domingo, 24 de novembro de 2019

Cavalo dado não se olham os dentes: Track and Field Run Series Colinas

Organizar corridas de rua tornou-se um grande mercado, e ao mesmo tempo uma boa estratégia de marketing para que marcas de material esportivo pudessem se promover. Não apenas aquelas com foco bastante específico em tênis, como é o caso de Asics e Mizuno, mas também aquelas que comercializam material esportivo de forma mais ampla. Este é o caso por exemplo da Track and Field, que organiza as suas corridas chamadas de "Track and Field Run Series", ou TFRS, sempre nas imediações dos shoppings nos quais possui loja. Dessa forma, fazem a retirada do kit na própria loja (sempre com aquele cupom de desconto camarada para você usar na loja no dia da retirada do kit ou do próprio evento) e utilizam o espaço do estacionamento do shopping para fazer a aglomeração e a dispersão pós-prova. Algo que contribui também para aumentar o movimento no shopping como um todo.

Colocando tudo isso dessa forma, é até curioso que eu nunca tivesse participado de nenhuma edição da TFRS antes em nenhum lugar. Talvez por falta de oportunidade mesmo. Mas a proposta é bem interessante, principalmente tendo em vista que a infra-estrutura de um shopping center fica disponível para os atletas. 

Pra ser bem sincero, eu também não estava pensando em participar de nenhuma prova no primeiro semestre de 2019, pois queria focar em outro projeto profissional que estava me tomando bastante tempo e que inviabilizava treinar de forma adequada para corridas mais longas ou para melhorar meu tempo nas mais curtas. Porém, de forma bastante inesperada, acabei "ganhando" uma inscrição de uma colega de trabalho que havia se inscrito com alguns meses de antecedência para aproveitar uma promoção e depois acabou entrando em conflito com uma viagem dela. Ela acabou me oferecendo a inscrição e decidi aceitar. Mesmo que não estivesse treinando para fazer o recorde pessoal, pelo menos seria uma distração para um domingo de manhã.

Claro que isso gerou alguns fatos curiosos. O primeiro é que a camiseta do kit era do modelo feminino e não era do meu tamanho. Uma pena pois era realmente de alta qualidade. Quem sabe não me inscrevo em uma próxima TFRS para ganhar uma pra mim também? Outro fato curioso é que corri com nome de mulher escrito no meu número do peito. Mas, exceto por um conhecido que encontrei na largada, ninguém deve ter reparado. Ou se reparou, não comentou nada.

Mas, apesar da tecnologia no material esportivo, e dos brindes promocionais presentes no kit (algo que tem se tornado cada vez mais raro nas corridas de rua), chamou minha atenção o fato de o modelo do chip de cronometragem ser do tipo "old fashion", pois era daquele plástico duro com furinhos para você amarrar no cadarço e que você precisa devolver no fim da prova. Algo que vi apenas nas minhas primeiras corridas lá pelos idos de 2008 e 2009, e depois nunca mais. Desde então só tenho visto chips de plástico mais mole e descartáveis, evitando o trabalho de desamarrar o tênis logo após terminar a corrida. Ou até mesmo o chip de cronometragem no próprio número do peito. De todo modo, achei bastante curioso.



Eram 3 modalidades de corrida: 5k, 10k e 15k. Minha amiga havia se inscrito para os 10k, então foi nessa que participei. Melhor assim, eu não estava treinado adequadamente para encarar 15k, e também não gosto muito da distância de 5k. De todo modo, a largada e a chegada eram em conjunto, com as devidas separações acontecendo ao longo do percurso.

Por sinal, não era lá um percurso dos mais inspiradores. Mas também não era de todo ruim. A largada e a chegada aconteceram na rua de trás do Shopping Colinas em São José dos Campos. E depois disso, foi basicamente um vai-e-volta na Via Oeste, uma via expressa de trânsito rápido que conecta dois bairros da cidade. Logo, o fato de fazer um vai-e-volta em um percurso que é quase uma reta de 5km não é exatamente a coisa mais empolgante, muito embora as variações de declividade de fato tornassem a corrida mais interessante. Com relação à paisagem, ela também mudava muito pouco, basicamente com casas de um lado e vegetação do outro. E o interessante é que conforme a gente se afastava do bairro e o cenário tornava-se menos densamente povoado, a temperatura também caía.

Com relação à organização, só tenho o que elogiar pois foi realmente impecável. Tudo muito bem sinalizado, desde a largada até a chegada, passando pelos dois pontos da prova em que havia divisão de percurso devido à distância. A distribuição de água também ocorreu de forma bastante ampla e a cada 2,5km.

No final das contas acabei fazendo o tempo de 53m38s. Muito longe do meu recorde pessoal para a distância. Mas nada mal para quem não estava treinando adequadamente para isso. Claro que o clima frio que encontrei no dia contribuiu para isso.

Talvez a única coisa que eu não tenha gostado muito tenha sido da medalha. Além de não achá-la bonita, a inscrição do local e da data veio dentro de um plástico, e não gravada no próprio metal como acontece em outras provas. Provavelmente é a "medalha padrão" da TFRS que eles aproveitam para vários eventos que eles fazem em diferentes cidades e épocas do ano. Mas, como disse no título desse post, cavalo dado não se olham os dentes.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Tradicional e pouco conhecida: Sargento Gonzaguinha

Todo brasileiro, quer goste de corrida de rua ou não, com certeza já ouviu falar da Corrida de São Silvestre. Talvez por ser transmitida pela TV, talvez por ser o único evento esportivo da virada do ano (e portanto ocupa lugar de destaque na mídia) ou mesmo pelo tamanho que a corrida se tornou ao longo dos últimos anos. Agora, o que pouca gente sabe, é que a São Silvestre NÃO É uma maratona, mas sim uma corrida de 15k. E o que ainda menos gente sabe, é que a São Silvestre NÃO É a única corrida que existe nessa distância.

Longe de ser uma rival da São Silvestre, a Sargento Gonzaguinha, corrida organizada pela PM-SP, realizada todo ano no começo do mês de Dezembro, tem o objetivo justamente de ser algo complementar à São Silvestre. Os próprios organizadores a chamam como uma espécie de "esquenta" para a São Silvestre. Ou seja, seria um treino de luxo para quem está se preparando para a grande corrida da virada do ano.

