domingo, 16 de dezembro de 2018

10 anos correndo: 10km da Tribuna 2018

Pense em como era sua vida há 10 anos atrás. Tente se lembrar onde você estava morando. O que fazia da vida. Quais eram as pessoas com quem convivia. Pois é, muitas coisas mudam em 10 anos. Outras continuam iguais. No meu caso, em 10 anos eu me formei, comecei a trabalhar, mudei de cidade, mudei de casa, e finalmente, casei. Foram muitas as mudanças que aconteceram comigo nessa última década. Mas tem uma coisa que comecei a fazer há 10 anos atrás e que posso afirmar que mudou minha vida de verdade, que é a corrida de rua. Algo que começou despretensiosamente, mas eu logo "fui picado pelo bichinho da corrida", tomei gosto pelo esporte e enfim se transformou no meu hobby.

E quando digo hobby, quero dizer quase como uma segunda profissão. Algo que faço religiosamente toda semana, sem que ninguém me obrigue a fazê-lo. Corro pelo puro prazer da corrida. Comecei com a prova mais tradicional do pedestrianismo santista, os 10 Km da Tribuna, evento que pára a cidade inteira. Daí pra frente fui aumentando as distâncias: São Silvestre (15k), Pampulha (18k), Meia Maratona (21k) até finalmente atingir a tão sonhada Maratona de 42k.

A partir de então comecei a traçar algumas metas, como por exemplo correr a 100a. edição da Corrida de São Silvestre, que acontecerá somente em 2024. Uma outra meta, ou na verdade um compromisso, que coloquei para mim mesmo era o de correr novamente a prova da Tribuna no ano de 2018, pois seria a comemoração "oficial" do meu décimo aniversário como corredor. E lá fui eu.

A corrida de 2008 era uma grande novidade. Senti aquela ansiedade imensa na véspera da corrida e também nos momentos que antecediam da largada. Pequei pela falta de experiência e forcei muito no começo, mas consegui concluir no tempo que havia estabelecido como meta. Sem sombra de dúvidas cruzar a linha de chegada naquela ocasião foi uma emoção que, por mais que tente transcrever em palavras, é simplesmente indescritível.

Passados 10 anos, lá estava eu alinhando pela sétima vez para participar da prova da Tribuna. Algumas coisas mudaram desde então. O chip por exemplo, que antes era uma placa rígida de plástico que devia ser amarrado no cadarço e depois devolvido à organização, passou a ser uma placa mais flexível de plástico que não precisava ser devolvido à organização, até ter chegado ao ponto que encontrei na prova desse ano, que estava acoplado no número do peito. Detalhe: chip no número do peito foi a primeira vez que vi em uma prova.

O percurso continua basicamente o mesmo. Houve uma pequena alteração em 2012 logo no começo da prova, nas ruas que ligavam a saída do túnel à Av. Ana Costa. Nessa mesma avenida, o novo percurso passou a correr na mão contrária, de forma a liberar acesso a um hospital. Mas fora isso, é exatamente igual ao que já estou acostumado, bem plano e com longas retas, o que o torna um dos percursos mais rápidos da categoria.

Por outro lado, achei que a quantidade de bandas e grupos musicais se apresentando esse ano foi menor do que em outros anos. Talvez o número de participantes também tenha caído um pouco. Nas edições anteriores, a revistinha que acompanha o kit sempre mostrava o número de participantes, em número crescente ano após ano, tendo chegado até a 20 mil. Nesse ano não vi a informação em nenhum lugar. De todo modo, a minha percepção subjetiva é que essa continua sendo uma prova com muitos milhares de participantes. E mais do que isso: o apelo popular continua enorme, com muita gente nas ruas acompanhando e incentivando os corredores, um grande estímulo principalmente aos mais novatos. E é justamente esse o principal motivo que torna essa corrida tão especial.

Eu não tinha uma meta específica de tempo para esse ano, pois não fiz nenhum treinamento específico para a corrida. Terminei com 51m39s. Não foi o meu melhor tempo, mas ainda assim foi muito melhor do que o que eu estava esperando. Claro que 10 anos depois, após ter participado de inúmeras outras corridas, a emoção de cruzar a linha de chegada é diferente. Mas mesmo assim, correr continua sendo minha atividade física preferida, aquela que mais me dá prazer em realizar.

Ao longo desses 10 anos, foram 33 provas disputadas. Dessas, 2 foram maratonas e 7 foram meia-maratonas. As demais ficaram distribuídas em distâncias menores, embora a grande maioria fosse mesmo de 10k. Com esse número, acho que é uma boa meta tentar chegar em 100 medalhas, nem que eu leve mais 20 anos para conseguir fazer isso. E depois de atingir a meta, que tal dobrar a meta e chegar a 200 medalhas?

Por falar em medalhas, termino esse post da mesma forma que sempre fiz nesse blog, com a medalha da corrida. No caso, com a foto da 34a. medalha da minha coleção.


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Brasil, acima de tudo: EcoHalf Marathon DCTA

Já são 9 anos morando em São José dos Campos. Foi bem pouco tempo depois de ter começado a correr. A maior parte da minha vida de corredor foi aqui. A grande maioria dos meus treinos foi feita aqui. E convivendo com muita gente que também adora corridas, que também vive participando de provas. Mas uma coisa que sempre me deixou intrigado foi porque ninguém havia organizado uma Meia Maratona aqui na cidade. Conhecendo tanta gente que já se aventurou pelas longas distâncias de 21k e 42k, tinha certeza de que público interessado não ia faltar para uma corrida dessas.

Pois bem, em 2017 finalmente alguém enxergou essa possibilidade e lançou uma corrida de rua de 21k aqui na cidade. O local escolhido foi o CTA. Achei apropriado, pois já é uma área com fluxo de pessoas controlado, então não chega a atrapalhar o trânsito da cidade. E é uma área grande o suficiente para a realização de uma prova com distância tão longa.


Logo na chegada ao CTA já deu pra perceber como os funcionários, em grande parte militares, estavam prestativos e atenciosos no recebimento do público. Preocupados claro com o controle de acesso ao local, e ao mesmo tempo orientando para chegar ao local da largada.

O dia amanheceu nublado, com garoa fina por vezes. E fazia frio. Mesmo sendo em Outubro, um mês em que o calor já começa a judiar, fazia frio no dia. O que eu particularmente achei muito bom. Não havia treinado para fazer o meu melhor tempo nos 21k. A ideia era mesmo só me divertir um pouco e prestigiar a primeira prova dessa distância na cidade. Mas claro que um tempo frio em dia de prova é sempre bem-vindo.


A prova começou em um piso de asfalto, em uma das várias ruas que tem dentro do CTA. Mas logo passamos para pista de terra, grama, pedras e por vezes cimento (como passagens de pedestres). Essa variabilidade no tipo de terreno, aliado também a uma altimetria um tanto quanto maluca (muitos sobes e desces) ajudaram a tornar a corrida bastante interessante. Digo isso porque quebrou um pouco a monotonia de sempre correr no mesmo terreno. Por exemplo, a Meia Maratona da Praia Grande, da qual participei em 2010, era composta por basicamente duas retas de 10km cada, o que tornava a corrida por vezes chata.

