sexta-feira, 25 de junho de 2010

Recuperando a confiança: Meia Maratona de São Paulo 2010

Passado o susto da corrida da Pampulha decidi que precisava participar de uma outra prova semelhante. E a Meia Maratona de São Paulo, realizada no dia 7 de março de 2010, era uma excelente oportunidade. Serviria também como um incentivo para começar a pensar em completar minha primeira maratona. Então lá fui eu!

A prova também tinha a organização da Yescom. Por esse motivo não tive surpresas, afinal é a mesma empresa que fez a São Silvestre e a Pampulha. Os brindes no kit eram novamente dos mesmos colaboradores. Achei a camiseta azul marinho da prova muito bonita, talvez a mais bonita da minha "coleção" de camisetas de corrida. Gostei também de uma inovação que eles adotaram: no ato da inscrição você devia dizer qual o seu tempo de prova pretendido. Eram 4 faixas de tempo possíveis. E dependendo da faixa que você escolhesse, ganhava uma pulseira com uma cor equivalente a uma das 4 áreas de largada. Os atletas mais rápidos largavam na frente e os mais lentos atrás. Foi uma estratégia bastante inteligente, principalmente porque o pessoal soube respeitar a área destinada. Por este motivo, foi a largada menos tumultuada da qual participei; ainda que estivessem ali quase 10 mil corredores.

A largada e a chegada se deram na Praça Charles Miller, bem em frente ao Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, vulgo Pacaembu. Na verdade eram 2 corridas em uma só: uma de 10km, que contou também com a presença do Secretário dos Esportes da cidade de São Paulo, e a meia de 21km. Pra falar a verdade, pouco mais da metade dos inscritos estavam participando da prova de 10km.

Logo na descida da Av. Pacaembu encontrei o Adriano, um amigo corredor bem mais experiente do que eu. Corri junto com ele no começo, até o primeiro posto de água no qual ele pegou um copo pra mim. Nessa hora senti aquilo que costumamos ver na tv: atletas do pelotão de frente que pegam água para o companheiro ao lado para que ele não se desconcentre. Mas claro que o ritmo dele era muito mais forte, e logo ao subir no Minhocão ele se distanciou.

Como o Adriano mesmo disse, aquele ali era um dos trechos mais inspiradores da Corrida de São Silvestre. Realmente, no Minhocão era imensa a quantidade de pessoas nas janelas dos prédios vizinhos ao Elevado, saudando e incentivando os atletas. Mas na manhã daquele domingo não havia nada de mais. Praticamente ninguém acompanhava a Meia Maratona. Talvez pelo horário (a largada foi às 8hs da manhã de domingo), ou pela prova que é definitivamente menos famosa.

No final do Minhocão, quando a prova já chegava ao km 6, havia a separação entre os que iam pra prova de 10k e os que iam pra Meia Maratona. Desci o Minhocão por uma alça de acesso e segui para o centro da cidade. Cruzei o km 7 na Av. Duque de Caxias com 38 minutos de prova. Mas diferente da prova da Pampulha, aqui a meta era apenas terminar, nem que levasse 3 horas para fazê-lo. Comecei a sentir que o tênis incomodava, e por isso decidi diminuir o ritmo. Possivelmente uma bolha estava se formando.

Achei um barato passar pela Praça Princesa Isabel, na qual encontra-se uma majestosa estátua do Duque de Caxias, e que fica no cruzamento das avenidas Barão do Rio Branco e da Duque de Caxias. Na São Silvestre encontrei essa estátua enquanto atravessava a Barão do Rio Branco. E desta vez, na Duque de Caxias, encontrava novamente a mesma estátua.

Mais à frente estava a Estação Júlio Prestes, na qual se encontra a belíssima Sala São Paulo. Para quem nunca foi, recomendo que visite este lugar. É um ponto turístico bastante interessante da cidade de São Paulo. É também a casa da OSESP, a principal Orquestra Sinfônica do nosso Brasil. Novamente cabe aqui uma comparação com a São Silvestre: se a Meia passa na frente da Estação Júlio Prestes, a São Silvestre passa em frente ao Teatro Municipal na Praça Ramos de Azevedo.