As semelhanças no entanto param por aí. Enquanto a São Silvestre é uma verdadeira montanha-russa, repleta de subidas e descidas, a Sargento Gonzaguinha é uma prova praticamente inteira plana. Outra diferença é o horário da largada: 06:30 da manhã, de modo a fugir do forte calor de Dezembro em São Paulo. O número de participantes também é muito menor: apenas 5.000 (distribuídos entre as distâncias de 5k e 15k) contra os mais de 25.000 das edições mais recentes da São Silvestre. E finalmente, não possui o charme das ruas do Centro de São Paulo e da icônica Avenida Paulita, mas ainda assim com um percurso diferente da maior parte das provas da capital paulista e que passa por lugares muito interessantes de São Paulo.

Na verdade existe ainda uma outra semelhança: as duas corridas são muito tradicionais. Embora bem menos famosa, a Sargento Gonzaguinha chegou em 2018 à sua 52a. edição. Para se ter uma ideia, é uma corrida mais antiga que qualquer maratona disputada atualmente no Brasil. Mais antiga que a corrida da Tribuna em Santos também. Por conta dessa tradição, do percurso, da distância, e das semelhanças com a São Silvestre, que decidi participar dessa corrida.


A largada se deu pontualmente às 6:30 da manhã na frente da sede da PM na Av. Cruzeiro do Sul, com vento fresco, céu aberto e temperatura agradável. Ideal para uma boa corrida. Largou primeiro a prova de 15k, e um pouco depois a galera que ia para os 5k. Acho que justamente por isso foi uma largada muito tranquila, pois conseguiu dividir bem o fluxo de pessoas, facilitando a dispersão.

Logo no começo atravessamos a Ponte Cruzeiro do Sul e já pegamos a alça de acesso para a Marginal Tietê. A corrida continuou pela pista local da mesma, com o trânsito desviado para as expressas. Apesar da importância da avenida, não deve ter causado grandes transtornos dado o horário. Minha única meta de tempo era fazer abaixo de 1h30min de prova, o que seria equivalente a uma média de 6 min/km. Dados os meus treinos de preparação, achei que seria uma meta bastante factível visto que já estava fazendo praticamente esse tempo. Logo nos primeiros quilômetros percebi que estava virando em uma média boa, de 5min45seg por quilômetro, o que significava poderia ter uma certa margem para caso cansasse no final da prova. Como me sentia muito bem, não via necessidade de me poupar.

Veio o primeiro posto de água. Mesmo sem sede, decidi pegar e me refrescar. Uma lição que já aprendi é a de pegar água sempre, principalmente em provas maiores do que 10k, pois a sede só aperta quando seu corpo já está com falta de água. E para evitar chegar a esse ponto, é fundamental se hidratar desde o início da corrida. Este posto de água já ficava na altura do Sambódromo do Anhembi. Não entramos nele, mas o contornamos por fora para pegar a Av. Olavo Fontoura, exatamente a curva capturada na foto abaixo.


Seguimos então por essa avenida até a praça Campo de Bagatelle, quando fizemos um retorno de 180° (com direito a tapete de medição), passando na frente de pontos importantes da cidade, como o Pavilhão de Exposições do Anhembi, o Aeroclube de São Paulo e o Aeroporto de Campo de Marte. Dois novos postos de água também nessa avenida e a parcial de 7km, indicando quase a metade da prova, foi superada por mim com menos de 40 minutos no relógio. Ou seja, 2 minutos abaixo do tempo meta. O que significava que mantendo esse ritmo, eu poderia cruzar a linha de chegada com pouco menos de 1h26min.

Na sequência pegamos o final da Av. Braz Leme e cruzamos novamente o Rio Tietê pela Ponte da Casa Verde. Seguimos pela Av. Rudge e depois pela Rua Sérgio Tomáz até chegarmos a um pequeno parque ao lado do Rio Tietê, onde ficam um centro de esportes radicais e um estádio de beisebol. Cruzei a barreira dos 10k com menos de 57 minutos de prova. Embora o sol já estivesse um pouco mais alto, ainda era muito cedo e a temperatura ainda estava baixa. Estava me sentindo muito bem, não via necessidade de reduzir o ritmo. Pelo contrário, cogitei até intensificar um pouco mais. Mas decidi por hora, manter do jeito que estava.

A seguir cruzamos o Rio Tamanduateí, perto de sua foz no Rio Tietê. E logo entramos novamente na Marginal, só que do outro lado do rio, bem na altura do Estádio do Canindé, que pertence à Portuguesa de Desportos. Um time de futebol bastante tradicional da cidade de São Paulo, mas que atualmente não vive seus melhores dias. Muito pelo contrário, por sinal. Mesmo assim, o estádio, embora pequeno, é bastante conhecido na cidade, e inclusive estava recebendo algum evento musical no fim de semana da corrida, dada a movimentação de pessoas que pude perceber quando passava na frente. Mais do que o estádio, ali é a sede do clube, e o percurso da corrida deixava a Marginal Tietê justamente para contornar suas dependências.

Com isso chegamos ao último posto de água da prova e também ao km13, que cruzei com pouco mais de 1h13min no relógio. Decidi então que era hora de acelerar. Estava me sentindo muito bem, faltavam apenas 2km e eu tinha gás suficiente para uma arrancada. Senti-me realmente tão inebriado pela vontade e pelo prazer daquela corrida que mal pude reparar nos detalhes do percurso nessa reta final. Em pouco tempo cheguei novamente à Av. Cruzeiro do Sul, entrei na sede da PM e cruzei a linha de chegada dentro da pista de atletismo com o tempo final de 1h23min58seg, tendo feito o último quilômetro abaixo de 5min!

Uma corrida pra lá de prazeirosa. Pelo horário, pelo percurso, pelo ótimo clima no dia mas principalmente pela organização impecável da PM-SP. Para se ter uma ideia, a organização me enviou SMS durante a semana com lembretes de entrega do kit, informando local e número de peito, e após a realização da prova com meu tempo oficial. Nada mal! Um evento que merece sim ser incluído no calendário de qualquer corredor de rua de São Paulo ou arredores. Ou até mesmo, por que não, de outros Estados.

Pra finalizar, como sempre, segue a foto da medalha. A 35a. da minha coleção.


domingo, 16 de dezembro de 2018

10 anos correndo: 10km da Tribuna 2018

Pense em como era sua vida há 10 anos atrás. Tente se lembrar onde você estava morando. O que fazia da vida. Quais eram as pessoas com quem convivia. Pois é, muitas coisas mudam em 10 anos. Outras continuam iguais. No meu caso, em 10 anos eu me formei, comecei a trabalhar, mudei de cidade, mudei de casa, e finalmente, casei. Foram muitas as mudanças que aconteceram comigo nessa última década. Mas tem uma coisa que comecei a fazer há 10 anos atrás e que posso afirmar que mudou minha vida de verdade, que é a corrida de rua. Algo que começou despretensiosamente, mas eu logo "fui picado pelo bichinho da corrida", tomei gosto pelo esporte e enfim se transformou no meu hobby.