Outro ponto legal, pelo menos para mim, que já conheço o CTA, foi passar em frente a tantos lugares familiares. Como, por exemplo, contornar a cerca da pista do aeroporto, passar ao lado da aeronave Tucano que fica logo na entrada (e que é possível avistar da Via Dutra), descer até o MAB (Museu Aeroespacial Brasileiro) e ver de perto os aviões que estão lá expostos, contornar o belo prédio da Biblioteca do ITA (obra de Oscar Niemeyer), sem falar na simpática Vila dos Oficiais e nos prédios dos diversos órgãos oficiais que compõem CTA: o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), IFI (Instituto de Fomento e Coordençaõa Industrial), DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), dentre outros que não lembro agora.


Apesar do frio, acabei sofrendo um pouco nessa prova devido à escassez de água. Foram apenas 4 postos de hidratação ao longo dos 21km de prova. Não houve distribuição de isotônicos, gel, esponjas ou qualquer outra coisa que ajude na hidratação ou na sensação do calor, como ocorre em tantas outras meias. Fica como sugestão para as próximas edições.


A verdade é que essa foi a meia mais difícil que corri. Cruzei a linha de chegada com 2h15min, de longe o meu pior tempo nessa distância. Muito provavelmente porque eu não tenha treinado adequadamente, reconheço. Talvez pela falta de hidratação, pois contava com isso durante a prova. Talvez pelo percurso em si, que cheio de subidas e descidas e mudanças no tipo de terreno fatalmente aumentavam a dificuldade. Seja como for, a experiência de correr no CTA foi sem dúvida muito boa.

Finalizo com a foto da medalha, como sempre.




domingo, 17 de dezembro de 2017

Corrida do Centro Histórico de São Paulo

Achei muito legal a ideia de uma corrida pelo Centro Histórico de São Paulo. Muitos acham que a cidade de São Paulo se resume apenas a ser o centro financeiro do país, sem grandes atrativos turísticos. Mas a bem da verdade, há muito o que se descobrir no centro da cidade. Passeios que muitos paulistanos provavelmente nunca fizeram. Não me julgo um profundo conhecedor da região, mas justamente o pouco que conheço foi o suficiente para me deixar com muita vontade de encarar uma corrida como essa.

A corrida é organizada pelo portal Ativo, que também é parceiro da revista de corrida O2. Eles organizam várias provas em São Paulo, como o Circuito das Estações Adidas, a Meia de Sampa (das quais nunca participei) e as Night Runs, que participei uma vez no Anhembi. Um grupo que costuma organizar bem os eventos.

Retirei o kit na loja da Decathlon no Shopping Center Norte. Um apelo como sempre para a loja realizar a retirada do kit pois estimula o consumo naquele dia. Fazia muito frio e chovia aquela garoa fina do inverno paulistano (a prova foi no começo de agosto). No dia seguinte, não foi diferente.  Fazia realmente muito frio, mas eu sabia que correr de casaco não ia dar muito certo pois eu iria sentir muito calor com a corrida. Decidi então ir com duas camisetas: uma de manga comprida por baixo e outra de manga curta por cima. Assim ajudou também a cortar um pouco o vento. E por mais que a largada fosse às 07:00 da manhã e o frio Sol de inverno ainda nem tivesse aparecido direito, fui com um boné pra proteger a cabeça do vento gelado.

Peguei um Uber para chegar no local da largada, mas foi um belo problema. Além do rapaz não conhecer muito bem o centro, várias ruas estavam interditadas por causa da corrida de tal forma que não dava para chegar muito perto do local da largada. Acabei descendo e indo a pé por um bom trecho. Pelo menos serviu de aquecimento. Ao chegar no local da largada, percebi a bobagem que eu havia feito. A área de concentração era bem na praça do Vale do Anhangabaú, com uma estação de metro bem no meio. Pelo menos usei essa informação para a volta.

Justamente pelo fato de a largada ser em um vale, o início da prova foi claramente em uma subida. E de uma forma geral, achei a prova bem interessante nesse aspecto. Dado o relevo do local da corrida, o percurso foi repleto de subidas e descidas. Muitas vezes de pouca declividade, mas fato é que em poucos momentos me senti correndo no plano. Também não haviam retas muito longas, pelo contrário. Muitas, mas muitas curvas. Isso foi muito interessante do ponto de vista de ter boa variação no percurso, mas por outro lado pode comprometer um pouco a velocidade. Outro ponto negativo foi o fato de todas as ruas serem muito estreitas, o que também dificultava um pouco as coisas, principalmente nos primeiros quilômetros.


Logo após a subida inicial, tomamos a rua Líbero Badaró e fomos em direção à praça Ramos de Azevedo, onde fica o Teatro Municipal. Mas só o avistamos brevemente, logo tomamos outras ruas, nas quais foi possível dispersar um pouco. Logo passamos pela faculdade de Direito do Largo do São Francisco, na frente da qual tinha o primeiro posto de hidratação, por volta do km 2,5. Pouco depois disso, eu estava um pouco perdido até que uma hora reconheci os fundos da Catedral da Sé. Passamos ao lado da igreja e da praça. Para quem não sabe, a praça da Sé é o marco zero da cidade. Todas as distâncias medidas até São Paulo remetem a este ponto de referência.  Ou seja, mesmo uma metrópole do tamanho de São Paulo ainda mantém essa característica tão comum das cidades brasileiras de ter uma igreja e uma praça como marcações principais do centro da cidade.

Seja como for, após a Catedral da Sé passamos ao lado do Mosteiro São Bento, outro ponto turístico do centro da cidade que também está relacionado à igreja. Na sequência, passamos pela Santa Ifigênia, famosa por ser um "point" de comercialização de produtos eletrônicos. No Viaduto havia o segundo posto de hidratação da corrida, perto da marca de 5km.

Seguimos então pela Avenida Ipiranga, passamos pelo famoso cruzamento com a Av. São João e pela praça da República. Ao final desta avenida passamos por alguns dos prédios mais famosos de São Paulo: o Copan (obra de Oscar Niemeyer) e o Edifício Itália, o mais alto da cidade. São passeios muito interessante e bastante recomendados. A vista de cima desses prédios é no mínimo interessante.

A próxima avenida foi a São Luís, e logo começamos a tomar o caminho de volta rumo ao ponto de partida, onde seria também a nossa chegada. Chegamos de frente ao Teatro Municipal. No contorno havia o terceiro e último posto de hidratação, na marca de 7.5km. Na sequeência passamos pelo Largo do Payssandú. Infelizmente devo destacar também que nessa altura da prova encontramos aspectos negativos do centro da cidade, como por exemplo bêbados saindo de casas noturnas e tentando mexer com alguns corredores. Por mais que eu não tenha presenciado nenhuma cena condenável, é sempre uma experiência desagradável.

