Conforme eu já vinha registrando nos posts anteriores, comecei o ano decidido a finalmente realizar o sonho de completar a maratona. Como a de São Paulo estava prevista para 28 de Abril, decidi não correr nenhuma prova nesse meio tempo para não interferir na minha preparação. Mas justamente quando fui me inscrever descobri que haviam mudado a data da corrida. Fiquei muito chateado e com uma vontade enorme de participar de qualquer corrida que aparecesse na minha frente, só para matar a vontade que ficou de participar de uma prova. Opções não faltavam neste fim de mês: poderia correr novamente a General Salgado em Taubaté, no dia 24 de Março. Mas como já participei dessa prova, descartei-a. Ouvi falar muito bem do Circuito Track & Field, com uma prova prevista para o mesmo dia na região do Shopping Villa-Lobos em São Paulo. Mas existem outros percursos da Track & Field em São Paulo durante o ano, e só ali no Villa-Lobos serão realizadas mais duas corridas ainda este ano. Por isso resolvi deixar para uma próxima oportunidade. No final das contas decidi participar de uma prova noturna, a Night Run SP 2013, realizada no mesmo final de semana na Zona Norte de São Paulo. O curioso é que decidi participar por indicação de um amigo que pretendia correr, mas que desistiu.
A prova foi organizada pela O2, uma revista de corridas famosa. Confesso que nunca li um exemplar, mas já ouvi falar muito bem. A inscrição era bastante salgada, mas mesmo assim resolvi participar por ser organizada por uma instituição conceituada. E também por se tratar de uma prova noturna, coisa que não estou muito acostumado a fazer (só havia corrido a Oscar Running Night até então). O kit também valia a pena: uma camisa de manga comprida (ótima para treinos no inverno que se aproxima), uma garrafa de 600mL (indispensável em treinos de longas distâncias) e uma lanterna para uso durante a corrida. Essa lanterna vinha presa em um elástico para ser preso no braço ou na testa. Funciona com 3 pilhas AAA e possui 5 lampadinhas, que funcionam nos modos "piscando alternadamente", "piscando todas juntas" e "todas ligadas". Achei a ideia interessante e pensei em usar durante a corrida. Não ia ajudar em nada, mas só pra fazer parte da brincadeira.
Achei curioso que o kit foi entregue na loja da Decathlon que fica no Morumbi, enquanto que a corrida realizou-se na região do Anhembi. Detalhe que existe uma Decathlon não muito longe do Anhembi, ao lado do Shopping Center Norte. Seja como for, realizei uma longa viagem de manhã para pegar o kit, e outra à noite para a corrida. Temendo o trânsito de sábado à noite ocasionado principalmente pelo fechamento das vias de acesso à prova, achei que seria melhor ir de metro, exatamente como indicado no site do evento. Desci na estação Tietê, aonde já me deparei com gente do "staff" da prova indicando a saída da estação que deveríamos pegar. No percurso de cerca de 2km entre o metro e a largada pude ver gente com sinalizadores luminosos indicando o caminho para a largada. Até que cheguei no local onde se desdobrava a corrida.
Na verdade eram duas provas no mesmo dia, de 5km e 10km. Mas ao contrário do que acontece normalmente nesses eventos, as duas corridas foram realizadas de forma independente. Às 19h30 aconteceu a largada dos 5km, enquanto os 10km começaram apenas às 20h30. Achei a ideia muito boa a princípio, pois geralmente o que acontece é que fica todo mundo misturado na largada, e só quando os grupos das duas provas se separam é que fica melhor de correr. Aliás, dado o número de pessoas inscritas para esse evento (cerca de 6 mil participantes em cada modalidade), essa divisão foi simplesmente indispensável. Teria sido impraticável realizar a corrida com 12 mil pessoas dividindo aquela pista. O problema foi que a região de concentração para a prova de 10km e a de dispersão dos 5km era exatamente a mesma. Então quando cheguei deparei-me com cerca de 12 mil pessoas transitando na área como um verdadeiro formigueiro, indo desordenadamente de um lado para o outro. E absolutamente ninguém do staff para orientar nada! Eu estava apertado e só achei os banheiros químicos pois contei com a boa vontade de outro corredor para me informar.
Desta feita, consegui me posicionar para a largada faltando pouco mais de 1 minuto para soar a sirene. De tão em cima da hora nem lembrei em pegar minha lanterna, e por isso corri sem ela. Ok, não fez a menor diferença. Mas foi tão pouco tempo que mal deu pra apreciar o belo local da largada, exibido na foto acima. Isso mesmo, o Sambódromo! Eu nunca tinha ido lá, e confesso que fiquei um pouco decepcionado pois achei que fosse um pouco maior. Creio eu que cerca de 300m após a largada já havíamos feito a curva e saído dele. E pra falar a verdade, o Sambódromo foi a única coisa que realmente marcou essa prova, pois o resto do percurso era dentro do estacionamento do Anhembi (!?!) ou na Avenida Olavo Fontoura. Uma vez que essa avenida é a sede do Aeroporto do Campo de Marte e do Aeroclube de São Paulo, até se torna interessante por ser possível ver alguns aviões por ali. Mas como era de noite e os aviões não recebem iluminação noturna, não foi possível ver nada disso durante a prova.
Outra coisa que não curti na prova como um todo, mas principalmente na largada, foi o tom de "balada" que foi dado ao evento. Até entendo que fazendo isso a organização tente tornar a prova mais popular e próxima ao ambiente de academias, tornando-se um evento de socialização pela prática do esporte e tudo o mais, mas daí para soltar fumaça e fazer um show com lasers e luzes estroboscópicas na largada já acho que foi um pouco de exagero. Sei que posso estar sendo chato e pedante nesse ponto, mas não deixa de ser a minha opinião.