E quando digo hobby, quero dizer quase como uma segunda profissão. Algo que faço religiosamente toda semana, sem que ninguém me obrigue a fazê-lo. Corro pelo puro prazer da corrida. Comecei com a prova mais tradicional do pedestrianismo santista, os 10 Km da Tribuna, evento que pára a cidade inteira. Daí pra frente fui aumentando as distâncias: São Silvestre (15k), Pampulha (18k), Meia Maratona (21k) até finalmente atingir a tão sonhada Maratona de 42k.

A partir de então comecei a traçar algumas metas, como por exemplo correr a 100a. edição da Corrida de São Silvestre, que acontecerá somente em 2024. Uma outra meta, ou na verdade um compromisso, que coloquei para mim mesmo era o de correr novamente a prova da Tribuna no ano de 2018, pois seria a comemoração "oficial" do meu décimo aniversário como corredor. E lá fui eu.

A corrida de 2008 era uma grande novidade. Senti aquela ansiedade imensa na véspera da corrida e também nos momentos que antecediam da largada. Pequei pela falta de experiência e forcei muito no começo, mas consegui concluir no tempo que havia estabelecido como meta. Sem sombra de dúvidas cruzar a linha de chegada naquela ocasião foi uma emoção que, por mais que tente transcrever em palavras, é simplesmente indescritível.

Passados 10 anos, lá estava eu alinhando pela sétima vez para participar da prova da Tribuna. Algumas coisas mudaram desde então. O chip por exemplo, que antes era uma placa rígida de plástico que devia ser amarrado no cadarço e depois devolvido à organização, passou a ser uma placa mais flexível de plástico que não precisava ser devolvido à organização, até ter chegado ao ponto que encontrei na prova desse ano, que estava acoplado no número do peito. Detalhe: chip no número do peito foi a primeira vez que vi em uma prova.

O percurso continua basicamente o mesmo. Houve uma pequena alteração em 2012 logo no começo da prova, nas ruas que ligavam a saída do túnel à Av. Ana Costa. Nessa mesma avenida, o novo percurso passou a correr na mão contrária, de forma a liberar acesso a um hospital. Mas fora isso, é exatamente igual ao que já estou acostumado, bem plano e com longas retas, o que o torna um dos percursos mais rápidos da categoria.

Por outro lado, achei que a quantidade de bandas e grupos musicais se apresentando esse ano foi menor do que em outros anos. Talvez o número de participantes também tenha caído um pouco. Nas edições anteriores, a revistinha que acompanha o kit sempre mostrava o número de participantes, em número crescente ano após ano, tendo chegado até a 20 mil. Nesse ano não vi a informação em nenhum lugar. De todo modo, a minha percepção subjetiva é que essa continua sendo uma prova com muitos milhares de participantes. E mais do que isso: o apelo popular continua enorme, com muita gente nas ruas acompanhando e incentivando os corredores, um grande estímulo principalmente aos mais novatos. E é justamente esse o principal motivo que torna essa corrida tão especial.

Eu não tinha uma meta específica de tempo para esse ano, pois não fiz nenhum treinamento específico para a corrida. Terminei com 51m39s. Não foi o meu melhor tempo, mas ainda assim foi muito melhor do que o que eu estava esperando. Claro que 10 anos depois, após ter participado de inúmeras outras corridas, a emoção de cruzar a linha de chegada é diferente. Mas mesmo assim, correr continua sendo minha atividade física preferida, aquela que mais me dá prazer em realizar.

Ao longo desses 10 anos, foram 33 provas disputadas. Dessas, 2 foram maratonas e 7 foram meia-maratonas. As demais ficaram distribuídas em distâncias menores, embora a grande maioria fosse mesmo de 10k. Com esse número, acho que é uma boa meta tentar chegar em 100 medalhas, nem que eu leve mais 20 anos para conseguir fazer isso. E depois de atingir a meta, que tal dobrar a meta e chegar a 200 medalhas?

Por falar em medalhas, termino esse post da mesma forma que sempre fiz nesse blog, com a medalha da corrida. No caso, com a foto da 34a. medalha da minha coleção.


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Brasil, acima de tudo: EcoHalf Marathon DCTA

Já são 9 anos morando em São José dos Campos. Foi bem pouco tempo depois de ter começado a correr. A maior parte da minha vida de corredor foi aqui. A grande maioria dos meus treinos foi feita aqui. E convivendo com muita gente que também adora corridas, que também vive participando de provas. Mas uma coisa que sempre me deixou intrigado foi porque ninguém havia organizado uma Meia Maratona aqui na cidade. Conhecendo tanta gente que já se aventurou pelas longas distâncias de 21k e 42k, tinha certeza de que público interessado não ia faltar para uma corrida dessas.

Pois bem, em 2017 finalmente alguém enxergou essa possibilidade e lançou uma corrida de rua de 21k aqui na cidade. O local escolhido foi o CTA. Achei apropriado, pois já é uma área com fluxo de pessoas controlado, então não chega a atrapalhar o trânsito da cidade. E é uma área grande o suficiente para a realização de uma prova com distância tão longa.


Logo na chegada ao CTA já deu pra perceber como os funcionários, em grande parte militares, estavam prestativos e atenciosos no recebimento do público. Preocupados claro com o controle de acesso ao local, e ao mesmo tempo orientando para chegar ao local da largada.

O dia amanheceu nublado, com garoa fina por vezes. E fazia frio. Mesmo sendo em Outubro, um mês em que o calor já começa a judiar, fazia frio no dia. O que eu particularmente achei muito bom. Não havia treinado para fazer o meu melhor tempo nos 21k. A ideia era mesmo só me divertir um pouco e prestigiar a primeira prova dessa distância na cidade. Mas claro que um tempo frio em dia de prova é sempre bem-vindo.


A prova começou em um piso de asfalto, em uma das várias ruas que tem dentro do CTA. Mas logo passamos para pista de terra, grama, pedras e por vezes cimento (como passagens de pedestres). Essa variabilidade no tipo de terreno, aliado também a uma altimetria um tanto quanto maluca (muitos sobes e desces) ajudaram a tornar a corrida bastante interessante. Digo isso porque quebrou um pouco a monotonia de sempre correr no mesmo terreno. Por exemplo, a Meia Maratona da Praia Grande, da qual participei em 2010, era composta por basicamente duas retas de 10km cada, o que tornava a corrida por vezes chata.

