terça-feira, 3 de novembro de 2026

42km aos 42 anos: Maratona de São José dos Campos

Dos posts anteriores (em especial o último), ficou claro que a minha meta pessoal do ano era o de finalmente desafiar novamente a Maratona. Experiências que já relatei aqui nos longínquos anos de 2013 no Rio de Janeiro e 2014 em São Paulo. Foram duas corridas sob calor intenso, nas quais tive muitas dificuldades apesar de ter me preparado com treinos na casa dos 36km para ambas. Nos dois casos, fiz acima de 5 horas de prova e tendo caminhado bastante, principalmente no final. Se por um lado tive a alegria de completar, por outro ainda tinha um gostinho amargo de ter caminhado bastante e feito um tempo muito alto. Então, depois de focar em outros projetos pessoais (como o Doutorado), depois da pandemia e depois dos primeiros anos da paternidade, parecia ter chegado a hora de encarar novamente o desafio.

Acabei estudando outros treinos diferentes do que havia feito no passado. Li material sobre técnica. E comecei a fazer o fortalecimento muscular que sempre negligenciei e que muita gente me recomendava fazer. Escolhi a Maratona de São José dos Campos, pela comodidade de ser "em casa" e também pela data de Setembro, que casaria bem com uma periodização de treino que me permitisse chegar lá preparado. 

Então comecei a me preparar, alternando as corridas com os treinos de fortalecimento durante a semana. E aos finais de semana sempre com um treino longo. Fui aumentando a distância gradativamente, mas também alternando com treinos mais curtos para garantir uma boa recuperação. Meu treino mais longo previsto era de 32km. Aproveitei para fazer um reconhecimento do percurso. Como eu já havia corrido a meia dessa prova no ano anterior, conhecendo portanto parte do percurso, aproveitei o ensejo para visitar o trecho do percurso que eu ainda não conhecia (ou pelo menos não correndo). Tratava-se de um trecho de cerca de 10km. No final das contas, esse treino foi de 33,33km pois acabei dando uma esticada. Neste treino, consumi 3 sachês de carboidrato em gel, nos km 9, 17 e 25. Para a corrida, a ideia seria utilizar uma dosagem maior. Olhando o percurso da prova, decidi consumir um gel a cada 7km. Sendo que nos km12 e km28 haveria um posto de isotônico. Além é claro dos postos de água a cada mais ou menos 2-3km.

Na retirada do kit, recebi o número do peito 110. Perguntei quantos inscritos haviam na prova e me informaram se tratar de 620. Um décimo portanto da Maratona de São Paulo deste ano! O que me leva a crer que a prova só é economicamente viável para os organizadores pois existem as provas nas outras distâncias de 5k, 10k e 21k. Pois o custo do evento, devido à quantidade de vias interditadas, postos de hidratação, profissionais envolvidos, é basicamente por causa da Maratona. Os outros eventos entram mais como receita do que como custo nessa conta.

Seja como for, caprichei na preparação na véspera. Alimentação leve na noite anterior, roupa da corrida e carboidrato em gel separados com antecedência. A largada estava prevista para 05:00 da manhã. Acordei às 03:30, tomei meu café e fui ao banheiro, mas o intestino mal funcionou. Fiz meu alongamento e me desloquei até a largada. Faltando cerca de 15 minutos para a largada me veio uma certa vontade de ir ao banheiro. Ali na área da largada procurei pelo banheiro químico e desta vez o intestino funcionou do jeito que eu esperava. Estava enfim pronto pra largada!

A largada aconteceu pontualmente às 05:00, ainda durante a fria madrugada e bem antes do nascer do sol. Um show de luzes marcava o local, com direito a fogos de artifício ao final da contagem regressiva. A organização realmente caprichou nesse aspecto. E por serem apenas pouco mais de 600 corredores, todos dispostos a encarar uma prova longa, não houve tumulto algum na largada. Todo mundo saindo tranquilamente, sem grande afobação nem empurra-empurra. Tampouco se ouvia muita gritaria ou gente conversando. Afinal, a prova ia demandar muita energia e não valia a pena ficar se desgastando à toa no começo.


Eu não tinha nenhuma meta de tempo estabelecida. Só não queria que fosse um sofrimento acima das 5 horas, e para isso não queria precisar caminhar. Sabia que não devia forçar muito no começo para não sentir o cansaço mais pro final. Enfim, algo que aprendi com a experiência de anos de corrida. Dados os treinos mais longos, sabia que podia mirar em manter o ritmo de 6min/km pelo menos no começo, e depois ir dosando conforme a prova se desenvolvesse. Logo nos primeiros 2 quilômetros virei com as parciais de 5:50min/km. Estava frio e nublado, mas sem chuva. Como, aliás, foi o clima durante o mês todo que antecedeu a maratona. Enfim, passei pelo cartão postal do Arco da Inovação (o nome da ponte estaiada em forma de arco). Diga-se de passagem, das inúmeras corridas de rua de São José dos Campos, a Maratona é a única que passa por ele. A seguir tomei o rumo da Farma Conde Arena, um ginásio poli-esportivo que também é utilizado como ponto de concentração para algumas corridas da cidade. Seja como for, fui mantendo um bom ritmo e passei pela parcial dos 10km com cerca de 58min30seg de prova, sempre virando próximo à marca dos 6min/km. E também me mantendo fiel à estratégia de hidratação e reposição de carboidratos que eu havia traçado e que descrevi mais acima.

No km12, primeiro posto de isotônico, acabei caminhando. Mas não por sentir cansaço ou coisa parecida. E sim porque era simplesmente impossível (pelo menos para mim) tomar o líquido sem derramar do copo e fazer uma lambança. Mas logo que finalizei retomei o bom ritmo. Porém, no km19, acabei marcando uma parcial ruim: 6:20min/km! Nessa hora fiquei preocupado, pois era muito cedo para ter uma queda de desempenho acentuada (o famoso muro da maratona).