A largada em si não achei tão tumultuada assim. Pelo menos dentro do Sambódromo não vi nada fora do normal. Mas não houve separação por ritmo de corrida como acontecem em provas com muitos participantes, de modo que levei cerca de 3km até finalmente encontrar meu espaço e me sentir confortável na prova. Vi gente que realmente se estressou com alguns grupos de corredores formando um "paredão" e decidiu correr por fora da pista demarcada. O pobre coitado só não percebeu que tinha um tapete para medição de tempo (checkpoint), e fatalmente acabou não tendo seu tempo registrado na corrida. Seja como for, acho que o excesso de gente não prejudicou meu desempenho. Consegui manter um ritmo bom durante quase toda a prova. Cruzei o km 3 com 16m30s, média de 11km/h. Depois disso consegui melhorar um pouco o ritmo, mas lá pelo km 6 senti o cansaço bater. Mesmo assim, a noite era agradável e convidativa para uma boa corrida, de modo que consegui me recuperar e finalizei minha participação com o tempo de 53 minutos e 13 segundos, conforme ilustrado no certificado oficial da prova abaixo.
Longe de ser meu melhor tempo em 10km, mas pelo menos foi meu melhor desempenho nessa distância após a apendicite do ano passado. Considerando ainda que estou focando meus treinos em resistência para a maratona e não em velocidade para provas curtas, fiquei mais do que satisfeito com o resultado obtido.
Deixo a foto da medalha abaixo, a primeira do ano. Provavelmente é a primeira também da maioria das pessoas que correram essa prova nesse final de semana. E que mais pro meio do ano eu volte aqui para postar a foto e contar minha história na Maratona do Rio de Janeiro, para a qual já me inscrevi. Mas antes disso terei outro compromisso, também na região do Anhembi, no dia 4 de maio para a Indy Run.
segunda-feira, 25 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Map My Run - Fevereiro 2013
Conforme antecipado no post anterior, em Fevereiro aumentei minha carga de treinos pensando na Maratona de São Paulo 2013. Na verdade continuei fazendo o mesmo número de treinos semanais, apenas aumentei a carga de "longões". Com isso completei 146km no mês, o que acredito ser meu recorde pessoal. O treino mais longo foi de 28.84km, que sem dúvida alguma é a maior distância que já percorri em um único treino, e que equivale a 2/3 de uma maratona.
E justamente na última semana do mês, quando pensei em me inscrever pra Maratona de São Paulo, fui surpreendido com a notícia de que ela foi transferida para o mês de Outubro!?! De posse dessa informação, a única certeza que tenho é que não preciso estar apto a correr 42km no final de Abril.
De resto, tenho apenas possibilidades, a saber: Maratona do Rio de Janeiro no dia 07 de Julho ou a Maratona de São Paulo no dia 06 de Outubro. Não sei ainda qual delas correr. E uma vez que tem bastante tempo até lá, talvez eu arranje algumas corridas menores no meio do caminho. Tudo está realmente muito indefinido.
O jeito é continuar treinando.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Map My Run - Janeiro 2013
O ano novo não começou muito bem. Devido a problemas pessoais não fiz bons treinos nas primeiras semanas. E nas duas últimas semanas do mês fiz apenas dois treinos. Mas tenho até um bom motivo. No dia 22 fiz um treino diferente: fui pedalar com um amigo e senti que é um esporte que pode ser tão ou mais cansativo que a corrida.
Somando-se a isso o fato de eu estar frequentemente nadando (coisa pouca, cerca de 500m apenas) posso considerar que em Janeiro fiz muita atividade física, ainda que tenha ficado abaixo dos 100km corridos no mês.
A maratona de São Paulo já está batendo na porta, e por isso mesmo realizei um treino de 23km no fim do mês. Em Fevereiro a carga vai aumentar!
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Feliz Ano Novo: São Silvestre 2012
Neste ano de 2012 resolvi participar novamente da Corrida de São Silvestre. Como já mencionei no meu post da corrida de 2008, desde pequeno que acompanho a transmissão da corrida pela televisão. E depois de minha participação, acho que passei a acompanhar com mais entusiasmo. Em 2009 vi a vitória do queniano James Kipsang, o mesmo que venceu no ano que corri, com um gostinho de saudade e de saber que exatamente um ano antes eu estava lá. Vibrei muito com a vitória do Marílson em 2010, embora nesse ano eu tenha ficado muito chateado ao saber que a organização derrapou e entregou a medalha aos corredores junto com o kit pré-prova devido à falta de espaço na Paulista (isso aconteceu devido à perda do enorme estacionamento que foi fechado para levantar um prédio no qual era feita a entrega das medalhas). Fiquei indignado que em 2011 alteraram a chegada para o Obelisco do Ibirapuera exatamente por essa questão de espaço. E fiquei muito feliz que em 2012 trouxeram a chegada novamente para a Av. Paulista, desta vez alterando também o horário da prova para o período da manhã de modo a permitir uma dispersão tranquila dos atletas sem interferir com a chegada das pessoas que querem participar do Reveillon na Paulista.
A partir deste momento eu já me encontrava muito cansado e queria mais que a corrida terminasse logo. Mas ainda assim pude apreciar um pouco do centro velho de São Paulo, começando pela Avenida Rio Branco. Na edição de 2008 seguíamos praticamente pela rua inteira, mas dessa vez dobramos na Praça Princesa Isabel na Av. Duque de Caxias. Nessa praça encontra-se uma estátua gigantesca em homenagem do Duque que ficou famoso na Guerra do Paraguai. Continuamos pelo Largo do Arouche e depois chegamos à "esquina da cidade", o cruzamento da Av. Ipiranga com a Av. São João, que ficou eternizada na música "Sampa" de Caetano Veloso. Essa esquina também estava presente no percurso antigo, embora fosse mais para o começo da prova. Seguimos então pelo Largo do Paissandú e passamos atrás do Teatro Municipal de São Paulo, que se encontra na Praça Ramos de Azevedo. Um prédio muito bonito que também vale uma visita. Chegamos então a um dos cartões-postais da cidade, o Viaduto do Chá, do qual se obtém uma bela vista do centro da cidade. Depois disso contornamos o Largo do São Francisco, sede da Faculdade de Direito da USP, e ganhamos a famosa, temida, amada e ao mesmo tempo odiada subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio.