Outro ponto legal, pelo menos para mim, que já conheço o CTA, foi passar em frente a tantos lugares familiares. Como, por exemplo, contornar a cerca da pista do aeroporto, passar ao lado da aeronave Tucano que fica logo na entrada (e que é possível avistar da Via Dutra), descer até o MAB (Museu Aeroespacial Brasileiro) e ver de perto os aviões que estão lá expostos, contornar o belo prédio da Biblioteca do ITA (obra de Oscar Niemeyer), sem falar na simpática Vila dos Oficiais e nos prédios dos diversos órgãos oficiais que compõem CTA: o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), IFI (Instituto de Fomento e Coordençaõa Industrial), DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), dentre outros que não lembro agora.


Apesar do frio, acabei sofrendo um pouco nessa prova devido à escassez de água. Foram apenas 4 postos de hidratação ao longo dos 21km de prova. Não houve distribuição de isotônicos, gel, esponjas ou qualquer outra coisa que ajude na hidratação ou na sensação do calor, como ocorre em tantas outras meias. Fica como sugestão para as próximas edições.


A verdade é que essa foi a meia mais difícil que corri. Cruzei a linha de chegada com 2h15min, de longe o meu pior tempo nessa distância. Muito provavelmente porque eu não tenha treinado adequadamente, reconheço. Talvez pela falta de hidratação, pois contava com isso durante a prova. Talvez pelo percurso em si, que cheio de subidas e descidas e mudanças no tipo de terreno fatalmente aumentavam a dificuldade. Seja como for, a experiência de correr no CTA foi sem dúvida muito boa.

Finalizo com a foto da medalha, como sempre.




domingo, 17 de dezembro de 2017

Corrida do Centro Histórico de São Paulo

Achei muito legal a ideia de uma corrida pelo Centro Histórico de São Paulo. Muitos acham que a cidade de São Paulo se resume apenas a ser o centro financeiro do país, sem grandes atrativos turísticos. Mas a bem da verdade, há muito o que se descobrir no centro da cidade. Passeios que muitos paulistanos provavelmente nunca fizeram. Não me julgo um profundo conhecedor da região, mas justamente o pouco que conheço foi o suficiente para me deixar com muita vontade de encarar uma corrida como essa.

A corrida é organizada pelo portal Ativo, que também é parceiro da revista de corrida O2. Eles organizam várias provas em São Paulo, como o Circuito das Estações Adidas, a Meia de Sampa (das quais nunca participei) e as Night Runs, que participei uma vez no Anhembi. Um grupo que costuma organizar bem os eventos.

Retirei o kit na loja da Decathlon no Shopping Center Norte. Um apelo como sempre para a loja realizar a retirada do kit pois estimula o consumo naquele dia. Fazia muito frio e chovia aquela garoa fina do inverno paulistano (a prova foi no começo de agosto). No dia seguinte, não foi diferente.  Fazia realmente muito frio, mas eu sabia que correr de casaco não ia dar muito certo pois eu iria sentir muito calor com a corrida. Decidi então ir com duas camisetas: uma de manga comprida por baixo e outra de manga curta por cima. Assim ajudou também a cortar um pouco o vento. E por mais que a largada fosse às 07:00 da manhã e o frio Sol de inverno ainda nem tivesse aparecido direito, fui com um boné pra proteger a cabeça do vento gelado.

Peguei um Uber para chegar no local da largada, mas foi um belo problema. Além do rapaz não conhecer muito bem o centro, várias ruas estavam interditadas por causa da corrida de tal forma que não dava para chegar muito perto do local da largada. Acabei descendo e indo a pé por um bom trecho. Pelo menos serviu de aquecimento. Ao chegar no local da largada, percebi a bobagem que eu havia feito. A área de concentração era bem na praça do Vale do Anhangabaú, com uma estação de metro bem no meio. Pelo menos usei essa informação para a volta.

Justamente pelo fato de a largada ser em um vale, o início da prova foi claramente em uma subida. E de uma forma geral, achei a prova bem interessante nesse aspecto. Dado o relevo do local da corrida, o percurso foi repleto de subidas e descidas. Muitas vezes de pouca declividade, mas fato é que em poucos momentos me senti correndo no plano. Também não haviam retas muito longas, pelo contrário. Muitas, mas muitas curvas. Isso foi muito interessante do ponto de vista de ter boa variação no percurso, mas por outro lado pode comprometer um pouco a velocidade. Outro ponto negativo foi o fato de todas as ruas serem muito estreitas, o que também dificultava um pouco as coisas, principalmente nos primeiros quilômetros.


Logo após a subida inicial, tomamos a rua Líbero Badaró e fomos em direção à praça Ramos de Azevedo, onde fica o Teatro Municipal. Mas só o avistamos brevemente, logo tomamos outras ruas, nas quais foi possível dispersar um pouco. Logo passamos pela faculdade de Direito do Largo do São Francisco, na frente da qual tinha o primeiro posto de hidratação, por volta do km 2,5. Pouco depois disso, eu estava um pouco perdido até que uma hora reconheci os fundos da Catedral da Sé. Passamos ao lado da igreja e da praça. Para quem não sabe, a praça da Sé é o marco zero da cidade. Todas as distâncias medidas até São Paulo remetem a este ponto de referência.  Ou seja, mesmo uma metrópole do tamanho de São Paulo ainda mantém essa característica tão comum das cidades brasileiras de ter uma igreja e uma praça como marcações principais do centro da cidade.

Seja como for, após a Catedral da Sé passamos ao lado do Mosteiro São Bento, outro ponto turístico do centro da cidade que também está relacionado à igreja. Na sequência, passamos pela Santa Ifigênia, famosa por ser um "point" de comercialização de produtos eletrônicos. No Viaduto havia o segundo posto de hidratação da corrida, perto da marca de 5km.

Seguimos então pela Avenida Ipiranga, passamos pelo famoso cruzamento com a Av. São João e pela praça da República. Ao final desta avenida passamos por alguns dos prédios mais famosos de São Paulo: o Copan (obra de Oscar Niemeyer) e o Edifício Itália, o mais alto da cidade. São passeios muito interessante e bastante recomendados. A vista de cima desses prédios é no mínimo interessante.

A próxima avenida foi a São Luís, e logo começamos a tomar o caminho de volta rumo ao ponto de partida, onde seria também a nossa chegada. Chegamos de frente ao Teatro Municipal. No contorno havia o terceiro e último posto de hidratação, na marca de 7.5km. Na sequeência passamos pelo Largo do Payssandú. Infelizmente devo destacar também que nessa altura da prova encontramos aspectos negativos do centro da cidade, como por exemplo bêbados saindo de casas noturnas e tentando mexer com alguns corredores. Por mais que eu não tenha presenciado nenhuma cena condenável, é sempre uma experiência desagradável.