Fiquei atento ao tempo nos quilômetros seguintes. Passei pelo km20 perto de 1h58min, ou seja, fazendo em cerca de 1h os últimos 10km. E passei pela marca da meia maratona com 2h05min, mantendo a parcial de 6min/km. Nesse momento, lembrei-me de um episódio esportivo interessante. No ano de 2017, no SuperBowl, a grande final da NFL, liga de futebol americano dos Estados Unidos, o New England Patriots perdia por 28-3 no início do terceiro período. Eu já estava quase desligando a tv e indo dormir pois o jogo parecia definido. Resolvi dar uma chance, pois se acontecesse uma virada histórica eu jamais me perdoaria. E logo o Patriots foi reagindo, pontuando, e empataram o jogo no último minuto! Pela primeira vez em 51 edições o SuperBowl foi para a prorrogação. E o Patriots acabou prevalacendo e ganhando a partida. Logo após o jogo, perguntaram ao técnico Bill Belichick o que ele havia contado ao time para motivá-lo a buscar a virada. E a resposta dele foi um tanto simplória: disse que eles estavam ali na final do campeonato pelo que eles treinaram e jogaram ao longo de toda a temporada. Então que eles deviam apenas se concentrar e fazer o jogo deles, que o resultado viria.

Ok, no futebol americano você enfrenta um adversário, então isso não é tão simples quanto parece. Mas trazendo essa reflexão para a minha realidade, meu maior adversário era eu mesmo. E talvez a minha mente. Ou as travas invisíveis que ela coloca. Por exemplo, uma parcial ruim em um quilômetro não significa que já encontrei meu limite. Eu estava me sentindo bem. Comecei a rodar bem novamente nos quilômetros seguintes, alguns deles rodando abaixo de 6min/km. Mantive-me fiel à estratégia de hidratação e carbo-gel, sem me afobar, e logo já estava chegando no km30, com apenas 3h01min de prova. Novamente uma parcial de cerca de 1h nos 10km anteriores. E sem caminhar.

Nesse ponto tive certeza de que completaria a prova. Iniciei então uma verdadeira contagem regressiva a cada quilômetro que completava. Peguei o isotônico no km28 e depois no km31 também (o posto era o mesmo, apenas que passei por ele novamente após um retorno na mesma via). Havia distribuição de mini-coca também nesse posto e vi bastante gente pegando. Achei estranho, mas já tinha ouvido falar que algumas pessoas tomava por conta do sódio e do açúcar. Mas como eu não havia treinado dessa forma, achei melhor não arriscar e portanto dispensei. Cruzei então o km33 em ritmo bom e com 3h24min (bem abaixo das 3h33min do meu treino mais longo). Enfrentei a subida do km36 para pegar o viaduto. Cheguei a ultrapassar algumas pessoas caminhando nesse ponto. Mas eu continuava no meu ritmo. Cheguei a embalar na descida do  km37 e acho que fiz a parcial abaixo de 6min/km. A corrida tava no papo! Veio o km39 e uma nova separação no percurso entre quem vinha pra maratona e quem fazia as outras distâncias: o pessoal da maratona ainda precisava fazer um "vai-e-volta" adicional antes de passar para o outro lado da avenida e cruzar a linha de chegada. Isso é um pouco frustrante, principalmente pois nesse pontos você já enxerga a chegada ali do outro lado da avenida.

E então foi nesse ponto que encontrei o muro, virando a 7min10seg no km40. Finalmente veio aquela sensação de correr sem sair do lugar. O cansaço realmente batia. Aquela euforia da descida do km37 talvez fosse o que alguns chamam de "barato da maratona", que antecede a chegada do muro. Mas a prova já estava ali nos finalmentes. Eu já via a linha de chegada do outro lado. Segui em frente, passei pelo km41 novamente acima dos 7min/km. Nesse momento todo o filme começou a passar na minha cabeça. As maratonas anteriores, a escolha pelo doutorado, a pandemia, a dificuldade de dormir com a chegada do bebê, o reinício das minhas corridas em 2024 com uma prova de 10k, a escalada para distâncias maiores, 15k (São Silvestre), 21k e todo o treino da maratona. Novamente a lembrança do discurso do Bill Belichick sobre o que me trouxe até aqui. E o pensamento de que minha família estava em casa me esperando para o almoço.

E em meio a todo esse pensamento, um senhor me ultrapassa dizendo que ia pegar meu pódio. Respondo dizendo que era todo dele, que ele merecia. E começo a ver muita gente próxima as grades na lateral do percurso me incentivando para concluir a prova. Assim como em provas de grande apelo popular, como a Tribuna em Santos, a São Silvestre ou a Maratona do Rio. Com esse combustível e a visualização do pórtico da chegada, acelero e inicio um sprint final que termina com um sonoro berro de liberação ao cruzar a linha de chegada!

Sim, foi uma liberação. Depois de 12 anos, concluí novamente a maratona. E dessa vez sem caminhar. Com um tempo líquido de 4h23min38seg. Bem abaixo das 5 horas. Abaixo até de 4h30min. Um tempo de respeito para uma "primeira maratona" (afinal, depois de tanto tempo foi como se fosse a primeira). 

Dos 620 inscritos, 413 homens e 67 mulheres concluíram a prova. Fui o colocado número 250 na classificação do masculino. Mas não era pra me comparar com ninguém que corri, senão que comigo mesmo.



Pra finalizar, como não poderia deixar de ser, deixo as estatísticas de altimetria e as parciais medidas pelo meu relógio. Além, é claro, da foto da medalha!

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Preparando para dobrar a meta: Meia da Maratona de São Paulo

Com o fim da pandemia voltei a pensar em correr uma maratona a partir do final de 2023. Mas naquela época eu estava praticamente retomando do zero. Fui participando de provas, aumentando as distâncias, melhorando minha velocidade, até que entrei em 2026 com o objetivo de voltar a pensar em correr uma maratona. Voltei a consultar as planilhas de treinos, tentando elaborar meu planejamento de como seriam os treinos para este desafio. Pensei que seria uma boa ideia participar de mais uma Meia Maratona, desta vez sim com uma meta bem clara e definida de tempo, como uma etapa intermediária. Baseado na experiência das últimas meias, a meta sub-2h parecia interessante. Em 2024, na Meia Maratona de São Paulo, fiz pouco abaixo de 2h em um dia de muito frio (o que me ajudou) mas também tive uma recuperação ruim. Já em 2025, na Meia de São José dos Campos, fiquei a apenas alguns poucos segundos do sub-2h, em um dia de forte calor. De todo modo coloquei para mim mesmo este desafio.