O ritmo de prova como um todo foi sempre muito bom durante todo o percurso. Não me preocupei muito com o tempo, só queria fazer abaixo de 1 hora. O que ficou claro que eu conseguiria desde os primeiros quilômetros. Mesmo assim, tentei o tempo todo manter um ritmo forte. Corri quase o tempo todo abaixo de 5m30s por quilômetro, o que me projetaria para abaixo de 55 minutos de prova. Mas, para minha surpresa, cruzei a linha de chegada com 50m37s. Achei estranho e quando fui ver, minha marcação estava em apenas 9.57km. Percebi que outros corredores comentavam exatamente a mesma coisa na zona de dispersão. Todos registraram distâncias entre 9.5km  e 9.6km. Acho que os organizadores provavelmente queriam fazer uma prova de 10k, mas talvez não tenham conseguido liberação para utilizar mais ruas de modo a conseguir completar essa distância, por isso fizeram com uma distância quebrada. Tanto é que nem venderam como uma prova de 10k, mas sim como uma de 9k.

De todo modo, concluo apenas que esta corrida foi uma grata surpresa. Legal correr em um dia frio, em uma prova bem organizada, com um percurso bastante variado e ainda por cima passeando por lugares bonitos. Uma prova que sem sombra de dúvidas vale a pena ser encarada.

Para encerrar, como sempre, a foto da medalha.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

De volta ao batente: Oscar Running

O ano de 2016 foi marcado por muitas viagens a trabalho, de forma que eu mal consegui me organizar para participar de corridas de rua. Teve ainda o Revezamento da Tocha, as férias que decidi tirar para assistir aos Jogos Olímpicos (e que coincidiram com algumas corridas que eu gostaria de participar), dentre outros fatores. Talvez eu ainda escreve sobre a tocha e sobre a Maratona Olímpica, evento que assisti "in-loco", algum dia. Mas eu não poderia deixar o ano passar em branco. Então, no mês de Setembro, acabei decidindo me inscrever na corrida realizada pela Oscar em São José dos Campos. Trata-se na verdade de uma das corridas mais tradicionais do Vale do Paraíba e da qual eu nunca tinha participado.

A maior loja da Oscar em São José dos Campos fica no Vale Sul Shopping, na Zona Sul da cidade. Por esse motivo, a corrida ocorre justamente nessa região da cidade. A retirada dos kits, como não poderia deixar de ser, aconteceu exatamente na loja da Oscar deste shopping. Também conforme esperado, no kit vinha também um cupom de desconto para usar na loja naquele dia. Uma forma de incentivar que os corredores conheçam e consumam mais daquela loja.



Por ser uma prova realizada no começo de Setembro, não era esperado nem muito calor e nem muito frio para o dia da corrida. E de fato foi isso o que aconteceu: uma manhã com poucas nuvens e um Sol que não chegava a ser escaldante. Pelo contrário, tornava o dia bem agradável. Muito propício para começar a correr.

A concentração para a prova ocorreu dentro do estacionamento do shopping, e a largada deu-se na Avenida Cidade Jardim. Apesar de ser uma das maiores provas da região, achei a aglomeração e a muvuca um tanto normais para as provas que estou acostumado a correr. Mas não era de se espantar, ao todo eram apenas 1.500 corredores inscritos. O calendário de corridas do Vale pode até ser bastante recheado de provas, mas a verdade é que nenhuma delas se destaca muito em número expressivo de participantes como por exemplo a prova da Tribuna em Santos.

Eu não tinha nenhuma meta muito estabelecida de tempo. Sabia que por conta de tantos afazeres não havia treinado muito e estava longe do auge da forma, de tal modo que buscar baixar o recorde pessoal de 50min15seg nos 10km estabelecido na prova da Tribuan em Santos em 2015 era algo absolutamente fora de cogitação. Mas ao mesmo tempo sabia que se fizesse um tempo acima de 1 hora seria muito frustrante pois em treinos normais estou acostumado com um ritmo melhor do que esse.

Por isso mesmo corri despreocupado, tentando aproveitar na verdade o percurso. Não que ele fosse lá muito inspirador: era basicamente ir e volta toda a Av. Cidade Jardim, com uma pequena quebra na Av. Cassiopeia para um "vai-e-volta" de algumas quadras. A propósito, na volta da Cassiopéia já ocorria a divisão entre quem ia correr 5k e quem seguiria em frente rumo aos 10k. No meu caso, da distância mais longa, continuei pela Cidade Jardim no mesmo sentido que estava vindo. Apesar de o percurso passar basicamente por ruas residenciais, sem grandes construções, cartões-postais ou outros atrativos, as ruas bastante arborizadas junto com o belo dia de Sol e a brisa fresca tornaram a corrida bastante agradável. Talvez o que mais chamasse a atenção fosse a sede do Sesi, localizado numa praça na qual fizemos o retorno na Av. Cidade Jardim.

Consegui desenvolver um ritmo bom desde o começo da prova, algo em torno de 5:00min/km. Mas fui cansando ao longo da prova, especialmente na volta que peguei umas subidinhas. No retorno um ex-professor de engenharia que também é corredor acabou me ultrapassando e não pôde deixar de soltar uma piadinha nerd: "vamos lá que está fácil, isso aqui é só cinemática, nada de dinâmica." Mesmo assim, cruzei a linha de chegada com um tempo de 54min28seg, muito bom para minhas expectativas. Tudo bem que a distância aparentemente foi menor do 10k, pelo menos foi o que registrei.

Essa foi a minha única corrida oficial de 2016. Foi o que consegui fazer. Claro que treinei bastante ao longo do ano, até mesmo por uma questão de saúde. Mas acordar cedo, sentir o clima de uma prova, buscar dar o melhor de si em cada passo, cada gota de suor, isso é realmente muito legal. E por mais que tenha sido uma única ao longo do ano, com certeza valeu a pena.

Para finalizar, segue a foto da medalha. Trata-se de um pedaço de uma mandala na verdade. Algumas corridas tem utilizado esse artifício para incentivar as pessoas a participarem de mais provas. A medalha é como se fosse uma parte de um quebra-cabeças, que você precisa juntar com as medalhas de outras corridas para formar a figura completa. As demais provas desse circuito seriam em Taubaté, Guaratinguetá, Mogi e Jacareí. Mas honestamente acabei não animando de participar das demais. Quem sabe algum dia.

Em breve retorno para contar das corridas de 2017...


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Correr com os amigos é sempre bom: Ayrton Senna Racing Day 2015

2016 foi um ano tão corrido que ao chegar ao final do ano percebi que ainda estava devendo uma postagem referente a uma corrida que participei em 2015. Comecei a escrever esse post, acabei deixando de lado, e só agora já quase no final de 2017 que eu finalizo-o. Mas trata-se da 12a. edição da Ayrton Senna Racing Day, corrida de revezamento que ocorre no Autódromo de Interlagos e da qual eu já havia participado também em 2013.