O ritmo de prova como um todo foi sempre muito bom durante todo o percurso. Não me preocupei muito com o tempo, só queria fazer abaixo de 1 hora. O que ficou claro que eu conseguiria desde os primeiros quilômetros. Mesmo assim, tentei o tempo todo manter um ritmo forte. Corri quase o tempo todo abaixo de 5m30s por quilômetro, o que me projetaria para abaixo de 55 minutos de prova. Mas, para minha surpresa, cruzei a linha de chegada com 50m37s. Achei estranho e quando fui ver, minha marcação estava em apenas 9.57km. Percebi que outros corredores comentavam exatamente a mesma coisa na zona de dispersão. Todos registraram distâncias entre 9.5km  e 9.6km. Acho que os organizadores provavelmente queriam fazer uma prova de 10k, mas talvez não tenham conseguido liberação para utilizar mais ruas de modo a conseguir completar essa distância, por isso fizeram com uma distância quebrada. Tanto é que nem venderam como uma prova de 10k, mas sim como uma de 9k.

De todo modo, concluo apenas que esta corrida foi uma grata surpresa. Legal correr em um dia frio, em uma prova bem organizada, com um percurso bastante variado e ainda por cima passeando por lugares bonitos. Uma prova que sem sombra de dúvidas vale a pena ser encarada.

Para encerrar, como sempre, a foto da medalha.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

De volta ao batente: Oscar Running

O ano de 2016 foi marcado por muitas viagens a trabalho, de forma que eu mal consegui me organizar para participar de corridas de rua. Teve ainda o Revezamento da Tocha, as férias que decidi tirar para assistir aos Jogos Olímpicos (e que coincidiram com algumas corridas que eu gostaria de participar), dentre outros fatores. Talvez eu ainda escreve sobre a tocha e sobre a Maratona Olímpica, evento que assisti "in-loco", algum dia. Mas eu não poderia deixar o ano passar em branco. Então, no mês de Setembro, acabei decidindo me inscrever na corrida realizada pela Oscar em São José dos Campos. Trata-se na verdade de uma das corridas mais tradicionais do Vale do Paraíba e da qual eu nunca tinha participado.

A maior loja da Oscar em São José dos Campos fica no Vale Sul Shopping, na Zona Sul da cidade. Por esse motivo, a corrida ocorre justamente nessa região da cidade. A retirada dos kits, como não poderia deixar de ser, aconteceu exatamente na loja da Oscar deste shopping. Também conforme esperado, no kit vinha também um cupom de desconto para usar na loja naquele dia. Uma forma de incentivar que os corredores conheçam e consumam mais daquela loja.



Por ser uma prova realizada no começo de Setembro, não era esperado nem muito calor e nem muito frio para o dia da corrida. E de fato foi isso o que aconteceu: uma manhã com poucas nuvens e um Sol que não chegava a ser escaldante. Pelo contrário, tornava o dia bem agradável. Muito propício para começar a correr.

A concentração para a prova ocorreu dentro do estacionamento do shopping, e a largada deu-se na Avenida Cidade Jardim. Apesar de ser uma das maiores provas da região, achei a aglomeração e a muvuca um tanto normais para as provas que estou acostumado a correr. Mas não era de se espantar, ao todo eram apenas 1.500 corredores inscritos. O calendário de corridas do Vale pode até ser bastante recheado de provas, mas a verdade é que nenhuma delas se destaca muito em número expressivo de participantes como por exemplo a prova da Tribuna em Santos.

Eu não tinha nenhuma meta muito estabelecida de tempo. Sabia que por conta de tantos afazeres não havia treinado muito e estava longe do auge da forma, de tal modo que buscar baixar o recorde pessoal de 50min15seg nos 10km estabelecido na prova da Tribuan em Santos em 2015 era algo absolutamente fora de cogitação. Mas ao mesmo tempo sabia que se fizesse um tempo acima de 1 hora seria muito frustrante pois em treinos normais estou acostumado com um ritmo melhor do que esse.

Por isso mesmo corri despreocupado, tentando aproveitar na verdade o percurso. Não que ele fosse lá muito inspirador: era basicamente ir e volta toda a Av. Cidade Jardim, com uma pequena quebra na Av. Cassiopeia para um "vai-e-volta" de algumas quadras. A propósito, na volta da Cassiopéia já ocorria a divisão entre quem ia correr 5k e quem seguiria em frente rumo aos 10k. No meu caso, da distância mais longa, continuei pela Cidade Jardim no mesmo sentido que estava vindo. Apesar de o percurso passar basicamente por ruas residenciais, sem grandes construções, cartões-postais ou outros atrativos, as ruas bastante arborizadas junto com o belo dia de Sol e a brisa fresca tornaram a corrida bastante agradável. Talvez o que mais chamasse a atenção fosse a sede do Sesi, localizado numa praça na qual fizemos o retorno na Av. Cidade Jardim.

Consegui desenvolver um ritmo bom desde o começo da prova, algo em torno de 5:00min/km. Mas fui cansando ao longo da prova, especialmente na volta que peguei umas subidinhas. No retorno um ex-professor de engenharia que também é corredor acabou me ultrapassando e não pôde deixar de soltar uma piadinha nerd: "vamos lá que está fácil, isso aqui é só cinemática, nada de dinâmica." Mesmo assim, cruzei a linha de chegada com um tempo de 54min28seg, muito bom para minhas expectativas. Tudo bem que a distância aparentemente foi menor do 10k, pelo menos foi o que registrei.

Essa foi a minha única corrida oficial de 2016. Foi o que consegui fazer. Claro que treinei bastante ao longo do ano, até mesmo por uma questão de saúde. Mas acordar cedo, sentir o clima de uma prova, buscar dar o melhor de si em cada passo, cada gota de suor, isso é realmente muito legal. E por mais que tenha sido uma única ao longo do ano, com certeza valeu a pena.

Para finalizar, segue a foto da medalha. Trata-se de um pedaço de uma mandala na verdade. Algumas corridas tem utilizado esse artifício para incentivar as pessoas a participarem de mais provas. A medalha é como se fosse uma parte de um quebra-cabeças, que você precisa juntar com as medalhas de outras corridas para formar a figura completa. As demais provas desse circuito seriam em Taubaté, Guaratinguetá, Mogi e Jacareí. Mas honestamente acabei não animando de participar das demais. Quem sabe algum dia.

Em breve retorno para contar das corridas de 2017...