Logo no começo da subida fiquei um pouco surpreso com a euforia que alguns corredores demonstraram ao iniciarmos esse trecho com gritos de guerra "Uh! Briga-dê-ro! Uh! Briga-dê-ro!". Surpreso e também contagiado. O cansaço era enorme e eu tinha medo de "quebrar" e começar a caminhar durante a subida. Mas felizmente me deixei levar pela animação dos demais corredores e também do público que compareceu em massa para dar seu incentivo. Resultado: não parei em nenhum momento! Posso ter levado cerca de 15 minutos para completar apenas 2km de subida, mas fiquei muito feliz de ter completado a prova correndo do primeiro ao último metro! Aliás, nos metros finais na Av. Paulista, fui capaz novamente de dar um sprint final e correr com todas as forças que ainda restavam, exatamente como há 4 anos atrás. Acho que o fato de sair de uma subida daquelas e voltar a correr no plano equivale a tirar um peso enorme das pernas. Você até se sente mais leve e é capaz de correr mais rápido.
Como mencionei, terminei em 1h36min. Se eu achava meu tempo de 2008 ruim, o de 2012 foi ainda pior. Mas no fim das contas, valeu a pena ter acordado cedo no último dia do ano? Valeu a pena ter que dividir espaço com tanta gente? Valeu a pena sofrer com o calor e as subidas? A resposta só poderia ser uma: COM CERTEZA! Correr é sem dúvida uma das melhores maneiras de você encerrar um ano!
Para 2013 fica mais uma vez o desafio de participar de uma maratona, promessa que fiz para os dois últimos anos e não fui capaz de cumprir. No final de abril tem a Maratona de São Paulo, para a qual já estou treinando. Será que agora vai? Só o tempo vai poder dizer.
Por enquanto deixo aqui a foto da medalha da São Silvestre, talvez uma das mais bonitas de minha coleção.
Com tudo isso e mais algumas alterações no percurso, achei que seria interessante voltar a competir na São Silvestre. Em 2008 completei a prova de 15km em 1h34min, minha pior média de velocidade em todas as provas que disputei. Vim para a edição de 2012 disposto a superar essa marca. E achei que não seria difícil, dados os tempos que vinha fazendo nos treinos. É claro que uma semana antes da prova fiz um treino com a mesma distância e completei em apenas 1h43min, mas uma vez que o calor de 38°C que experimentei naquela ocasião não deveria se repetir no dia da prova, achei que não teria muitos problemas.
No entanto as coisas não aconteceram da maneira como eu imaginei. Não sei ao certo onde foi que errei, mas o fato é que terminei a prova com um tempo ainda pior do que o que fizera há quatro anos atrás. Isso porque hoje já estou acostumado a distâncias maiores, sou mais experiente e sei dosar melhor as energias. Posso até apontar alguns pontos, como a noite de sono mal-dormida, a péssima posição de largada que obtive, o calor que se não era de 38°C pelo menos era mais forte do que há 4 anos atrás; ou pode ser que eu simplesmente não estivesse no meu melhor dia.
Combinei de encontrar um colega na catraca do metro Trianon-Masp para corrermos juntos, mas infelizmente desencontramos. Fui sozinho me posicionar para a largada. Encontrei fantasiados como Charlie Chaplin, cangaceiros, carnavalescos, dentre outros. Fui trocar uma ideia com um cara que segurava uma placa da cidade de Cerquilho-SP, pois lembro-me de ter visto esta placa em outras provas como a da Tribuna e de Revezamento do Pão-de-Açúcar. Descobri que eles eram um grupo de corredores daquela cidade e que participam de várias provas durante o ano. Sempre levam a placa para aparecer na tv e nas fotos, e contam com um grupo de apoio que recolhe as placas após a largada. Ele mesmo já havia me alertado para não me preocupar com o tempo naquela prova, pois a São Silvestre não é uma corrida para você fazer tempo, e sim para curtir.
Tenho certeza que consegui uma posição de largada muito pior do que aquela de 4 anos atrás. É bem possível, pois se naquele ano eu me posicionei para a largada com pouco mais de 1 hora de antecedência, dessa vez procurei meu lugar faltando pouco mais de 20 minutos. Resultado: ao soar a sirene, levei 5 minutos para conseguir dar o primeiro passo e 15 minutos para passar pelo pórtico de largada (contra 7 minutos da minha outra participação). E não só isso: peguei "congestionamento" durante quase todo o percurso. Gastei muita energia fazendo ultrapassagens, o que até me incomodou um pouco pois simplesmente não conseguia achar espaço para correr. Mas essas coisas são assim mesmo: são 25 mil corredores, cada um com seu ritmo, seu preparo e sua estratégia de corrida. Claro que uma melhor posição de largada me permitiria encontrar melhor meu espaço, mas infelizmente não foi assim e não há muito o que fazer também. A única coisa que me irritou de fato foi ver pessoas caminhando durante todo o percurso desde o primeiro quilômetro, o que certamente atrapalha a vida de qualquer um.
Com relação ao novo percurso, por um lado achei ruim, pois a descida da Consolação proporcionava um espetáculo inesquecível de ver aquele mar de gente correndo com camisetas das mais diversas cores (mas o mesmo pode ser observado na Brigadeiro Luiz Antonio, embora em menor intensidade). Também senti falta do Minhocão, trecho no qual as pessoas que moram nos prédios adjacentes lotavam as varandas e acenavam para os atletas, soltavam rojões e até jogavam água através das mangueiras de suas casas para refrescar os atletas. Um dos momentos mais bacanas da prova que infelizmente foi cortado.
Por outro lado, o novo percurso permitiu que outros trechos do centro de São Paulo fossem explorados. Ao invés da Consolação, seguimos pela Av. Dr. Arnaldo e descemos a Rua Major Natanael, que margeia o Cemitério do Araçá e desemboca na Praça Charles Müller, onde se encontra o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, vulgo Pacaembú. Nesse estádio encontra-se também o Museu do Futebol, que certamente vale uma visita para os mais fanáticos por futebol e também para os nem tanto. Depois seguimos pela Av. Pacaembú e contornamos o Memorial da América Latina em várias ruas estreitas. Em uma delas houve uma distribuição de água um tanto quanto caótica devido à enorme quantidade de pessoas querendo água e ao fato da passagem ser bem estreita. Depois seguimos por um viaduto, uma longa e desgastante subida na qual comecei a sentir também o calor do sol que já subia mais alto.