São 12 anos desde a última, a Maratona de São Paulo de 2014. Eu havia feito uma boa preparação, com treinos longos na casa de 36km. Fez muito calor no dia e até cogitei não correr. Mas no final, deu tudo certo. Se quiser saber maiores detalhes, eu escrevi um post dessa corrida. Basta clicar no link acima. Muita coisa mudou desde então. Estou correndo de forma mais consciente, tendo estudado mais sobre o assunto, perdido alguns quilos no caminho e me preparando melhor de uma forma geral. Mas também, não sou mais um menino. Necessário mesmo ter maiores cuidados. 

Um amigo pegou o kit da corrida pra mim. Em sacola de papel, e não em "sacochila" como o habitual das corridas de rua. Será uma nova tendência? De todo modo, o kit veio bem recheado, com diversos brindes dos patrocinadores e até mesmo um carbo-gel. Gostei bastante da camiseta da corrida. Preta, com detalhes em amarelo. Nas costas, o percurso da corrida desenhado. Achei a camiseta da meia até mais bonita que a da maratona, que era amarela com os detalhes em preto. 

No ato da inscrição era necessário informar a estimativa de tempo de prova. Não lembro exatamente os valores, mas a terceira das quatro faixas de tempo era algo como "de 1h56min a 2h15min". Ou seja, meu tempo-meta estava nessa faixa e não tive dúvidas com relação a essa escolha. Eu estava então na terceira onda de largada. Chegando ao Obelisco do Ibirapuera, local da largada, a área estava tão bem isolada que tive até dificuldades de encontrar o meu acesso para a área de largada. Quando consegui entrar (as duas primeiras ondas já haviam largado), fui caminhando lentamente até o pórtico. O locutor do evento estava pedindo pro pessoal já começar a correr, antes mesmo de dar o horário da nossa largada. Era um verdadeiro mar de gente. Mais de 6 mil inscritos pra maratona e mais de 10 mil inscritos para a meia. Enfim, apesar da confusão, a largada transcorreu tranquila e sem maiores problemas. Os primeiros quilômetros foram na Av. Rubem Berta, indo praticamente até o aeroporto de Congonhas. Difícil de encontrar um espaço para correr no meio de tanta gente. Muita gente correndo junta, em duplas, trios, ou até grupos maiores. Acho bem legal quem se propõe a fazer a prova inteira em grupo, mas isso acaba criando um problema logístico pois muitas vezes dificulta bastante o fluxo. Eu me peguei negociando ultrapassagens em diversos pontos até mais ou menos o km7 da corrida. Ou seja, praticamente um terço!

Isso talvez seja até um reflexo de como as corridas de rua, e consequentemente as maratonas, estão se popularizando por aí. Encontrei na internet a informação de que quando corri a Maratona de São Paulo em 2014, um total de 18 mil participantes estavam distribuídos nas distâncias de 10k, 25k e 42k. Não encontrei a informação oficial de quantos estavam em cada categoria. Mas da minha memória, cerca de metade do pessoal que largou estava ali para a prova de 10k, pegando logo o primeiro retorno. Desta vez, somando apenas Meia e Maratona, o número de participantes já chegava a 16 mil, bem próximo daquele valor. Então não foi à toa que fiquei com a sensação de que tinha mais gente. O evento da Maratona de São Paulo cresceu de lá pra cá. E muito!

Deve-se ressaltar também a infra-estrutura do evento. Muita gente reclama dos preços altos das inscrições, mas há de se considerar quanto custa realizar a corrida. Isolar as ruas junto à CET, garantir assistência médica para emergências, além dos postos de hidratação. E para a Meia e a Maratona, existiam também postos com isotônico. Além disso, recebi um carbo-gel no kit da corrida. Deste modo, no sábado, parei para estudar o percurso e definir os pontos nos quais iria consumir as minhas 2 bananinhas, o meu carbo-gel e o isotônico.

Comi minha primeira bananinha no posto de hidratação do km 7,7, já na Av. República do Líbano, e após o retorno do pessoal que participou da prova de 10k. Meu ritmo estava muito bom, virando até abaixo de 5min30seg por quilômetro. Segui focado pela Av. Juscelino Kubitschek, mantendo sempre o bom ritmo. Consumi meu carbo-gel na altura do km10,6. Cruzei a marca de 11km, próximo ao Parque do Povo, com pouco mais de 1h de prova no relógio. Ou seja, eu tinha 1h para correr os 10km restantes e ficar abaixo da meta sub-2h. Eu me sentia bem e tudo parecia sob controle. Pensei comigo mesmo: "tá no papo!"


Mas é claro que eu estava próximo ao Rio Pinheiros. Tão próximo que logo a seguir estava eu cruzando-o pela Ponte Cidade Jardim. Portanto, ali deveria ser o ponto mais baixo da prova. Consequentemente, a volta prometia ter subida. Além disso, o dia havia amanhecido nublado, mas o Sol já começava a aparecer e a temperatura parecia subir. Então, não dava pra pensar que estava tão no papo assim. 

Do outro lado do Rio Pinheiros logo encontrei o posto de isotônico no km 13. Corremos pela Av. Lineu de Paula Machado, que passa atrás do Jockey Club e chega na Cidade Universitária. Pois é, o pessoal da Maratona foi até a USP, mas por estar fazendo a meia, peguei um retorno nessa avenida pouco após o km 14 da prova. Nesse momento a dispersão da prova já estava muito boa, e não deu pra perceber muita diferença pelo fato de ter menos pessoas na pista.

A volta de fato exigiu com algumas subidas, especialmente na Av. Juscelino e seus túneis. Comi minha última bananinha no km17, com cerca de 1h34min de prova. Meu ritmo já estava um pouco pior, virando na faixa dos 5min45seg. Mas sempre com todas as parciais abaixo dos 6min/km, e com uma projeção animadora para fechar abaixo das 2 horas.