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Correr com os amigos é sempre bom: Ayrton Senna Racing Day 2015

2016 foi um ano tão corrido que ao chegar ao final do ano percebi que ainda estava devendo uma postagem referente a uma corrida que participei em 2015. Comecei a escrever esse post, acabei deixando de lado, e só agora já quase no final de 2017 que eu finalizo-o. Mas trata-se da 12a. edição da Ayrton Senna Racing Day, corrida de revezamento que ocorre no Autódromo de Interlagos e da qual eu já havia participado também em 2013.

Assim como na outra edição, essa é uma boa oportunidade para encontrar o pessoal do trabalho em um outro ambiente, muito mais descontraído. Também serve como oportunidade para motivar quem nunca correu, ou quem está apenas começando, a participar de uma prova. Fizemos um octeto para correr 5.25km cada um.

Uma semana antes da corrida ocorreu um fato inesperado. Recebemos um e-mail informando que as camisetas não ficariam prontas a tempo e portanto não seriam entregues junto com o kit. Pediram desculpas pelo ocorrido e garantiram que as camisetas chegariam por correio após o evento. Eu particularmente não achei nada ruim, afinal não pretendia correr com a camiseta da corrida mesmo. Ouvi alguns comentários no dia da entrega do kit, mas não achei nada de comprometedor. Não me sinto capaz de julgar se a organização pisou na bola ou não. Pelo contrário, até parabenizo-os pela maneira profissional como conduziram esse problema.


Assim como ocorreu em 2013, desta vez eu novamente seria o último do grupo a correr, de modo a pegar o trecho com maior Sol. Entretanto, como eu havia me prontificado a resgatar os kits, tinha que ser também o primeiro a chegar no Autódromo. Eis que na véspera nosso corredor escolhido para abrir a prova machucou o pé e não poderia mais participar. Logo me candidatei a ficar no lugar dele, e a esposa de um dos demais colegas poderia correr no meu lugar a última volta.

Cheguei em cima da hora para a largada. Logo me posicionei e me emocionei com o áudio colocado pela organização nos instantes que antecederam o som da sirene: a antológica narração do próprio Ayrton Senna de dentro de seu McLaren em um dos treinos livres do GP Brasil. Simplesmente de arrepiar e de deixar ainda mais na pilha para iniciar a corrida.


Nessa primeira volta o tempo estava bastante nublado, e como ainda era bem cedo, fazia até frio. Algo inesperado para uma prova no final de Novembro. Achei ruim o percurso deste ano comparado ao de 2013. Mas como assim, não era o mesmo? Na verdade não, pois para completar a distância de 5.25km em um autódromo cuja volta é de 4.2km, era necessário inventar um "vai-e-volta" em algum trecho do circuito. Em 2013 o trecho escolhido havia sido a reta dos boxes. Em 2015 foi a reta oposta, que apesar de plana (ao contrário da reta dos boxes, um dos motivos pelos quais devem ter feito essa alteração) é também muito mais estreita. Dessa forma, na primeira volta, quando a multidão ainda está se dispersando, ficou tudo um pouco "amontoado".

De todo modo, concluí sem problemas minha participação com 28m44s. Não era meu melhor tempo para essa distância, mas tampouco era esse meu objetivo. Fiquei feliz com o tempo, e logo após passar a pulseira para o segundo corredor da equipe fui encontrar os demais.

Vale ressaltar que muita coisa havia mudado com relação à corrida anterior. Em 2013 pudemos ficar nos boxes (onde eram feitas as trocas), com direito a algumas salas com exposições de objetos pessoais do Senna e do Instituto. Desta vez os boxes permaneceram fechados o tempo todo. As trocas foram feitas na própria reta dos boxes, o que na minha opinião deixou tudo um pouco mais muvucado. Além disso, toda a parte de stands de patrocinadores, equipes de corrida, etc... teve que ficar do lado de fora do autódromo. A única vantagem que observei (e mesmo assim nem foi lá grande coisa) é que a arquibancada permaneceu aberta. Assim era possível acompanhar seus colegas correndo mais de perto, além de ter uma bela vista do circuito.


No meio do caminho descubro que a esposa de nosso colega não estava com muita vontade de correr mesmo (além de que estavam cuidando das crianças) de modo que me candidatei a dar outra volta no circuito. Assim, voltei para a pista para a última volta e fechar o revezamento. Claro que no fim do dia o desempenho não foi o mesmo: além de já estar um pouco desgastado da primeira volta, agora estava mais quente e com mais Sol. A vantagem é que, por ser a última volta, não tinha mais muvuca, já ocorria um belo espalhamento de pessoas pelo circuito (sem falar naqueles que já estavam concluindo). Completei a última volta em 30m27s. Somando os dois tempos consegui completar 10km abaixo de 1 hora em um circuito com muitas subidas, então dei-me muito por satisfeito com o resultado.

Para finalizar a foto da medalha desta edição da corrida. A última de 2015.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Um novo velho desafio: 10 Km da Tribuna 2015

Participei da minha primeira corrida de rua em 2008 na prova dos 10 km da Tribuna. De lá pra cá foram 5 participações consecutivas nesta prova. Fiz 2 anos de intervalo para me concentrar em outros desafios, como por exemplo participar de uma Maratona. Neste ano de 2015 resolvi que não ia participar de nenhuma prova longa, mas sim que iria focar em provas mais curtas e buscar melhorar meu ritmo. Tudo isso porque o foco em longas distâncias fez com que eu perdesse um pouco de velocidade. Achei que uma boa meta seria fazer uma prova de 10k abaixo de 50 minutos (meu melhor tempo era de 50min51seg). E a prova da Tribuna, como já expliquei em posts anteriores, seria a ideal para buscar esta marca. Até mesmo porque, depois de tantas participações, posso dizer que já conheço cada metro do percurso. Sei exatamente onde estão os postos de água, quais são os trechos com a pista mais estreita, ou com asfalto ruim, dentre outras coisas. Então busquei uma planilha de treinos e segui o melhor que pude para atingir minha marca.

O treino mostrou um pouco de resultado. 3 semanas antes da corrida fiz um treino no qual cravei 52 minutos. Mas logo na semana seguinte acabei viajando e quebrei um pouco o ritmo de treinos. Também não fui muito atento à alimentação, cometendo alguns excessos. Resultado: na semana anterior à da corrida estava fazendo em 53 minutos. Mas sabe como é, no dia da prova a gente sempre encontra aquela energia adicional, então quem sabe?