Contornando a estação e as ruas em volta eu já passava da metade da corrida. Chegava a hora de tomar o carboidrato em gel para repor algumas energias. Vale lembrar que desta vez não tomei Gatorade antes da corrida e consegui dosar bem a quantidade de água que deveria tomar durante a prova, de forma que felizmente não tive problemas com hidratação desta vez.

Só que desta vez o drama foi outro: minhas suspeitas se confirmaram, e já no km 11 eu podia sentir claramente que uma bolha havia se formado na sola do meu pé esquerdo. Faltavam ainda cerca de 10km, a distância de uma prova como a da Tribuna. Era muito chão. E isso numa prova parecida com a São Silvestre, cheia de subidas e descidas. Mesmo com dor resolvi continuar. Até porque estava na mesma condição da Pampulha, não tinha como parar por ali.

A corrida continuou pela Av. Marquês de São Vicente. Nesse momento agradeci pelo fato de a largada ter sido às 8 horas. Já eram 9 horas nesse ponto e fazia muito sol. Felizmente ali já faltavam apenas 8 km para terminar a prova. Realmente, encarar a Meia Maratona inteira debaixo daquele sol escaldante de março teria sido muito mais difícil. Passando por esse trecho eu vi novamente como essa prova não era nada comparada à São Silvestre, pelo menos no quesito apoio popular: vi pessoas passeando pelas ruas, fazendo compras, e aparentemente incomodadas pelo fato de que uma corrida de rua estava acontecendo ali.

A seguir veio a segunda volta no Minhocão. E as dores no pé se intensificaram. Pelo jeito uma segunda bolha estava em formação, desta vez no pé direito. Será que o asfalto bastante desgastado do Minhocão tinha alguma coisa a ver? Possivelmente, mas posteriormente descobri que o principal motivo de formação das minhas bolhas eram as meias, que muito embora fossem específicas para corridas já estavam bastante gastas.

Em toda Corrida de Rua existem fotógrafos tirando fotos da galera. E desta vez eles estavam posicionados no Minhocão, tirando fotos com o prédio do Banespa ao fundo. Isso na altura do km 17. Não tive dúvidas e fiz uma baita pose para a foto, além de soltar um sonoro grito de felicidade. Achei a foto tão legal que resolvi comprá-la. Infelizmente não possuo o direito de postá-la aqui no blog devido ao termo de compromisso adotado pela empresa responsável pelos fotógrafos. Mas fica aqui um link para quem quiser ver: http://www.webrun.com.br/fotos/commerceft/produto/mostra/idProduto/4626498?mdireito=nao

Pouco depois saí do Minhocão e ganhei novamente a Av. Pacaembu. Os últimos 2 km rumo ao estádio foram interessantes. Apesar de já ter corrido 19 km eu não me sentia extremamente cansado. Mas também não tinha mais forças para aumentar o ritmo no final. Mantive a mesma velocidade, e só consegui impor um sprint final já na Praça Charles Miller. Na saída, ganhei um Gatorade, uma maça e uma barrinha de cereal para recuperar as energias.

O tempo final foi de 2 horas, 2 minutos e 11 segundos. Uma velocidade de 10.3 km/h. Mas o importante mesmo foi ter terminado essa corrida, e sem tomar nenhum susto como havia sido na Pampulha. Agora sim eu me sentia realmente vitorioso em uma prova mais longa. Isso sem falar nas bolhas que "ganhei" nessa corrida. E um sinal de que talvez seja sim possível terminar uma Maratona. Mas a Maratona de São Paulo estava muito próxima, e eu sabia que devido a outros compromissos eu não conseguiria aumentar o ritmo de treinos até lá. Por enquanto vou ficar mesmo nas provas de 10km e Meia Maratonas.