Dentro do último túnel voltei a sentir um certo aperto no espaço da corrida. De modo a permitir a passagem dos líderes da maratona, uma das faixas do túnel foi isolada por meio de cones, o que restringiu o espaço disponível para o pessoal da meia. Novamente me vi obrigado a negociar ultrapassagens, reduzindo o ritmo e me desgastando um pouco mais nessas horas. Por volta do km19, os líderes da maratona de passaram. Curioso que um amigo achou na internet o vídeo do instante que apareci na transmissão da corrida, sendo ultrapassado pelos líderes. Todos quenianos.

Pouco depois disso, cheguei na Av. República do Líbano e contornei novamente o Parque do Ibirapuera. Peguei a última água já no último quilômetro e busquei acelerar o que dava para o sprint final. Nesse momento faltou perna para acelerar mais. Há de se ressaltar também que no final da prova o calor já começava a incomodar um pouco. E fiquei com a sensação de estar cruzando a linha de chegada em meio a um mar de gente. No final, o tempo registrado foi de 1h57min27seg. Bem abaixo das 2 horas, proporcionando a gostosa sensação de missão cumprida! 

Não poderia deixar de comemorar com uma foto em frente ao Obelisco do Ibirapuera. Exatamente como havia feito na Maratona de São Paulo em 2014, embora não tenha ficado registrado nesse post. E com o objetivo do sub-2h finalmente cumprido do jeito que eu queria, ficou sim no ar a sensação de que já estava na hora de pensar em dobrar a meta. Claro que isso exige uma rotina de treinos bem mais demandante. Mas está posto o desafio!


Pra finalizar, como tem sido habitual nos últimos posts, seguem as minhas parciais. Todas elas abaixo de 6min/km. E também, é claro, a foto da medalha!



quinta-feira, 19 de março de 2026

Por uma boa causa: Santander Track and Field Run Series Cidade Jardim

Minha participação na São Silvestre no final de 2024 foi algo que repercutiu entre meu círculo de amigos e pessoas próximas. Achei muito legal que isso serviu de inspiração e motivação para que outros começassem a correr também. Como sempre digo, a corrida é algo que serve principalmente para cuidarmos da nossa saúde, seja ela física ou mental. Ajuda a definir metas e objetivos pessoais e trabalhar para consegui-los.

Por isso achei muito legal quando um amigo começou a correr, com a meta de participar da São Silvestre algum dia. Foi legal vê-lo progredir em caminhadas e corridas mais longas, até que começou a participar de provas de 5k e me convidou para ir com ele em uma prova de 10k. Tratava-se de uma prova do tradicional circuito da Track and Field Run Series, que conta também com parceria do Santander. Trata-se de uma iniciativa de marketing da marca. Promovem corridas nas imediações dos shopping centers com lojas da Track and Field. Você ganha aquele cupom de desconto esperto para gastar na loja no dia da entrega do kit. E ainda tem isenção do estacionamento do shopping por algumas horas no dia da corrida.

Já participei de uma prova deles no ano de 2019, no Shopping Colinas, em São José dos Campos. Naquela ocasião, comentei nesse post que a prova era bem organizada, mas que curiosamente eu nunca havia participado. Não deixa de ser curioso que eu só voltei a participar 7 anos depois, e só porque alguém me convidou. A diferença é que dessa vez a prova foi no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Achei legal até mesmo porque eu não conhecia aquele shopping, nunca havia ido lá. O kit da corrida mostrou-se bastante recheado, cheio de brindes dos mais diversos patrocinadores. Algo que tem sido um tanto quanto raro hoje em dia.

Veio então o dia da corrida e a largada. Fomos em 3 amigos para a largada. Um deles com a meta de apenas completar a prova e o outro com meta de bater seu RP (recorde pessoal) que era de cerca de 48 minutos no 10k. O meu é de 50min15seg, registrado nos 10Km A Tribuna em 2015. Mas eu estava ciente de que estava longe de estar treinado para tal. Comentei que meu tempo ficaria entre 50 e 55 minutos, sendo bem realista.

Veio então a largada às 06:00 da manhã em um domingo ensolarado em um corredor bastante estreito em uma pista da Marginal Pinheiros próxima ao shopping. Achei um espaço ruim, difícil de acomodar a quantidade de pessoas. Mas pouco após passar o pórtico e o tapete da largada o espaço abriu e foi possível encontrar o espaço pra correr sem grandes dificuldades. Logo no começo da prova, já vem o desafio da subida da ponte estaiada da Marginal Pinheiros, considerado um cartão-postal da cidade de São Paulo. 

Nessa subida, logo no primeiro quilômetro da prova, consegui ultrapassar muita gente. E ainda cravei 5min43seg, média superior à 10km/h. Na descida eu dei uma segurada no ritmo, até mesmo por questão de prevenção de lesão, e fui ultrapassado por muita gente que simplesmente solta o gás. Em seguida, indo pela Marginal Pinheiros do outro lado do rio, em um trecho plano, voltei a ultrapassar algumas pessoas. E assim fui seguindo, conseguindo manter um ritmo de cerca de 5min15seg pela maior parte do tempo. Como a corrida foi muito cedo, o clima estava bastante fresco e agradável, o que facilita bastante para manter um bom ritmo de prova. Fiz o retorno em uma curva 180 graus no km4, com o tempo de 21min35seg. Esse era o ponto em que a prova bifurcava entre quem ia fazer 10km e quem ia fazer 21km. Logo após o retorno, havia distribuição de água e isotônico. Acabei reparando muito tarde sobre o isotônico e não consegui pegar. Achei muito estranho pelo fato de ser no km4. Mas, se levar em consideração que para o pessoal da meia ali já era o km15, então fazia todo o sentido aquele posto de hidratação ali. Aliás, até melhor eu não ter pego, aquele isotônico estava lá justamente para quem estava encarando o desafio dos 21k.