Assim como na outra edição, essa é uma boa oportunidade para encontrar o pessoal do trabalho em um outro ambiente, muito mais descontraído. Também serve como oportunidade para motivar quem nunca correu, ou quem está apenas começando, a participar de uma prova. Fizemos um octeto para correr 5.25km cada um.

Uma semana antes da corrida ocorreu um fato inesperado. Recebemos um e-mail informando que as camisetas não ficariam prontas a tempo e portanto não seriam entregues junto com o kit. Pediram desculpas pelo ocorrido e garantiram que as camisetas chegariam por correio após o evento. Eu particularmente não achei nada ruim, afinal não pretendia correr com a camiseta da corrida mesmo. Ouvi alguns comentários no dia da entrega do kit, mas não achei nada de comprometedor. Não me sinto capaz de julgar se a organização pisou na bola ou não. Pelo contrário, até parabenizo-os pela maneira profissional como conduziram esse problema.


Assim como ocorreu em 2013, desta vez eu novamente seria o último do grupo a correr, de modo a pegar o trecho com maior Sol. Entretanto, como eu havia me prontificado a resgatar os kits, tinha que ser também o primeiro a chegar no Autódromo. Eis que na véspera nosso corredor escolhido para abrir a prova machucou o pé e não poderia mais participar. Logo me candidatei a ficar no lugar dele, e a esposa de um dos demais colegas poderia correr no meu lugar a última volta.

Cheguei em cima da hora para a largada. Logo me posicionei e me emocionei com o áudio colocado pela organização nos instantes que antecederam o som da sirene: a antológica narração do próprio Ayrton Senna de dentro de seu McLaren em um dos treinos livres do GP Brasil. Simplesmente de arrepiar e de deixar ainda mais na pilha para iniciar a corrida.


Nessa primeira volta o tempo estava bastante nublado, e como ainda era bem cedo, fazia até frio. Algo inesperado para uma prova no final de Novembro. Achei ruim o percurso deste ano comparado ao de 2013. Mas como assim, não era o mesmo? Na verdade não, pois para completar a distância de 5.25km em um autódromo cuja volta é de 4.2km, era necessário inventar um "vai-e-volta" em algum trecho do circuito. Em 2013 o trecho escolhido havia sido a reta dos boxes. Em 2015 foi a reta oposta, que apesar de plana (ao contrário da reta dos boxes, um dos motivos pelos quais devem ter feito essa alteração) é também muito mais estreita. Dessa forma, na primeira volta, quando a multidão ainda está se dispersando, ficou tudo um pouco "amontoado".

De todo modo, concluí sem problemas minha participação com 28m44s. Não era meu melhor tempo para essa distância, mas tampouco era esse meu objetivo. Fiquei feliz com o tempo, e logo após passar a pulseira para o segundo corredor da equipe fui encontrar os demais.

Vale ressaltar que muita coisa havia mudado com relação à corrida anterior. Em 2013 pudemos ficar nos boxes (onde eram feitas as trocas), com direito a algumas salas com exposições de objetos pessoais do Senna e do Instituto. Desta vez os boxes permaneceram fechados o tempo todo. As trocas foram feitas na própria reta dos boxes, o que na minha opinião deixou tudo um pouco mais muvucado. Além disso, toda a parte de stands de patrocinadores, equipes de corrida, etc... teve que ficar do lado de fora do autódromo. A única vantagem que observei (e mesmo assim nem foi lá grande coisa) é que a arquibancada permaneceu aberta. Assim era possível acompanhar seus colegas correndo mais de perto, além de ter uma bela vista do circuito.


No meio do caminho descubro que a esposa de nosso colega não estava com muita vontade de correr mesmo (além de que estavam cuidando das crianças) de modo que me candidatei a dar outra volta no circuito. Assim, voltei para a pista para a última volta e fechar o revezamento. Claro que no fim do dia o desempenho não foi o mesmo: além de já estar um pouco desgastado da primeira volta, agora estava mais quente e com mais Sol. A vantagem é que, por ser a última volta, não tinha mais muvuca, já ocorria um belo espalhamento de pessoas pelo circuito (sem falar naqueles que já estavam concluindo). Completei a última volta em 30m27s. Somando os dois tempos consegui completar 10km abaixo de 1 hora em um circuito com muitas subidas, então dei-me muito por satisfeito com o resultado.

Para finalizar a foto da medalha desta edição da corrida. A última de 2015.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Um novo velho desafio: 10 Km da Tribuna 2015

Participei da minha primeira corrida de rua em 2008 na prova dos 10 km da Tribuna. De lá pra cá foram 5 participações consecutivas nesta prova. Fiz 2 anos de intervalo para me concentrar em outros desafios, como por exemplo participar de uma Maratona. Neste ano de 2015 resolvi que não ia participar de nenhuma prova longa, mas sim que iria focar em provas mais curtas e buscar melhorar meu ritmo. Tudo isso porque o foco em longas distâncias fez com que eu perdesse um pouco de velocidade. Achei que uma boa meta seria fazer uma prova de 10k abaixo de 50 minutos (meu melhor tempo era de 50min51seg). E a prova da Tribuna, como já expliquei em posts anteriores, seria a ideal para buscar esta marca. Até mesmo porque, depois de tantas participações, posso dizer que já conheço cada metro do percurso. Sei exatamente onde estão os postos de água, quais são os trechos com a pista mais estreita, ou com asfalto ruim, dentre outras coisas. Então busquei uma planilha de treinos e segui o melhor que pude para atingir minha marca.

O treino mostrou um pouco de resultado. 3 semanas antes da corrida fiz um treino no qual cravei 52 minutos. Mas logo na semana seguinte acabei viajando e quebrei um pouco o ritmo de treinos. Também não fui muito atento à alimentação, cometendo alguns excessos. Resultado: na semana anterior à da corrida estava fazendo em 53 minutos. Mas sabe como é, no dia da prova a gente sempre encontra aquela energia adicional, então quem sabe?

Quando cheguei na retirada do kit percebi que era a trigésima edição da corrida. Realmente, lembro-me que a edição de 2010 era a 25a., motivo pelo qual a organização até preparou uma revistinha que veio no kit do atleta. Pelo visto desde então a revistinha sempre esteve presente, sendo que dessa vez não foi diferente. Algumas informações acredito se repetirem todo ano: galeria de campeões, número de atletas em cada edição (desta vez foram 21 mil, o que faz desta prova a maior de 10k do Brasil em número de participantes), número de atletas por cidade (destaque para as cidades da Baixada Santista, como não poderia deixar de ser, mas ainda assim com participantes de várias cidades de São Paulo e inclusive de outros Estados), dentre outras. Mas o que mais gostei mesmo foi da entrevista com duas figuras respeitadíssimas pelos corredores: o médico Drauzio Varella e o campeão Vanderlei Cordeiro de Lima (o mesmo que foi abraçado pelo padre irlandês na maratona olímpica em Atenas-2004, e que já venceu a prova da Tribuna em edições anteriores). Outras matérias interessantes foram a evolução da prova ao longo dos anos e uma entrevista com o campeão Luiz Antonio dos Santos, vencedor da primeira edição em 1986.