Mas quem sabe no ano que vem não participo da Maratona de São Paulo?


terça-feira, 8 de junho de 2010

Conhecendo o Brasil correndo: Volta da Pampulha 2009

Após as corridas de 10km e da São Silvestre, eu queria correr distâncias maiores. Também havia gostado muito do ano anterior, no qual passei meses me preparando para uma corrida coroando o fim de ano. Além disso, ao participar de corridas comecei a me informar também sobre provas ao redor do Brasil. Juntando tudo isso, e o fato de que ainda não conhecia Belo Horizonte, resolvi me inscrever para a Volta da Pampulha, realizada dia 6 de dezembro de 2009 ao redor da Lagoa da Pampulha na capital mineira.

Trata-se da maior corrida de rua do Estado de Minas Gerais. São quase 18 km de extensão. A prova é plana (afinal, é às margens de uma lagoa), e no ano passado foram 12.500 participantes. A organização é da Yescom, a mesma empresa que organiza a São Silvestre, a Maratona de São Paulo e as Meia Maratonas do Rio e de São Paulo. Por esse motivo, os brindes que vieram no kit eram muito parecidos com os da São Silvestre. Gostei bastante da camiseta: branca, e com o logotipo da corrida estampado bem grande no peito. Quanto às metas, a principal era terminar a corrida. De preferência com um tempo abaixo de 1h40m.

Chega então o sábado, véspera da corrida. Fui ao aeroporto e peguei um voo para Confins logo de manhã cedo. Animado com a corrida que se aproximava, decidi viajar com a camiseta da São Silvestre, para já ir entrando no clima. Quando estava na fila da esteira para pegar a babagem reparei que não era o único: muitos trajavam camisetas de outras provas, como Fila Night Run e Meia Maratona do Rio. A corrida do dia seguinte parecia ser o assunto do momento.

No sábado uma chuva fininha mas incessante castigou Belo Horizonte. Por esse motivo passei a maior parte do dia na casa de meu anfitrião, que na época era meu vizinho. Saí apenas para pegar o kit e jantar. Não foi possível fazer turismo. Mas ao pegar o kit no Iate Clube, que fica bem na Lagoa da Pampulha, deu pra ter uma sensação do tamanho do percurso que teria que enfrentar no dia seguinte.

O domingo amanheceu nublado, mas sem chuva. Perfeito para a corrida. Afinal, em dezembro seria realmente mais difícil correr sob o sol. E embora eu já tivesse realizado treinos na chuva, não havia feito nenhum na preparação para esta prova específica, de modo que estava torcendo para não chover. Seguindo a recomendação de um amigo corredor mais experiente, decidi tomar um Gatorade antes da largada, mesmo sem sol. Não foi uma atitude das mais sábias, pois senti o líquido "pesar" na barriga. Além disso, senti vontade de ir ao banheiro antes da largada. Peguei uma fila monstruosa, e só consegui me posicionar em meio à multidão quando faltavam apenas 10 minutos para começar. E faltando apenas 5 minutos, para causar vibração na galera, começou a cair um baita pé d'água.

Não teve jeito: a largada foi mesmo debaixo d'água. Na hora eu pensei: "ainda bem que já treinei alguma vez na chuva, assim sei que devo evitar pisar nas poças para não encharcar o tênis". Mas isso não adiantou muita coisa. Como já era de se esperar, a largada foi uma verdadeira bagunça. Ainda mais que todo mundo estava desviando da água. Pisei numa poça logo de cara, quando a pessoa que estava na minha frente desviou e eu não vi a poça a tempo. Mais pra frente um verdadeiro córrego cortava todas as pistas da corrida, de modo que era impossível não molhar o tênis. Resultado: antes de completar 1km de prova eu já estava com os dois tênis e as duas meias (além do resto da roupa e do corpo) completamente encharcados.

No km 2, ao passar na frente do Iate Clube onde retirei o kit, encontrei um amigo meu da faculdade que sabia que também iria correr, o "Mineiro". Mas pouco depois disso, outro fato inusitado: meu cadarço desamarrara. No começo eu achei melhor não fazer nada, mas após alguns segundos cheguei à conclusão que não daria pra aguentar mais 16km daquele jeito, e de alguma forma encontrei um lugar para parar e amarrar o tênis. Pouco depois disso, no km 4, por muito pouco não atropelei uma outra corredora ao desviar de uma poça.