Passei pelo km5 com a marca de 26min46seg. Ou seja, projeção de ficar entre 53-54 minutos. Segui o resto da corrida procurando manter o ritmo. Veio a subida da ponte pouco após passar o km8 da prova. Completei o km9 perto do ponto mais alto da ponta, com o relógio registrando exatos 48 minutos. Ou seja, um sprint final abaixo de 5 minutos me daria um tempo abaixo de 53 minutos, melhor que da minha última prova de 10k, que havia sido de 53min11seg. De fato meu relógio marcou de 10k com o tempo abaixo dos 53 minutos, mas o pórtico de chegada ainda estava um pouco à frente. Cruzei o pórtico com o tempo de 53min34seg, com o relógio marcando 10.12km. 120 metros a mais, portanto. Conversando com o pessoal na chegada, vi que todo mundo marcou algo parecido.

E com relação aos meus amigos? Bem, um deles conseguiu seu RP fazendo abaixo de 48 minutos. E o outro conseguiu completar seu primeiro 10k, com um tempo pouco acima de 1 hora. Bom demais! Todos ficaram muito felizes!


Seguem os registros de altimetria e as minhas parciais, conforme registrados pelo meu relógio. Me chamou a atenção que a variação de altimetria foi de apenas 22 metros. Achei que a ponte fosse mais alta. Também estranhei que pelas variações não é possível dizer claramente onde se encontrava a ponte. Pelo visto a precisão de altimetria registrada pelo relógio não é das melhores.

Com relação às parciais, fica nítido como consegui manter um ritmo razoavelmente constante ao longo da prova, perdendo um pouco nos trechos de subida, e com o sprint final. Também fica registrada a distância, pouco maior do que 10k.



Pra finalizar, como não poderia deixar de ser, segue a foto da medalha, com direito à ponte estaiada em alto-relevo.


 


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Festa da firma: Circuito Bem-Estar ADC Embraer

Comecei a trabalhar na Embraer em 2010. Desde então, sei que o clube dos funcionários da empresa (ADC Embraer) organiza uma corrida de rua. Mas nesses 15 anos, nunca tinha tido a oportunidade de participar. Seja por motivos de inscrições esgotarem rápido, ou talvez da falta de alguma companhia para correr junto. Até agora. Foi só aparecer um chefe incentivando o pessoal a participar da prova, e de certa forma "convocando" quem já era corredor, que surgiu um bom motivo para participar. Tudo bem que trata-se de uma prova de apenas 6k (única distância disponível para corrida, a outra opção seria 4k de caminhada) e que seria cerca de 1 mês após a Meia Maratona de SJC, mas o importante era participar para estar com o pessoal.

O percurso também era interessante e singular: largada e chegada na Av. dos Astronautas, em frente à sede da ADC Embraer. Algumas voltas por ali pelo bairro e também dentro do estacionamento da Embraer. Não chegava a entrar nas dependências da empresa em si, muito provavelmente por questões de segurança. Até mesmo porque a participação não era restrita apenas aos funcionários, qualquer um poderia se inscrever. Mas claro que os maiores interessados a participar de uma corrida como essa seriam os próprios funcionários e seus familiares e conhecidos.



Mesmo assim, sempre bate aquele pensamento sobre qual seria uma boa meta de tempo para buscar. Pelo meu pace das provas anteriores, em especial da meia, buscar algo abaixo de 5:30min/km seria algo razoável. Mas considerando a distância mais curta, mirar em 5min/km parecia uma meta ousada, porém factível. Então resolvi adotá-la, e buscar fazer a prova em menos de 30 minutos.

Mas foi pouco tempo de preparo entre a Meia e esta corrida, apenas 4 semanas. Nas 2 primeiras semanas, ainda estava um pouco "de ressaca" da meia, fazendo treinos curtos nos quais ainda não conseguia recuperar um ritmo. Na última semana consegui fazer bons treinos intervalados para acostumar o corpo com velocidades mais altas. Lembro-me também de um treino realizado em Santos no meio do ano no qual fiz 6km em um ritmo forte (para mim), completando em cerca de 32min (cerca de 5:20min/km).

Claro que tudo também dependeria das condições no dia. E de fato, após uma semana muito chuvosa, o domingo amanheceu frio e nublado, embora sem chuva. Condição ideal para a corrida. Bem ao contrário do calor e sol forte da Meia de SJC no mês anterior. Encontrei vários amigos antes da largada, o que por si só já foi muito divertido. Mas como eu pretendia tentar fazer tempo e a distância era curta, logo tratei de tentar ir largar um pouco mais à frente. Dada a largada, procurei impor um ritmo forte desde o começo. Fui tratando rapidamente de fazer as ultrapassagens necessárias, e próximo ao km1 sou ultrapassado por um amigo muito mais rápido que eu. Cruzo o primeiro quilômetro no meio da descida tomando cuidado para não escorregar, e com o relógio marcando 4min43seg. Ok, bem dentro da meta. Mas tudo o que desce também sobe, e logo começou uma baita subida. O que também foi bom para eu entrar definitivamente no fluxo da corrida. Já não ultrapassava muita gente, e também poucos me ultrapassavam. A marca do km2 foi completada com 9min56seg. Ou seja, ainda dentro da meta, mas quase no limite.
Porém, a partir daí foi tudo plano. Peguei água no primeiro posto de hidratação, mais para refrescar a cabeça do que por sede mesmo. Pegamos então a rua da saída dos ônibus da empresa e fizemos uma curva 180° ao final dela, com direito a um tapete de medição. Contei cerca de 120 pessoas à minha frente, entre homens e mulheres. Achei legal que nesse caminho de volta pude ver e cumprimentar diversos amigos e colegas que estavam participando da prova.


Cruzei o km4 com 20min01seg. Acima da meta, mas com fôlego para tentar melhorar. Entrei no estacionamento da Embraer, peguei água no segundo posto de hidratação e tratei de buscar acelerar. Nesse momento foi legal ver gente rápida correndo e fui tentando acompanhá-los, como se fossem os "coelhos" das maratonas, aquelas pessoas contratadas para impor um ritmo forte no começo. Logo vi o resultado, e passei pelo km5 com 24min45seg. E me sentia bem, tinha uma boa margem para o tempo meta.