Chegou então o momento da prova. Cheguei cedo à Av. João Pessoa, sede do prédio da Tribuna e local da largada. Muita gente como sempre, mas como cheguei cedo consegui um bom lugar pra largada. Uma bola enorme da Tribuna ficou ali na região de largada permitindo um momento de descontração para os atletas enquanto esperavam a sirene.


E enfim a prova começou. Parti com a estratégia de tentar fazer 4:50/km no início para construir uma certa margem. Completei o primeiro quilômetro, logo na saída do túnel, com exatos 5 minutos de prova (talvez 1 ou 2 segundos a menos). Tudo bem, no começo sempre é necessário desviar de outros atletas, fazer algumas ultrapassagens, é normal perder um pouco de tempo. Mas percebi que consegui lidar muito melhor com esse tipo de situação do que na maioria das vezes. Segui focado na minha corrida e ao cruzar o km2, já na virada da Av. Ana Costa, estava com 9:50 de prova. Peguei água no primeiro posto, mesmo que estivesse uma manhã fria e a água estivesse gelada. Mas se tem uma lição que aprendi nas maratonas que participei foi a de como me hidratar corretamente. Tanto que nem perdi tempo com isso. No km3 eu consegui melhorar mais o tempo, e passei com 14:45. Mas por outro lado senti que estava puxando demais. Virei na Francisco Glicério e no cruzamento com o canal 3 veio o km4. Desta vez não peguei água, e senti que o ritmo havia mesmo piorado: 19:50. Ainda tinha uma certa margem, mas não dava pra vacilar. Quando pensava em aumentar o ritmo, lembrava que ainda tinha muita corrida pela frente e precisava maneirar. E no km5, metade da prova, na Av. Afonso Pena, passei com 25:03.

"Droga!" Foi o que me veio à mente. Ia ter que fazer uma segunda metade mais forte que a primeira. E eu não achava que estava sobrando na prova desse jeito. Muito pelo contrário. Achei que não ia dar, mas pelo menos tinha condições de melhorar meu recorde pessoal. Continuei focado na minha corrida, naquilo que eu deveria fazer. Tão focado que peguei a água no posto do km6 e nem lembrei de olhar no relógio para ver meu tempo. Mas no km7, já no Canal 5, veio a confirmação de que eu estava cansando: 35:30. Trinta segundos acima do tempo meta, e faltando 3 quilômetros. Diferença muito grande para buscar no final. Nesse momento que tive a certeza de que a meta dos 50 minutos não seria alcançada dessa vez.

Virei para o trecho final na praia, bem ali onde está a marca do km8, com 40:30. Pelo menos havia recuperado o ritmo. E na praia, com o calor humano trazido pelo público que sempre acompanha a prova, é que vem aquela energia a mais. Como eu já estava bem cansado e era muito difícil realizar ultrapassagens, o resultado foi que esse fôlego a mais serviu para me manter no mesmo ritmo, tendo passado pelo km9 com 45:30 e pelo km9,5 (sim, a prova da Tribuna tem essa marcação) com 48:00. Quando avistei a linha de chegada soltei todo o gás que tinha e parti para um sprint final enlouquecido: terminei a prova com 50min15seg! Acima do tempo meta, mas o suficiente para estabelecer um novo recorde pessoal!


Qual foi a sensação? Basta ver a foto. Felicidade, claro. Por voltar a correr em Santos. Por voltar a participar desse baita evento que é a prova da Tribuna. Mesmo já sendo essa a minha sexta participação no evento, mesmo já tendo passado por desafios muito maiores, a sensação de terminar é sensacional. Realmente, essa é uma prova diferenciada. Não sei se por ser em Santos, cidade onde nasci. Ou se pela organização que a meu ver foi impecável dessa vez. Ou se pelo forte apelo popular da corrida. Ou se pelo percurso que é muito rápido e muito bonito. Ou se é por tudo isso ao mesmo tempo. Mas fato é que mesmo tendo participado de muitas outras corridas por aí, posso afirmar que essa é sem sombras de dúvidas uma das melhores corridas de rua do Brasil.


Tem outra coisa muito legal a relatar sobre a edição deste ano. Como já explicado, a prova é organizada pela Tribuna, veículo de comunicação compreendido por um canal de tv, uma rádio e um jornal impresso. Como não poderia deixar de ser, a edição do jornal impresso no dia seguinte traz a corrida como um dos principais destaques. Pois veja você como foi a capa da edição desse ano. É possível reconhecer alguém no canto inferior esquerdo?


Para fechar, como sempre, a foto da medalha. Não foi dessa vez que fiquei abaixo dos 50 minutos. Mas valeu. Tenho uma boa desculpa para voltar a correr na Tribuna numa próxima oportunidade :)


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Quando duas paixões se encontram: Santos Run 8k

Todo mundo sabe que gosto muito de correr. Não é à toa que comecei esse blog. E acho que todo mundo sabe também que gosto muito de futebol e que meu time do coração é o Santos Futebol Clube. Bom, quem não sabia ficou sabendo agora. Pois qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o clube estava agora organizando corridas de rua?

A bem da verdade eu já sabia da existência dessa corrida. Mas não consegui participar em outros anos devido a conflitos com outros compromissos pessoais. De qualquer modo, uma vez que esse ano eu havia traçado como objetivo principal participar de provas curtas para melhorar meu tempo, e que o foco seria a preparação para uma prova de 10k, achei que a inclusão de uma prova de 8k no meio dos treinos seria unir o útil ao agradável.


Ainda mais se o agradável fosse uma corrida organizada pelo seu time do coração. Com largada do lado da Vila Belmiro e chegada dentro dela! O percurso seria por ruas próximas ao estádio, passando também pelo centro histórico da cidade. Curiosamente uma corrida em Santos que em nenhum momento sequer passou perto da praia, que costuma ser o "point" das corridas de rua na cidade. Mas desta vez o "point" era mesmo o Templo Sagrado.

Já no sábado durante a entrega do kit achei a brincadeira bem interessante. A camisa era muito bonita: azul marinho, com uma tonalidade parecida com a camisa número 3 lançada alguns anos atrás, fugindo um pouco da obviedade do branco e preto do time. Além da camiseta, o kit também vinha com vários cupons de desconto em lojas de um shopping de Santos (no qual foi realizada a entrega dos kits) além da loja Vila do Santos. Mas é como eu gosto de dizer: desconto para você comprar coisas que você não precisa e que você não compraria se não tivesse um desconto.