Nesse ponto a chuva já tinha parado, e eu me sentia bem. Tão bem que acabei deixando o Mineiro para trás. A barriga ainda pesava e eu não sentia sede. Os pontos de água foram passando e eu peguei água apenas no km 9, mas apenas para ajudar a engolir o carboidrato em gel que havia levado para repor algumas energias. Cruzei o km 11 com apenas 59 minutos. Mas eu estava animado. Faltavam só 7 km e eu mantinha um ritmo muito forte. Comecei a sentir um pouco de cansaço, mas decidi continuar mantendo a mesma pegada.

Mas, somando-se o peso do Gatorade na barriga, ao tênis encharcado e ao ritmo acima do meu habitual, as coisas começaram a piorar. De repente minha barriga começou a doer, pouco após cruzar o km 13. Seguindo a velha filosofia do "quando correr, acelera", não diminuí o ritmo. Pânico! Comecei a sentir tontura, e baixei muito o ritmo. Tenho certeza que do contrário eu teria desmaiado. Era uma experiência nova para mim. Jamais em uma corrida de rua eu havia passado por uma situação desse tipo. Passei perto de uma barraquinha do Gatorade, mas o fiscal dali disse que eu não podia me pegar. Provavelmente era de alguma equipe de academia. Quando falei que estava mal, um outro corredor que passava disse para eu parar. Mas parar como? Eu estava a cerca de 5km da chegada, e sem dinheiro para pegar um taxi. Teria que voltar pelo menos andando. Não, viajar até Belo Horizonte para desistir de uma corrida era definitivamente inadmissível.

Um outro senhor que passava resolveu me ajudar, falando para eu acompanhá-lo e respirar fundo. Ele me encorajou, fazendo-me olhar para trás e ver quantas pessoas eu já havia ultrapassado. Naquele momento senti um arrepio, pois a cena realmente impressionava. Seja olhando pra frente ou pra trás, havia um volume de gente muito grande. Como a lagoa vai sempre fazendo curvas, era perfeitamente possível ter uma noção da quantidade de gente que estava ali presente. Fui trocando ideia com o senhor, embora infelizmente não lembre seu nome. Ele era mineiro mesmo, e disse que um dia ainda correria na São Silvestre. Pouco após o km 14 eu já me sentia recuperado. Por ser mais alto que o amigo que acabara de fazer, acabei deixando-o para trás mesmo sem perceber. Infelizmente não o encontrei depois e não pude agradecê-lo por ter me ajudado. Seja como for, fica aqui o registro.

Nessa hora já não olhava mais pro relógio: pouco importava o tempo, contanto que eu terminasse a prova. No km 16 atravesso uma ponte, e ao olhar para a esquerda outra cena impressionante: a pista do aeroporto da Pampulha estava ali, bem do meu lado. Logo vejo a linha de chegada. Acelero no último quilômetro e termino a prova com 1h40h05s. Impressionante, considerando-se tudo o que passei.

Apesar de ter feito o tempo desejado, as coisas não aconteceram exatamente como eu havia planejado. Ter tomado o Gatorade antes foi realmente um erro. Pelo menos ter tomado uma garrafinha inteira. Ter confiado demais em mim também. Mas foi bom para conhecer meus limites. Além disso, achei muito legal uma prova que era uma volta: mesmo com o tempo nublado, dava para ter uma noção razoável de onde eu me encontrava devido à posição do sol. Também gostei da sensação de correr "fora de casa", afinal era a primeira vez na vida que eu passava por aquela lagoa.

Mas o fato de ter tido um piripaque no meio da prova me fez ficar com vontade de correr novamente essa prova. Quem sabe ainda volto lá algum dia. Isso também foi determinante para que eu decidisse correr a Meia Maratona de São Paulo em março de 2010: para buscar terminar uma prova de longa distância de forma mais satisfatória. Mas isso fica para o próximo post.

terça-feira, 1 de junho de 2010

De graça até injeção na testa: Corrida Pedestre do Aniversário de São José dos Campos 2009


Após um desempenho animador nos 10km da Tribuna, resolvi partir para outra prova de 10k. Quando fiquei sabendo de uma prova gratuita com limite de 1.500 participantes no belíssimo Parque da Cidade em São José dos Campos não pensei duas vezes: fui logo fazendo a inscrição.