A partir deste momento eu já me encontrava muito cansado e queria mais que a corrida terminasse logo. Mas ainda assim pude apreciar um pouco do centro velho de São Paulo, começando pela Avenida Rio Branco. Na edição de 2008 seguíamos praticamente pela rua inteira, mas dessa vez dobramos na Praça Princesa Isabel na Av. Duque de Caxias. Nessa praça encontra-se uma estátua gigantesca em homenagem do Duque que ficou famoso na Guerra do Paraguai. Continuamos pelo Largo do Arouche e depois chegamos à "esquina da cidade", o cruzamento da Av. Ipiranga com a Av. São João, que ficou eternizada na música "Sampa" de Caetano Veloso. Essa esquina também estava presente no percurso antigo, embora fosse mais para o começo da prova. Seguimos então pelo Largo do Paissandú e passamos atrás do Teatro Municipal de São Paulo, que se encontra na Praça Ramos de Azevedo. Um prédio muito bonito que também vale uma visita. Chegamos então a um dos cartões-postais da cidade, o Viaduto do Chá, do qual se obtém uma bela vista do centro da cidade. Depois disso contornamos o Largo do São Francisco, sede da Faculdade de Direito da USP, e ganhamos a famosa, temida, amada e ao mesmo tempo odiada subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio.Logo no começo da subida fiquei um pouco surpreso com a euforia que alguns corredores demonstraram ao iniciarmos esse trecho com gritos de guerra "Uh! Briga-dê-ro! Uh! Briga-dê-ro!". Surpreso e também contagiado. O cansaço era enorme e eu tinha medo de "quebrar" e começar a caminhar durante a subida. Mas felizmente me deixei levar pela animação dos demais corredores e também do público que compareceu em massa para dar seu incentivo. Resultado: não parei em nenhum momento! Posso ter levado cerca de 15 minutos para completar apenas 2km de subida, mas fiquei muito feliz de ter completado a prova correndo do primeiro ao último metro! Aliás, nos metros finais na Av. Paulista, fui capaz novamente de dar um sprint final e correr com todas as forças que ainda restavam, exatamente como há 4 anos atrás. Acho que o fato de sair de uma subida daquelas e voltar a correr no plano equivale a tirar um peso enorme das pernas. Você até se sente mais leve e é capaz de correr mais rápido.
Como mencionei, terminei em 1h36min. Se eu achava meu tempo de 2008 ruim, o de 2012 foi ainda pior. Mas no fim das contas, valeu a pena ter acordado cedo no último dia do ano? Valeu a pena ter que dividir espaço com tanta gente? Valeu a pena sofrer com o calor e as subidas? A resposta só poderia ser uma: COM CERTEZA! Correr é sem dúvida uma das melhores maneiras de você encerrar um ano!
Para 2013 fica mais uma vez o desafio de participar de uma maratona, promessa que fiz para os dois últimos anos e não fui capaz de cumprir. No final de abril tem a Maratona de São Paulo, para a qual já estou treinando. Será que agora vai? Só o tempo vai poder dizer.
Por enquanto deixo aqui a foto da medalha da São Silvestre, talvez uma das mais bonitas de minha coleção.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Map My Run - Dezembro 2012
Em Dezembro registrei quase 115km utilizando o Map My Run. Foi uma ferramenta muito útil a qual utilizei durante o ano. Ao todo realizei 108 treinos, em 107,5 horas percorrendo nada mais nada menos do que 1088,51km. Isso porque tive apendicite e fiquei o mês de Março inteiro e parte de Abril sem correr. Ou seja, se der tudo certo, ano que vem provavelmente superarei esta marca!
Dos treinos realizados este mês, chamo a atenção apenas para aquele realizado no dia 26, logo após o Natal, debaixo de um calor escaldante na Baixada Santista. Fiz o percurso que me propus, fazendo apenas uma pequena pausa para recobrar o fôlego e apreciar a vista no mirante da Ilha Porchat. Era uma preparação para a São Silvestre. Fiz esse treino em 1h43min, praticamente 7min/km, o que considero uma média bem baixa. Mas considerando-se o calor de 38ºC que os termômetros da praia registravam, fiquei mais do que satisfeito.
Esse treino serviu para de fato comprovar o quanto a temperatura influi e muito no nosso ritmo. Se em Buenos Aires consegui fazer 21km em 1h52 e agora fiz menos de 15km em 1h43, essa diferença com certeza deveu-se à temperatura. Em Buenos Aires a largada aconteceu com um friozinho de 7ºC, contra os 38ºC de Santos.
Dia 31, hoje, também participei da São Silvestre, minha quarta e última corrida do ano (até porque não dá mais tempo de participar em nenhuma outra). Mas sobre isso escreverei em um próximo post, em 2013.
Feliz Ano Novo!
Dos treinos realizados este mês, chamo a atenção apenas para aquele realizado no dia 26, logo após o Natal, debaixo de um calor escaldante na Baixada Santista. Fiz o percurso que me propus, fazendo apenas uma pequena pausa para recobrar o fôlego e apreciar a vista no mirante da Ilha Porchat. Era uma preparação para a São Silvestre. Fiz esse treino em 1h43min, praticamente 7min/km, o que considero uma média bem baixa. Mas considerando-se o calor de 38ºC que os termômetros da praia registravam, fiquei mais do que satisfeito.
Esse treino serviu para de fato comprovar o quanto a temperatura influi e muito no nosso ritmo. Se em Buenos Aires consegui fazer 21km em 1h52 e agora fiz menos de 15km em 1h43, essa diferença com certeza deveu-se à temperatura. Em Buenos Aires a largada aconteceu com um friozinho de 7ºC, contra os 38ºC de Santos.
Dia 31, hoje, também participei da São Silvestre, minha quarta e última corrida do ano (até porque não dá mais tempo de participar em nenhuma outra). Mas sobre isso escreverei em um próximo post, em 2013.