Quando cheguei na retirada do kit percebi que era a trigésima edição da corrida. Realmente, lembro-me que a edição de 2010 era a 25a., motivo pelo qual a organização até preparou uma revistinha que veio no kit do atleta. Pelo visto desde então a revistinha sempre esteve presente, sendo que dessa vez não foi diferente. Algumas informações acredito se repetirem todo ano: galeria de campeões, número de atletas em cada edição (desta vez foram 21 mil, o que faz desta prova a maior de 10k do Brasil em número de participantes), número de atletas por cidade (destaque para as cidades da Baixada Santista, como não poderia deixar de ser, mas ainda assim com participantes de várias cidades de São Paulo e inclusive de outros Estados), dentre outras. Mas o que mais gostei mesmo foi da entrevista com duas figuras respeitadíssimas pelos corredores: o médico Drauzio Varella e o campeão Vanderlei Cordeiro de Lima (o mesmo que foi abraçado pelo padre irlandês na maratona olímpica em Atenas-2004, e que já venceu a prova da Tribuna em edições anteriores). Outras matérias interessantes foram a evolução da prova ao longo dos anos e uma entrevista com o campeão Luiz Antonio dos Santos, vencedor da primeira edição em 1986.

Chegou então o momento da prova. Cheguei cedo à Av. João Pessoa, sede do prédio da Tribuna e local da largada. Muita gente como sempre, mas como cheguei cedo consegui um bom lugar pra largada. Uma bola enorme da Tribuna ficou ali na região de largada permitindo um momento de descontração para os atletas enquanto esperavam a sirene.


E enfim a prova começou. Parti com a estratégia de tentar fazer 4:50/km no início para construir uma certa margem. Completei o primeiro quilômetro, logo na saída do túnel, com exatos 5 minutos de prova (talvez 1 ou 2 segundos a menos). Tudo bem, no começo sempre é necessário desviar de outros atletas, fazer algumas ultrapassagens, é normal perder um pouco de tempo. Mas percebi que consegui lidar muito melhor com esse tipo de situação do que na maioria das vezes. Segui focado na minha corrida e ao cruzar o km2, já na virada da Av. Ana Costa, estava com 9:50 de prova. Peguei água no primeiro posto, mesmo que estivesse uma manhã fria e a água estivesse gelada. Mas se tem uma lição que aprendi nas maratonas que participei foi a de como me hidratar corretamente. Tanto que nem perdi tempo com isso. No km3 eu consegui melhorar mais o tempo, e passei com 14:45. Mas por outro lado senti que estava puxando demais. Virei na Francisco Glicério e no cruzamento com o canal 3 veio o km4. Desta vez não peguei água, e senti que o ritmo havia mesmo piorado: 19:50. Ainda tinha uma certa margem, mas não dava pra vacilar. Quando pensava em aumentar o ritmo, lembrava que ainda tinha muita corrida pela frente e precisava maneirar. E no km5, metade da prova, na Av. Afonso Pena, passei com 25:03.

"Droga!" Foi o que me veio à mente. Ia ter que fazer uma segunda metade mais forte que a primeira. E eu não achava que estava sobrando na prova desse jeito. Muito pelo contrário. Achei que não ia dar, mas pelo menos tinha condições de melhorar meu recorde pessoal. Continuei focado na minha corrida, naquilo que eu deveria fazer. Tão focado que peguei a água no posto do km6 e nem lembrei de olhar no relógio para ver meu tempo. Mas no km7, já no Canal 5, veio a confirmação de que eu estava cansando: 35:30. Trinta segundos acima do tempo meta, e faltando 3 quilômetros. Diferença muito grande para buscar no final. Nesse momento que tive a certeza de que a meta dos 50 minutos não seria alcançada dessa vez.

Virei para o trecho final na praia, bem ali onde está a marca do km8, com 40:30. Pelo menos havia recuperado o ritmo. E na praia, com o calor humano trazido pelo público que sempre acompanha a prova, é que vem aquela energia a mais. Como eu já estava bem cansado e era muito difícil realizar ultrapassagens, o resultado foi que esse fôlego a mais serviu para me manter no mesmo ritmo, tendo passado pelo km9 com 45:30 e pelo km9,5 (sim, a prova da Tribuna tem essa marcação) com 48:00. Quando avistei a linha de chegada soltei todo o gás que tinha e parti para um sprint final enlouquecido: terminei a prova com 50min15seg! Acima do tempo meta, mas o suficiente para estabelecer um novo recorde pessoal!


Qual foi a sensação? Basta ver a foto. Felicidade, claro. Por voltar a correr em Santos. Por voltar a participar desse baita evento que é a prova da Tribuna. Mesmo já sendo essa a minha sexta participação no evento, mesmo já tendo passado por desafios muito maiores, a sensação de terminar é sensacional. Realmente, essa é uma prova diferenciada. Não sei se por ser em Santos, cidade onde nasci. Ou se pela organização que a meu ver foi impecável dessa vez. Ou se pelo forte apelo popular da corrida. Ou se pelo percurso que é muito rápido e muito bonito. Ou se é por tudo isso ao mesmo tempo. Mas fato é que mesmo tendo participado de muitas outras corridas por aí, posso afirmar que essa é sem sombras de dúvidas uma das melhores corridas de rua do Brasil.


Tem outra coisa muito legal a relatar sobre a edição deste ano. Como já explicado, a prova é organizada pela Tribuna, veículo de comunicação compreendido por um canal de tv, uma rádio e um jornal impresso. Como não poderia deixar de ser, a edição do jornal impresso no dia seguinte traz a corrida como um dos principais destaques. Pois veja você como foi a capa da edição desse ano. É possível reconhecer alguém no canto inferior esquerdo?


Para fechar, como sempre, a foto da medalha. Não foi dessa vez que fiquei abaixo dos 50 minutos. Mas valeu. Tenho uma boa desculpa para voltar a correr na Tribuna numa próxima oportunidade :)


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Quando duas paixões se encontram: Santos Run 8k

Todo mundo sabe que gosto muito de correr. Não é à toa que comecei esse blog. E acho que todo mundo sabe também que gosto muito de futebol e que meu time do coração é o Santos Futebol Clube. Bom, quem não sabia ficou sabendo agora. Pois qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o clube estava agora organizando corridas de rua?

A bem da verdade eu já sabia da existência dessa corrida. Mas não consegui participar em outros anos devido a conflitos com outros compromissos pessoais. De qualquer modo, uma vez que esse ano eu havia traçado como objetivo principal participar de provas curtas para melhorar meu tempo, e que o foco seria a preparação para uma prova de 10k, achei que a inclusão de uma prova de 8k no meio dos treinos seria unir o útil ao agradável.