O kit de participação não era retirado na véspera como em outras competições, mas sim no dia da corrida. Não gostei muito disso, pois reduz bastante o número de pessoas que correm a prova com a camiseta que ganham no kit. Não que eu costume fazer isso, até porque prefiro correr de regata e as camisetas dos kits são todas com manga, mas sempre gosto de ver o pessoal correndo com a camiseta da prova. A camiseta da corrida também não era das mais leves, e veio pouca coisa do kit. A medalha, como vocês podem ver, parecia mais de competição escolar do que de uma prova oficial. Completamente perdoável para uma corrida com inscrição gratuita.

Veio então a largada, e com ela a minha maior bronca com a organização da prova. Pra começar que não isolaram a área de largada. 5 minutos antes do horário da largada e ainda estavam preparando o arco da largada e chegada (era no mesmo lugar) e fixando o relógio. Como não isolaram a área, muitos corredores foram se aquecendo à frente da linha de largada, e simplesmente se aglomeraram à multidão, empurrando os primeiros da fila para poderem tomar a dianteira. Ao invés da organização isolar a área e mandar esses espertalhões para o final da fila, mandaram todo mundo dar um passo pra trás, de forma que nesse momento eu entendi como deve se sentir uma sardinha enlatada.

A corrida em si foi legal. Não foi uma corrida no asfalto, mas sim na grama e na terra. Como havia chovido naquela semana, em alguns pontos ainda se formava lama. Não foi fácil. Diferentemente das provas no asfalto, em vários trechos eu precisava ficar olhando pro chão pra não pisar em nenhum buraco devido ao piso bastante irregular. Mesmo assim, tento impor um ritmo forte. Eu sabia que não conseguiria repetir o tempo da prova da Tribuna, pois não era uma prova plana, nem no asfalto, e não havia grandes retas. Ainda assim, gostei do meu tempo de 53 minutos cravados!

Seja como for, não achei uma experiência fantástica como haviam sido as provas da Tribuna e da São Silvestre. Definitivamente não pretendo correr essa prova novamente, mesmo sendo de graça. Aliás, nem que me paguem.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Buscando novas marcas: 10km da Tribuna 2009

Após um primeiro ano de corridas colecionando medalhas na prova da Tribuna e na São Silvestre, iniciei 2009 com o objetivo de aumentar as distâncias percorridas e a velocidade média desenvolvida. E nada melhor do que correr novamente a prova da Tribuna para ver se eu conseguia aumentar a velocidade. Desta vez a meta era fazer em 50 minutos. Mas novamente uma gripe às vésperas da prova me fez rever os planos. Até porque em alguns treinos eu nem conseguia completar 10km. Na última semana porém, consegui realizar um último treino em menos de 57 minutos. Tomei para mim as palavras de César Cielo, no dia que levou a primeira medalha de ouro olímpica da natação brasileira: "Nem que eu tenha que sair carregado de lá, mas eu vou trazer esta medalha." No meu caso era apenas uma medalha de participação, mas depois de tudo o que aconteceu, terminar a prova já seria uma grande vitória.

Veio o dia da corrida, e novamente o calor da prova me anima. Desta vez na região de largada não havia mais um apresentador aos berros como no ano anterior, mas um bem mais comedido, que estava acima de tudo agradecendo à presença de todos os atletas, sem os quais obviamente a prova não existiria. A organização novamente impressiona: no túnel fazem um ambiente de balada, com luzes piscantes e música eletrônica, além das diversas bandas espalhadas pelo percurso. Na chegada à praia (km 8), um "chuveiro" da Sabesp para refrescar a galera. Já mais experiente, não me deixo contaminar pela euforia inicial e consigo imprimir meu próprio ritmo desde o começo. Também não peguei água durante a prova, pois sempre me acostumei a treinar assim. Além disso, acho que um dos erros cometidos na prova do ano anterior e também na São Silvestre foi justamente ter bebido muita água, o que me fez sentir "pesado".