Feliz Ano Novo!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Map My Run - Novembro 2012
Já estamos nos aproximando do final do mês de Dezembro, mas só agora consegui escrever esse post sobre as corridas de Novembro. Estive estudando para uma prova que realizei na semana passada e por isso andei sem tempo. Isso poderá ser visto também no post do próximo mês, e por isso não convém tocar nesse assunto agora.
Para o mês de Novembro o destaque vai sem sombra de dúvidas para o treino realizado no dia 17, no qual completei 26km em 2:36:42. Foi o treino mais longo que já realizei até hoje, e o primeiro mais longo que uma meia-maratona (21km). A bem da verdade não senti dificuldades maiores do que aquelas para se correr a meia, mas já deu pra sacar que o grande lance dessas provas de longa distância é mesmo mais mental do que físico.
Mas mesmo com o treino mais longo realizado, ainda o desempenho do mês como um todo ficou abaixo do de Outubro. Isso porque nas duas últimas semanas acabei correndo muito pouco, muito provavelmente por causa do trabalho. No final de semana dos dias 24 e 25 também não realizei nenhum treino devido ao GP Brasil de F1 que acompanhei ao vivo.
Como já mencionei, em Dezembro o ritmo de treinos não está lá dos melhores, mas acho que não terei dificuldades com a Corrida de São Silvestre, última prova minha este ano. Minha única preocupação é com o calor, visto que a largada será às 9hs da manhã. Que venha!
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Map My Run - Outubro 2012
Outubro foi um mês muito produtivo do ponto de vista dos treinos. Não participei de nenhuma prova, mas como é possível ver eu consegui correr pelo menos 2 vezes por semana em todas as semanas. E durante os finais de semana consegui fazer treinos mais longos do que uma hora.
Com isso, o resultado final foi que corri 131.78 km neste mês, meu recorde este ano. É uma marca superior até mesmo do que o mês de Janeiro, no qual eu pretendia começar a intensificar os treinos para a Maratona. De fato, agora em Novembro estou intensificando esses treinos.
E por falar nisso, as inscrições para a Maratona de São Paulo 2013 já estão abertas. Será no dia 28 de abril, mas ainda não me inscrevi. Vou aguardar e ver os resultados dos próximos treinos primeiro.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Map My Run - Setembro 2012
E Setembro foi o mês no qual realizei minha primeira prova internacional, a Meia Maratona de Buenos Aires, conforme comentei no post anterior. A corrida foi realizada no dia 9, conforme mostra a marcação do Map My Run. O resto da semana tirei para descansar e aproveitar a viagem.
Voltando da Argentina ainda aproveitei para fazer alguns treinos em Santos e São Vicente, como por exemplo o do dia 24, no qual fiz um percurso pela orla indo da praia do Gonzaga até a Ponte Pênsil em São Vicente. O percurso é muito bonito e pretendo repeti-lo mais vezes, até mesmo estendendo-o em Santos para além da praia do Gonzaga.
Como resultado da viagem e do período de 10 dias sem treinar corri menos de 100km no mês. Mas agora em Outubro não pretendo tirar longos períodos de descanso. Também nesse mês providenciei a inscrição para minha última corrida este ano: a São Silvestre! Não descarto a possibilidade de correr alguma outra até lá, mas sem dúvida essa será a última do ano =)
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
A tão esperada estréia internacional: Buenos Aires 21k
Não é de hoje que escrevo aqui sobre a minha vontade de um dia correr a Maratona de Nova Iorque. E também já relatei aqui uma experiência que tive ao realizar um treino durante uma viagem. Pois é, antes de me aventurar a correr uma maratona em solo estrangeiro (até porque ainda nem corri uma em solo nacional), achei que seria melhor começar com uma meia, visto que é uma distância com a qual já estou acostumado. E visto também que a Argentina é logo ali, resolvi que seria essa prova mesmo. Até mesmo porque já estava na hora de encarar uma corrida mais longa do que 10k após a apendicite.
A ideia de correr em Buenos Aires surgiu na verdade há 2 anos, quando comprei a edição de Outubro da Revista Contra-Relógio para ver a matéria sobre a Meia Maratona da Praia Grande, da qual eu havia participado no mês anterior. E fiquei sabendo que as duas meia maratonas, Buenos Aires e Praia Grande, eram realizadas no mesmo dia. Mais: a revista fazia uma reportagem especial devido à grande quantidade de brasileiros que resolveram ir correr em Buenos Aires naquele ano.
De fato, a primeira coisa que me chamou a atenção foi que ao realizar a inscrição no site da corrida, você deveria especificar se era argentino, brasileiro, uruguaio, chileno, ou de alguma outra nacionalidade. No dia anterior à prova, na retirada do kit, também fiquei impressionado com a quantidade de brasileiros no local. Na verdade hoje em dia o que você mais encontra em Buenos Aires é turista brasileiro.
Aliás, gostei bastante do kit dessa corrida. Ao contrário das provas brasileiras, o kit continha alguns brindes de patrocinadores, como biscoitos e uma garrafa de Gatorade sabor maçã (que nunca vi aqui no Brasil). Havia também um sachê de Gatorade sabor frutas vermelhas, parecido com os saches de carboidrato em gel. Isso se explica pois a Gatorade era uma das patrocinadoras do evento. A camiseta da corrida era azul com faixas laranjas da Adidas percorrendo as mangas. Aliás, era possível escrever um nome na parte de trás da camiseta. Durante a corrida vi nomes comuns como "Gustavo", "Danilo" e "Martín", apelidos como "El Doc" e dizeres engraçados como "Vamos Franquito!".
O domingo, dia da corrida, amanheceu com céu azul. Mas uma vez que ainda estávamos no inverno, e que a largada estava prevista para 7h30 da manhã, ainda não havia sol quando cheguei ao local da prova. A largada foi realizada em um grande parque na avenida Figueroa Alcorta, bem próximo ao Hipódromo. Enquanto eu me encaminhava para a região da corrida, passei na frente do Hipódromo e pude ver alguns jóqueis treinando (sim, às 7 horas da manhã de domingo). Tão logo me posicionei para a largada, fui interpelado por duas senhoras de Santos. Elas me perguntaram se eu também era de lá devido à camiseta da Tribuna que usei para correr no dia. Expliquei que não mas que sempre corria na Tribuna e desejamos boa prova uns aos outros.
