiro pelotão. Resultado: muita gente com inscrição para o segundo pelotão (e até mesmo gente sem número no peito) aproveitou esse momento para invadir a região e largar. E os fiscais não deram a mínima para isso! Mesmo com toda a indignação do pessoal do segundo pelotão.

Conclusão: após a largada consegui desgarrar logo da massa do segundo pelotão (claro que com muita gente correndo mais rápido do que eu). Por um momento até achei que ainda pudesse quebrar meu recorde pessoal. Mas logo no primeiro quilômetro de corrida comecei a ultrapassar caminhantes com inscrição do primeiro pelotão. E ao longo da prova isso foi se acentuando, até chegar ao cúmulo de no quilômetro 4 eu ter encontrado um grupo de pessoas desfilando com uma faixa e ocupando praticamente toda a passagem. Fiquei realmente injuriado com a organização patética do evento neste ano. Na segunda metade da prova fui fazendo diversas ultrapassagens, muitas vezes perdendo muito tempo. Muitas vezes encontrando grupos de pessoas ocupando praticamente toda a pista de corrida.

No fim das contas até que fiz um tempo razoável: 54min56seg. Isso considerando que na segunda metade da prova perdi realmente muito tempo tendo que fazer ultrapassagens. Mas devo reconhecer que forcei demais a barra no primeiro quilômetro, o qual completei em absurdos 4min15seg e que me fez diminuir o ritmo no resto do percurso. Seja como for, se essa tivesse sido uma corrida normal eu acho que não quebraria meu recorde pessoal de qualquer maneira. Mesmo que não tivesse perdido esse tempo e não tivesse tido o desgaste psicológico, devo reconhecer que há uma diferença enorme entre completar a prova em 50 minutos e 55 minutos.

Tudo isso foi uma grande lição para mim. Fiquei furioso com a organização da prova? Certamente! Fiquei chateado com não ter conseguido quebrar minha marca pessoal? Claro! Mas nada que justifique eu ter me estressado com a corrida. Mesmo que todos nós corredores tenhamos o desejo de melhorar nossas marcas pessoais, talvez nesse dia eu tenha me esquecido de que o fundamental na corrida e nas provas de rua é uma coisa só: a diversão que isso proporciona. A corrida não é, e nem pode ser, motivo de stress. Mas sim o alívio dele. Lição esta que espero nunca mais esquecer novamente.

Para finalizar, gostaria de fazer apenas um último comentário de caráter futebolístico. A corrida deu-se no dia final do Campeonato Paulista de Futebol, que ocorreu na Vila Belmiro entre Santos e Corinthians. Nem preciso dizer que por este motivo a corrida deste ano foi bastante especial, com dezenas (talvez centenas) de pessoas uniformizadas com camisas dos dois times (com mais santistas, mas ainda assim com muitos corinthianos) correndo ou acompanhando a corrida nas ruas. A profusão de bandeiras nas varandas, e mesmo servindo como capas para os corredores, também era enorme. E durante todo o percurso era possível ouvir gente gritando incentivos aos corredores uniformizados. O que achei mais engraçado disso tudo foi uma senhora que abriu um poster gigante do Neymar em cima de um cavalete na calçada da Avenida Afonso Pena, lá pelo km 6 da corrida.

No fim das contas, para completar a festa iniciada com a corrida da Tribuna, Arouca e Neymar se encarregaram em marcar os gols que deram ao Santos seu 19° título Paulista. Segue abaixo a foto da minha medalha de Campeão Paulista de 2011... quero dizer, da corrida da Tribuna de 2011.