Veio então a hora da largada, com o povo animado e cantando o hino do Santos quando tocou a sirene. Pelo baixo número de participantes da prova (menos de 3 mil), a dispersão pós-largada até que se deu de forma bem rápida, mesmo com as ruas estreitas do bairro da Vila Belmiro. Também devo considerar que cheguei cedo e consegui um bom lugar pra largar. Aliás, a boa largada foi fundamental para imprimir um bom ritmo de prova desde o começo. Mesmo sendo uma prova festiva, eu havia fixado a meta de tempo de 40 minutos, condizente com o ritmo necessário para fechar futuramente os 10k em menos de 50 minutos.


Logo tomamos a Av. Pinheiro Machado, popularmente conhecido como Canal 1, em direção ao centro da cidade. Passamos na frente do Teatro Municipal, para a seguir passarmos por uma pracinha chamada de Vila Belmiro e pegarmos a Rua Júlio de Mesquita, já no centro da cidade. O ritmo seguia muito bom e na faixa dos 5 min/km. Viramos na Av. Conselheiro Nébias e seguimos até a Av. João Pessoa.

Trata-se da avenida no centro da cidade onde se situa o prédio da sede da Tribuna. Acredito que o intuito da organização era justamente esse, pois trata-se do jornal que cobre mais de perto os jogos do time. Mas não deixou de ser curioso passar na avenida onde ocorre a concentração e a largada da corrida que o próprio jornal organiza, e que é muito mais famosa. Mas diferentemente da prova da Tribuna, que segue pelo túnel que passa debaixo do Monte Serrat, na Santos Run os corredores faziam um retorno em 180 graus, o que inevitavelmente obriga a uma redução de velocidade.

Seja como for, nessa avenida passei pela faixa dos 5km com 25min45seg de tempo. Um pouco acima da meta, mas ainda assim um tempo bom. Pegamos a Av. Senador Feijó, e mais pra frente, já de volta na Rangel Pestana, um outro corredor me alertou sobre minha postura. Disse que eu estava perdendo energia por me curvar muito pra frente. Na verdade esse é um defeito meu que já conheço e que preciso de fato corrigir. Isso acontece principalmente quando estou me cansando, o que era o caso devido ao forte ritmo. De qualquer modo, passei pela marca de 7km com 36min01seg. Como ainda tinha energia sobrando decidi que soltaria tudo o que tinha direito no último quilômetro.


Como é possível ver pela foto acima, a chegada ocorreu dentro do estádio, entre o banco de reservas e a linha lateral do gramado. Com direito ao hino do Santos tocando nos alto-falantes da Vila famosa. Melhor que isso só se tivesse algum jogador (ou ex-jogador) ali para saudar os atletas que chegavam. Mais ou menos como fizeram na prova da Indy, na qual Tony Kanaan estava na largada cumprimentando os corredores.

Tudo bem que soltei tudo o que tinha no quilômetro final e realmente acho que "voei", mas ter completado a prova com 38min56seg significa ter feito o último quilômetro em menos de 3 minutos, coisa que só um profissional conseguiria. Realmente coloco em dúvida a distância exata da corrida. Quando cheguei em casa fiz o mapeamento do percurso usando o MapMyRun e deu 7.8km. Pelas minhas contas com esses 200 metros a mais eu teria feito um pouco acima de 40 minutos no tempo final. Bom, deixa pra lá.

A experiência de correr uma prova organizada pelo seu time do coração com chegada dentro do próprio estádio foi sem dúvida algo inesquecível. Se você não é santista, não se desespere: sei que os outros "grandes" de São Paulo também organizam provas parecidas. E acho que no Rio existe uma corrida das torcidas também. Enfim, existem outras opções por aí na praça para quem quiser correr uma prova relacionada com futebol.

Agora, o mais legal vem agora: a medalha! Caprichosamente produzida no formato do escudo do Santos. Não deve ter sido fácil de fazer. E ficou realmente muito bonita. Mais uma pra coleção!


terça-feira, 28 de abril de 2015

Map My Run - Janeiro a Março 2015




Quando pensei em escrever sobre a última prova que participei, percebi que ainda não havia escrito nada este ano. Por esse motivo achei melhor começando sobre os treinos que realizei no primeiro trimestre deste ano.

Pois 2015 começou e já no primeiro dia calcei o tênis e fui correr. Acho que foi a primeira vez que corri no primeiro dia do ano. E Janeiro foi um mês intenso, com treinos também de natação e bike. Procurei preços de academias para começar a nadar, recebi ofertas de bicicletas de competição, mas no fim das contas decidi que ainda não é a hora do triathlon. Trata-se de um esporte que na verdade são 3, e você tem que estar treinando os 3 o tempo todo. Exige realmente bastante dedicação, mas outros projetos pessoais são mais prioritários no momento.

Some-se a isso o resultado do sorteio da Maratona de Nova Iorque, no qual fui mal-sucedido. Por esses motivos decidi que, se 2014 foi um ano dedicado às corridas longas, 2015 seria dedicado às provas mais curtas. Quem sabe melhorar meu tempo nos 10k, visto que nunca fiz abaixo de 50 minutos? De qualquer modo, natação e bike continuam eventualmente fazendo parte de alguns treinos cruzados, que é quando quero realizar um exercício diferente da corrida de modo a quebrar a rotina e poupar o joelho do exercício de impacto.

De todos esses treinos destaco meu treino mais longo de bike realizado em 24 de Janeiro. Foram 42km. Sim, o equivalente a uma maratona. Mas claro que as provas de bike de longa distância são muito maiores do que isso. Só pra ter uma ideia, no Ironman são 180km.

Em breve devo escrever sobre a primeira corrida que participei este ano, além do próximo desafio.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez: Maratona de São Paulo 2014

Ou seria melhor dizer: mesmo sabendo que era impossível, ele foi lá e fez?

A bem da verdade, quando decidi encarar os 42k pela primeira vez, a escolha óbvia seria a Maratona de São Paulo dada a proximidade geográfica para mim. Mas no ano passado fui surpreendido com uma repentina mudança de data na corrida, de junho para outubro, o que conflitava com meus planos para o segundo semestre. Por esse motivo decidi fazer minha estreia em maratonas na cidade maravilhosa no ano passado. Mas o forte calor carioca no dia me fez concluir que a maratona seguinte teria que ser em um lugar frio. O ano virou e a organização manteve a data da Maratona de São Paulo para o mês de outubro. Mesmo sabendo que corria o risco de vir outra corrida com muito calor, decidi arriscar e fiz a inscrição. E tentei me preparar melhor para tal: fiz treinos em horários mais tarde (começando às 9:00 da manhã ao invés das 7:00), incluí uma meia no Rio de Janeiro com largada às 9:00 da manhã, dentre outras. Fiquei até tranquilo poucas semanas antes da corrida quando uma frente fria derrubou as temperaturas em São Paulo. Mas logo veio uma onda de calor e na semana que antecedeu a Maratona eu cogitei seriamente desistir de participar da prova pois considerei que seria impossível completar nessas condições climáticas. Colegas corredores do trabalho me incentivaram, disseram que eu deveria no mínimo tentar, e que na pior das hipóteses desistiria no caminho. Não seria nada vergonhoso desistir de uma maratona num dia muito quente. E por isso resolvi que iria arriscar.