Fazia um friozinho gostoso no dia, daqueles que eu sabia que ia passar quando começasse a correr. E mesmo antes da largada, no meio daquele calor humano de 15 mil participantes, eu já não sentia mais frio. A largada foi extremamente tranquila, principalmente se você considerar o número exorbitante de participantes. Isso aconteceu porque ao contrário de outras provas com tanta gente assim, como Tribuna, Pampulha e São Silvestre, a avenida na qual a largada foi realizada era muito larga. E essa é uma característica da cidade de uma forma geral. As avenidas de Buenos Aires são tão largas que fiquei o tempo todo com a sensação de estar correndo próximo à muita gente, mas sem nenhum problema em dividir o espaço com os demais participantes.
No começo da corrida fiquei um pouco perdido com a sinalização de quilometragem. Cheguei a perder algumas placas marcando os quilômetros e comecei a duvidar que de fato todos eles estivessem sinalizados. Isso aconteceu na verdade pois as placas que foram utilizadas eram pequenas, as pistas eram largas e o volume de gente no começo era um pouco maior do que no resto da prova. Seja como for, eu fiquei um pouco perdido com relação ao meu ritmo. Por um lado achei que estava indo mais forte do que o normal, mas por outro o clima frio estava tão bom para correr que eu sentia que poderia aguentar aquele pace até o fim.
Segui pela Avenida del Libertador, passando em frente a alguns pontos turísticos da cidade, como o Museu de Belas Artes, a Biblioteca Nacional (não foi exatamente em frente, mas pude vê-la) e a Flor metálica da cidade. Na altura do km 5, pouco antes de virar na Av. 9 de Julio, uma banda fazendo cover dos Beatles se apresentava. Já naquele momento percebi que era uma ação da organização da prova de promover música em alguns pontos da prova, da mesma maneira que acontece na Tribuna em Santos.
Na verdade a corrida seguiu pela Av. Carlos Pellegrini, uma espécie de "marginal" da Av. 9 de Julio. Após uma ligeira subida (na qual peguei minha primeira garrafinha de água e tomei meu primeiro carboidrato em gel), veio uma ligeira descida na qual pude presenciar o espetáculo de cores proporcionado pela multidão à minha frente correndo. Algo semelhante ao que vi quando desci a Av. da Consolação durante a São Silvestre.
Em um certo ponto dessa avenida pude ver os líderes da prova que seguiam pela 9 de Julio. A seguir saí da Carlos Pellegrini e entrei na Av. Diagonal Norte até a Av. Corrientes, pela qual corri apenas uma quadra e a seguir entrei na Calle Florida, uma tradicional rua de pedestres do centro da cidade na qual se concentram diversas lojas. Nessa rua havia o primeiro posto de distribuição de Gatorade (em copos de isopor) da prova, mas acabei não pegando nessa oportunidade.
Logo após a Calle Florida fiz um contorno pelo centro e cheguei à Plaza de Mayo, onde se encontra a Casa Rosada, sede do governo federal argentino. Lá existem muitas bandeiras da Argentina, e pude ouvir alguns brasileiros espíritos de porco gritando impropérios contra nosso país vizinho. O que mais me surpreendeu no entanto foi ouvir alguns argentinos gritando impropérios contra a igreja católica ao passar em frente à Catedral (que também se encontra nessa praça). Um outro argentino proporcionou um momento um tanto engraçado ao dizer que os insultos à igreja eram innecesario totalmente.
Depois disso entrei de fato na Av. 9 de Julio e completei a marca de 10km muito próximo ao Obelisco, outro cartão-postal de Buenos Aires. Um casal se apresentava dançando tango por ali, dando um toque de charme especial àquele momento e arrancando aplausos dos corredores. Ali também havia distribuição de água e frutas, como bananas e laranjas cortadas. Aproveitei para pegar uma banana e fui ver meu tempo no relógio: completei 10km com pouco mais de 54 minutos. Lembrei-me de que no ano anterior, durante a Meia Maratona da Asics, eu havia superado a marca de 10km com 55 minutos e naquele instante eu imaginei que conseguiria completar a prova com menos de 2 horas. De fato, terminei a prova da Asics com 1h58min, minha melhor marca nessa distância. E no entanto eu havia superado essa parcial e me sentia bem o suficiente para achar que poderia até mesmo manter o mesmo ritmo até o final da prova.
A verdade é que a segunda metade da corrida não teve o mesmo brilho da primeira. Todo o charme do centro de Buenos Aires foi deixado para trás, e a prova seguiu por uma autoestrada. Cheguei até a passar por um pedágio (!?!) que estava obviamente com as cancelas levantadas para que os corredores pudessem passar. Pouco após o pedágio entramos na região do porto, com ruas esburacadas e com paralelepípedos. Alguns moradores de rua também pareciam incomodados com a multidão correndo naquele horário (possivelmente foram acordados pela corrida) e gritavam também insultos para os corredores. Ali pelo porto também havia distribuição de Gatorade (peguei um do sabor laranja) e frutas (novamente, banana). Passei pelo km 15 (no qual consumi meu segundo gel) com pouco mais de 1h22min, muito melhor que a marca da São Silvestre de 1h34min. E continuava me sentindo muito bem.
Uma vez que o percurso pelo porto não era dos mais inspiradores, comecei a me preocupar com o tempo de prova. Queria continuar mantendo o ritmo para fazer minha melhor marca nessa distância. E de fato fui seguindo, completando o km 18 com 1h37min, abaixo da marca de 1h40min da Pampulha. Na altura do km 17 peguei Gatorade sabor limão na última barraquinha de distribuição. No km 20 um grupo se apresentava com uma dança típica da argentina da qual eu desconheço. Pelas roupas e pelos guarda-chuvas coloridos me fez lembrar um pouco o frevo, embora o ritmo não tivesse absolutamente nada em comum. De qualquer modo, eu já havia entrado no parque de onde havia largado e era um sinal de que a chegada estava próxima. Ainda acelerei no final e cruzei a linha de chegada com 1h52min41seg de acordo com o meu relógio. No site oficial da prova só foi computado meu tempo bruto (cerca de 40 segundos acima do que marquei), de modo que não sei exatamente qual foi meu tempo líquido. Fica valendo para mim, portanto, aquele que medi com meu relógio e que provavelmente está com alguns segundos a mais.