O foco era tão grande no resultado, que na saída do estacionamento eu já via o pórtico da chegada. Tanto que nem reparei nos fotógrafos que tiravam foto do pessoal passando pela entrada da empresa, com a aeronave Bandeirante ao fundo. Mas fiz o sprint final e completei a prova com 29min07seg! Quase 1 minuto inteiro abaixo da meta! Tudo bem que meu relógio também marcou uma distância inferior a 6km, mas foi pouca coisa.


Não poderia deixar de compartilhar aqui também o pensamento que me ocorreu: se nessa prova de 6km consegui fazer abaixo da meta de 30 minutos com muito frio, então muito provavelmente (arrisco a dizer que certamente), se na Meia de SJC no mês anterior o clima estivesse igual, eu teria feito aquela prova abaixo das 2 horas (faltaram apenas 18 segundos). O que, para mim, apenas reforça a vitória que obtive naquela corrida.

Não eram lá muitos participantes ao todo, ouvi falar em cerca de 1500 contando com a caminhada. Mas como eu tive a sensação que cheguei bem à frente da maioria, fui checar a classificação. Eles separavam entre associados e não-associados. Dentre os homens e não-associados, fui o 51°, sendo o 8° na faixa etária. Nada mal, para um total de algumas centenas de participantes.


Depois de chegar, peguei minha medalha e encontrei meu amigo "queniano". Ficamos aguardando e celebrando a chegada de todos os amigos que cruzavam o pórtico final. Algo realmente bem divertido. Tiramos fotos, celebramos, de modo que a corrida em si passou a ser um mero detalhe para a confraternização. Afinal, esse era mesmo o real motivo de sair de casa num domingo frio e chuvoso como aquele.

Para finalizar, como sempre, a foto da medalha. Mais uma pra coleção!




 

sábado, 18 de outubro de 2025

Rumo aos 42k: Meia Maratona de São José dos Campos


Vou começar esse post assim como comecei este daqui, referente à primeira meia-maratona realizada em São José dos Campos/SP. Desde que me mudei para a cidade, em 2008, vejo muitas corridas de rua sendo organizadas na cidade. Algumas que se tornaram tradicionais, outras que não vingaram. E vendo muita gente participando das provas não só aqui, mas também frequentemente viajando para São Paulo, estava claro que haveria público para realizar no mínimo uma Meia Maratona na cidade. Isso aconteceu em 2017, como relatei na Meia do CTA (curiosamente, uma prova que não vingou). Entretanto, já em 2018 um grupo começou a organizar uma corrida que chamaram de Meia Maratona de São José dos Campos, ocorrendo todo ano desde então (com exceção do período da pandemia) no mês de Setembro. Acabei não participando dessa em nenhuma oportunidade. No ano passado, ao ver alguns conhecidos participando, achei que seria uma boa prova para se tentar em 2025. Eis que este ano a organização inovou, e promoveu a Meia à Maratona completa. A primeira da cidade!

É claro que fica aquela vontade de participar da prova mais longa. Mas isso exige treinamento, dedicação e planejamento. Mesmo para uma meia maratona, já é algo que exige um certo preparo (pelo menos para mim). Curiosamente, nas duas últimas que participei (Meias de Santos e de São Paulo), tive pouco tempo de preparação disponível e fiz a prova do jeito que deu. Comentei nos posts de ambas as provas que não tinha meta de tempo, afinal, com pouca preparação, terminar a prova já me deixaria feliz. Curiosamente, em Santos fiz em 2h00min37seg e em São Paulo 1h59min05seg; ou seja, ambas na cada das 2 horas. Desta vez, conseguindo fazer uma preparação mais adequada, achei ser o caso de estabelecer a meta de fazer a prova sub-2h.

E assim me dediquei aos treinos e cheguei ao dia da prova. Dado o aprendizado de outras provas, decidi por uma alimentação leve antes da corrida, apenas café, fruta, pão e queijo branco fresco, nada para pesar a barriga. Entretanto, aqui acho que cometi um erro sim. Ao invés de mamão, comi abacate pois estava mais maduro. Trata-se de uma fruta mais gordurosa, à qual eu não estava acostumado antes de treinar. Mesmo assim, consegui ir ao banheiro antes da prova e saí de casa cerca de meia hora antes da largada, prevista para 5h45min da manhã. Infelizmente, como a maratona já havia largado (às 5:00, ou seja, 45min antes da meia), muitas ruas já estavam interditadas e o Uber acabou me deixando um tanto longe. Cheguei ao Paço Municipal de São José dos Campos, local da largada, e me posicionei com apenas cerca de 5 minutos de antecedência. Senti o abacate pesar um pouquinho, mas tá valendo. Uma vez dada a largada, todos ali estavam para o mesmo desafio da meia. As provas de 10k e 5k largaram um pouco depois ainda. Dado o calor feito no dia anterior e a previsão do tempo, foi até bom ter largado cedo aproveitar o tempo fresco do início da manhã.


Já no começo deu pra perceber que a meta de sub-2h seria difícil. Embora bem treinado, a prova tinha uma altimetria que não era de se desprezar, além do clima quente. Isso sem falar na quase ausência de sombras, visto que o percurso pegava apenas duas vias de trânsito rápido da cidade (Anel Viário e Av. Mário Covas) e com muito poucas árvores. Virei os primeiros quilômetros na faixa de 5min30seg, passando pela marca de 5k com 28min04seg. Estava um tempo bom para as pretensões da meia sub-2h. Ainda mais que a essas alturas do campeonato já não sentia mais o peso do abacate.