Olho no relógio a cada quilômetro completado e vejo que estou mantendo um bom ritmo. Passo os primeiros 5km fazendo uma média incrível de 5 min/km. Começo a sentir um pouco de cansaço, mas faço de tudo para manter a mesma pegada. Nos 4 quilômetros seguintes a média cai para 5,25 min/km. Passo no km 9 com 46 minutos de prova. Tento dar um sprint final mas faltam energias. Pudera, estava com um ritmo forte desde o começo. Nesse momento vejo um cadeirante, muito cansado mas se esforçando para chegar (os cadeirantes largam com meia hora de vantagem, de modo que é raro encontrar um durante a prova). Isso me anima a aumentar o ritmo forte. Cruzo a linha de chegada e meu relógio marca o tempo de 50 minutos e 49 segundos. O tempo oficial foi de 50m51s. Fico impressionado! Em nenhum treino eu havia conseguido chegar nessa marca. É realmente muito gratificante receber a medalha e ver que fiz um excelente tempo.

Agradeço a todos que me incentivaram e me desejaram boa sorte nessa corrida. O apoio dos amigos e familiares com certeza foi fundamental. Finalizo este post com a frase de Lance Armstrong que diz tudo o que senti no dia dessa corrida: "Pain is temporary, quiting lasts forever!"

domingo, 23 de maio de 2010

Um sonho realizado: São Silvestre 2008

Desde pequeno que no dia 31 de dezembro acompanho a Corrida de São Silvestre. Até me lembro de quando eu era bem pequeno que a corrida ainda era disputada à noite (mas naquela época eu não ficava assistindo). Foram muitas tardes de 31 de dezembro acompanhando a corrida. Vendo pela tv não é tão emocionante assim, embora seja bem interessante ver o centro de São Paulo. Foram tantas as vezes que olhei que praticamente já sabia de cor todo o percurso. E quando pequeno eu sempre dizia: um dia ainda vou correr na São Silvestre!

Pois é, esse dia chegou. 31 de dezembro de 2008, Av. Paulista em São Paulo, 16h52min. Era dada a largada para 20 mil atletas na 84a. edição da Corrida de São Silvestre. E eu era um destes 20 mil. Não era minha primeira corrida, mas minha primeira participação na São Silvestre. Fico surpreso com a falta de organização no começo. Qualquer um podia entrar ali e largar e participar da corrida, mesmo que não ganhasse medalha depois. Muita gente ali no meio com certeza só com a intenção de aparecer na tv. Na largada a muvuca era grande. Não havia espaço para correr antes do cruzamento do tapete de largada. E mesmo depois disso, muita gente andando bem devagar, atrapalhando quem queria já começar imprimindo um ritmo. Pior: muita gente com faixas, só passeando. Como já era de se esperar. Muitos me falaram para dar um tchauzinho para as câmeras, mas a aglomeração era tanta onde havia uma câmera que acaba abrindo um corredor, pelo qual eu obviamente escolhia seguir.

Na Av. Paulista, como era de se esperar, muita gente acompanhando a corrida. Viro na Consolação e vejo que ainda tem muita gente assistindo. Nesse momento, ao contemplar toda a extensão da descida da Consolação, consigo ver melhor o que se passava: milhares de pessoas correndo com camisas das mais variadas cores, formando um belíssimo espetáculo visual, desses que fazem a gente ter certeza que corrida de rua é mesmo um barato. Chego na Ipiranga e depois ao Minhocão. Obviamente que em cima do viaduto não havia ninguém, pois todo o espaço era fechado aos corredores. Mas nos prédios vizinhos era enorme a quantidade de pessoas nas janelas acenando, soltando rojões, balançando bandeiras dos times de futebol da cidade de São Paulo, e é claro incentivando os atletas. Passado esse trecho chego à Av. Pacaembu e ao passar por um viaduto tomo um pouco de água e como um carboidrato em gel. Continuo pelas outras avenidas do centro, até o início da Av. Rio Branco, no km 10.