Foi uma corridaça! Não só pelo tempo que obtive e que achei espetacular para as minhas pretensões. Mas também pela organização, pela distribuição de Gatorade e frutas, pelo clima, pela beleza da cidade. Sem sombra de dúvidas a estreia internacional foi simplesmente irretocável! Depois da corrida ainda pude aproveitar para tirar uma semaninha de férias e conhecer melhor a capital argentina. Afinal, ninguém é de ferro.
Segue a foto da medalha. A bem da verdade não gostei muito dela a princípio. Esperava algo melhor para essa prova. Mas acho que minha estranheza era apenas porque essa medalha é menor do que aquelas distribuídas nas corridas do Brasil. Mas analisando melhor, não deve ser nada fácil fazer uma medalha nesse formato, representando o Obelisco e o sol que aparece na bandeira da Argentina. Seja como for, gostei bastante da experiência de viajar e correr. Que esta seja a primeira de muitas corridas internacionais.
A ideia de correr em Buenos Aires surgiu na verdade há 2 anos, quando comprei a edição de Outubro da Revista Contra-Relógio para ver a matéria sobre a Meia Maratona da Praia Grande, da qual eu havia participado no mês anterior. E fiquei sabendo que as duas meia maratonas, Buenos Aires e Praia Grande, eram realizadas no mesmo dia. Mais: a revista fazia uma reportagem especial devido à grande quantidade de brasileiros que resolveram ir correr em Buenos Aires naquele ano.
De fato, a primeira coisa que me chamou a atenção foi que ao realizar a inscrição no site da corrida, você deveria especificar se era argentino, brasileiro, uruguaio, chileno, ou de alguma outra nacionalidade. No dia anterior à prova, na retirada do kit, também fiquei impressionado com a quantidade de brasileiros no local. Na verdade hoje em dia o que você mais encontra em Buenos Aires é turista brasileiro.
Aliás, gostei bastante do kit dessa corrida. Ao contrário das provas brasileiras, o kit continha alguns brindes de patrocinadores, como biscoitos e uma garrafa de Gatorade sabor maçã (que nunca vi aqui no Brasil). Havia também um sachê de Gatorade sabor frutas vermelhas, parecido com os saches de carboidrato em gel. Isso se explica pois a Gatorade era uma das patrocinadoras do evento. A camiseta da corrida era azul com faixas laranjas da Adidas percorrendo as mangas. Aliás, era possível escrever um nome na parte de trás da camiseta. Durante a corrida vi nomes comuns como "Gustavo", "Danilo" e "Martín", apelidos como "El Doc" e dizeres engraçados como "Vamos Franquito!".
O domingo, dia da corrida, amanheceu com céu azul. Mas uma vez que ainda estávamos no inverno, e que a largada estava prevista para 7h30 da manhã, ainda não havia sol quando cheguei ao local da prova. A largada foi realizada em um grande parque na avenida Figueroa Alcorta, bem próximo ao Hipódromo. Enquanto eu me encaminhava para a região da corrida, passei na frente do Hipódromo e pude ver alguns jóqueis treinando (sim, às 7 horas da manhã de domingo). Tão logo me posicionei para a largada, fui interpelado por duas senhoras de Santos. Elas me perguntaram se eu também era de lá devido à camiseta da Tribuna que usei para correr no dia. Expliquei que não mas que sempre corria na Tribuna e desejamos boa prova uns aos outros.
Fazia um friozinho gostoso no dia, daqueles que eu sabia que ia passar quando começasse a correr. E mesmo antes da largada, no meio daquele calor humano de 15 mil participantes, eu já não sentia mais frio. A largada foi extremamente tranquila, principalmente se você considerar o número exorbitante de participantes. Isso aconteceu porque ao contrário de outras provas com tanta gente assim, como Tribuna, Pampulha e São Silvestre, a avenida na qual a largada foi realizada era muito larga. E essa é uma característica da cidade de uma forma geral. As avenidas de Buenos Aires são tão largas que fiquei o tempo todo com a sensação de estar correndo próximo à muita gente, mas sem nenhum problema em dividir o espaço com os demais participantes.
No começo da corrida fiquei um pouco perdido com a sinalização de quilometragem. Cheguei a perder algumas placas marcando os quilômetros e comecei a duvidar que de fato todos eles estivessem sinalizados. Isso aconteceu na verdade pois as placas que foram utilizadas eram pequenas, as pistas eram largas e o volume de gente no começo era um pouco maior do que no resto da prova. Seja como for, eu fiquei um pouco perdido com relação ao meu ritmo. Por um lado achei que estava indo mais forte do que o normal, mas por outro o clima frio estava tão bom para correr que eu sentia que poderia aguentar aquele pace até o fim.
Segui pela Avenida del Libertador, passando em frente a alguns pontos turísticos da cidade, como o Museu de Belas Artes, a Biblioteca Nacional (não foi exatamente em frente, mas pude vê-la) e a Flor metálica da cidade. Na altura do km 5, pouco antes de virar na Av. 9 de Julio, uma banda fazendo cover dos Beatles se apresentava. Já naquele momento percebi que era uma ação da organização da prova de promover música em alguns pontos da prova, da mesma maneira que acontece na Tribuna em Santos.
Na verdade a corrida seguiu pela Av. Carlos Pellegrini, uma espécie de "marginal" da Av. 9 de Julio. Após uma ligeira subida (na qual peguei minha primeira garrafinha de água e tomei meu primeiro carboidrato em gel), veio uma ligeira descida na qual pude presenciar o espetáculo de cores proporcionado pela multidão à minha frente correndo. Algo semelhante ao que vi quando desci a Av. da Consolação durante a São Silvestre.