A prova foi transcorrendo normalmente, e fui pegando água nos postos de hidratação. Sempre com a estratégia de pegar 2 copos, tomando um pouco e jogando a maior parte no rosto para ajudar a regular a temperatura corporal. Fiz o retorno 180º no Anel Viário na altura do km6 e desci para a Av. Mário Covas na sequência. Um belo posto de hidratação na altura do km9 continha também banana e isotônico. Pouco depois disso cruzei a marca do km10 com 56min21seg, com um ritmo suficiente para o sub-2h, portanto. E fazendo até então todos as parciais abaixo de 6min/km. Mas já no km11 fiz uma parcial de 6min04seg, o que me deixou um pouco apreensivo pela queda de rendimento. Logo fiz o retorno na Av. Mário Covas e entendi o problema. Esse último quilômetro foi em uma subida razoável, e só percebi isso após fazer o retorno. Consegui retomar o bom ritmo no km12 fazendo a parcial em 5min36seg. Mesmo assim, o calor começava a pegar e eu sabia que ainda teria que encarar duas subidas muito piores mais pra frente: no retorno da Av. Mário Covas para o Anel Viário e depois no próprio Anel Viário. Não à toa algum fotógrafo capturou a imagem ao lado: pelo meu relato, deu pra perceber que passei boa parte do percurso olhando pro relógio e pensando no meu ritmo.

Não que eu não estivesse curtindo a corrida. Claro que estava. Mas toda essa preocupação com o ritmo e as contas não deixavam de ser uma forma de manter o foco e tentar alcançar o objetivo. Mais ou menos nesse ponto da prova o líder da maratona me ultrapassou, e logo comecei a ver alguns maratonistas no sentido contrário (o percurso deles ia para outras ruas e convergia com o da Meia apenas mais para o final). Passei também por uma garota novinha perdida, sem número no peito, que em teoria estava fazendo a prova de 10k mas pegou sem querer a saída para a Av. Mário Covas (ela devia ter ficado apenas no Anel Viário). Tentei tranquilizá-la dizendo que ia dar tudo certo, mas segui meu rumo. Espero que ela tenha conseguido concluir bem sua corrida.

Chegou então o retorno ao Anel Viário, passando antes por uma curva 180º na marcação do km16. Passei por ali com 1h30min50seg! Um pouco acima do tempo para o sub-2h. Eu deveria fazer os últimos 5km com um ritmo médio de 5min50seg para conseguir. Não era impossível, mas o calor já se fazia forte e o cansaço presente. E pra piorar, vieram as duas ladeiras que eu temia. Faço a parcial do km18 em 6min15seg, e nessa hora praticamente dou adeus à meta. Nesse momento, lembro-me de frases motivacionais que vi ao longo do percurso, como: "Sua mente desiste antes do seu corpo", ou então: "Quando as pernas falharem, corra com o coração". Então mesmo sabendo da dificuldade, decidi dar o máximo nos 3km finais. Aproveitei a leve descida e peguei um ritmo alucinante dadas as circunstâncias. Meu relógio marcou 21km com 1h59min50seg! Sub-2h? Calma lá!


Ah, mas a maratona não são 42km redondos! São 42.195 metros! De forma análoga, a Meia Maratona teve sua distância oficial fixada em 21.097 metros. E que diferença fazem esses poucos metros quando você está focado no tempo! Um outro ponto mais relevante é a distância marcada pelo relógio e a distância oficial da prova. Se você fica zigue-zagueando muito na corrida, seu relógio inevitavelmente irá marcar uma distância maior. No meu caso, a diferença não foi tão significativa, um pouco menos de 100 metros na verdade. Ainda assim, esses 200 metros finais (100 na conta do relógio e 100 na conta da distância oficial) foram o suficiente para minha corrida terminar com o tempo oficial de 2h00min18seg.

Quando contei o tempo pra minha esposa ela perguntou: poxa, mas você não conseguia dar um sprint final? Depois contei pra ele que meu sprint final correspondeu a 3 insanos quilômetros. Então realmente não dava. Se eu tivesse sido 1 segundo mais rápido por quilômetro, teria feito abaixo da meta. Será que foi culpa do abacate? Talvez. Mas certamente o clima muito quente e seco contribuiu. No ano passado na Meia de São Paulo fiz abaixo de 2 horas, com menos preparo, mas estava um dia muito mais frio. A temperatura ali oscilou entre 10ºC e 15ºC, enquanto nessa Meia de São José dos Campos a oscilação ficou entre 17°C e 25°C. Nos dias seguintes à corrida chegou uma frente fria e a temperatura despencou. Meus treinos regenerativos me levaram a crer que se a frente fria tivesse chegado mais cedo, muito provavelmente eu teria feito meu sub-2h até com certa folga.

A vida de corredor é assim, nem sempre a gente consegue atingir a nossa meta. E muitas vezes essas coisas acontecem por fatores que fogem ao nosso controle, como por exemplo o clima no dia da prova. O importante é não se frustrar com isso. E pra ser bem sincero, mesmo não tendo atingido a meta de tempo, eu fiquei muito feliz. Senti-me mais inteiro do que na Meia de São Paulo no ano anterior. Consegui me recuperar da prova mais rapidamente. Fiz o sprint final mostrando que ainda tinha energias. E fiquei com a sensação de que se a corrida fosse um pouco mais longa (não ainda o dobro), eu teria conseguido concluir também. Então encaro sim como uma bela vitória. E se ao final da Meia de São Paulo ano passado eu fiquei me perguntando se já poderia começar a pensar na Maratona, a sensação agora foi de certeza nesse sentido. Agora é começar a se planejar, pensar na rotina de treinos e colocar em prática. Quem sabe em 2026?

Embora eu já tenha escrito muito sobre isso ao longo do post, segue o registro oficial do meu ritmo ao longo da prova, bem como a elevação da corrida, ambos registrados pelo meu relógio.



E pra finalizar, a tradicional foto da medalha. Embora o evento fosse a maratona, com o próprio nome contendo o "42k", na medalha ficava claro qual a modalidade que participei. Não deixa de ser uma inspiração para buscar o grande desafio na sequência.








 

sábado, 2 de agosto de 2025

Vai na fé: Corrida da Cidade 2025

A Igreja da Cidade de São José dos Campos é uma igreja evangélica localizada próximo à Via Dutra e também à recente Via Cambuí, uma via de trânsito rápido conectando a Av. Juscelino Kubitschek ao bairro do Putim, inaugurada em 2024. Já há alguns anos eles organizam uma prova de corrida de rua de 5k e 10k em suas imediações. Desde a inauguração da Via Cambuí, a prova passou a organizar também uma versão de 15k. E o percurso não poderia deixar de ser outro senão a própria Via Cambuí. Como já mencionei algumas vezes, não gosto de participar de muitas provas que repetem sempre o mesmo percurso, o que me fez olhar para esta nova prova com um certo interesse. Além de ser um percurso que nunca corri, também é uma região da cidade que poucas vezes passei. Soma-se a isso o fato de que a prova seria realizada em um feriado de quarta-feira, não deixando de ser portanto uma experiência diferente por mais esse motivo também.