A corrida foi no exato dia da mudança do horário de verão. Ou seja, a largada às 8:00 na verdade corresponderia às 7:00, o que facilitaria do ponto de vista do calor. Na véspera da corrida, durante a retirada do kit, já deu pra sentir o drama que estava por vir. Mas fiz uma boa preparação, especialmente no final, com direito ao "carbo-load" e boas horas de sono na véspera. Na verdade acabei dormindo um pouco mal, talvez por causa da ansiedade da corrida. Quando o despertador tocou eu não tinha a menor vontade de sair da cama, muito menos para correr uma maratona. Mas criei coragem, levantei e fui até a largada. Cheguei meia hora antes e os termômetros já marcavam 24°C. Sentei na sarjeta e fiquei esperando. Enquanto isso o locutor da organização falava ao microfone para as pessoas se hidratarem bem durante a prova, em especial os que iriam para a Maratona (existia também uma prova de 10k e uma de 25k). Chegou inclusive a dizer que a previsão era de temperaturas acima dos 30°C ao longo da prova, e que quem não se sentisse bem deveria desistir da prova, que outras oportunidades iriam surgir. Para mim isso soou como uma enorme irresponsabilidade da organização de definir a data da maratona para um mês tão quente. Tanto é que agora para 2015 voltaram a data para o mês de Maio. Pelo menos percebe-se que aprenderam a lição.

Veio então a largada, e eu ainda estava sonolento. Fui seguindo um ritmo tranquilo, sem forçar no começo e aceitando o ritmo da multidão. Somando as 3 provas acho que tinha cerca de 15 mil pessoas ali na largada, o que causou aquela muvuca à qual já estou habituado. Logo no km1 já vi um posto de água e achei que se jogasse água na cara seria uma boa para despertar. Mas que nada, o posto era no km41. Seja como for, considero que "acordei" de fato apenas no km4, já com uns 22 minutos de prova (comecei virando 6:30/km) que foi quando cheguei ao primeiro posto de água e pude finalmente jogar água no rosto. Aliás, dado o forte calor que o dia prometia, resolvi adotar a seguinte estratégia: pegar sempre 2 copos de água em cada posto, ao contrário de apenas 1 como sempre faço. Desses 2 copos, eu tomava metade do primeiro e jogava todo o resto na cara de modo a regular melhor a temperatura corporal. Além disso, fui munido de carbo-gel, bananinha e cápsulas de sal que um amigo triatleta me deu.

Veio então o primeiro túnel, com direito a DJ, música, luzes de balada e muita algazarra. A galera realmente gritava, o que me fez perguntar se aqueles alucinados estavam indo para a maratona. Não demorou muito para chegar a resposta. Logo na sequência passamos pelo km5 e a galera dos 10k se separou e tomou o caminho de volta. E a seguir veio o segundo túnel, no qual apenas os atletas das provas de 25k e 42k entraram. E o que se ouviu dentro deste túnel foi o mais absoluto silêncio. Ouvia-se apenas o som das passadas dos atletas, e o bater de asas de uma mosca caso tivesse alguma por ali.

Na saída do túnel, a avenida do Jockey, local onde larguei na Meia da Mizuno do começo do ano. A partir deste ponto o percurso da Maratona foi muito parecido com o desta meia. Atravessamos toda a avenida e antes de entrar na USP cortamos para a ponte Cidade Universitária. Na Praça Pan-americana completamos 10k (cerca de 1h05min) e seguimos pela avenida que leva ao Parque Villa-Lobos. Desta vez, ao contrário da Meia da Mizuno, a pista não estava dividida ao meia para o "vai-e-volta", causando menos aglomeração e propiciando uma boa corrida. Nesse ponto eu estava bem. Os termômetros já marcavam mais de 30°C e eu sentia o calor. Mas seguia com a estratégia da hidratação em cada posto de água, consumindo também meus sachês de gel, bananinha e cápsulas de sal alternadamente em cada posto, conforme planejado. A sensação é a de que eu estava dentro da prova, mantendo o foco, e que tinha condições sim de terminar (embora ainda estivesse muito cedo para dizer qualquer coisa).

Entramos na USP e o calor apertava. Pelo menos lá dentro deu pra pegar a sombra das árvores no meio da avenida da raia. Corri inclusive fora do asfalto, nas vagas de estacionamento, pois é onde estava a sombra. Saímos pelo Portão 2 e pegamos a Av. Escola Politécnica. O Sol realmente começava a judiar e eu agradecia por ter lembrado do protetor solar, senão a esta hora já estaria torrando. Quando reentramos na USP, novamente pelo P2, na altura do km18, veio o primeiro posto de Gatorade. Peguei 3 sachês na mão (até porque não cabia mais), ao contrário da Maratona do Rio na qual só pegava 1 sachê por posto. Lembrando que naquela corrida o Gatorade acabou no km25 e enfrentei o final da prova só à base de água. Mas aqui, até mesmo pelo número mais limitado de postos de Gatorade, decidi guardar um pouco. Tomei o primeiro sachê na hora. O segundo foi após cruzar o km21, ainda dentro da USP, ponto no qual muita gente comemorou por ter chegado na metade, e no qual passei com cerca de 2h15min de prova. Saindo da USP passamos pelo túnel que levava de volta à Av. do Jockey, na qual um fotógrafo tirou a foto abaixo. Percebe-se que já estou um pouco cansado, mas sentia que dava, que tinha plenas condições de ir até o fim mesmo com aquele calor. Nesse ponto ouvi outros corredores comentando que iam parar ali no Jockey, no km25, junto com o pessoal que havia se inscrito para a prova de 25km, pois dali havia um ônibus da organização que levaria gratuitamente até a chegada no Ibirapuera. Mas sequer cogitei essa possibilidade, tamanha era a confiança que havia adquirido naquele ponto da prova.


Chegamos então ao km25 e à chegada da corrida dessa distância. Tive a impressão de que cerca de metade dos atletas (ou mais) havia deixado a prova na altura dos 10k. E agora metade do que ficou também saía, de modo que menos de 1/4 dos que largaram continuavam na maratona. Nesse ponto aconteceu também algo curioso: uma acessoria esportiva estava distribuindo Gatorade e banana para os atletas. Mesmo com um sachê na mão não hesitei em aceitar a oferta pelo Gatorade extra.

Foi então chegando ao posto de água da Ponte Cidade Jardim, logo após o km26, que comecei realmente a sentir pesar mais o cansaço. Foi bastante animador ouvir palavras de incentivo das pessoas naquele ponto, dizendo que só por estarmos ali já éramos vencedores. De cima da ponte pude ver as pessoas correndo na Marginal Pinheiros, e em pouco tempo eu também chegaria lá.