Logo após a Calle Florida fiz um contorno pelo centro e cheguei à Plaza de Mayo, onde se encontra a Casa Rosada, sede do governo federal argentino. Lá existem muitas bandeiras da Argentina, e pude ouvir alguns brasileiros espíritos de porco gritando impropérios contra nosso país vizinho. O que mais me surpreendeu no entanto foi ouvir alguns argentinos gritando impropérios contra a igreja católica ao passar em frente à Catedral (que também se encontra nessa praça). Um outro argentino proporcionou um momento um tanto engraçado ao dizer que os insultos à igreja eram innecesario totalmente.
Depois disso entrei de fato na Av. 9 de Julio e completei a marca de 10km muito próximo ao Obelisco, outro cartão-postal de Buenos Aires. Um casal se apresentava dançando tango por ali, dando um toque de charme especial àquele momento e arrancando aplausos dos corredores. Ali também havia distribuição de água e frutas, como bananas e laranjas cortadas. Aproveitei para pegar uma banana e fui ver meu tempo no relógio: completei 10km com pouco mais de 54 minutos. Lembrei-me de que no ano anterior, durante a Meia Maratona da Asics, eu havia superado a marca de 10km com 55 minutos e naquele instante eu imaginei que conseguiria completar a prova com menos de 2 horas. De fato, terminei a prova da Asics com 1h58min, minha melhor marca nessa distância. E no entanto eu havia superado essa parcial e me sentia bem o suficiente para achar que poderia até mesmo manter o mesmo ritmo até o final da prova.
A verdade é que a segunda metade da corrida não teve o mesmo brilho da primeira. Todo o charme do centro de Buenos Aires foi deixado para trás, e a prova seguiu por uma autoestrada. Cheguei até a passar por um pedágio (!?!) que estava obviamente com as cancelas levantadas para que os corredores pudessem passar. Pouco após o pedágio entramos na região do porto, com ruas esburacadas e com paralelepípedos. Alguns moradores de rua também pareciam incomodados com a multidão correndo naquele horário (possivelmente foram acordados pela corrida) e gritavam também insultos para os corredores. Ali pelo porto também havia distribuição de Gatorade (peguei um do sabor laranja) e frutas (novamente, banana). Passei pelo km 15 (no qual consumi meu segundo gel) com pouco mais de 1h22min, muito melhor que a marca da São Silvestre de 1h34min. E continuava me sentindo muito bem.
Uma vez que o percurso pelo porto não era dos mais inspiradores, comecei a me preocupar com o tempo de prova. Queria continuar mantendo o ritmo para fazer minha melhor marca nessa distância. E de fato fui seguindo, completando o km 18 com 1h37min, abaixo da marca de 1h40min da Pampulha. Na altura do km 17 peguei Gatorade sabor limão na última barraquinha de distribuição. No km 20 um grupo se apresentava com uma dança típica da argentina da qual eu desconheço. Pelas roupas e pelos guarda-chuvas coloridos me fez lembrar um pouco o frevo, embora o ritmo não tivesse absolutamente nada em comum. De qualquer modo, eu já havia entrado no parque de onde havia largado e era um sinal de que a chegada estava próxima. Ainda acelerei no final e cruzei a linha de chegada com 1h52min41seg de acordo com o meu relógio. No site oficial da prova só foi computado meu tempo bruto (cerca de 40 segundos acima do que marquei), de modo que não sei exatamente qual foi meu tempo líquido. Fica valendo para mim, portanto, aquele que medi com meu relógio e que provavelmente está com alguns segundos a mais.
Foi uma corridaça! Não só pelo tempo que obtive e que achei espetacular para as minhas pretensões. Mas também pela organização, pela distribuição de Gatorade e frutas, pelo clima, pela beleza da cidade. Sem sombra de dúvidas a estreia internacional foi simplesmente irretocável! Depois da corrida ainda pude aproveitar para tirar uma semaninha de férias e conhecer melhor a capital argentina. Afinal, ninguém é de ferro.
Segue a foto da medalha. A bem da verdade não gostei muito dela a princípio. Esperava algo melhor para essa prova. Mas acho que minha estranheza era apenas porque essa medalha é menor do que aquelas distribuídas nas corridas do Brasil. Mas analisando melhor, não deve ser nada fácil fazer uma medalha nesse formato, representando o Obelisco e o sol que aparece na bandeira da Argentina. Seja como for, gostei bastante da experiência de viajar e correr. Que esta seja a primeira de muitas corridas internacionais.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Map My Run - Agosto 2012
Finalmente consegui ultrapassar a marca de 100km corridos no mês. Conseguindo manter a discplina de pelo menos 2 treinos semanais e com alguns longões que visavam à preparação para a Meia Maratona, a meta foi superada (e muito). A quilometragem poderia até ter sido maior, mas no último treino do mês decidi fazer um treino de velocidade no qual consegui manter uma média de 12km/h por pouco mais de 5km.
O treino do dia 26 foi interessante. Eu estava em Santos e havia ido a um casamento na véspera. Estava um pouco cansado e por isso decidi que faria um treino relativamente curto. Para minha surpresa, uma corrida de rua havia sido disputada na orla da praia nesse dia. Trata-se de uma corrida organizada pelo SBT para rivalizar com a corrida da Tribuna. São apenas 7km, mas cobrindo toda a extensão da orla da praia. Quando comecei meu treino a corrida já estava encerrada (pude ver muita gente voltando pra casa exibindo a medalha no peito) mas a avenida da praia permaneceu interditada, de modo que pude correr nela. Muito interessante também tomar conhecimento de mais uma prova de rua em Santos. Com certeza uma opção a mais para os próximos anos.
Apesar do bom ritmo de treinos, ainda estou um pouco receoso com relação à Meia Maratona (que será realizada no próximo domingo). Fiz apenas dois longões e cansei bastante no trecho final de ambos. Considero que estou melhor preparado agora do que quando corri na Praia Grande há 2 anos atrás, mas certamente estou pior do que quando corri na Asics no ano passado, quando estabeleci minha melhor marca pessoal nessa distância. Seja como for, domingo agora vem a corrida. Mal posso esperar...
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