Ainda mais se o agradável fosse uma corrida organizada pelo seu time do coração. Com largada do lado da Vila Belmiro e chegada dentro dela! O percurso seria por ruas próximas ao estádio, passando também pelo centro histórico da cidade. Curiosamente uma corrida em Santos que em nenhum momento sequer passou perto da praia, que costuma ser o "point" das corridas de rua na cidade. Mas desta vez o "point" era mesmo o Templo Sagrado.

Já no sábado durante a entrega do kit achei a brincadeira bem interessante. A camisa era muito bonita: azul marinho, com uma tonalidade parecida com a camisa número 3 lançada alguns anos atrás, fugindo um pouco da obviedade do branco e preto do time. Além da camiseta, o kit também vinha com vários cupons de desconto em lojas de um shopping de Santos (no qual foi realizada a entrega dos kits) além da loja Vila do Santos. Mas é como eu gosto de dizer: desconto para você comprar coisas que você não precisa e que você não compraria se não tivesse um desconto.

Veio então a hora da largada, com o povo animado e cantando o hino do Santos quando tocou a sirene. Pelo baixo número de participantes da prova (menos de 3 mil), a dispersão pós-largada até que se deu de forma bem rápida, mesmo com as ruas estreitas do bairro da Vila Belmiro. Também devo considerar que cheguei cedo e consegui um bom lugar pra largar. Aliás, a boa largada foi fundamental para imprimir um bom ritmo de prova desde o começo. Mesmo sendo uma prova festiva, eu havia fixado a meta de tempo de 40 minutos, condizente com o ritmo necessário para fechar futuramente os 10k em menos de 50 minutos.


Logo tomamos a Av. Pinheiro Machado, popularmente conhecido como Canal 1, em direção ao centro da cidade. Passamos na frente do Teatro Municipal, para a seguir passarmos por uma pracinha chamada de Vila Belmiro e pegarmos a Rua Júlio de Mesquita, já no centro da cidade. O ritmo seguia muito bom e na faixa dos 5 min/km. Viramos na Av. Conselheiro Nébias e seguimos até a Av. João Pessoa.

Trata-se da avenida no centro da cidade onde se situa o prédio da sede da Tribuna. Acredito que o intuito da organização era justamente esse, pois trata-se do jornal que cobre mais de perto os jogos do time. Mas não deixou de ser curioso passar na avenida onde ocorre a concentração e a largada da corrida que o próprio jornal organiza, e que é muito mais famosa. Mas diferentemente da prova da Tribuna, que segue pelo túnel que passa debaixo do Monte Serrat, na Santos Run os corredores faziam um retorno em 180 graus, o que inevitavelmente obriga a uma redução de velocidade.

Seja como for, nessa avenida passei pela faixa dos 5km com 25min45seg de tempo. Um pouco acima da meta, mas ainda assim um tempo bom. Pegamos a Av. Senador Feijó, e mais pra frente, já de volta na Rangel Pestana, um outro corredor me alertou sobre minha postura. Disse que eu estava perdendo energia por me curvar muito pra frente. Na verdade esse é um defeito meu que já conheço e que preciso de fato corrigir. Isso acontece principalmente quando estou me cansando, o que era o caso devido ao forte ritmo. De qualquer modo, passei pela marca de 7km com 36min01seg. Como ainda tinha energia sobrando decidi que soltaria tudo o que tinha direito no último quilômetro.


Como é possível ver pela foto acima, a chegada ocorreu dentro do estádio, entre o banco de reservas e a linha lateral do gramado. Com direito ao hino do Santos tocando nos alto-falantes da Vila famosa. Melhor que isso só se tivesse algum jogador (ou ex-jogador) ali para saudar os atletas que chegavam. Mais ou menos como fizeram na prova da Indy, na qual Tony Kanaan estava na largada cumprimentando os corredores.

Tudo bem que soltei tudo o que tinha no quilômetro final e realmente acho que "voei", mas ter completado a prova com 38min56seg significa ter feito o último quilômetro em menos de 3 minutos, coisa que só um profissional conseguiria. Realmente coloco em dúvida a distância exata da corrida. Quando cheguei em casa fiz o mapeamento do percurso usando o MapMyRun e deu 7.8km. Pelas minhas contas com esses 200 metros a mais eu teria feito um pouco acima de 40 minutos no tempo final. Bom, deixa pra lá.

A experiência de correr uma prova organizada pelo seu time do coração com chegada dentro do próprio estádio foi sem dúvida algo inesquecível. Se você não é santista, não se desespere: sei que os outros "grandes" de São Paulo também organizam provas parecidas. E acho que no Rio existe uma corrida das torcidas também. Enfim, existem outras opções por aí na praça para quem quiser correr uma prova relacionada com futebol.

Agora, o mais legal vem agora: a medalha! Caprichosamente produzida no formato do escudo do Santos. Não deve ter sido fácil de fazer. E ficou realmente muito bonita. Mais uma pra coleção!


terça-feira, 28 de abril de 2015

Map My Run - Janeiro a Março 2015




Quando pensei em escrever sobre a última prova que participei, percebi que ainda não havia escrito nada este ano. Por esse motivo achei melhor começando sobre os treinos que realizei no primeiro trimestre deste ano.

Pois 2015 começou e já no primeiro dia calcei o tênis e fui correr. Acho que foi a primeira vez que corri no primeiro dia do ano. E Janeiro foi um mês intenso, com treinos também de natação e bike. Procurei preços de academias para começar a nadar, recebi ofertas de bicicletas de competição, mas no fim das contas decidi que ainda não é a hora do triathlon. Trata-se de um esporte que na verdade são 3, e você tem que estar treinando os 3 o tempo todo. Exige realmente bastante dedicação, mas outros projetos pessoais são mais prioritários no momento.

Some-se a isso o resultado do sorteio da Maratona de Nova Iorque, no qual fui mal-sucedido. Por esses motivos decidi que, se 2014 foi um ano dedicado às corridas longas, 2015 seria dedicado às provas mais curtas. Quem sabe melhorar meu tempo nos 10k, visto que nunca fiz abaixo de 50 minutos? De qualquer modo, natação e bike continuam eventualmente fazendo parte de alguns treinos cruzados, que é quando quero realizar um exercício diferente da corrida de modo a quebrar a rotina e poupar o joelho do exercício de impacto.

De todos esses treinos destaco meu treino mais longo de bike realizado em 24 de Janeiro. Foram 42km. Sim, o equivalente a uma maratona. Mas claro que as provas de bike de longa distância são muito maiores do que isso. Só pra ter uma ideia, no Ironman são 180km.

Em breve devo escrever sobre a primeira corrida que participei este ano, além do próximo desafio.