Sem nunca ter ido ao local da Igreja da Cidade, fui finalmente conhecê-la na véspera da corrida para a retirada do kit. Muito me chamou a atenção a área enorme do terreno, com um estacionamento gigantesco e diversas construções. Não apenas a igreja em si, uma construção bem moderna e que por dentro lembra até um centro de convenções, mas também uma escola que pertence a igreja e um grande espaço de vivência, com quadras esportivas e quiosques. Mesmo sem fazer parte da comunidade, fui muito bem recebido pelas pessoas que me atenderam, sendo muito solícitos e cordiais ao passar as informações sobre os detalhes para o dia seguinte.

O pórtico de largada foi posicionado na parte externa, em uma rua de terra. Achei estranho uma rua de terra perante toda a modernidade ali. Pelo regulamento, a prova de 15k largaria primeiro, depois de 5 minutos as de 10k e 5k juntas. Mas o que se viu na hora foi todo mundo largando junto e misturado. Por um lado achei ruim pois poderia gerar aquela muvuca danada que destesto nas largadas. Mas por outro, somando as 3 distâncias, eram apenas 1000 participantes. Não foi o suficiente para causar qualquer tumulto, até mesmo porque me posicionei bem à frente para a largada. Consegui imprimir meu ritmo desde o começo.

Por ser uma prova de 15k, mesma distância da São Silvestre, logo veio aquela comparação. Será que consigo fazer um tempo melhor, ou seja, abaixo de 1h27min? Eu não me sentia tão bem treinado assim, mas por outro lado fazia bastante frio no dia. Tudo ia depender também da altimetria. A da São Silvestre é bem desafiadora, e a desse percurso também parecia ser. Seja como for, comecei com um ritmo forte, fechando o primeiro quilômetro em 5min15seg, já na Via Cambuí.

O início da prova se deu pela via de acesso à área da igreja, e depois ganhamos a Via Cambuí. Não demorou muito para iniciarmos uma descida, e pouco após a marca do km2 veio um posto de água e o retorno para quem faria a distância dos 5k. A via expressa corta uma área bem pouco habitada, com alguns condomínios mas muita vegetação nativa. Ela é orientada mais ou menos no sentido norte-sul, de tal modo que víamos o sol nascendo a leste. E a oeste, na maior parte do percurso, era um barranco. O frio da manhã, o nascer do sol, a vegetação nativa, a via asfaltada bastante lisa e regular, tudo aquilo fazia com que a experiência da corrida fosse realmente bastante prazerosa. Mesmo com a subida que se tomou conta dos km4 e 5 da prova. Ainda assim, consegui virar abaixo de 6min/km, mantendo portanto um ritmo bom. Outro posto de água perto do km5, marcando também o retorno para quem faria a distância de 10k. E mesmo no frio, a água é sempre um alívio bem-vindo! E desta forma segui em frente para a continuação da prova, já fazendo contas se conseguiria manter o ritmo para fazer abaixo do tempo da São Silvestre. Aparentemente seria possível, mas claro que tudo iria depender da altimetria e das minhas energias no restante da prova.


Mais ou menos no km6 vi um posto de distribuição de isotônico. Interessante que a organização reservou este posto de hidratação apenas para quem faria a distância mais longa. E por ser no meio da pista, pode ser acessado duas vezes, afinal mais ou menos no km8 eu passei novamente por ali. Esses postos me deram um ânimo e mesmo nos trechos de subida eu estava conseguindo manter o ritmo abaixo de 6min/km. Passei pela marca dos 10k com 55min33seg. Ou seja, teria plenas condições de fazer abaixo do tempo da São Silvestre!


No posto de distribuição de água perto do km12, que era exatamente o retorno da prova de 5k, a água já havia acabado. Uma pena que não conseguiram prever adequadamente, mas felizmente eu ainda tinha um copo que estava carregando do posto de hidratação anterior e pude me manter bem hidratado nesse final. E nesse ponto as subidas já haviam terminado. Eu estava me sentindo muito bem e decidi apertar o ritmo no final. Entrei pela área da igreja e comecei a contorná-la para o último quilômetro. O que apenas comprova como a área da igreja era mesmo enorme! Comecei a fazer graça para os fotógrafos da prova, erguendo o punho, gritando, o que também os animou um pouco.


Dado o sprint final da prova insano, finalizei com 1h22min52seg, uma média de 5min30seg por quilômetro! Muito melhor do que as minhas projeções mais otimistas. Foi meu melhor tempo nessa distância! Ok, não corri muitas provas de 15k. Além das 3 edições da São Silvestre, participei também da Sargento Gonzaguinha em 2018, e meu tempo na ocasião havia sido de 1h23min58seg. Tudo isso é claro me deixou muito feliz e animado para continuar perseguindo desafios cada vez maiores. Será que a constância dos treinos e participações em provas está me preparando para voltar a encarar uma maratona? Quem sabe. Mas antes, preciso correr novamente uma meia!


Já que tanto falei aqui em comparar essa prova com a São Silvestre, fica então um comparativo da altimetria das duas provas, conforme as figuras abaixo extraídas do GPS do meu relógio. Na parte de cima, a desta Corrida da Cidade, e logo abaixo, da São Silvestre. O ganho de elevação registrado nas duas provas foi muito parecido (333m na Corrida da Cidade versus 327m na São Silvestre). A diferença principal é que na São Silvestre é basicamente uma descida só até o km5, daí vai subindo gradualmente até o km13, quando começa a subida insana da Brigadeiro. No caso dessa Corrida da Cidade foram 3 subidas fortes distribuídas ao longo do percurso. 





Para finalizar, como sempre, seguem as minhas parciais e a foto da medalha. Com destaque para as 3 cruzes que simbolizam esta igreja.