Nesse ponto eu já estava me sentindo cansado, pois haviam sido muitas as subidas e descidas, e pela falta de experiência (principalmente na largada), acabei forçando mais do que meu ritmo habitual. Basta ver que passei pelo km 10 com 59 minutos de corrida, e na prova plana da Tribuna em Santos em havia completado 10km em 1 hora. Decido afrouxar um pouco o ritmo, e continuo firme e forte pela Av. Rio Branco. Nesse ponto já vejo muitas pessoas caminhando, desistindo da corrida. Chamou-me a atenção um grupo de 4 amigos que estavam à beira da avenida vendo a corrida, cada qual com uma garrafa de cerveja na mão, e ficavam sempre brindando ao verem alguém cansado passar. Fiquei me perguntando se aquilo era inveja dos que tanto treinaram o ano todo, abriram mão de tanta coisa, e agora estavam ali participando da grande festa.

Começo a me preocupar se vou ter forças para a subida. Passo pela Praça Ramos de Azevedo, onde fica o Teatro Municipal, e depois pelo Viaduto do Chá. Nesse ponto olho para os lados e vejo, além da paisagem de metrópole com enormes prédios, nuvens muito negras. Fico pensando que ainda faltavam 3 km de subida e viria chuva no final. Contorno o Largo do Paissandú e eis que começa a tão famosa av. Brigadeiro Luiz Antonio.

Durante a subida aumenta a cada trecho o número de pessoas desistindo. Nesse ponto é muito grande a quantidade de gente incentivando para que ninguém páre de correr. Cansado, já nem consigo olhar para a frente, só olho para o chão. Mas em nenhum momento penso em parar para descansar. Vou subindo firme e forte, mesmo que devagar. Ao passar pelo km 14 tiro novas forças, pois era a certeza que estava acabando. Então vejo os prédios e os postes da Paulista, e a subida acaba. Era o fim! Dobro a esquina e vejo a linha de chegada lá na frente. A alegria era tão grande por saber que faltava pouco que esqueço todas as dores e ainda consigo tirar fôlego para dar um sprint final. Era a glória!

Terminei a corrida com 1h34m43s; chegando em 8795º lugar na corrida vencida pelo queniano James Kipsang. Mas cheguei! Não é nenhum tempo excepcional, mesmo para quem corre como lazer. Além disso, fiquei muito cansado com a prova. Após terminar, pegar o kit, voltar pra casa, tomar banho e comer, já eram 22hs e eu queria era dormir. Só fiquei acordado até meia-noite porque era Reveillon. Mas quando era 0h10 eu já estava na cama, hibernando até o meio-dia do dia 1 de janeiro.

De qualquer forma, o simples fato de ter participado da corrida, cruzado a linha de chegada e trazido a medalhinha para casa já foi mais que o suficiente para mim. Foi sem dúvida um dos dias mais felizes da minha vida. O sonho de criança estava finalmente realizado.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Uma estreia animadora: Os 10 km da Tribuna 2008

A prova dos 10 km da Tribuna FM é um evento que paralisa a cidade de Santos num domingo de manhã, sempre uma semana após o dia das mães. Quando falo desta prova tem muita gente que a desconhece, mas trata-se de uma das 5 maiores corridas de rua do país em número de participantes, e a maior de 10 km. Por ser uma prova ao nível do mar, plana, e com grandes retas, é um dos percursos mais rápidos na categoria, o que serve de grande motivação tanto para veteranos quando para iniciantes. Muitos grandes nomes do atletismo brasileiro, como Ronaldo da Costa, Vanderlei Cordeiro de Lima e Marílson Gomes dos Santos, já ganharam a prova. E mesmo corredores estrangeiros vêm à Baixada Santista para correr.

Pois bem, desde que morava em Santos tinha vontade de participar. Em 2000 e em 2001 um grupo de amigos do colégio competiu e até me chamaram, mas não consegui fazer um ritmo de treinos e desisti de correr. Mas prometi a mim mesmo que um dia participaria desta prova. Em 2007, após sofrer uma lesão no joelho jogando futebol, recebi a recomendação de começar a praticar algum esporte para fortalecer os músculos, e a sugestão que resolvi seguir foi a das corridas de rua. Foi assim que tudo começou.