Eis então o momento crucial da prova: a Marginal Pinheiros. De um lado, um rio com cheiro de esgoto. Do outro, a pista local (corríamos na espressa) completamente congestionada de carros emitindo dióxido de carbono pois o trânsito estava desviado. E para piorar, o Sol escaldante do dia e a falta completa de sombras. E ao chegarmos lá já tínhamos 27km na bagagem. Tomei meu último sachê de Gatorade. Mas logo veio um posto de água no qual distribuíram batatas assadas também. O alimento salgado deu uma reanimada também. Foi nesse ponto, no km29, que caminhei pela primera vez, para comer as batatas.

Para minha surpresa, ao passar pelo km31 havia um posto de Gatorade. Na verdade era o do km36, mas como o posto ficava no meio da avenida (fazíamos ida-e-volta na Marginal, o posto ficava na volta) era possível pegar na ida também. Fui seguindo pela Marginal. Sabia que o retorno seria na ponte estaiada, mas eu sequer era capaz de avistá-la. Só consegui fazê-lo no km33. E o retorno aconteceu apenas no km34, com direito a um tapete de marcação de tempo intermediário nesse ponto. Começava a sentir enjoo, e embora eu soubesse que tinha que consumir gel e bananinha para repor os carboidratos, achei que poderia vomitar consumindo esses alimentos doces desse jeito.

Veio então o km35. E com ele, o famoso "muro". Se no Rio eu bati no muro no km32, quando senti fortes dores no baço, aqui foi no km35. Não foi tão desesperador quanto no Rio, mas ainda assim foi nessa hora que eu achei que não aguentava mais correr, que havia chegado ao meu limite. Faltavam apenas 7km para o final, mas parecia muito mais. Mas, se no Rio contei com o apelo popular da prova para encontrar energias e continuar, desta vez contei mesmo foi com a sorte. Quis o destino que aquela acessoria esportiva que distribuiu Gatorade e banana no km25 estivesse também no km35. Troquei ideia com a senhora que nos atendeu. Ela disse que no começo eles davam apoio apenas para seus atletas, mas em um dado momento começavam a ajudar quem estivesse precisando. Além do Gatorade, ela me ofereceu azeitonas, e disse que o sal iria me fazer bem. E ela também enfatizou que ali era o pior trecho da prova, que saindo da Marginal as coisas iriam melhorar. Agradeci o apoio, embora não lembre o nome da acessoria para mencioná-los aqui novamente. Seja como for, reitero meus agradecimentos.

A saída da marginal deu-se por meio de uma subida de uma alça de acesso. Consegui subir correndo, e nesse momento me ocorreu o pensamento de que eu realmente gostava de correr. Nada justificava continuar naquela corrida naquelas condições a não ser o gosto enorme pela corrida. Mas agora já estava no km38, de volta à Av. Juscelino Kubitschek, e era só seguir em linha reta rumo à chegada. Ao passar pelo posto de água do km39 a moça da organização me disse que era o último, e insistiu para que eu levasse um terceiro copo. Peguei os dois túneis na volta. Por um lado achei bom pois tinha um pouco de sombra e evitava a desidratação, mas por outro era ruim pelo desnível. O cansaço era tanto que acho que caminhei por mais de um quilômetro inteiro nesse retorno. No primeiro túnel uma ambulância passou por mim. E logo após sair do segundo vejo alguns pedestres acudindo outro corredor que havia desmaiado. É, a coisa não estava fácil pra ninguém. Eu continuava caminhando e correndo pouco, pois sentia que a desidratação estava começando a pegar. Tal como foi na Maratona do Rio. Mas só fui sentir esses problemas agora no final.




Cheguei então à Av. República do Líbano, margeando o Parque do Ibirapuera. Fazia muito calor e o ar estava muito abafado. Eu realmente sentia muito forte a desidratação. Passei por um termometro marcando absurdos 36°C. Eu simplesmente não podia acreditar naquilo. Lembro-me de um treino que fiz em Santos uma vez no verão a 38°C e que passei muito mal. Mas então, fui salvo novamente pelo posto de água do km41 (sim, o mesmo pelo qual havia passado na ida, confirmando que a moça do posto do km39 havia se enganado). Logo pude avistar o Monumento às Bandeiras, e fazendo essa curva logo pude avistar a linha de chegada. Faltando cerca de 300m para o fim, ouço meu nome. Era minha namorada me esperando. Ela correu comigo os últimos metros da corrida e tirou minha foto no instante da chegada. Acima, é possível ver a foto oficial da minha chegada tirada pela organização (dá pra vê-la de azul tirando a foto). E abaixo, a foto que ela tirou na sequencia da minha chegada. Pra quem havia cogitado sequer participar, terminar a corrida era algo simplesmente inacreditável. Foi realmente uma saga memorável.


Vale a pena enfatizar que, apesar do tempo de prova um pouco mais elevado que na Maratona do Rio do ano passado, desta vez a recuperação pós-prova foi muito mais fácil. Não tive febre no dia e consegui até pegar o carro para dirigir à noite. No dia seguinte também fui trabalhar sem problemas. O trauma do ano anterior foi finalmente superado. E após duas maratonas debaixo de Sol escaldante, não me restam mais dúvidas: a maratona pode ser um sonho, mas é sim possível. Basta acreditar, querer e se preparar adequadamente. Deve-se gastar muito tempo com a preparação, mas no fim das contas é pra lá de divertido. E, como já mencionado, é para quem REALMENTE gosta de correr.

Segue finalmente a foto da medalha e a conclusão deste post. Não foi a primeira medalha de maratona, mas certamente será outra corrida inesquecível para guardar na memória para todo o sempre!


domingo, 4 de janeiro de 2015

Map My Run - Dezembro 2014


Dezembro foi um mês tranquilo. Nenhum objetivo em vista, apenas treinos para manter o ritmo. Tirei as teias de aranha da bike e saí pra pedalar algumas vezes. Também tentei voltar a nadar. Talvez em Janeiro em retome esses esportes de maneira mais forte, pensando em um triathlon em Março. Mas por enquanto apenas planos.

Ao todo, no mês de Dezembro corri 52.76km, pedalei 67.09km (sim, mais que corrida) e nadei 2.3km. Ao longo do ano, foram 1203.62km de corrida, 208.09km de bike e 14km de natação. Fiquei feliz por ter superado os números de 2013, e também por ter mantido uma média superior a 100km corridos por mês.

E 2014 foi também o ano no qual participei de menos provas desde 2009. Foram poucas, mas foram boas. Meia Maratona Mizuno, Meia Maratona do Rio e Maratona de São Paulo. Nenhuma prova curta. Só longas distâncias. E ainda estou devendo a história completa da última.

2015 começa sem grandes objetivos. Pelo menos por enquanto acho que o grande objetivo é conseguir manter a boa média de treinos.