Assim, resolvi unir o útil ao agradável, e logo comecei a me preparar para a prova dos 10km da Tribuna de 2008. A meta era simplesmente terminar a prova, se possível abaixo de 1 hora. Achava difícil atingir essa meta pois havia pegado um resfriado duas semanas antes da corrida, que me impossibilitou de treinar direito. No meu último treino, havia feito 9 km em 1h03m.

Meus amigos que haviam corrido em 2001 tinham me alertado pra chegar cedo, pois senão eu largaria no meio da muvuca e sequer conseguiria correr antes de chegar ao túnel no qual se encerra o km 1 da prova. Assim sendo, cheguei 40 minutos antes da largada. Pude ver diversas academias se aquecendo junto nos arredores da reta de largada. Mas, logo fui pra região da largada, e consegui um lugar bem perto ao prédio do jornal A Tribuna, local onde estava a barreira. Luciano Faccioli, um jornalista de Santos que trabalhou bastante na Tribuna, estava ali fazendo o papel de "Galvão Bueno", ou seja, falando um monte de besteiras pra animar o pessoal. Perguntava quem torcia pro Santos, pro São Paulo, pro Palmeiras, pro Corinthians, quem era dali de Santos, quem era de São Vicente, Praia Grande, Cubatão, São Paulo, interior, etc... Pontualmente às 9 horas foi dada a largada.

Dada a largada, acabei me animando um pouco com o ritmo do pessoal. Foi aí que percebi que quem chega cedo é porque não quer ser atrapalhado por ninguém e quer marcar um tempo muito bom. Por isso quando cheguei no Km 2 não tinha nem 10 minutos de prova, e eu já estava morto de cansaço e com uma forte dor na barriga. Peguei uma aguinha e me refresquei, e a seguir diminuí o ritmo. Ao chegar no Km 5, eram passados 29 minutos de prova. Eu me encontrava já mais descansado, e achei que se aumentasse o ritmo na metade final da prova poderia até marcar em 1 hora. Assim, passei pelo Km 6 com 36 minutos, Km 7 com 42 minutos, Km 8 com 48 minutos, Km 9 com 54 minutos, Km 9,5 com 57 minutos e... pelo tempo oficial, cruzei a linha de chegada com exatos 59m54s!

Pra uma corrida de estreia achei que não foi nada mal. Acho que a adrenalina do momento da corrida, a empolgação de estar lá, a animação que o público traz pro evento, tudo isso fez com que meu desempenho na prova ficasse acima do esperado. Fiquei animado para participar de outras competições. E foi assim que tudo começou. Deixo abaixo uma foto da medalha que ganhei nessa corrida. A primeira da coleção.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Primeiro Post

Sejam bem-vindos ao Diário de um corredor. Criei este blog devido à enorme paixão que tenho pelas corridas de rua, esporte que pratico; e devido à vontade que tenho de registrar e compartilhar os momentos inesquecíveis das corridas que participo. Também pretendo postar informações bacanas a respeito do esporte em si, e se der na telha até mesmo falar sobre competições importantes, como maratonas internacionais e mundial de atletismo

Se você é corredor de rua também, espero que se divirta com meus textos e que possamos trocar dicas de corridas. Se você quer começar a praticar algum esporte, espero que se divirta com meus textos e que este blog te ajude a encontrar inspiração para começar a correr. Se você não pratica corrida de rua, espero que se divirta com meus textos mesmo assim.

Pois bem, comecei a correr em 2007, após uma lesão no joelho jogando futebol. Mas foi só em 2008 que comecei a participar das corridas de rua. Já participei dos 10km A Tribuna FM em 2008, 2009 e 2010, da São Silvestre em 2008, da Volta da Pampulha em 2009, da Corrida Aniversário de São José dos Campos em 2009 e da Meia Maratona de São Paulo em 2010. Vou começar postando sobre estas corridas, ou pelo sobre o que lembro delas.